Cinco homens foram sentenciados a um ano de prisão, multa de 1.620 euros e proibição de atuar em atividades esportivas e educacionais por quatro anos
A Justiça da Espanha condenou cinco torcedores do Real Valladolid a um ano de prisão por ofensas racistas dirigidas ao jogador brasileiro Vinícius Júnior. Os insultos ocorreram em dezembro de 2022, durante uma partida entre o Valladolid e o Real Madrid, válida pelo Campeonato Espanhol, no Estádio José Zorrilla.
Além da pena de reclusão, os torcedores foram multados em 1.620 euros e receberam sanção adicional que os proíbe de exercer atividades profissionais ou voluntárias nos âmbitos da educação, do esporte e do lazer pelo período de quatro anos. A decisão foi divulgada nesta quinta-feira (16), e as sanções devem ser ratificadas pelo Tribunal de Valladolid em sessão marcada para o próximo dia 21 de maio.

Na ocasião, Vinícius Júnior havia sido substituído na parte final do segundo tempo. Fora de campo, o atacante do Real Madrid comemorou um gol da equipe próximo da mureta que separa a arquibancada do gramado. Nesse momento, ele foi alvo de xingamentos com conteúdo racista vindos da torcida adversária.
As agressões verbais foram registradas por outros torcedores e rapidamente viralizaram nas redes sociais, gerando forte repercussão. A divulgação do conteúdo ofensivo motivou uma investigação por parte das autoridades espanholas. Com base nas imagens e nos relatos, os agressores foram identificados e autuados.
O Ministério Público da Espanha concluiu que os torcedores cometeram crime de ódio, com base na legislação local que pune manifestações discriminatórias de cunho racial, étnico ou xenófobo. Posteriormente, foi aberto um processo administrativo disciplinar, que correu em paralelo ao inquérito criminal.

Durante o processo judicial, os réus reconheceram por escrito a prática das ofensas racistas e apresentaram pedidos de desculpas formais. Apesar da possibilidade legal de solicitar reparação financeira, Vinícius Júnior optou por não aceitar qualquer tipo de indenização por danos morais.
A condenação é considerada uma das primeiras sentenças com pena de prisão aplicada a torcedores por racismo no futebol espanhol. A legislação da Espanha prevê punições severas para crimes de ódio, especialmente quando cometidos em ambientes públicos como estádios, considerados espaços de grande exposição social.
Segundo o comunicado da Promotoria, a restrição de atuar em áreas como educação, esporte e lazer tem como objetivo prevenir a reincidência em contextos que envolvam coletividade, influência sobre menores e contato com grupos vulneráveis. A medida também atende a critérios de proteção do interesse público e da integridade dos ambientes esportivos.
O caso envolvendo Vinícius Júnior não foi o único episódio de racismo registrado na temporada 2022/2023 do Campeonato Espanhol. Em outras ocasiões, o atacante do Real Madrid foi alvo de insultos em partidas disputadas contra clubes como Atlético de Madrid e Valencia. Os episódios deram origem a uma série de manifestações públicas de repúdio, tanto na Espanha quanto no Brasil, e motivaram discussões sobre o combate ao racismo no esporte europeu.
Após os incidentes, a Liga Espanhola (La Liga) e a Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) anunciaram medidas para intensificar a identificação de torcedores envolvidos em práticas discriminatórias. Parte das ações envolve a ampliação do uso de câmeras de vigilância, sistemas de reconhecimento facial e campanhas educativas nas arenas esportivas.
A atuação de Vinícius Júnior, dentro e fora de campo, tem sido reconhecida por organismos internacionais. Em maio de 2023, o jogador recebeu um prêmio da Unesco por seu posicionamento contra o racismo. Ele também foi incluído na lista da revista Time das 100 personalidades mais influentes do mundo no mesmo ano.
A sentença contra os torcedores do Valladolid representa um marco na jurisprudência espanhola e levanta expectativa quanto à efetividade das punições futuras em casos semelhantes. A audiência do dia 21 de maio deverá confirmar a execução das penas impostas.
Foto: Lucas Figueiredo/CBF
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