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O 11 de setembro e a 'Fakeada no Coração do Brasil', por Rogério Melo

O 11 de setembro e a ‘Fakeada no Coração do Brasil’, por Rogério Melo


Por Rogério Melo
Para o Por Dentro do RN

No dia 11 de setembro, último sábado, aquele que talvez tenha sido o maior atentado da história da humanidade completou 20 anos. Estamos falando dos ataques suicidas realizados por quatro aviões da Boeing (dois 757 e dois 767, dois da American Airlines e dois da United Airlines), que decolaram dos aeroportos de Boston, Newark e Washington, causando quase 3.000 mortes nos Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001. Naquela manhã, ambos os voos tinham como destino o estado da Califórnia. No entanto, eles jamais chegariam aos seus destinos.


Dominado por 5 sequestradores, o voo 11 da American Airlines, com 11 tripulantes e 76 passageiros, colidiu com a Torre Norte do World Trade Center, em Nova York, às 8h46. Apenas 17 minutos depois, o avião que fazia o voo 175 da United, com 9 tripulantes, 51 passageiros e 5 terroristas, colidiu com a Torre Sul. Às 9h37 daquela mesma manhã, todos ainda tentávamos processar tudo o que estava acontecendo, quando foi a vez do avião que fazia o voo 77 da American Airlines colidir contra o Pentágono, prédio do Departamento de Defesa dos EUA, em Washington. Nele, viajavam 6 tripulantes, 53 passageiros e 5 sequestradores.

Exatamente 26 minutos depois, às 10h03, a aeronave que realizava o voo 93 da United Airlines, que tinha como alvo o Congresso norte-americano, mas caiu perto de Shanksville, na Pensilvânia, depois que alguns dos 7 tripulantes e 33 passageiros que estavam sob custódia de 4 terroristas tentaram reassumir o controle do avião. Ao todo, somaram-se 77 minutos, tempo suficiente para que 19 terroristas da Al-Qaeda conseguissem marcar para sempre a história, no séc. XXI, com maior e mais ousado atentado terrorista de todos os tempos. O saldo total de mortos foi de 2.996, diretamente relacionado às ações terroristas. Porém, suas marcas perduram até os dias de hoje.

BOLSONARO E ADÉLIO, UMA FAKEADA NO CORAÇÃO


Não obstante, essa data não ficará marcada somente pelo aniversário de duas décadas do atentado, o último sábado foi marcado também pelo lançamento de um documentário, cujo principal objetivo é o de reescrever o fato político responsável pela ascensão de à presidência do então deputado Federal Jair Messias Bolsonaro, ocorrido em 06 de setembro de 2018, em Juiz de Fora, quando sofreu um atentado durante um comício que promovia sua campanha eleitoral para a presidência do Brasil.

O documentário, intitulado “Bolsonaro e Adélio – Uma fakeada no coração do Brasil” é o resultado de uma longa pesquisa elaborado pelo jornalista investigativo Joaquim de Carvalho, pelo cineasta Max Alvim e pelo cinegrafista Eric Monteiro, com produção da TV 247 e financiamento coletivo de seus assinantes e apoiadores. Publicado no dia seguinte, domingo (12), no YouTube, já mais de 1 milhão de visualizações. Durante aproximadamente 1 hora e 45 minutos, o jornalista Joaquim de Carvalho apresenta uma narrativa de que facada sofrida por Jair Bolsonaro, em 2018, durante sua visita à cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais, teria sido forjada, objetivando despertar o clamor público ao fato.


Mas os golpes sofridos pelo presidente durante essa semana não pararam por aí. Um grupo de juristas coordenado pelo ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior entregou nesta terça-feira (14) à CPI da Covid um relatório sobre os possíveis crimes de responsabilidade cometidos pelo presidente Jair Bolsonaro, durante a pandemia. O relatório servirá para embasar o senador Renan Calheiros (MDB-AL) na conclusão dos trabalhos da CPI, que deverá ser entregue no próximo dia 23.

Os crimes de responsabilidade, segundo a Constituição, são a condição por meio da qual um presidente da República pode ser submetido a um processo de impeachment. A comissão de juristas responsáveis pela elaboração do citado relatório sugere o indiciamento do presidente Jair Bolsonaro cometeu crimes contra a humanidade, a saúde, a administração e a paz pública, infringindo medidas sanitárias preventivas e praticando charlatanismo, incitação ao crime e prevaricação durante a pandemia de coronavírus.


“A responsabilidade penal do presidente da República é a do mandante, organizador e dirigente da conduta de seus subordinados, em especial do ministro da Saúde Eduardo Pazuello. Portanto, a resposta penal pode ser agravada. Para além da prática dos crimes comuns, também está demonstrada responsabilidade penal individual do presidente, do ministro Eduardo Pazuello e, pelo menos, da médica Mayra Pinheiro Correia, pelos crimes contra a humanidade analisados”, conclui o relatório.

Foto:

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Sobre Rogério Melo, que escreve na coluna In vino veritas, no Por Dentro do RN

Coluna de Rogério Melo para o Por Dentro do RN (In Vino Veritas)

Rogério Melo tem 51 anos, é comunicador social, cientista social e mercadólogo formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Também é mestrando em Ciência da Informação pela mesma instituição. Além disso, Rogério Melo escreve na coluna In vino veritas, no Por Dentro do RN, às sextas feiras; e comenta sobre os fatos políticos do RN e do Brasil. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

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Olhar para dentro, por Ana Beatriz Amorim

Olhar para dentro, por Ana Beatriz Amorim

A melhor coisa que fiz por mim nos últimos tempos foi voltar a escrever. Dividir a angústia foi um alívio – e já me fez pensar em várias coisas, algumas novas, outras nem tanto. Escrever me tirou da inércia. Ler os comentários de vocês é a mesma coisa que receber uma injeção de adrenalina, motivação e amor.

A gente vive um momento delicado. É muito louco. Exigimos demais de nós mesmos – e o mundo ao nosso redor parece exigir mais ainda. Temos que fazer muito, ter uma vontade incessante, nos dedicar a tudo com muita determinação.

Ao receber o convite para colaborar com essa coluna, confesso que fiquei reflexiva. Gosto de ficar em dúvida. De pensar “pra quê?”. De quase desistir, ao menos por um tempo. Me senti mais gente de verdade, menos personagem nesta internet que a gente se acostumou a viver como palco.

Ao construir os textos e ver que muitos de vocês sentem as mesmas coisas, meu nível de empatia aumentou em 100%. Empatia, essa palavra de que eu tanto gosto! Entre o primeiro post e este, comecei um daqueles trabalhos que nos fazem lembrar porque escolhemos uma profissão. O que eu mais gosto no Jornalismo é de fazer entrevistas.

Gosto de dialogar com gente que dedica a vida inteira a uma ideia, a uma causa; gente que fala com paixão sobre o que faz, sobre o que ainda quer fazer – e a força incessante de cada um deles é impressionante! Não poderia haver momento melhor do que esse de entrar em contato com gente admirável, inspiradora, que todos vocês vão adorar conhecer no decorrer das próximas publicações.

Ao longo dessas conversas, que podem durar uma hora, mas geralmente duram 5, 6, 7 horas ou um dia inteiro, voltei a perceber que uma das melhores coisas do mundo é conversar ouvindo com toda atenção o que o outro tem a dizer. Ando tão fascinada por isso! Você conversa 5, 10 minutos, ok, pode saber algumas coisas sobre alguém. Passou da meia hora, não tenha dúvida que vai descobrir, ao menos um pouquinho, as nuances, o que faz aquela pessoa ser quem é.

Voltar a fazer Jornalismo me lembrou do que une tudo que fiz e faço na profissão. A vontade de compartilhar as coisas do mundo que me interessam e me emocionam. É quando mostro, faço um convite, converso sobre as coisas que elas ficam mais legais de verdade. Há momentos em que tudo que a gente precisa é olhar para dentro, né? E depois ver o tanto de mundo que existe lá fora.

Este post é para agradecer pelas palavras de vocês, que me lembraram da essência da reflexão. É muito natural para mim dividir o que me emociona. Pode ser uma foto, uma música, uma história transformadora. O mundo é tão interessante, e eu me empolgo tanto com tanta coisa que é impossível não postar por aqui com todo o amor do mundo.

Vocês são demais! Muito obrigada.

Foto: Ilustração/Duane Michals

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Sobre Ana Beatriz Amorim, colunista do portal Por Dentro do RN

Coluna de Ana Beatriz Amorim Por Dentro do RN novo

Ana Beatriz Amorim tem 35 anos, é jornalista e designer gráfica formada pela UnP. Também é fotógrafa, licenciada em Artes Visuais pela UFRN e especialista em Assessoria de Comunicação. Adepta da teoria do faça uma coisa de cada vez e seja múltipla, escreve a respeito do cotidiano, artes, cultura e esporte. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

A série Atypical e suas reflexões, por Alexandre Vitor

A série Atypical e suas reflexões, por Alexandre Vitor

Por Alexandre Vitor
Para o Por Dentro do RN

Como você se sentiria se fosse excluído simplesmente por ser diferente? Não por escolher, mas por ser diferente? Atypical é uma série estadunidense que mescla drama e comédia. Se concentra na vida de Sam Gardner, um adolescente autista que não possui muitos amigos. O garoto, além de enfrentar a solidão e outros dramas diários, passa por situações hilárias tentando encontrar uma namorada e ter suas primeiras experiências sexuais.


