Editorial POR DENTRO DO RN

A falta de medicamentos em Parnamirim deixou de ser um problema pontual para se transformar em um retrato preocupante da gestão da saúde pública no município. E, diante da gravidade dos relatos que chegam diariamente da população, é inevitável direcionar a pergunta à chefe do Executivo: prefeita Nilda, onde estão os remédios do povo?
Não estamos falando de itens supérfluos. São medicamentos de uso contínuo, muitos deles controlados, essenciais para garantir qualidade de vida e, em diversos casos, a própria sobrevivência dos pacientes. Quando esses remédios desaparecem das prateleiras das farmácias públicas, o que se instala não é apenas a frustração — é o risco real.
Os relatos são contundentes. Moradores deixam unidades de saúde com receitas em mãos e nenhuma solução. A cena tem se repetido em diferentes pontos da cidade: filas, espera e, ao final, a mesma resposta — “não tem no estoque”. Uma realidade cruel para quem depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS).
Em vídeos que circulam nas redes sociais, pacientes expõem a indignação e o desespero. Uma moradora, em frente a uma unidade de saúde, relata que não conseguiu retirar seu medicamento e afirma que a situação é recorrente. Ao redor dela, outros cidadãos vivem o mesmo drama. Não se trata de um caso isolado. É um padrão.
A situação se torna ainda mais grave quando envolve medicamentos controlados, utilizados no tratamento de transtornos psiquiátricos e doenças neurológicas. A interrupção desse tipo de tratamento pode gerar consequências severas, incluindo crises, agravamento de quadros clínicos e até internações.
Prefeita, é aceitável que um paciente psiquiátrico fique sem medicação por falha da gestão pública? É razoável que idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade tenham que escolher entre comprar remédios caros ou simplesmente interromper o tratamento?
A resposta, evidentemente, é não. E é justamente por isso que o silêncio e a falta de respostas claras por parte da gestão municipal causam ainda mais indignação.
Outro fator que amplia o descontentamento popular é a percepção de prioridades equivocadas. Enquanto faltam medicamentos básicos nas unidades de saúde, a população acompanha investimentos em eventos e ações que, embora tenham seu espaço, não podem se sobrepor ao essencial. Saúde básica não é opcional — é obrigação.
Além disso, chama atenção a ausência de transparência. Não há um cronograma claro de reposição dos medicamentos. Não há comunicação eficaz com os usuários do sistema. O cidadão sai de casa sem saber se encontrará o que precisa — e, na maioria das vezes, não encontra.
Isso revela não apenas uma falha operacional, mas uma fragilidade estrutural na gestão da saúde. A Secretaria Municipal de Saúde é responsável pela aquisição, distribuição e controle de estoque dos medicamentos. Quando o desabastecimento se torna frequente, é sinal de que algo está profundamente errado no planejamento.
Prefeita Nilda, a população de Parnamirim precisa de respostas urgentes:
- Por que os medicamentos estão em falta?
- Existe falha na compra ou na distribuição?
- Há previsão concreta para normalizar o abastecimento?
- Quais medidas emergenciais estão sendo adotadas?
Enquanto essas respostas não são apresentadas, o que se vê é um cenário de abandono. Pacientes retornam várias vezes às unidades de saúde na esperança de encontrar seus remédios. Muitos não têm condições financeiras de recorrer à rede privada. Outros simplesmente interrompem o tratamento, colocando em risco a própria saúde.
O impacto disso vai além do indivíduo. Um sistema que falha na atenção básica sobrecarrega a média e alta complexidade. O que poderia ser resolvido com um comprimido passa a exigir atendimento de urgência. O custo humano e financeiro dessa negligência é alto — e totalmente evitável.
A saúde pública precisa ser tratada com a seriedade que merece. Planejamento, gestão eficiente e compromisso com a população não são diferenciais — são o mínimo esperado.
Parnamirim não pode conviver com a falta do básico. E o básico, prefeita, é garantir que o cidadão tenha acesso ao seu medicamento.
Porque, no fim, a pergunta continua sem resposta: cadê o remédio do povo?
Foto: Celso Oliveira/Ilustração
Siga o Por Dentro do RN também no Instagram e mantenha-se informado.







