Por Thiago Martins – thiagolmmartins@gmail.com
Mobilidade em Pauta

A operação dos trens urbanos da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) em Natal está sob risco de paralisação total até agosto. O alerta foi feito pela própria companhia, que aponta a ausência de recursos federais mínimos para garantir a continuidade dos serviços ferroviários na capital potiguar e em outras três regiões metropolitanas onde atua: Recife, João Pessoa e Maceió.
Apesar de o Ministério das Cidades ter sinalizado que vai assegurar parte dos repasses para o sistema de Recife — o mais robusto entre os operados pela CBTU — ainda não há confirmação de recursos garantidos para Natal, o que deixa em estado de alerta os cerca de 10 mil usuários diários que dependem dos trens como alternativa de transporte.
A crise financeira da estatal tem raízes antigas, mas o problema se agravou após a mudança de gestão administrativa da CBTU em 2023, quando a empresa passou do guarda-chuva do Ministério do Desenvolvimento Regional para o Ministério das Cidades. Desde então, repasses regulares deixaram de acontecer, comprometendo o planejamento e a manutenção da operação.
O que agrava ainda mais a situação é o alto custo da operação em comparação à arrecadação. Em Natal, cada passagem deveria custar, segundo a CBTU, R$ 36,00 por passageiro. No entanto, o valor pago pelo usuário é de apenas R$ 2,50. A diferença é coberta por um subsídio federal que representa 93% do custo total — um dos mais altos do país.

Para manter o serviço funcionando, a CBTU precisa de um orçamento mínimo mensal, mas até agora não houve liberação efetiva dos valores. Em nota, a companhia reforçou que sem a recomposição dos recursos, a operação dos trens urbanos em Natal e nas demais capitais poderá ser completamente suspensa a partir de julho ou agosto.
Embora o Ministério das Cidades tenha garantido que recursos emergenciais devem ser repassados para o metrô do Recife — evitando sua interrupção — ainda não há definição clara quanto à redistribuição desse suporte financeiro para os demais sistemas regionais.
A situação preocupa especialistas e usuários, que enxergam nos trens urbanos uma alternativa econômica e sustentável de mobilidade para a população de baixa renda. Em Natal, o sistema ainda está em fase de modernização, com parte da linha em obras e trens novos sendo incorporados. A paralisação significaria um retrocesso nos esforços de mobilidade urbana na capital e nas cidades vizinhas atendidas pela linha férrea, como Parnamirim, Extremoz e Ceará-Mirim.
Até o momento, a CBTU segue operando normalmente, mas alerta que a continuidade dependerá de uma definição orçamentária nas próximas semanas. Sem isso, a paralisação, até então apenas uma possibilidade, pode se tornar realidade.
Foto: Matheus Felipe/Ilustração/Arquivo

Sobre Thiago Martins, colunista do Por Dentro do RN
Thiago Martins é jornalista formado pela UFRN e há 15 anos dedica-se ao estudo e à cobertura do setor de mobilidade urbana. Escreve sobre o tema desde o início da carreira, colaborando com portais de notícias especializados e acompanhando de perto as transformações na mobilidade ativa, no setor de transportes e na infraestrutura urbana. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.
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