Governadora se reuniu com sete partidos de esquerda e anunciou que deixará o cargo em 4 de abril. Estratégia segue orientação nacional do PT para eleger o maior número possível de senadores já no primeiro turno
A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), reuniu-se no fim da tarde da segunda-feira (23) com representantes de sete partidos políticos de centro-esquerda para alinhar a estratégia da disputa eleitoral de 2026. No encontro, realizado na sede do PT no bairro de Potilândia, em Natal, a chefe do Executivo estadual reafirmou sua pré-candidatura ao Senado Federal e detalhou o cronograma de desincompatibilização do cargo.
De acordo com o presidente estadual do PC do B, José Divanilton Pereira, a governadora confirmou aos partidos que renunciará ao mandato no dia 4 de abril. A medida segue a estratégia nacional do PT e do presidente Lula de eleger o maior número possível de candidatos a senador já no primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.
Partidos alinhados e articulação política
Participaram da reunião representantes das legendas que compõem a Federação Brasil da Esperança (PT, PC do B e PV), além de dirigentes do PSB, PDT, REDE e Cidadania. Todos integram a base de apoio ao governo do Estado na Assembleia Legislativa.

O PSOL não enviou representantes ao encontro. Segundo informações repassadas durante a reunião, o presidente estadual da legenda, ex-deputado estadual Sandro Pimentel, estava participando de movimentações em apoio à greve dos servidores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
O presidente do PDT e pré-candidato a senador Jean Paul Prates também não compareceu. De acordo com a legenda, ele viajou a São Paulo e não pôde estar presente.
Negociação para o mandato tampão na Assembleia
Durante a reunião com os interlocutores partidários, Fátima Bezerra informou que passou o período do Carnaval negociando politicamente a sucessão no Legislativo estadual. A Assembleia Legislativa realizará uma eleição indireta para escolher o governador que cumprirá o chamado “mandato tampão” de nove meses.

A necessidade da eleição indireta decorre da decisão da governadora de não continuar no exercício do cargo para disputar o Senado e do posicionamento do vice-governador Walter Alves (MDB), que comunicou que não assumirá a chefia do Executivo para poder disputar uma cadeira de deputado estadual nas eleições de outubro.
Sem mencionar nomes, a governadora teria reiterado a necessidade de que o novo governador eleito pela Assembleia seja comprometido com o projeto político-administrativo do governo eleito em 2018 e reeleito em 2022.
Engajamento dos partidos e projeto para o governo
Segundo José Divanilton Pereira, todos os partidos representados na reunião se engajaram, de forma unânime, no projeto político da governadora. O dirigente do PC do B informou ainda que Fátima Bezerra continua defendendo a pré-candidatura a governador do secretário estadual da Fazenda, Carlos Eduardo Xavier, o “Cadu”, para as próximas eleições.
O encontro serviu para consolidar o apoio das legendas de esquerda à pré-candidatura de Fátima Bezerra ao Senado e para alinhar os próximos passos da articulação política que definirá os rumos do Executivo estadual nos nove meses que antecedem a posse do novo governador eleito em outubro.
Fotos: João Gilberto/ALRN
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