Por causa de Sam, também vamos conhecer as dificuldades que afetam o restante da família: sua irmã Casey e seus pais, mostrando que ninguém tem um manual de instruções de como conviver com o diferente. A série é um exercício de empatia para o expectador e de reconhecer que, mesmo com inabilidades em alguns setores, Sam, com seus esforços, consegue ter grandes momentos e ser mais verdadeiro que muitos ditos “normais”.


A série foi encerrada nesse ano após 4 temporadas de risos, lágrimas e situações bem constrangedoras. Vale a pena dar uma procurada na Netflix nesse final de semana. Tenho certeza que você vai ver os “diferentes” com um olhar ainda mais parceiro.


Dedico o texto de hoje a todos os garotos autistas, em especial a Ângelo e Augusto, que sempre encontro nos passeios pelo shopping.

Foto: Reprodução

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Sobre Alexandre Vitor, colunista do portal Por Dentro do RN

Coluna de Alexandre Vitor no Por Dentro do RN

Alexandre Vitor tem 14 anos e prefere ser chamado de Vitor; é um escritor iniciante e tem um conto publicado no Wattpad. Além disso, o autor tem como hobbies a leitura, a cozinha e a prática de esportes. Desde pequeno, Alexandre Vitor se interessa por literatura. Aos 11 anos, decidiu que queria ser escritor e até já tinha vários manuscritos, mas nunca colocou nada adiante.
O jovem articulista da coluna O Papiro é Louco, aqui no Por Dentro do RNconsidera-se um leitor eclético, ou seja, aberto a quase todos os temas, mas confessa que fantasia e aventura são seus gêneros favoritos. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Com união das três pré-candidatas, eleição da OAB RN caminha para a polarização, por Thiago Martins

Com união das três pré-candidatas, eleição da OAB/RN caminha para a polarização, por Thiago Martins

Por Thiago Martins
Para o Por Dentro do RN

As advogadas e até então pré-candidatas à presidência da OAB do Rio Grande do Norte, Marisa Almeida e Rossana Fonseca anunciaram que retirarão suas pré-candidaturas para apoiar Magna Letícia. O anúncio foi feito na sexta-feira, dia 10 de setembro. No jogo do poder cabe tudo; e a união das três ocorre mesmo em meio a divergências, acordos não cumpridos, além forte intolerância entre alguns integrantes dos três grupos aos quais fazem parte.

Por um histórico e tanto do trio, é possível afirmar que se trata da união entre as desunidas, a qual agora parte para a polarização de uma chapa forçada com o intuito de desbancar o atual presidente da ordem, Aldo Medeiros. Atualmente, as pesquisas indicam vantagem da atual gestão, mesmo sendo afetada pela pandemia da Covid-19. A conferir os novos episódios.

Missa de 7º dia

Foi cremado em Brasília, na última semana, o corpo do ministro aposentado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o potiguar José Augusto Delgado, que faleceu aos 83 anos, em decorrência de um AVC. Em Natal, haverá uma missa de 7º dia, que deverá reunir familiares, amigos, ex-alunos e admiradores do ex-ministro.

A missa será realizada nesta segunda-feira (14), às 19h, na Igreja Bom Jesus das Dores, na Ribeira.

O inferno astral de Álvaro

Na véspera do seu aniversário, comemorado em 4 de setembro, o prefeito de Natal, Álvaro Dias (PSDB), talvez tenha vivido o auge do seu inferno astral, com o anúncio de que sua líder na Câmara, a vereadora Nina Souza (PDT), deixaria o cargo. Não teve bolo, salgadinho, nem docinho que desse jeito. O prefeito segue sem líder, inclusive, afetando e travando as discussões dos projetos na Câmara.

É hora de apagar as velinhas

Na semana seguinte, a surpresa foi a manifestação de vereadores – tanto da base, como os oposicionistas – contra os graves problemas do transportes que impera em Natal, especialmente a retirada de linhas que ocorreram desde o início da pandemia e até hoje não foram retomadas pela Secretaria de Mobilidade Urbana de Natal (STTU).

O prefeito Álvaro Dias colocou uma pessoa de sua confiança na pasta, o secretário Paulo César, que é um homem sério e dedicado à coisa pública, com bom currículo político, mesmo não sendo técnico em transportes. Apesar disso, a pasta tem excelentes nomes técnicos, como a secretária adjunta Daliana Bandeira e Newton Filho, além de uma boa comunicação, feita por Tárcio Cavalcante.

Vamos cantar aquela musiquinha

Esse tema do transportes merece uma atenção especial. Há muito o prefeito Álvaro Dias vem tentando sim uma definição sobre a licitação e ações que garantam a melhoria do sistema de transportes de Natal, mas, sem sucesso.

Curiosamente, assistia hoje ao prefeito de Salvador, Bruno Reis (DEM), realizando a entrega de 160 novos ônibus à capital baiana, todos com ar-condicionado, ao mesmo tempo em que o próprio prefeito admitia que o transporte era o maior problema da cidade – assim como ocorre em todo Brasil e em várias cidades do mundo.

A questão é: como enfrentar isso? Em Salvador, que já licitou seu sistema, um dos consórcios teve o contrato rompido com a gestão. Então, faltam ações mais efetivas em Natal, e não é só para agradar os vereadores, mas para que as melhorias ocorram, de fato.

O efeito Lula está em campo

A governadora Fátima Bezerra segue com o ‘efeito Lula’ ligado, especialmente após a visita do ex-presidente a Natal, durante a caravana que realizou em estados do Nordeste. Se apoia no líder para ampliar a boa avaliação que seu governo tem tido e ganhar tempo em uma decisão crucial para o próximo ano: a escolha do vice.

Fátima e parte do grupo querem manter o atual nome de Antenor Roberto (PCdoB). Jaime Calado corre por fora. MDB se lança a todo momento – sendo recebido com espinhos pela deputada Natália Bonavides. Tempestade perfeita para o surgimento de um nome que alavanque, já que nem isso a oposição ainda conseguiu fazer.

Domingo ela não vai

A propósito, o PT anunciou que não participaria das manifestações do domingo (12) contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Convocadas pelo Movimento Brasil Livre (MBL), o evento teve presença confirmada de outros partidos de centro esquerda, como PSDB, PDT e Solidariedade.

Avaliação positiva

Para os apoiadores do grupo do presidente Jair Bolsonaro e até mesmo para observadores do cenário político, as manifestações favoráveis ao presidente no feriado de terça-feira, 7 de setembro, foi positiva.

De acordo com o nosso serviço secreto, que inclusive acompanhou tudo de cima de uma árvore na Prudente de Morais, à altura da Praça Cívica, a chegada das caravanas no interior demonstrou organização e é um fator importante na garantia de nomes de apoiadores do presidente para as eleições do próximo ano, tanto no parlamento estadual, quanto na Câmara Federal.

Foto: Reprodução/Instagram

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Sobre Thiago Martins, colunista do Por Dentro do RN

Thiago Martins

Thiago Martins tem 28 anos, é jornalista formado pela UFRN e atua do jornalismo político no Estado. Apesar de sua maior dedicação ser na área de Assessoria de Comunicação, observa e acompanha as principais ações políticas do Rio Grande do Norte, do Brasil, e do mundo, e escreve nesta coluna a respeito do tema. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Karatê kid e Cobra Kai, a ressurreição, por Alexandre Vitor

Karatê Kid e Cobra Kai, a ressurreição, por Alexandre Vitor


Por Alexandre Vitor
Para o Por Dentro do RN

Se você, que está lendo essas linhas, é um adulto e teve sua juventude nos anos 80, tenho certeza que viu os filmes Karatê Kid, grande sucesso na época. Se você, que está lendo essas linhas é uma criança/adolescente, provavelmente já assistiu ou ouviu falar na série Cobra Kai. E se assistiu, resolveu voltar no tempo (influenciado por seus velhos) e acabou assistindo os Karatês… de qualquer forma, se você não sabe do que estou falando, é porque esteve morando em Marte nos últimos anos.


Karatê Kid é uma sequência de 4 filmes estreado em 1984, com Ralph Macchio, Pat Morita e William Zabka. Os filmes, os três primeiros pelo menos, se concentram na vida de Daniel Larusso, um adolescente solitário que acabara de se mudar para a Califórnia. O garoto encontra dificuldades em se adaptar na nova cidade, pois é frequentemente vítima de bullying dos valentões da sua escola, liderados por Johnny Lawrence. Para conseguir contornar essa situação (e sobreviver), ele se aproxima de Sr. Miyagi, um mestre no Karatê, que o ensina não só as técnicas de autodefesa, mas também vira uma figura paterna para o cara. As continuações são voltadas a outras questões, mas ainda temos uma boa pegada sobre a arte do Karatê.


