Municípios enfrentam perdas na produção rural e escassez de água; governo avalia decreto de emergência
Seca compromete agricultura e abastecimento em 61 cidades do RN
A seca já afeta diretamente a produção agrícola, pastagens e o abastecimento de água em 61 municípios do Rio Grande do Norte. A situação levou prefeituras a investirem recursos em ações emergenciais, enquanto o governo estadual avalia a possibilidade de decretar estado de emergência.
Em Luís Gomes, no Alto Oeste potiguar, o abastecimento de água está em rodízio desde o início de 2025. O município decretou emergência em março e enfrenta dificuldades com a alimentação de rebanhos e perdas nas lavouras de milho e feijão, devido à irregularidade das chuvas. O açude Dona Lulu Pinto, principal fonte hídrica da cidade, opera com apenas 1,78% de sua capacidade.
A prefeitura de Luís Gomes já investiu cerca de R$ 300 mil em ações como manutenção e perfuração de poços artesianos, além do transporte de água por carros-pipa, com captação no município vizinho de Paraná. Um novo pedido de prorrogação da situação de emergência está em preparação.

Municípios do Alto Oeste enfrentam escassez
Tenente Ananias, também no Alto Oeste, enfrenta dificuldades semelhantes. A principal demanda local é a ativação da adutora de Pau dos Ferros, que ainda não está em operação. A prefeitura investe mensalmente R$ 200 mil em abastecimento por carros-pipa, manutenção de poços e barreiros, atendendo 272 famílias da zona rural.
A Companhia de Águas e Esgotos do RN (Caern) informou que a Adutora Alto Oeste, com captação na barragem de Pau dos Ferros, foi projetada para reforçar o abastecimento em cidades com mananciais limitados. Os testes de operação da adutora começaram em 26 de agosto, com previsão de atendimento a Luís Gomes, Riacho de Santana e Água Nova.
Chuvas abaixo da média no Seridó
No Seridó potiguar, Acari registrou chuvas abaixo da média durante a quadra chuvosa de 2025. A produção agrícola foi afetada, especialmente entre agricultores familiares. Um projeto de compra direta de algodão, realizado em parceria com a empresa Riachuelo, teve queda na participação: de 15 produtores, apenas 6 conseguiram manter a produção.
A prefeitura investiu em melhorias de barreiros e ampliação de cacimbas na zona rural, além de solicitar novas perfurações de poços ao Governo do Estado. A região depende do rio Acauã para abastecimento, e a demanda por infraestrutura hídrica permanece alta.
Governo do RN avalia decreto de emergência
O Governo do Estado ainda não definiu prazo para decretar emergência, mas já perfurou mais de 60 poços em 2025, com meta de chegar a 500 até abril de 2026. A Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) destaca que ações estruturantes e não estruturantes estão em andamento.
Entre as medidas estruturantes estão obras de perfuração de poços, recuperação de reservatórios e implantação de adutoras. Já as ações não estruturantes incluem alocação de água e recuperação de barragens. Um programa inédito está em execução, com 28 barragens em processo de recuperação — 18 em andamento e 10 já concluídas.
O governo também atua na produção agropecuária, com fabricação de 10 mil fardos de feno por mês, vendidos a preço subsidiado. Há expectativa de ampliação da cota de milho da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), de 22 mil para 45 mil toneladas.
Na semana anterior, prefeitos de diversas cidades participaram de reunião na Assembleia Legislativa para cobrar soluções para o colapso hídrico, com foco na perfuração de poços no interior do Estado.
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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