Justiça do RN retoma audiências sobre massacre de Alcaçuz que deixou 27 mortos

Justiça do RN retoma audiências sobre massacre de Alcaçuz que deixou 27 mortos

Audiências de instrução vão definir se 15 acusados pela rebelião de 2017 serão levados a júri popular

A Justiça do Rio Grande do Norte retomou nesta quarta-feira (11.jun.2025) as audiências de instrução relacionadas ao processo que apura a morte de 27 presos durante a rebelião ocorrida no Complexo Penitenciário de Alcaçuz em janeiro de 2017. Quinze acusados são alvos do processo, que visa definir se eles serão levados a julgamento pelo Tribunal do Júri.

O caso é considerado o mais grave episódio de violência no sistema prisional potiguar e ficou conhecido como o massacre de Alcaçuz. A rebelião foi motivada por confrontos entre facções criminosas rivais e resultou na destruição de parte do presídio.

Audiências suspensas anteriormente

As audiências haviam sido iniciadas em abril de 2025, mas foram interrompidas por questões técnicas, conforme informou o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN). Com a retomada, as testemunhas indicadas pelo Ministério Público e pela defesa voltam a ser ouvidas, com posterior interrogatório dos réus.

No total, 36 testemunhas foram arroladas no processo, sendo 35 pelo Ministério Público e uma pela defesa. Dessas, quatro já haviam sido ouvidas antes da suspensão, e outras duas foram dispensadas. Ainda restam 30 testemunhas a serem ouvidas nesta fase de instrução.

A Justiça não informou a quantidade exata de testemunhas que serão ouvidas neste momento, pois a participação dos réus está condicionada à disponibilidade das unidades prisionais onde estão custodiados. O processo tramita sob segredo de Justiça e ocorre de forma híbrida no Fórum Desembargador Seabra Fagundes, em Natal.

Etapas seguintes

Após a conclusão da fase de instrução, será aberto prazo para que o Ministério Público e as defesas apresentem as alegações finais. O magistrado responsável pelo caso decidirá se há elementos suficientes de autoria e materialidade para levar os 15 acusados a julgamento perante o Tribunal do Júri.

Detalhes do massacre de Alcaçuz

A rebelião começou no dia 14 de janeiro de 2017 e durou vários dias. O confronto ocorreu entre integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Sindicato do Crime do RN, grupos rivais dentro do sistema penitenciário estadual. O pavilhão 5, sob controle do PCC, foi o ponto de partida da invasão ao pavilhão 4, ocupado por integrantes do Sindicato do Crime.

Na ocasião, três pavilhões do Complexo Penitenciário foram destruídos. A superlotação era uma realidade no local. A penitenciária tinha capacidade para 620 presos, mas abrigava cerca de 1.200 no momento da rebelião.

Os corpos encontrados estavam em avançado estado de decomposição e apresentavam sinais de extrema violência. Embora o número oficial de mortos divulgado pelas autoridades tenha sido de 26, familiares e sobreviventes relatam que o total de vítimas pode ter chegado a 27 ou mais.

O Complexo de Alcaçuz é formado pela Penitenciária Estadual de Alcaçuz e pelo Presídio Rogério Coutinho Madruga, que funcionava como um anexo. Na época, uma cerca de arame farpado separava os pavilhões das duas unidades, o que facilitou o avanço de presos de um grupo contra o outro.

Repercussão e investigações

O episódio gerou repercussão nacional e foi acompanhado por comissões de direitos humanos, além de ter motivado mudanças na política de segurança prisional do estado. A investigação levou ao indiciamento de dezenas de presos, dos quais 15 foram mantidos como acusados no processo atualmente em fase de instrução.

Ainda não há data definida para a próxima fase do processo, já que as audiências dependem da logística de deslocamento e disponibilidade dos internos. A decisão sobre o envio dos réus ao júri popular deverá ser tomada após a conclusão de todas as etapas processuais previstas.

Foto: Sumaia Villela/Agência Brasil

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