Existe um remake de Karatê Kid lançado em 2010 estrelado por Jaden Smith e Jackie Chan. Só que, nesse filme, a arte marcial é o Kung Fu. Mas como assim? Então o filme deveria ter se chamado Kung Fu Kid, não?


Recentemente, em 2018, foi lançado um spin-off chamado Cobra Kai, nos streamings Netflix e YouTube Premium, em que, já adultos, as rixas entre Daniel e Johnny se tornam maiores, envolvendo também seus filhos, amigos e toda a cidade. O problema vai aumentando a cada capítulo, o que torna a série envolvente.


A série tem uma boa produção, tem boas tiradas cômicas zoando com os costumes dos anos 80, que pareceu ser uma década bem divertida. Também é bom ver na série que as coisas não são tão preto no branco como pareciam ser no filme; e o vilão pode não ser tão vilão assim. Também há os conflitos da galera jovem; e todos acabam juntos e misturados.


Vale a pena fazer a maratona completa, começando com os Karatês, mesmo com aquela pegada bem datada nos anos 80, para se situar melhor em algumas lembranças e não ficar perdido em algumas piadas da série atual. Lembrando que a série ainda está em andamento, com sua 4ª temporada esperada para dezembro de 2021 e com mais promessas de continuação.


E você, já viu Karatê Kid? Está se identificando mais com Daniel ou com Johnny? Comenta aí.

Essa coluna de hoje é em homenagem aos meus amigos do Dojo Samurai.

Foto: Reprodução

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Sobre Alexandre Vitor, colunista do portal Por Dentro do RN

Coluna de Alexandre Vitor no Por Dentro do RN

Alexandre Vitor tem 14 anos e prefere ser chamado de Vitor; é um escritor iniciante e tem um conto publicado no Wattpad. Além disso, o autor tem como hobbies a leitura, a cozinha e a prática de esportes. Desde pequeno, Alexandre Vitor se interessa por literatura. Aos 11 anos, decidiu que queria ser escritor e até já tinha vários manuscritos, mas nunca colocou nada adiante.
O jovem articulista da coluna O Papiro é Louco, aqui no Por Dentro do RNconsidera-se um leitor eclético, ou seja, aberto a quase todos os temas, mas confessa que fantasia e aventura são seus gêneros favoritos. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Buscando espaço para os encontros, por Ana Beatriz Amorim

Buscando espaço para os encontros, por Ana Beatriz Amorim

Por Ana Beatriz Amorim
Para o Por Dentro do RN

Viver uma pandemia não estava nos meus planos. Me falta repertório emocional para passar por um momento histórico desse nível. Até gostava de ver filmes e de ler sobre futuros meio catastróficos, meio inevitáveis, mas ainda assim distantes. No futuro, afinal. Agora, enquanto um vírus se espalha, queria escapar para o futuro-onde-sim-vai-ficar-tudo-bem-tomara. Ou então voltar para o passado, quando podia encontrar quem quisesse no momento que estivesse a fim. Saudade dos bons encontros.

Porque na vida vivida pelas telas, alternando entre celular e computador, terminando o dia de frente para TV, vemos pedaços da gente. Estamos em uma observação constante sobre nós mesmos refletidos em lives, reuniões no Zoom, videochamadas. Ainda bem que vivemos essa pandemia em um momento em que a internet dá conta de reproduzir múltiplos espaços da nossa vida, claro.

Dá pra trabalhar, estudar, fazer doação, encontrar os amigos, buscar entretenimento e informação (essa última, quanto mais moderação, melhor para sua saúde mental). É por ela que tentamos suprir a falta do outro com uma checagem emocional constante – agora a interlocução conta com minutos iniciais para conferir se tá dando para atravessar o dia. Ainda assim, que saudade de abraçar.

Saudade de ver, encostar, ocupar o mesmo espaço, ficar na rua, dançar, passear pela cidade, ir de uma exposição a um restaurante, emendar com a sobremesa, migrar para o quintal dos amigos, apertar as crianças que estamos deixando de ver na idade que elas têm agora – e me parte o coração ir ao Parque das Dunas e não poder interagir com um menino de três anos enquanto ele se diverte com um cachorro que é seu amigo também. Tem dias que sinto falta até da conversa de elevador, quando a gente conseguia falar sobre o tempo, e não sobre a pandemia vivida no pandemônio que se tornou o Brasil desde 2020.



É no final de semana que essa saudade se intensifica. Quando a gente fazia tudo isso prolongando o dia para ficar junto, cada hora revendo mais um amigo, naquela aglomeração de afeto que era capaz de nos dar mais energia de vida. Conversando sobre diversos assuntos, lembrando do que acabou de acontecer durante a semana, da partida de futebol, dos planos, das viagens, reforçando nosso entendimento de que a gente vive bem quando vive junto. Ouvindo música, escutando o outro de corpo inteiro, experimentando até ficar em silêncio também. A conversa pela tela é focada, não deixa espaço para a pausa. E tantas vezes é no silêncio compartilhado que acontece uma conexão mais profunda.

A certa altura talvez muitos de nós vamos furar a quarentena, imagino. Porque a gente tem necessidade de afeto, de abraço, de toque, de ficar junto. E, sem previsão de quanto tempo vai durar a pandemia, vamos precisar desenhar alternativas para ver o outro com segurança, respeitando protocolos. Uma amiga me ajudou a levar o pensamento para um lugar menos rígido, falando de necessidade versus risco. “Comprar comida num supermercado é alto risco, mas grande necessidade, por isso vamos. No começo da pandemia a gente colocou os encontros como baixa necessidade. Mais de um ano depois virou alta necessidade”

A gente precisa reforçar os cuidados mesmo com a chegada e o acesso à vacina para poder entrar em contato com nossas pessoas queridas. Ao montar logística para rever alguns, confesso, primeiro senti angústia e quase um desespero. Para logo depois pensar que essa atitude de buscar espaço para os encontros pode se tornar possibilidade também.

Se é disso que vamos precisar para viver momentaneamente o presente com um pouco mais de afeto, me vem à cabeça uma figurinha de WhatsApp: já tô com roupa de ir. Porque não vejo a hora de tomar minha segunda dose da vacina e a gente se encontrar de novo com os devidos cuidados – e mais uma vez sempre com a esperança de que teremos dias melhores.

Foto: Ilustração/Getty Images

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Sobre Ana Beatriz Amorim, colunista do portal Por Dentro do RN

Ana Beatriz Amorim

Ana Beatriz Amorim tem 35 anos, é jornalista e designer gráfica formada pela UnP. Também é fotógrafa, licenciada em Artes Visuais pela UFRN e especialista em Assessoria de Comunicação. Adepta da teoria do faça uma coisa de cada vez e seja múltipla, escreve a respeito do cotidiano, artes, cultura e esporte. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Das bravatas às gravatas no Dia da Independência, por Rogério Melo

Das bravatas às gravatas no Dia da Independência, por Rogério Melo

Por Rogério Melo
Para o Por Dentro do RN

Na terça-feira passada, 07, dia em que se comemora a Independência do Brasil, manifestantes saíram às ruas em pelo menos setenta (70) cidades brasileiras para declararem seu apoio ao Governo Federal, segundo apontam as estimativas de seus organizadores.

Os manifestantes saíram em carreata até os respectivos pontos de concentração previamente definidos, exibindo cartazes pedindo o “fechamento do Congresso Nacional”, as adoções do “voto impresso” e de um “tribunal militar”, a “exoneração de todos os ministros do STF”, a “intervenção das Forças Armadas” e a consequente instauração de um “Estado de Sítio” no país, bem como outras ilegalidades que afrontam o Estado Democrático de Direito, cujas leis [pelo menos teoricamente] são criadas pelo povo e para o povo, a fim de respeitar a dignidade da pessoa humana tão violada em tempos de Ditadura Militar.

Apesar da recomendação das principais lideranças nacionais de esquerda para que se evitassem as manifestações, naquele dia, os atos contra o governo também marcaram presença nas ruas para protestar contra o descontrole da inflação, a alta taxa desemprego, os altos preços dos combustíveis, da energia elétrica e da cesta básica; contra a recessão econômica, e pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro.

Para as lideranças de esquerda, o motivo era evitar o confronto direto entre o “Grito dos Excluídos” e os bolsonaristas, que insuflados pelas declarações abertas do presidente em apoio ao armamento de seus aliados, pudesse resultar até mesmo em mortes. Entretanto, a despeito das tensões provocadas pelos discursos inflamados da população, as polícias militares dos estados não registraram nenhuma ocorrência digna de nota.

