China e Rússia exigem libertação de Maduro após ofensiva dos EUA e ONU convoca reunião de emergência

China e Rússia exigem libertação de Maduro após ofensiva dos EUA e ONU convoca reunião de emergência

Pequim e Moscou condenam operação militar americana, cobram libertação de Nicolás Maduro e crise chega ao Conselho de Segurança da ONU

A ofensiva militar dos Estados Unidos na Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, provocaram forte reação internacional neste fim de semana. China e Rússia condenaram publicamente a ação americana, exigiram a libertação imediata do casal e classificaram a operação como violação do direito internacional. Diante da escalada diplomática, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) convocou uma reunião de emergência para discutir o caso.

Em pronunciamento divulgado neste sábado (3), o governo chinês afirmou estar “profundamente chocado” com a ação dos Estados Unidos. Segundo Pequim, a ofensiva representa o uso flagrante da força contra um Estado soberano e configura uma violação direta da soberania venezuelana.

De acordo com um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, a operação contraria os princípios da Carta das Nações Unidas e representa uma ameaça à paz e à segurança da América Latina e do Caribe. O governo chinês exigiu que Washington cesse imediatamente ações que comprometam a soberania de outros países.

China exige libertação de Maduro e diálogo político

No domingo (4), a China reforçou sua posição e afirmou que os Estados Unidos devem libertar imediatamente Nicolás Maduro e sua esposa. Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores chinês declarou que a deportação do líder venezuelano viola o direito internacional e cobrou garantias para a segurança pessoal do casal.

Pequim voltou a classificar a operação militar americana como uso ilegítimo da força contra um Estado soberano e afirmou que a ação reflete um comportamento hegemônico que ameaça a estabilidade regional.

A China, uma das principais parceiras políticas e econômicas da Venezuela, reiterou que a crise no país deve ser resolvida por meio de diálogo e negociação, sem interferência externa, e conduzida pelo próprio povo venezuelano.

Rússia classifica ação dos EUA como agressão armada

Também neste sábado (3), a Rússia condenou a operação militar realizada pelos Estados Unidos na Venezuela e exigiu a libertação de Nicolás Maduro e de Cilia Flores. Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores russo afirmou que a ação americana configura um “ato de agressão armada”.

“Pedimos firmemente às autoridades americanas que reconsiderem sua postura e libertem o presidente legalmente eleito do país soberano e sua esposa”, diz o comunicado divulgado por Moscou.

A Rússia afirmou que os argumentos apresentados pelos Estados Unidos são insustentáveis e criticou o que chamou de hostilidade ideológica contra um país soberano. O governo russo também cobrou esclarecimentos imediatos sobre o paradeiro de Maduro.

Moscou reafirmou apoio ao líder venezuelano, um de seus principais aliados na América Latina. A Rússia esteve entre os poucos países que reconheceram e parabenizaram Maduro após a reeleição de 2024, cuja legitimidade é contestada por parte da comunidade internacional.

ONU convoca reunião de emergência

Diante das reações internacionais, o Conselho de Segurança da ONU convocou uma reunião de emergência para a próxima segunda-feira, às 12h (horário de Brasília), com o objetivo de discutir a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela. A informação foi confirmada pela presidência do órgão, atualmente sob comando da Somália.

A convocação ocorre após os Estados Unidos lançarem uma ofensiva militar no sábado (3) e anunciarem a captura de Nicolás Maduro em Caracas.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou estar profundamente alarmado com a escalada do conflito. Segundo ele, a situação representa o risco de um precedente perigoso e reforça a necessidade de respeito ao direito internacional e à Carta das Nações Unidas.

Guterres também defendeu a retomada do diálogo político, o respeito aos direitos humanos e a preservação do Estado de Direito como caminhos para a resolução da crise.

Carta da Venezuela ao Conselho de Segurança

O governo da Venezuela encaminhou uma carta oficial ao Conselho de Segurança da ONU condenando os ataques dos Estados Unidos. No documento, as ações americanas são classificadas como “brutais e ilegais”.

A Venezuela exigiu uma condenação formal da ofensiva, a cessação imediata das ações militares e a responsabilização dos Estados Unidos por crime de agressão.

Segundo a carta, alvos civis e militares foram atingidos em Caracas e em estados como Miranda, Aragua e La Guaira. A convocação da reunião de emergência contou com o apoio da Rússia e da Colômbia, que atualmente integram o Conselho de Segurança da ONU.

Foto: RS/Fotos Públicas

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