De gigante a reduzido: PSDB perde força no RN

De gigante a reduzido: PSDB perde força no RN

Editorial POR DENTRO DO RN

A recente janela partidária redesenhou o mapa político da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte e escancarou uma realidade difícil de ignorar: o encolhimento do PSDB no estado. A legenda, que já ocupou posição de protagonismo no parlamento potiguar, agora se vê reduzida a apenas três deputados estaduais — um contraste significativo em relação a 2022, quando foi a sigla que mais elegeu parlamentares.

Sob o comando de Ezequiel Ferreira de Souza, o partido enfrenta um momento de inflexão. O próprio Ezequiel, que também preside a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, simboliza essa dualidade: ao mesmo tempo em que mantém forte influência institucional, vê sua base partidária diminuir de forma expressiva.

O cenário atual mostra um PSDB com apenas três nomes na Casa — o próprio Ezequiel, além de Cristiane Dantas e Taveira Júnior. A redução não é apenas numérica, mas também simbólica. Em um parlamento onde a força política se mede, em grande parte, pela capacidade de articulação coletiva, perder cadeiras significa reduzir poder de barganha, influência em votações e protagonismo nos debates.

Enquanto isso, outras forças políticas avançam. A federação liderada pelo PT ampliou sua presença e passou a figurar entre as maiores bancadas, assim como o PL, que também chegou a oito deputados. O crescimento dessas legendas reforça uma tendência de polarização e reorganização política, deixando menos espaço para partidos tradicionais que não conseguiram acompanhar as mudanças no cenário eleitoral.

O caso do PSDB no Rio Grande do Norte chama atenção justamente por seu histórico recente. Em 2022, a legenda demonstrou capilaridade, estrutura e capacidade de articulação ao eleger um número expressivo de deputados. O desempenho consolidava o partido como uma das principais forças políticas do estado. No entanto, pouco tempo depois, o quadro mudou drasticamente.

Essa retração pode ser atribuída a múltiplos fatores: rearranjos internos, estratégias eleitorais, migração de lideranças e, sobretudo, a busca por sobrevivência política em um ambiente cada vez mais competitivo. A janela partidária, nesse contexto, funciona como um termômetro — e o resultado não foi favorável ao PSDB potiguar.

Curiosamente, esse movimento local contrasta com a tentativa de reorganização do PSDB em nível nacional. Historicamente um dos principais partidos do país, a legenda vem buscando se reposicionar após sucessivas perdas eleitorais nos últimos anos. Em alguns estados, há sinais de recomposição, alianças estratégicas e tentativas de reconstrução de protagonismo, inclusive com fusões e federações sendo discutidas no cenário político nacional.

Esse descompasso entre o desempenho local e as movimentações nacionais levanta questionamentos importantes. Até que ponto a estratégia nacional do PSDB consegue dialogar com as realidades regionais? E mais: qual o papel das lideranças estaduais nesse processo de reconstrução partidária?

No Rio Grande do Norte, a responsabilidade recai diretamente sobre Ezequiel Ferreira. Como principal liderança tucana no estado e figura central na política local, ele terá o desafio de rearticular o partido, recuperar quadros e reposicionar a legenda para os próximos embates eleitorais.

A política é dinâmica, e o cenário atual não é definitivo. Partidos crescem, encolhem e se reinventam ao longo do tempo. No entanto, o momento vivido pelo PSDB no RN exige reflexão estratégica. A perda de espaço na Assembleia não é apenas um dado estatístico — é um indicativo claro de que algo precisa ser recalibrado.

Se por um lado o partido ainda conta com uma liderança forte à frente do Legislativo, por outro, precisa reconstruir sua base para continuar relevante no jogo político estadual. O futuro do PSDB no Rio Grande do Norte dependerá, em grande medida, da capacidade de adaptação às novas configurações políticas e da habilidade de suas lideranças em reconectar o partido com o eleitorado.

Por ora, o que se vê é um partido que já foi gigante e que agora busca reencontrar seu tamanho em um tabuleiro político cada vez mais competitivo.

Foto: Eduardo Maia/ALRN

Siga o Por Dentro do RN também no Instagram e mantenha-se informado.

MAIS LIDAS DO DIA

Assine nossa Newsletter

GPA, dono do Pão de Açúcar e Extra, pede recuperação extrajudicial de R$ 4,5 bi RN confirma 2º caso de superfungo Candida auris e investiga falha em limpeza hospitalar Caso Vorcaro: As mensagens secretas com Moraes e a transferência para presídio federal Influenciadora Simone Maniçoba morre após procedimento estético Enem 2025: inscrições começam em 26 de maio e provas serão aplicadas em novembro Prefeitura divulga programação do São João de Natal 2025 com shows em toda a cidade