O presidente também voltou à pauta do voto impresso, criticando o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, contudo, sem fazer qualquer menção ao seu nome. Importante aqui destacar sobre o arquivamento do Projeto de Emenda Constitucional do voto impresso (PEC 135/2019) na Câmara dos Deputados, votada no dia 10 em agosto, que representou uma derrota para o governo Bolsonaro para quem o sistema de votação por meio da urna eletrônica é fraudulento, se eximindo de apresentar quaisquer provas que corroborem com suas levianas afirmações.

Partindo de uma percepção ampliada falsamente a todos os brasileiros, afirmou para os presentes: “Não podemos admitir um sistema eleitoral que não fornece qualquer segurança. Nós queremos eleições limpas, democráticas, com voto auditável e contagem pública dos votos. Não podemos ter eleições onde pairem dúvidas sobre os eleitores. Não posso participar de uma farsa como essa patrocinada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral”, disse Barroso.

Flopou

Um fato chamou a atenção de lideranças oposicionistas, que se manifestaram nas redes sociais sobre os atos de 7 de setembro, foi a baixa adesão por parte de manifestantes pró-governo, nos quais era esperada a participação de um público pelo menos 95% superior ao verificado, tanto na Esplanada dos Ministérios, em Brasília; quanto na Avenida Paulista, em São Paulo. Segundo Tweetdeck, um aplicativo de mídias sociais, que integra mensagens do Twitter e do Facebook, a hashtag #flopou entrou nos trending topics das redes durante a tarde.

O verbo “flopar” é um estrangeirismo utilizado por jovens para se referirem aos eventos que não conseguem alcançar o público almejado pelos seus organizadores. “Flopar”, portanto, se origina do termo, em inglês flop, podendo ser traduzido como “fracasso”. O termo figurou entre os termos mais buscados no Google, ainda durante a tarde, segundo o Google Trends.

Na Esplanada dos Ministérios, a estimativa de público de 150 mil pessoas, o que equivaleria a 5% do público previsto pelos manifestantes pró-Bolsonaro, segundo informação não oficiais fornecidas pelo jornal Valor Econômico aos demais veículos de imprensa.

Já em São Paulo, o público esperado pelos organizadores oscilaria em torno de 2 ou 3 milhões de pessoas, segundo informação passada à Polícia Militar, numa reunião ocorrida, no dia 31 de agosto. No entanto, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) daquele estado estima um público em torno de 125 mil manifestantes presentes na Avenida Paulista. Ou seja, pouco mais de 6% da expectativa dos organizadores.

Muito embora os públicos em ambos os atos citados tenham aquém das expectativas dos organizadores, há que se considerar que uma presença tão massiva de pessoas neles é uma clara demonstração de que o presidente ainda é capaz de mobilizar seus aliados em torno dos seus objetivos, bem como de que esses mesmos fiéis escudeiros estão dispostos a fazer qualquer coisa para alcançá-los.

Trata-se daqueles aos quais muitos analistas políticos vêm denominando como o “núcleo duro” dos apoiadores bolsonaristas, correspondentes em termos percentuais a algo em torno de 25% dos eleitores brasileiros. Um percentual ainda bastante alto, a despeito da vertiginosa queda que o atual presidente vem sofrendo nas intenções de voto para o pleito de 2022, em relação ao ex-presidente Lula.

#BolsonaroArregou

Depois da hashtag #Flopou, em alusão ao fracasso dos atos pró-Bolsonaro, foi a vez da hashtag #BolsonaroArregou invadir as redes com uma enxurrada de memes zoando o pedido de desculpas velado do presidente, depois de um pronunciamento intitulado “Declaração à Nação”, nesta última quinta-feira, (9).

Não deu outra, os internautas não perdoaram. Importante lembrar que, em agosto, o presidente Bolsonaro protocolara no Senado um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre Moraes defendendo a tese de que ele e o ministro Luis Roberto Barroso agem fora dos limites impostos pela nossa Constituição. O governo amargava mais uma derrota, uma vez que o pedido foi indeferido.

A tal “Declaração à Nação” (texto redigido com a ajuda do até então ausente dos holofotes do cenário político, o ex-presidente Michel Temer) emergiu como uma tentativa de apaziguar os ânimos nos Três Poderes, após o presidente do STF, o ministro Luiz Fux, afirmar em seu pronunciamento realizado no dia anterior, quarta- feira (8), que “o Supremo Tribunal Federal também não tolerará ameaças à autoridade de suas decisões. Se o desprezo às decisões judiciais ocorre por iniciativa do chefe de qualquer dos poderes, essa atitude, além de representar um atentado à democracia, configura crime de responsabilidade, a ser analisado pelo Congresso Nacional” – condição sine qua non para a abertura de um processo de impeachment.

Pela gravidade das declarações do presidente, no dia 7 de setembro, aos seus correligionários, podemos supor ainda existirem “muitos panos para as mangas” para muitos outros desdobramentos políticos.

Resta-nos a nós, pobres mortais, sobre quem a pesada mão do alto custo de vida repousa, aguardar se aquilo que resultará das bravatas bolsonaristas e das as gravatas daqueles que comandam os Três Poderes, serão seus enlaces em torno do objetivo de arrancar o país do fundo do poço em que se encontra; ou se juntas, formarão uma corda com a qual sufocarão, de uma vez por todas, o país nas profundezas de uma crise que não é somente sanitária, mas econômica, política, social e, sobretudo, ética.

Foto: Reprodução/Pedro Ladeira/Folhapress

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Sobre Rogério Melo, que escreve na coluna In vino veritas, no Por Dentro do RN

Coluna de Rogério Melo para o Por Dentro do RN (In Vino Veritas)

Rogério Melo tem 51 anos, é comunicador social, cientista social e mercadólogo formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Também é mestrando em Ciência da Informação pela mesma instituição. Além disso, Rogério Melo escreve na coluna In vino veritas, no Por Dentro do RN, às sextas feiras; e comenta sobre os fatos políticos do RN e do Brasil. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

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A Última Festa: mais um favoritado?, por Alexandre Vitor

Por Alexandre Vitor
Para o Por Dentro do RN

Sabe aqueles livros que têm um assassino que te deixa louco? Que você fica a toda hora elegendo um novo suspeito? Acabou de encontrar um bom exemplar.

Olá, querido leitor do Por Dentro do RN. Hoje, iremos comentar um pouco sobre o livro de suspense “A Última Festa”, da autora britânica Lucy Foley. Sim, é aquele livro de ficar com o coração na mão e roer as unhas.

Aqui, nós vamos conhecer um grupo de nove amigos que se relacionam desde a escola e passam o réveillon juntos todos os anos, para relembrar os velhos tempos. Em uma ocasião, eles escolhem uma hospedaria afastada nas Terras Altas da Escócia, onde neva muito e cujo acesso é difícil, tanto para chegar como para sair. Hotel? Neve? Isolamento? Alguma lembrança de um filme/livro famoso com esses elementos? Vislumbrei uma suave inspiração em “O Iluminado”, clássico de Stephen King que foi adaptado, em 1980, por Stanley Kubrick.

Voltando à obra, por trás de uma aparente harmonia, todos possuem arestas antigas uns com os outros; e isso acaba culminando em um assassinato. O diferencial é que, além de não sabermos quem é o assassino (claro!), também não sabemos quem foi o assassinado. Muitos eventos estranhos e suspeitos acontecem no decorrer da estória.


O livro, além de divertido pelo mistério, também levanta questões sobre amizades que julgamos verdadeiras e que, na verdade, podem esconder muito rancor represado e mascarado que acaba vindo à tona. Falhas? Sim, temos: achei que a vítima foi um tanto previsível. Eu, que não tenho tanta experiência no gênero, descobri com pouca dificuldade.

Para alguém mais aficionado, tipo leitor de Agatha Christie, seria moleza. Já descobrir o assassino é um pouco mais complicado. Mesmo assim, vale a leitura. Particularmente, achei a proposta do livro interessante. A autora soube criar uma atmosfera de tensão, ligando o passado e o presente de forma instigante. Se você ainda não conhece, aproveite esse feriadão e vá correndo às livrarias.

E você, pretende ler o quê nesses dias de folga? Fala aí nos comentários. E valeu por estar acompanhando “O Papiro é Louco” aqui no Por Dentro do RN.

Foto: Reprodução/Coisas de Mineira

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Sobre Alexandre Vitor, colunista do portal Por Dentro do RN

Coluna de Alexandre Vitor no Por Dentro do RN

Alexandre Vitor tem 14 anos e prefere ser chamado de Vitor; é um escritor iniciante e tem um conto publicado no Wattpad. Além disso, o autor tem como hobbies a leitura, a cozinha e a prática de esportes. Desde pequeno, Alexandre Vitor se interessa por literatura. Aos 11 anos, decidiu que queria ser escritor e até já tinha vários manuscritos, mas nunca colocou nada adiante.
O jovem articulista da coluna O Papiro é Louco, aqui no Por Dentro do RNconsidera-se um leitor eclético, ou seja, aberto a quase todos os temas, mas confessa que fantasia e aventura são seus gêneros favoritos. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Fundação Perseu Abramo (FPA) lança livro sobre o golpe de 2016, por Rogério Melo

Fundação Perseu Abramo (FPA) lança livro sobre o golpe de 2016, por Rogério Melo

Por Rogério Melo
Para o Por Dentro do RN

No último dia 31 de agosto, completaram-se cinco anos do processo ao qual os partidos de esquerda definem como “golpe institucional”, que depôs do Governo Federal a ex-presidenta, Dilma Rousseff.

