RN ocupa penúltimo lugar em gastos próprios com saúde, aponta Ministério da Saúde

RN ocupa penúltimo lugar em gastos próprios com saúde, aponta Ministério da Saúde

Ministério Público aciona Justiça para garantir abastecimento de hospitais estaduais

RN ocupa penúltimo lugar em gastos próprios com saúde

O Rio Grande do Norte ocupa a penúltima posição no ranking nacional de gastos próprios com saúde, segundo dados do Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde (Siops), do Ministério da Saúde. No Nordeste, o estado aparece na última colocação. Os dados são referentes ao mês de maio de 2025 e foram destacados pelo Ministério Público do RN (MPRN) nesta terça-feira (26).

A baixa aplicação de recursos é apontada como um dos principais fatores para a crise de desabastecimento enfrentada pela rede hospitalar estadual. O MPRN ingressou com ação judicial para garantir o fornecimento de insumos e medicamentos às unidades mantidas pela Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap).

De acordo com o Ministério Público, há um déficit superior a R$ 141 milhões em repasses da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) para o Fundo Estadual de Saúde. O valor corresponde à diferença entre o montante previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2025 e os valores efetivamente transferidos entre janeiro e maio.

A situação afeta diretamente os principais hospitais do estado. No Hospital Santa Catarina, localizado na Zona Norte de Natal, o índice de ausência de materiais e medicamentos chegou a 40% em janeiro. O Hospital Giselda Trigueiro, referência em infectologia, também enfrenta escassez de insumos. No Hospital João Machado, foram identificadas condições mínimas de segurança, o que levou à recomendação de bloqueio de leitos.

O Hemocentro do RN (Hemonorte), que historicamente não apresentava problemas de abastecimento, também foi incluído na lista de unidades afetadas. A constatação foi feita durante visita técnica realizada pela Promotoria de Saúde em junho.

Na manifestação protocolada na 5ª Vara da Fazenda Pública, o MPRN solicita audiência urgente com representantes do governo estadual, incluindo os secretários de Saúde e Fazenda, diretores de hospitais e da Central de Abastecimento Farmacêutico (Unicat). O objetivo é discutir medidas imediatas para regularizar o fornecimento de insumos.

A análise orçamentária do Ministério Público aponta uma queda significativa nos gastos com saúde no primeiro semestre de 2025 em comparação com o mesmo período de 2024. As despesas liquidadas apresentaram redução de 67%, enquanto as despesas pagas caíram 68,14%.

A Sesap atribui parte da crise ao aumento de leitos e à dificuldade de ampliar a oferta na rede pública. A secretária-adjunta de Saúde, Leidiane Fernandes de Queiroz, informou que reuniões com o Gabinete Civil e setores de planejamento e orçamento estão sendo realizadas para viabilizar o pagamento de fornecedores.

O contingenciamento de recursos por parte da Sefaz é apontado como fator central na crise. Segundo o MPRN, a retenção de verbas do Tesouro Estadual compromete o funcionamento das unidades hospitalares e dificulta a execução de políticas públicas de saúde.

A ação judicial movida pelo Ministério Público tramita há mais de uma década e tem como foco a regularização do abastecimento hospitalar. A nova manifestação busca garantir medidas emergenciais diante do agravamento da situação em 2025.

Foto: Arquivo/POR DENTRO DO RN/Ilustração

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