Laudo pericial aponta presença de aldicarbe no alimento consumido por Yohana Maitê, de oito meses; polícia investiga quem enviou o produto contaminado como presente
A Polícia Civil do Rio Grande do Norte confirmou, nesta segunda-feira (5.mai.2025), que o açaí ingerido pela bebê Yohana Maitê Filgueira Costa, de oito meses de idade, estava envenenado com uma substância conhecida como chumbinho. O caso, registrado no dia 14 de abril em Natal, é investigado pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
O delegado Cláudio Henrique, responsável pelo inquérito, afirmou que o resultado de um laudo pericial realizado no alimento apontou a presença do pesticida conhecido como aldicarbe, substância popularmente chamada de chumbinho e proibida no Brasil desde 2012.

“O laudo confirma que havia veneno, o popularmente chamado chumbinho, no açaí que foi ingerido pelas vítimas”, declarou o delegado.
Além da bebê, uma prima de segundo grau da criança, identificada como Geísa de Cássia Tenório Silva, de 50 anos, também consumiu o mesmo alimento contaminado. Ela foi internada em estado grave, permaneceu na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e recebeu alta no dia 30 de abril.
Investigação
De acordo com a Polícia Civil, o açaí foi enviado como presente para Geísa Silva, que o compartilhou com a bebê. As investigações agora buscam identificar quem foi o responsável pelo envio do produto envenenado.

O delegado Cláudio Henrique informou que, embora ainda não haja confirmação oficial da presença da substância tóxica nos organismos das vítimas, o resultado da perícia no alimento já permite afirmar que se trata de um caso de envenenamento.
“Ainda não há uma confirmação no organismo [das vítimas], mas nós temos já a confirmação de que havia no produto ingerido, então nós podemos afirmar que de fato houve envenenamento”, disse.
O Instituto Técnico-Científico de Perícia do Rio Grande do Norte (Itep) está conduzindo exames toxicológicos para verificar a presença do aldicarbe no organismo de Geísa Silva. O resultado desses exames pode evitar a necessidade de exumação do corpo da bebê, segundo a autoridade policial.

“Se o Itep confirmar a presença no organismo dela, então acredito que não seja necessária a exumação [do corpo da bebê]. É uma possibilidade que eu prefiro evitar, mas é uma possibilidade”, afirmou o delegado.
Substância proibida
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe, desde 2012, a comercialização e o uso do aldicarbe no Brasil. A substância é altamente tóxica e, mesmo em pequenas quantidades, pode causar sérios danos à saúde, incluindo paralisia respiratória e morte.
O uso do chumbinho como raticida é comum em práticas ilegais. Frequentemente vendido de forma clandestina, ele é uma mistura de substâncias que não têm procedência regulamentada, tornando o seu consumo ainda mais perigoso.
Próximos passos
A polícia ainda não divulgou detalhes sobre os suspeitos ou possíveis motivações para o crime. O inquérito segue em andamento, e a expectativa da Polícia Civil é de que os exames complementares do Itep sejam concluídos nos próximos dias.
Enquanto isso, o caso permanece sob sigilo parcial, e os laudos técnicos ainda não foram divulgados publicamente. A Polícia Civil reforça que qualquer informação sobre a origem do alimento envenenado ou sobre o envio do “presente” pode ser útil para o avanço das investigações.
Foto: Polícia Civil/Ilustração
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