Após pouco mais de três meses de um extenuante processo de impeachment, desde que fora afastada da presidência da República pelo Senado Federal, em 12 de maio de 2016, a primeira mulher a ocupar o cargo mais importante do país foi afastada definitivamente das suas funções sob acusação de liberar créditos suplementares sem o aval do Congresso, bem como de promover os atrasos nos repasses da União aos bancos públicos com a finalidade de cobrir gastos dessas instituições com programas do governo, popularmente conhecidos como “pedaladas fiscais”, cujo objetivo era melhorar artificialmente as contas do governo.

Embora os dois supostos crimes de responsabilidade tenham motivado a abertura do processo pelo Senado Federal, a sua gestão já apresentava importantes desgastes provocados pela intensa recessão econômica, momento em que chegou a encolher aproximadamente 8% em apenas dois anos, após sua reeleição.

Outro fator era a ausência de apoio político no Congresso Nacional, refletida na baixa governabilidade; e, finalmente, pelo escândalo do “Petrolão” – um bilionário esquema de corrupção caracterizado pela cobrança de propina das empreiteiras com as quais celebravam-se contratos para execução de obras superfaturadas, a fim de abastecer os cofres de partidos, funcionários da estatal e políticos.

Esse esquema foi alvo da investigação da Polícia Federal denominada de “Lava Jato”. A Operação Lava Jato, por sua vez, desencadeou uma onda de protestos que invadiram as ruas e as redes sociais digitais em todo o país

Na exata data do quinquênio de aniversário do golpe de 2016, a Fundação Perseu Abramo (FPA), instituição ligada ao PT, lançou o livro intitulado “Brasil: cinco anos de golpe e destruição”. A obra foi organizada pela ex-assessora e economista Sandra Brandão como contribuições dos Núcleos de Acompanhamento de Políticas Públicas (NAPPs) da Fundação Perseu Abramo e de centenas de colaboradores em todo o País, e a coordenação do Centro de Altos Estudos da FPA.

Prefaciado pelo ex-ministro da Casa Civil no governo de Dilma, Aloizio Mercadante, para quem “as falsas promessas neoliberais dos que apoiaram a farsa do impeachment não se cumpriram, e o país tem hoje um Estado mais autoritário, um país completamente isolado internacionalmente, uma economia em crise e uma sociedade dividida pelo negacionismo e pelo obscurantismo. O fracasso do governo golpista de Temer e o despreparo e a falta de coordenação do governo Bolsonaro têm levado a cabo o mais severo desmonte das políticas públicas brasileiras de nossa história Republicana”, escreveu em seu prefácio.

Quem apresenta a obra é a própria Dilma Rousseff, onde analisa o processo de corrosão da democracia sob o qual estamos atravessando em quatro atos: o primeiro ato, o próprio golpe de 2016, cujo corolário foi aprovar no Congresso o congelamento de todas as despesas por 20 anos com saúde, educação, saneamento, habitação, ciência e tecnologia, cultura, proteção e direitos das mulheres e dos negros, por exemplo, conhecida como “Emenda do Teto dos Gastos”.

O segundo ato, a interdição de Lula, que permitiu a ascensão de um governo radicalmente neoliberal na economia e neofascista na política; o terceiro ato, culminado pela eleição do atual presidente Jair Messias Bolsonaro, alavancada por setores neoliberais do centro e da centro-direita, dos militares, dos segmentos do mercado financeiro, de empresários e da mídia oligopolizada; e, finalmente, o quarto ato, caracterizado pela gestão desastrosa e genocida da pandemia da covid-19.

Em suas considerações finais, Dilma afirma que “Bolsonaro é o resultado do ovo da serpente chocado no Golpe de 2016, no discurso do ódio que o sustentou e na interdição do ex-presidente Lula. Temos muitos combates a travar para enfrentar o pior governo da história do país e restabelecer a vida e os direitos que vêm sendo roubados do povo brasileiro desde o impeachment fraudulento”, diz.

Para ela, “o reconhecimento da inocência de Lula é uma vitória da justiça e da democracia. E abre uma forte e promissora perspectiva para a luta e a organização do povo brasileiro. Está aberto um caminho para a reconstrução do Brasil. Temos uma alternativa de poder no campo popular. E, sem dúvida, mais uma vez vamos seguir em frente e continuar lutando pela democracia, pela soberania e pela vida”, conclui, esperançosa, a primeira mulher a governar o Brasil.

O livro está disponível para download gratuito no seguinte link: Brasil: Cinco anos de golpe e destruição.

Foto: Reprodução/Fundação Perseu Abramo

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Rogério Melo tem 51 anos, é comunicador social, cientista social e mercadólogo formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Também é mestrando em Ciência da Informação pela mesma instituição. Além disso, Rogério Melo escreve na coluna In vino veritas, no Por Dentro do RN, às sextas feiras; e comenta sobre os fatos políticos do RN e do Brasil. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

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O que a gente é hoje é o que importa, por Ana Beatriz Amorim

O que a gente é hoje é o que importa, por Ana Beatriz Amorim

Por Ana Beatriz Amorim
Para o Por Dentro do RN

A gente passa a vida com medo: medo de morrer, de ficar tempo demais no emprego errado, de não ter o colo dos amigos quando a gente mais precisa, de não fazer as viagens dos sonhos, de não conseguir comprar a casa própria, de não encontrar alguém para casar e ter filhos. De todos os medos, o que mais me aflige é o de não conseguir amar.

Porque vamos combinar: depois de um, dois, três corações partidos, fica fácil pensar que nada vai dar certo, que as relações viram DRs intermináveis que culminam em mágoas quase eternas. Nos livros, nos filmes, nas músicas que a gente passa o tempo todo lendo, vendo e ouvindo, todo mundo sofre por amor; e a gente acha lindo, se identifica, quer viver aquela avalanche de paixão, de tesão, de loucura.

Quando chega a vida real, todo mundo parece querer o conto de fadas, enxergando no outro a imagem da perfeição, alguém sem um passado que diga muito, alguém que mal tenha um presente (só se for com você) e cujo futuro esteja inevitavelmente atrelado ao seu e comece a ser planejado imediatamente.

Não, pessoal, menos! Vamos com calma! É preciso entender que a gente é a soma de tudo o que nós vivemos, principalmente de tudo o que vivemos com outras pessoas. São as histórias de amor que deixam a gente do jeito que é: às vezes mais madura, às vezes mais medrosa, às vezes mais otimista para buscar de novo, mas sempre diferente e mais experiente.

O que a gente é hoje é o que importa. A gente faz o que pode e, na maioria das vezes, é de todo o coração. Afinal, por mais que o medo insista em se instalar, ainda vale mais uma paixão louca do que um coração congelado.

Foto: Reprodução/Tatiana Pezzin

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Sobre Ana Beatriz Amorim, colunista do portal Por Dentro do RN

Ana Beatriz Amorim

Ana Beatriz Amorim tem 35 anos, é jornalista e designer gráfica formada pela UnP. Também é fotógrafa, licenciada em Artes Visuais pela UFRN e especialista em Assessoria de Comunicação. Adepta da teoria do faça uma coisa de cada vez e seja múltipla, escreve a respeito do cotidiano, artes, cultura e esporte. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Falando sobre o filme americano 'Correndo Atrás' (Whatever It Takes), dos anos 2000, por Alexandre Vitor

Falando sobre o filme americano ‘Correndo Atrás’ (Whatever It Takes), dos anos 2000, por Alexandre Vitor

Por Alexandre Vitor
Para a coluna O Papiro é Louco, no Por Dentro do RN

Hoje, irei falar (e tentar convencê-los a assistir) sobre o filme adolescente “Correndo Atrás”. Eu sei, eu sei, se trata de uma comédia romântica, coisa de ‘menininhas’, de acordo com algumas pessoas. Então, vamos fingir que não conhecemos alguns caras que adoram esse gênero, mas negam até a morte – e fazem o “grande sacrifício” de acompanhar a irmã ou a namorada no cinema.

Melhora se disser que o filme foi inspirado no clássico Cyrano de Bergerac? Soube que o filme fez sucesso à época do lançamento de sua refilmagem, com o ator Gerard Depardieu? Mas, como ainda não li nem assisti, não posso opinar nem correlacionar com “Correndo Atrás”.

Também ajuda se disser que o filme tem no elenco Shane West (Um Amor Pra Recordar), Jodi Lyn O´Keefe (Prision break, The Vampire Diaries) e James Franco (Planeta dos Macacos – A Origem e Homem aranha) , todos ainda bem no inicio das suas respectivas carreiras?

