Pedro Inácio responde por estupro e homicídio triplamente qualificado em caso ocorrido no Carnaval de 2019 em Caicó
O julgamento do policial militar Pedro Inácio Araújo, acusado de estuprar e matar a universitária Zaira dos Santos Cruz, teve início na manhã desta segunda-feira (2.jun.2025), no Fórum Miguel Seabra Fagundes, em Natal. O caso, que remonta ao Carnaval de 2019 na cidade de Caicó, é julgado pelo Tribunal do Júri sob segredo de Justiça.
Durante a manhã, o prédio do fórum recebeu reforço no policiamento, e foram instaladas grades de isolamento na calçada para limitar a circulação nas imediações. O acesso à sala de julgamento foi restrito, com permissão apenas para familiares diretos da vítima e do réu, além de uma psicóloga do Ministério Público do Rio Grande do Norte.
A sessão conta com a presença de seis pessoas autorizadas: mãe, pai e irmã da vítima, além de uma profissional do Núcleo de Apoio às Vítimas de Violência Letal e Intencional (Navvli). Pela parte da defesa, apenas a mãe do réu e um acompanhante estão presentes. Familiares de Pedro Inácio chegaram ao local nas primeiras horas do dia, mas optaram por não falar com a imprensa.

Apesar do sigilo judicial, a defesa de Pedro Inácio reafirmou sua convicção de inocência do réu, sem prestar declarações públicas.
Relembre o caso
Zaira dos Santos Cruz, de 22 anos, foi encontrada morta no dia 2 de março de 2019, sábado de Carnaval, dentro do carro do policial militar Pedro Inácio Araújo. O veículo estava trancado e precisou ser arrombado por bombeiros. O caso ocorreu em Caicó, região Seridó do Rio Grande do Norte.
De acordo com as investigações, Zaira e o policial integravam um grupo de amigos que alugou uma casa para passar o Carnaval na cidade. Foi o próprio Pedro Inácio quem acionou a polícia, alegando que havia mantido relações sexuais com a jovem e a deixado dormindo no veículo.
A jovem era estudante de Engenharia Química na Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), em Mossoró, sua cidade de residência. O suspeito foi preso no dia 15 de março, em Currais Novos, onde morava e onde também nasceu Zaira.
Em 26 de março de 2019, a Polícia Civil concluiu o inquérito, que apontou a ocorrência de estupro e feminicídio. No dia 2 de abril do mesmo ano, o Ministério Público denunciou Pedro Inácio por homicídio triplamente qualificado: asfixia, crime cometido para ocultar outro delito (estupro) e feminicídio. O acusado está em prisão preventiva desde sua detenção, em março de 2019.
Mudança de local e decisão judicial
A Justiça potiguar decidiu, em 2021, que o caso seria submetido ao Tribunal do Júri. A defesa do réu solicitou, posteriormente, a transferência do julgamento de Caicó para Natal, alegando razões de segurança e imparcialidade. O pedido foi acatado pelo Tribunal de Justiça do RN em 2024, e a sessão do júri popular foi marcada para o dia 2 de junho.

O processo, devido à gravidade e repercussão dos crimes, é acompanhado por órgãos especializados do Ministério Público e mantém sua tramitação sob sigilo, com o objetivo de preservar os envolvidos e garantir o regular andamento dos trabalhos judiciais.
Foto: Reprodução
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