Coaf aponta movimentações de R$ 3,2 bilhões em Contag e Sindnapi em relatórios enviados à CPI do INSS

Coaf aponta movimentações de R$ 3,2 bilhões em Contag e Sindnapi em relatórios enviados à CPI do INSS

Relatórios destacam transações suspeitas em regiões de fronteira, operações em espécie e repasses a empresas ligadas a dirigentes; CGU reforça auditorias que embasaram Operação Sem Desconto

A Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag) e o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi) movimentaram, juntos, cerca de R$ 3,2 bilhões nos últimos anos, segundo relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) encaminhados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS. Os documentos detalham operações consideradas suspeitas e incompatíveis com a realidade declarada pelas entidades.

Movimentações da Contag

De acordo com o relatório do Coaf, a Contag movimentou R$ 2 bilhões entre maio de 2024 e maio de 2025, sendo R$ 1,017 bilhão em receitas e R$ 1,015 bilhão em pagamentos. O documento classificou parte das operações como “suspeitas de irregularidades podendo caracterizar desvio com fraudes”.

Entre os pontos destacados estão transações em regiões de fronteira, como os municípios de Rodeio Bonito (RS), Cruzeiro do Sul (AC) e Tangará da Serra (MT). Embora não sejam vizinhos imediatos de outros países, estão situados em faixas consideradas fronteiriças e foram citados em razão de operações com “cheques viagens”.

O relatório ainda mencionou transferências para terceiros sem vínculo comercial identificado e movimentações expressivas em curto espaço de tempo, como os R$ 46,4 milhões depositados em abril de 2025. Outro aspecto levantado foi a aplicação de recursos em fundos de renda fixa de longo prazo, considerada incompatível com os rendimentos declarados.

Dados bancários apontam que o faturamento anual da Contag em 2023 foi de R$ 507 milhões. Entre 2016 e janeiro de 2025, a entidade arrecadou R$ 3,4 bilhões com descontos associativos, conforme levantamento da Controladoria-Geral da União (CGU). A confederação é investigada na Operação Sem Desconto, deflagrada em abril deste ano pela Polícia Federal.

Movimentações do Sindnapi

O Sindnapi, ligado à Força Sindical, movimentou R$ 1,2 bilhão entre janeiro de 2019 e junho de 2025, segundo relatório de inteligência financeira do Coaf. Do total, R$ 586 milhões foram créditos e R$ 613 milhões débitos.

O documento chamou a atenção para operações em espécie realizadas pela entidade. Nos seis anos analisados, o sindicato realizou saques e depósitos que somaram R$ 6,5 milhões. Segundo o Coaf, esse tipo de movimentação dificulta o rastreamento da origem dos recursos e dos beneficiários finais.

Outro ponto destacado foi o repasse de R$ 8,2 milhões a empresas de familiares de dirigentes do sindicato. As companhias têm como sócios parentes do atual presidente, Milton Baptista de Souza Filho, conhecido como Milton Cavalo, e do ex-presidente João Batista Inocentini, falecido em 2023.

De acordo com o Portal da Transparência, os repasses do INSS ao Sindnapi aumentaram 564% entre 2020 e 2024. O valor passou de R$ 23,2 milhões para R$ 154,7 milhões. O sindicato também é apontado como uma das entidades que mais se beneficiaram dos descontos aplicados nos benefícios previdenciários.

Auditorias da CGU

Em depoimento à CPI do INSS, o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinicius Marques de Carvalho, reafirmou que o órgão produziu auditorias que identificaram irregularidades nos descontos associativos realizados em benefícios previdenciários.

Segundo os relatórios, cerca de 97% desses descontos não tinham autorização dos beneficiários. As auditorias foram encaminhadas à Polícia Federal e embasaram a Operação Sem Desconto.

Os documentos também apontaram aumento expressivo no número de filiados em entidades sindicais, como o Sindnapi, que entre 2021 e 2023 passou de cerca de 170 mil para 420 mil associados. No mesmo período, segundo auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), o faturamento do sindicato cresceu de R$ 41 milhões para R$ 149 milhões.

Operação Sem Desconto

Deflagrada em abril de 2025, a Operação Sem Desconto investiga irregularidades em entidades que receberam recursos do INSS por meio de descontos associativos. A ação resultou na demissão do então presidente do instituto, Alessandro Stefanutto, e do ex-ministro Carlos Lupi.

A Contag e o Sindnapi estão entre as principais entidades citadas nos relatórios enviados à CPI e são alvo de investigações em andamento.

Foto: Reprodução / Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

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