A trama trata, como muitas comédias românticas, de dois caras querendo conquistar as garotas dos seus sonhos e, para isso, fazem um acordo e muitas loucuras, no melhor sentido de “uma mão lava a outra”. Têm aqueles personagens bem clichês do cinema estadunidense: a popular, o bonitão, os CDFs, o palhaço da turma, o azarado; mas não é um besteirol.

Também podemos extrair algumas lições desse longa; como, por exemplo, valorizar as amizades verdadeiras ao invés daquelas que têm interesses incluídos, e também nunca fingir ser uma pessoa que não você mesmo.

Sinceramente, gostei desse filme. Assisti a ele pela Netflix há algumas semanas, um tempinho depois do lançamento. A cronologia foi bem construída, piadas na medida certa e personagens com boas motivações. Mas, como nem tudo são flores, é claro que teve alguns defeitinhos. O principal é o desfecho, muito abrupto e adocicado ao meu ver.

Está aí minha dica bem light para essa semana. Se você já viu ou vai entrar na minha onda, mesmo sem gostar de comédias românticas e só vai assistir para acompanhar sua irmã, comente aqui o que achou.

Foto: Ilustração

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Sobre Alexandre Vitor, colunista do portal Por Dentro do RN

Coluna de Alexandre Vitor no Por Dentro do RN


Alexandre Vitor
 tem 14 anos e prefere ser chamado de Vitor; é um escritor iniciante e tem um conto publicado no Wattpad. Além disso, o autor tem como hobbies a leitura, a cozinha e a prática de esportes. Desde pequeno, Alexandre Vitor se interessa por literatura. Aos 11 anos, decidiu que queria ser escritor e até já tinha vários manuscritos, mas nunca colocou nada adiante.
O jovem articulista da coluna O Papiro é Louco, aqui no Por Dentro do RNconsidera-se um leitor eclético, ou seja, aberto a quase todos os temas, mas confessa que fantasia e aventura são seus gêneros favoritos. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

In vino veritas por Rogério Melo no Por Dentro do RN

Semana agitada no cenário político do Brasil, por Rogério Melo

Por Rogério Melo
Para o Por Dentro do RN

Esta foi uma semana bem agitada no cenário político brasileiro. Isso porque na última sexta-feira, 20, o presidente Jair Bolsonaro havia protocolado uma denúncia dirigida ao presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (Democratas-MG), contra o Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

O presidente Bolsonaro já anunciara em suas redes sociais, desde o último dia 14 (sábado), a sua intenção em apresentar tal solicitação contra Alexandre de Moraes, bem como contra o Ministro Luís Roberto Barroso, igualmente integrante do STF, e atual Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Entretanto, no pedido formalizado constava somente a denúncia contra o ministro Alexandre de Moraes. A justificativa dada pelo presidente na sua conta do Twitter foi a de que ambos “extrapolam com atos os limites constitucionais”.

As declarações do presidente ocorreram no contexto da prisão preventiva decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, no dia 12 do mês corrente, contra o ex-deputado federal e presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, aliado do governo. Roberto Jefferson é um dos investigados no Inquérito 4.874, que investiga a existência de uma suposta organização criminosa, cuja finalidade seria atentar contra a Democracia e o Estado de Direito por meio da disseminação de fake news.

O pedido se fundamenta no Artigo 52 da Constituição Federal, que prevê como competência privativa do Senado Federal, inciso II, “processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal, os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, o Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União nos crimes de responsabilidade”.

A decisão do presidente se deu depois que teve seu nome citado num pedido de investigação feito no dia 09 de agosto pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), presidio por Barroso, a fim de apurar um suposto vazamento de informações reservadas nas redes sociais, no dia 04 de agosto. Neste mesmo inquérito, também são citados os nomes do deputado federal Felipe Barros (PSL-PR) e do delegado responsável pelo caso, Victor Neves Feitosa Campo.

O STF manifestou seu repúdio contra o pedido protocolado pelo presidente da República, emitindo a seguinte nota: “O Estado Democrático de Direito não tolera que um magistrado seja acusado por suas decisões, uma vez que devem ser questionadas nas vias recursais próprias, obedecido o devido processo legal. O STF, ao mesmo tempo em que manifesta total confiança na independência e imparcialidade do Ministro Alexandre de Moraes, aguardará de forma republicana a deliberação do Senado Federal”.

O Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) emitiu um parecer onde concluiu serem inexistentes os crimes de responsabilidade imputados ao ministro Alexandre de Moraes, uma vez que a denúncia apresentada pelo presidente da República Jairo Bolsonaro, “não possui fundamento jurídico para justificar a abertura de processo de impeachment contra o referido ministro injusta e abusivamente denunciado”, motivo pelo qual recomendou que tal pedido fosse liminarmente rejeitado pelo presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco.

Houve também a reação partidos de centro e esquerda, no total dez, que emitiram separadamente duas cartas abertas pedindo a rejeição do pedido de impeachment contra o ministro do STF. Os presidentes nacionais do DEM, MDB e PSDB, PT, PDT, PSB, PCdoB, Cidadania, PV e Rede Sustentabilidade, se posicionaram em defesa da democracia, das instituições, do Supremo e de Alexandre de Moraes. Juntas, essas bancadas reúnem 43 dos 81 senadores.


Nesta quarta-feira (25), o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, fez o anúncio pela rejeição do pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O pedido fora submetido à Advocacia do Senado, que emitiu um parecer técnico, no qual considerou a peça sem adequação legal. Para Pacheco, a preservação da independência entre os Poderes se constituiu numa possibilidade para que as crises institucionais sejam deixadas para trás.

“Há também o lado político de uma oportunidade dada para que possamos restabelecer as boas relações entre os Poderes. Quero crer que esta decisão possa constituir um marco de pacificação e união nacional, que tanto pedimos, e é fundamental para o bem-estar da população e para a possibilidade de progresso e ordem no nosso país”, declarou Pacheco. O comunicado acerca da rejeição do pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes foi feito num pronunciamento à imprensa, em que Pacheco estava acompanhado pelo vice-presidente do Senado, Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB).

A decisão pelo arquivamento frustrou as expectativas do presidente Jair Bolsonaro de que, uma vez acatado por Pacheco, do pedido de impeachment desencadearia uma onda de protestos favoráveis à sua gestão por todo o país, no próximo dia 07 de setembro, data em que se comemora a Independência do Brasil. Àqueles que defendem o livre exercício das instituições democráticas e a manutenção do Estado de Direito resta a esperança de que tal decisão assinale um fim na crise institucional entre os três poderes.

Uma esperança demasiado frágil, é verdade, quando levamos em conta a inaptidão, a imaturidade, a incompetência, a insensibilidade, a apatia, a insanidade mental e a incapacidade daquele que governa um país economicamente arrasado por uma pandemia que já vitimou mais de 600 mil pessoas, por uma inflação praticamente fora de controle e por um contingente de mais de 14 milhões de desempregados.

Foto: Reprodução/Rogério Melo

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E fora do Story, você está bem Por Ana Beatriz Amorim

E fora do Story, você está bem? – Por Ana Beatriz Amorim

Por Ana Beatriz Amorim
Para o Por Dentro do RN

Todo mundo é feliz na internet; e que assim seja, porque se tem uma coisa que a rede mundial de computadores permite é que você edite a sua vida. Muita gente faz isso no mundo offline. A diferença é que, quando as pessoas atualizam os seus status, feed ou stories, você recebe uma avalanche de informações que não teria condições de acompanhar na vida real. É mais fácil ler toda a sua timeline do que marcar encontro com cada um que posta ali.

O Instagram vira, então, um reality show – 24 horas por dia, sete dias por semana – de pessoas compartilhando suas vidas incríveis, bem-sucedidas; de viajantes do mundo que não passam por nenhum drama. Quase sempre a vida dos outros parece melhor do que a nossa. Mas será que é possível ser feliz o tempo todo? Todo mundo sabe que não; todavia, ninguém se furta de pensar coisas do tipo: “Nossa, a vida de fulana é tão organizada. Ela, na minha idade, já tem casa, marido e filhos”. A internet é linda, mas causa uma ansiedade enorme na gente.

Talvez isso aconteça porque passar horas na internet nos faz criar um ciclo vicioso. Você está ali, sente necessidade de falar alguma coisa, de compartilhar uma música que seja. Faz isso, recebe uma curtida, alguns comentários e já sente vontade de falar e postar mais. Em paralelo a tudo isso, também acompanha a vida dos outros como se fosse um seriado, fazendo as mesmas coisas que você.

Fico aqui pensando numa solução; e acho que parte dela está numa campanha por um mundo virtual mais real, com mais gente de verdade. Afinal, nem lá nem cá, talvez só na TV, as pessoas vivem num comercial de margarina, né?

