Relatos indicam que ambulância não foi enviada inicialmente devido à retenção de macas no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, comprometendo o atendimento ao motociclista na avenida Engenheiro Roberto Freire
Um acidente de trânsito registrado na avenida Engenheiro Roberto Freire, na zona sul de Natal, na noite desta terça-feira (7), resultou na morte de um motociclista e trouxe à tona a retenção de macas no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel como fator que impactou diretamente o atendimento de urgência. O caso foi divulgado pelo VIA CERTA NATAL.
De acordo com relatos colhidos no local, a ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) não foi enviada inicialmente porque não havia maca disponível. A indisponibilidade ocorreu em razão da permanência das macas das viaturas no Hospital Walfredo Gurgel, o que impede o retorno das ambulâncias às ruas para novos atendimentos.
Testemunhas descreveram um cenário de espera prolongada por suporte médico avançado. Um familiar da vítima relatou a situação no momento do acidente e associou diretamente a demora ao bloqueio de macas no hospital.
“O SAMU não vinha porque não tinha maca. O Walfredo Gurgel está com as macas todas presas. Meu irmão morreu aqui no chão esperando por uma maca que estava presa no hospital”, afirmou.

Policiais militares que atenderam a ocorrência realizaram o isolamento da área e controlaram o fluxo de veículos na via, considerada uma das principais da zona sul da capital. Durante o atendimento, houve tentativas de acionamento do SAMU, mas a liberação da ambulância foi condicionada à disponibilidade de maca.
Profissionais que acompanharam a ocorrência relataram que a central de regulação enfrenta dificuldades frequentes relacionadas à retenção de macas. Segundo um dos relatos, a resposta recebida ao solicitar a ambulância foi direta.
“A gente liga e a resposta é sempre a mesma: não tem viatura disponível porque as macas estão presas com pacientes no Walfredo. Enquanto isso, as pessoas morrem na rua esperando”, disse uma testemunha.
A retenção de macas ocorre quando o Hospital Walfredo Gurgel, operando acima da capacidade, utiliza as macas das ambulâncias para acomodar pacientes nos corredores. Com isso, as viaturas permanecem impossibilitadas de retornar ao atendimento externo, reduzindo a disponibilidade de unidades móveis em circulação.
Após a liberação de uma equipe de suporte avançado, o motociclista foi colocado na ambulância e recebeu atendimento. Foram realizadas manobras de reanimação, mas o óbito foi confirmado ainda dentro do veículo de emergência.
Um popular que participou do isolamento inicial descreveu a condição da vítima durante a espera pelo atendimento.
“Ele ainda estava vivo, estava respirando. Demorou muito. Se a ambulância tivesse chegado 15 minutos antes, talvez ele tivesse uma chance. É um absurdo a pessoa morrer porque o hospital não devolve a maca do SAMU.”
De acordo com a equipe médica, o estado clínico era considerado crítico, e o tempo de resposta é um fator determinante em ocorrências envolvendo traumas graves. A ausência de intervenção em tempo adequado compromete as chances de sobrevivência em casos dessa natureza.
O corpo foi encaminhado ao Instituto Técnico-Científico de Perícia para a realização dos exames necroscópicos. A dinâmica do acidente ainda será analisada por meio de perícia.
Familiares da vítima informaram que buscarão esclarecimentos sobre a demora no atendimento. “Isso não pode ficar assim. Não foi só o acidente, foi o descaso. Meu irmão foi vítima de um sistema que não funciona”, declarou.
Até o momento, não houve manifestação oficial das autoridades de saúde sobre a quantidade de ambulâncias com macas retidas no Hospital Walfredo Gurgel no período da ocorrência. O trânsito na região foi normalizado após a retirada do corpo e do veículo envolvido.
Foto: Reprodução
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