Estimativa do Banco do Brasil aponta que economia potiguar deve crescer 1,8%, abaixo da média nacional e regional
O Rio Grande do Norte, que em 2024 registrou uma das maiores taxas de crescimento econômico do Nordeste com 6,2% no Produto Interno Bruto (PIB), deve enfrentar uma desaceleração em 2025. A estimativa consta na mais recente edição da Resenha Regional de Assessoramento Econômico elaborada pelo Banco do Brasil, que projeta avanço de apenas 1,8% no PIB do estado neste ano.
Com esse desempenho, o Rio Grande do Norte deve sair da vice-liderança regional alcançada no ano anterior e passar a ocupar uma posição intermediária entre os estados nordestinos. A previsão coloca o estado atrás de seis unidades da federação na região e de 19 no cenário nacional, além do Distrito Federal.

A estimativa para o Rio Grande do Norte é inferior à média projetada tanto para o país quanto para o Nordeste, ambas em 2,2%. Entre os estados vizinhos, Paraíba (3,0%) e Piauí (3,7%) apresentam expectativas de crescimento econômico mais robustas.
No comparativo com as demais regiões, o crescimento de 1,8% previsto para o Rio Grande do Norte se iguala ao projetado para o Sudeste, mas fica abaixo das estimativas para o Sul (2,3%), Norte (3,2%) e Centro-Oeste (3,9%). Entre os estados com maiores projeções de expansão estão Mato Grosso (5,8%), Goiás (4,2%) e Rondônia (4,7%), todos impulsionados por supersafras e cadeias produtivas do agronegócio.
A retração do Rio Grande do Norte também se reflete nas estimativas setoriais. A indústria, que teve crescimento de 8,4% em 2024, deve apresentar queda de 0,6% em 2025. Essa projeção de recuo é acompanhada apenas pela indústria de Pernambuco, dentro do contexto regional. O setor agropecuário deve crescer 0,9% e o setor de serviços, 1,9%, ambos abaixo dos índices previstos para estados como Paraíba e Piauí.

As projeções do Banco do Brasil, embora conservadoras, contrastam com o desempenho recente do estado. Em setembro de 2024, o próprio banco projetava crescimento de 4,4% para o RN naquele ano. A realidade superou as expectativas, com o PIB potiguar crescendo acima de 6%. Já em maio do mesmo ano, a estimativa era de apenas 2%.
A desaceleração projetada para 2025 pode ser influenciada por uma base de comparação elevada. Em 2024, a indústria do estado teve forte expansão, especialmente nas áreas de derivados de petróleo e biocombustíveis. Por isso, o recuo de 0,6% deve ser analisado com cautela, uma vez que pode representar apenas um ajuste após um crescimento excepcional.
Outro fator a ser considerado são os investimentos em infraestrutura e obras previstas no estado. Projetos ligados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e à recuperação de rodovias estaduais podem impactar positivamente o desempenho econômico e gerar revisões nas estimativas ao longo do ano.
Apesar da queda no ranking, o crescimento projetado de 1,8% para o PIB do Rio Grande do Norte ainda é compatível com a média do Sudeste e superior a estados como Sergipe (1,7%), São Paulo (1,7%), Rio de Janeiro (1,5%), Pernambuco (1,4%) e Rio Grande do Sul (1,2%). No entanto, o estado deixa de figurar entre os destaques nacionais como ocorreu em 2024, quando ocupou a terceira colocação entre os estados com maior crescimento econômico.
A Resenha Regional do Banco do Brasil reforça que as projeções econômicas são sujeitas a revisões periódicas, especialmente diante de variáveis como o clima, o desempenho do setor agrícola e as políticas fiscais adotadas por governos estaduais e federal. O comportamento do setor industrial, em especial, deve ser acompanhado nos próximos meses para avaliar o impacto real nas contas estaduais.
Foto: Arquivo/POR DENTRO DO RN/Ilustração
Siga o Por Dentro do RN também no Instagram e mantenha-se informado.