Foto: Reprodução/Coluna da Ana Beatriz Amorim

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Sobre Ana Beatriz Amorim, colunista do portal Por Dentro do RN

Ana Beatriz Amorim

Ana Beatriz Amorim tem 35 anos, é jornalista e designer gráfica formada pela UnP. Também é fotógrafa, licenciada em Artes Visuais pela UFRN e especialista em Assessoria de Comunicação. Adepta da teoria do faça uma coisa de cada vez e seja múltipla, escreve a respeito do cotidiano, artes, cultura e esporte. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Sai de cena a guitarra violada de Paulo Rafael, por Abner Moabe

Sai de cena a guitarra violada de Paulo Rafael, por Abner Moabe

Ter uma identidade artística única é para poucos, independente de qual seja a linguagem. Na música, ter uma sonoridade que soe original depende de vários fatores; e, se Alceu Valença teve êxito nessa empreitada, muito se deve a Paulo Rafael, guitarrista, arranjador e seu fiel escudeiro por 46 anos, falecido hoje aos 66 anos após uma batalha contra o câncer.


Tendo iniciado sua carreira na banda Ave Sangria, que já apresentava uma sonoridade ousada numa mistura de rock psicodélico e música nordestina, Paulo Rafael e Alceu se conheceram numa noitada em Olinda, curiosamente na mesma noite em que Alceu conheceu de perto uma jovem bailarina que mais tarde ele a batizaria de “a moça bonita da praia de Boa Viagem”.

Mas é apenas em 1975 que a história dos dois no palco começou de fato; quando Alceu convidou o Ave Sangria para lhe acompanhar no festival Abertura defendendo a música Vou Danado pra Catende. A banda preferiu seguir sendo base para Alceu Valença e, ao longo dos anos, os músicos foram saindo, restando apenas Paulo Rafael.


Com exceção de Molhado de Suor (1974), todos os demais discos de Alceu Valença tiveram a presença da guitarra de Paulo Rafael; e é praticamente impossível pensar no que seria da música do artista de São Bento do Una sem seu o parceiro guitarrista. Paulinho, como era carinhosamente chamado, foi o a cara e o som da guitarra nordestina e deu a sonoridade que transformaria Alceu em um ícone da música brasileira; e isso é um das coisas que mais chama a atenção. Paulo Rafael nunca foi de procurar os holofotes, preferia ficar ali do lado direito do palco com a sua guitarra fazendo o necessário para que a Alceu e a sua música fossem as estrelas. E conseguiu.


Vai ser difícil ouvir o riff inicial de Anunciação com a mesma emoção. Eu costumava dizer que, provavelmente, os dedos de Paulo Rafael já faziam esse solo automaticamente de tanto que ele tocou essa música na vida; sem contar em outras tantas linhas de guitarra e solos marcantes que absolutamente todo e qualquer brasileiro já ouviu mesmo sem querer. Como li mais cedo, quem é fã de Alceu é fã de Paulo Rafael mesmo que não saiba, pois ele entrou para o seleto rol dos que conseguiram o feito de tocar o coração de uma nação tão heterogênea como a nação brasileira.


Se tantas vezes sua guitarra anunciou a chegada numa manhã de domingo, No Romper da Aurora de uma segunda é que ele nos deixa e eu apenas agradeço cantando:


“Quando o sol beijar a lua
E a lua for embora
Entro na rua do Sol
Dobro na rua da Aurora
Meu amor eu vou chorando
É chegada a nossa hora
Meu bem já vou embora
Vou, eu vou
No romper da aurora
Vou que vou”

Ao mestre Paulo Rafael, toda a minha reverência!

Foto: Reprodução/Instagram

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Além de Paulo Rafael e Alceu Valença, Abner Moabe também fala sobre cultura brasileira, MPB e artistas potiguares no Por Dentro do RN

Abner Moabe fala sobre Paulo Rafael no Por Dentro do RN

Abner Moabe tem 27 anos, é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e graduando em Ciências Sociais pela mesma instituição. Além disso, atua no projeto de educação e cultura Conexão Felipe Camarão e vem desenvolvendo projetos de pesquisa sobre a música do Rio Grande do Norte. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.
Instagram: @abnermoabe
Twitter: @abner_moabe

Jogo dos sete erros, por Thiago Martins

Dias de luta, dias de glória; por Thiago Martins

De Thiago Martins
Para o Por Dentro do RN

Jogo dos sete erros

Você sabe quem desse mosaico da conta do Instagram @pensandoaoab pediu para excluir a foto desta arte que foi publicada e a apagada depois do pedido?

Dias de luta

Foi uma semana tensa para a bancada governista na Câmara Municipal de Natal. Na quarta-feira (18), discussão do vereador Robson Carvalho com a própria líder do governo, Nina Souza, ambos do PDT, por conta de um projeto de Robson que a líder orientou voto contrário. Ambos saíram chateados.

No dia seguinte, foi a vez dos estreantes Nivaldo Bacurau e Hermes Câmara se desentenderem, pela concessão de um “pela ordem” numa sessão que já estava atrasada. Nina e Robson selaram a paz e buscam acordo para o projeto; Já no caso de Bacurau e Hermes, o petebista até se aproximou para buscar diálogo, mas foi visível que o pessebista saiu #chateado da sessão.

Dias de glória

Pode-se dizer que a glória de Nina é permanente. É uma excelente vereadora, consegue conduzir extremamente bem a liderança do governo, mesmo em meio a várias crises. Robson tem crescido, se destacado, bateu na trave na eleição para deputado federal em 2018 e já tem viajado o estado, podendo surpreender próximo ano, caso busque a vaga de deputado estadual (ou até federal).

Quanto a Hermes, coube ao experiente vereador Raniere Barbosa (Avante) rasgar elogios ao seu favor na sessão da quarta-feira, afirmando que Hermes tem atuado como um estadista, em referência à reunião ocorrida na prefeitura, ocasião na qual defendeu os vendedores ambulantes das praias de Natal. Bom… a união e boa relação de Hermes com Álvaro e com Fátima, campos opostos, mostra isso muito bem. Trata-se de alguém bem articulado.

Se for, vá na paz

Se for vá na paz jogo dos sete erros Thiago Martins
Foto: Reprodução

Já em relação ao vereador Nivaldo Bacurau, é importante destacar a boa atuação que ele tem tido, especialmente na resolução de problemas comunitários da Zona Norte de Natal, e sua participação em projetos e ações sociais. Mas, como destaca o premiado filme Bacurau, do pernambucano Kleber Mendonça Filho: se for, vá na paz. Digo isso porque, no primeiro semestre, Bacurau já teve situação semelhante de “estresse” com o vereador Robério Paulino (PSOL), quando reclamou que o colega só ‘falava a mesma a coisa’ em toda sessão – de fato, Robério, diariamente, alertava para os índices de transmissão e morte de covid-19.

Enquanto isso, na Assembleia…

Assistimos (literalmente, já que o regimento da Casa foi atualizando, permitindo a exibição das CPIs pela TV Assembleia) às CPIs da Covid e da Arena das Dunas. O que se ouve pelas ruas é que não vai dar em nada. Será?

Cada vez mais Humana

Kehrle Júnior Jogo dos Sete Erros Por Thiago Martins
Foto: Reprodução

Mudanças na comunicação da Humana Saúde. A operadora que atua no Rio Grande do Norte tem crescido consideravelmente e passa a ter o então assessor de comunicação, o jornalista e colega Kehrle Júnior, promovido a coordenador regional de Comunicação e Marketing. A assessoria, pro sua vez, passa para a jornalista Salvina Miranda, que, com sua experiência, chega para agregar mais conhecimento e valor a Humana. Parabéns, caros amigos!

Foto: Reprodução

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Sobre Thiago Martins, colunista do Por Dentro do RN

Jean Paul se fortalece para o Senado

Thiago Martins tem 28 anos, é jornalista formado pela UFRN e atua do jornalismo político no Estado. Apesar de sua maior dedicação ser na área de Assessoria de Comunicação, observa e acompanha as principais ações políticas do Rio Grande do Norte, do Brasil, e do mundo, e escreve nesta coluna a respeito do tema. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Alexandre Vitor fala sobre adaptações de livros em filmes

As polêmicas e divergências entre os livros e suas adaptações para as telonas, por Alexandre Vitor

Por Alexandre Vitor
Para o Por Dentro do RN

Quando se fala em filmes e séries baseados em livros, a polêmica sempre aparece. Nem sempre as obras são bem adaptadas para as telonas. Um exemplo disso é “O conde de Monte Cristo”, clássico do Alexandre Dumas.

Uma parte do filme realmente se apresentou bem. Porém, depois, a adaptação não seguiu o livro corretamente. Os personagens não são bem apresentados (alguns até nem aparecem no filme), e o enredo possui alguns furos imperdoáveis, principalmente com o modo de vingança do Conde, que seria o ápice da estória. Sabe aquele velho ditado do tempo dos dinossauros, que diz que a vingança é um prato que se come frio? Nesse caso, o prato ficou esfriando por 20 anos (não posso dar spoiler!).

