Presidente brasileiro participa da Assembleia Geral da ONU em meio a tensões diplomáticas com os Estados Unidos
Lula discursa na ONU e pode encontrar Trump pela primeira vez
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a Nova York para participar da 78ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O discurso de abertura está previsto para terça-feira (23), seguindo a tradição de que o Brasil é o primeiro país a falar na tribuna do evento. Em seguida, será a vez do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Esta será a primeira vez que Lula e Trump estarão no mesmo ambiente desde o retorno do republicano à presidência dos Estados Unidos. A possibilidade de um encontro entre os dois líderes existe, embora não haja confirmação oficial de reunião bilateral. A expectativa é que possam se cruzar nos bastidores entre os discursos.
A viagem ocorre em meio a uma crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos. O governo norte-americano impôs tarifas de 50% sobre parte das exportações brasileiras e sinalizou novas sanções após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e outros crimes.
Durante o discurso na ONU, Lula deve abordar temas como soberania nacional, defesa da democracia e multilateralismo. Também está prevista a defesa do reconhecimento do Estado da Palestina e a reafirmação da posição brasileira em favor de uma solução pacífica para o conflito na Ucrânia.
A comitiva presidencial que acompanha Lula é enxuta. Entre os ministros presentes estão Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública), Camilo Santana (Educação), Márcia Lopes (Mulheres) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas). O governador do Ceará, Elmano de Freitas, e o embaixador Celso Amorim também integram a delegação.
Alguns ministros inicialmente previstos para a viagem cancelaram a participação. Fernando Haddad (Fazenda) permaneceu no Brasil para tratar de pautas econômicas no Congresso. Alexandre Padilha (Saúde) não viajou devido a restrições de circulação impostas pelo governo norte-americano. Outros nomes, como Sidônio Palmeira (Secom), Esther Dweck (Gestão) e Jader Filho (Cidades), também alteraram seus planos.

A primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, chegou antes a Nova York e participou de atividades oficiais. O casal presidencial está hospedado na residência oficial do Brasil na cidade, onde vive o representante permanente do país junto à ONU.
Além do discurso na Assembleia Geral, Lula deve participar de encontros sobre meio ambiente, democracia e a situação da Palestina. Há também interesse do governo brasileiro em realizar uma reunião bilateral com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. A definição depende de questões logísticas e de segurança, já que a agenda de Zelensky é mantida sob sigilo.
O Brasil recebeu cerca de 30 pedidos de reuniões bilaterais durante o evento. A equipe presidencial avalia os compromissos com base na relevância diplomática e na disponibilidade de agenda.
Foto: Ricardo Stuckert / PR
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