Bom, também há coisas que precisamos levar em conta: os livros têm formato bem diferente dos filmes e séries, não podemos exigir uma boa adaptação de um livro de 1600 páginas em 2h11min. Filmes apresentam fatos de modo mais ágil para não tornarem-se muito arrastados, já livros possuem formato mais detalhista, onde os autores escreveram com liberdade.

Até aí tudo bem, tudo compreensível. Mas existem coisas que são inegociáveis. Como se modifica, por causa de uma adaptação, uma estória conhecida mundialmente? Isso para mim é imperdoável. Bom, se ficou curioso leia o livro. É fantástico. E lembre-se: por melhor que possa ser o filme, o livro no qual ele se baseou será sempre superior.

Deixa o comentário se você já leu um livro e se decepcionou ao assistir ao filme!

Foto: Reprodução

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Sobre Alexandre Vitor, colunista do portal Por Dentro do RN

Coluna de Alexandre Vitor no Por Dentro do RN

Alexandre Vitor tem 14 anos e prefere ser chamado de Vitor; é um escritor iniciante e tem um conto publicado no Wattpad. Além disso, o autor tem como hobbies a leitura, a cozinha e a prática de esportes. Desde pequeno, Alexandre Vitor se interessa por literatura.

Aos 11 anos, decidiu que queria ser escritor e até já tinha vários manuscritos, mas nunca colocou nada adiante. Além disso, o colunista do Por Dentro do RN considera-se um leitor eclético, ou seja, aberto a quase todos os temas, mas confessa que fantasia e aventura são seus gêneros favoritos.

Ana Beatriz Amorim

A arte de registrar, por Ana Beatriz Amorim

Por Ana Beatriz Amorim
Para o Por Dentro do RN

Hoje, celebramos o dia mundial da fotografia. Além de abordar o tema por ser tão apaixonada por essa arte, resolvi compartilhar alguns dilemas da profissão de fotojornalista que em diversos momentos eu me perguntava: “será que devo parar de fotografar e abaixo a câmera de vez?”.

O fotojornalismo é uma profissão muito, muito instigante. No período em que estive “na rua”, vivi situações, conheci lugares e pessoas que, muito provavelmente, eu não conheceria se não fosse jornalista. Diariamente, a gente se depara com as mais diferentes histórias, das mais bonitas às mais dolorosas.

Ser testemunha dessas histórias e poder contá-las por meio de textos e imagens é uma experiência muito rica e gratificante. Mas, como todas as coisas vêm com seus bônus e ônus, nem sempre é fácil e nem sempre é confortável vivenciar tudo isso com uma câmera nas mãos.

Uma das situações que acho mais difíceis de se fotografar são os enterros, principalmente, os relacionados à violência . O profissional está ali, de certa forma invadindo aquele espaço, aquele momento de tristeza, de dor, do sofrimento da perda, do inconformismo, da revolta. É difícil não se sentir desconfortável, é difícil buscar boas imagens sem ser notado, sem ser indelicado, porque por mais que você tome cuidado em ser sutil, a sua presença ali muitas vezes é encarada como desrespeito para os familiares e amigos do falecido.

Já perdi as contas de quantas vezes me chamaram de urubu e já perdi as contas de quantas vezes me senti como tal. Mas tenho meus limites, nem sempre consigo respirar fundo, ignorar os olhares duros e continuar fotografando. Tem hora que preciso abaixar a câmera e respeitar aquela dor. Mas aí surge o meu grande dilema: e se eu chegar no meu limite e abaixar a câmera e o fotógrafo da concorrência não fizer o mesmo?

Já vivi isso diversas vezes. E em muitas delas, tive de passar dos meus limites pra não perder “A” foto. É inevitável falar desse assunto e não lembrar dos depoimentos incríveis dos fotógrafos Greg Marinovich e João Silva, no livro O Clube do Bangue-Bangue, que relata a cobertura fotográfica dos conflitos civis que marcaram o período de transição entre o apartheid e a república democrática, com a eleição de Nelson Mandela para presidente, na África do Sul.

Nunca vivi nada nem parecido com o drama de uma guerra, mas Greg Marinovich levanta uma questão que tem muito a ver com essas situações de limite que os fotógrafos vivem no dia a dia de um jornal: tragédias e violência certamente geram imagens poderosas. os registros do que vêm sendo feitos no Afeganistão é o exemplo mais atual. É para isso que somos pagos. Mas cada uma dessas fotos tem um preço: parte da emoção, da vulnerabilidade, da empatia que nos torna humanos se perde cada vez que o obturador é disparado.

Não me sinto menos humana a cada click que dou em uma pauta difícil. Pelo contrário, busco ainda mais a minha humanidade e o meu respeito pelo ser humano. E em todas as fotos que faço, tento passar isso. Lembro-me muito de uma pauta bem dolorida que fiz, o enterro de uma menina de 13 anos que tinha sido atropelada. As pessoas, principalmente crianças, estavam muito emocionadas no velório e isso mexeu bastante comigo.

Teve um momento que subi em uma sepultura, porque tinha muita gente e eu não tinha bom ângulo para fotografar de baixo, e uma senhora gritou para mim: “mas é um urubu mesmo!”. Engoli seco, continuei fotografando, depois desci da sepultura, me afastei um pouco e tentei me acalmar.

Eu estava visivelmente mal com aquilo e uns cinco minutos depois, a mesma senhora se aproximou, notou minhas lágrimas e me pediu desculpas falando: “Não é fácil para você estar aqui, não é? Estou vendo que você mesmo bem jovem tem coração, me perdoe”. Fui embora daquele cemitério pensando muito no meu papel de fotojornalista e nos meus sentimentos enquanto fotógrafa e pessoa.

As cenas fortes são extremamente fotografáveis, isso é um fato. Uma fotografia de um choro desesperado emociona, outra de alguém desmaiando também emociona. Mas existem formas e formas de se fazer essa imagem. Sem falar que não dá para passar por cima de tudo para se conseguir uma fotografia digna de prêmio.

Nós estamos lidando com pessoas, com sentimentos, e não dá para ignorar isso. Daniel Cornu, no livro Jornalismo e Verdade diz, de maneira bem dura, que “o jornalista que seja tentado em tais circunstâncias a esquecer o respeito que deve ao outro, vítima, testemunha, parente, espezinha o respeito que deve a si mesmo: não é mais que instrumento – meio! – da informação. Está reduzido à função que o sistema mediático lhe atribui. É prisioneiro de um determinismo reificante, de que seu próprio cinismo não é capaz de o libertar (…)”.

Abaixar a máquina, para mim, é antes de tudo respeitar a mim mesma. Há momentos nos quais a gente precisa recuar e pronto. A minha hora, talvez, não seja a mesma do fotógrafo ao lado e muitas vezes não é, porque cada pessoa reage de um jeito diferente diante dessas situações. E eu não quero dizer com isso que um fotógrafo seja mais sensível ou humano do que outro, de jeito nenhum. O limite de cada um é diferente, apenas isso.

Foto: Ana Beatriz Amorim

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Sobre Ana Beatriz Amorim, colunista do portal Por Dentro do RN

Ana Beatriz Amorim

Ana Beatriz Amorim tem 35 anos, é jornalista e designer gráfica formada pela UnP. Também é fotógrafa, licenciada em Artes Visuais pela UFRN e especialista em Assessoria de Comunicação. Adepta da teoria do faça uma coisa de cada vez e seja múltipla, escreve a respeito do cotidiano, artes, cultura e esporte. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Senador Jean e Fátima Bezerra eleições de 2022

Intrigas da oposição tentam ofuscar a força de Jean no Senado Federal em 2022, por Gustavo Guedes

Gustavo Guedes escreve: como um bom botafoguense e fã do futebol, Jean sabe que camisa não ganha jogo; mas que também faz um ótimo treino.

Em se tratando da falta de opositores que consigam, de fato, ameaçarem a reeleição da governadora Fátima Bezerra nas eleições do próximo ano, um recente artigo postado pela Agência Saiba Mais atentou para o fato de que, na verdade, a disputa mais difícil ocorrerá para o Senado Federal.

Enquanto Fátima segue influente desde 2014, quando conseguiu arrancar o Rio Grande do Norte das mãos de Henrique Eduardo Alves e, ao mesmo tempo, entregou o Estado para Robinson Faria, atitude esta pela qual deve se arrepender grandiosamente, o senador Jean, que assumiu a vaga de Fátima no Senado, vem despontando como o grande nome do PT para manter a cadeira em 2022, agora com todos os méritos.

Em entrevista ao programa Balbúrdia, do portal citado acima, o senador deixou claro que não tem medo do que está por vir. De acordo com o senador Jean, “não há motivos para o PT rifar, agora, a vaga para disputar essa eleição do Senado”, diz Jean, que embora deixar claro que tem vontade de disputar o pleito, também afirma que não tem projeto pessoal de poder, apenas por vaidade.

Sobre isso, o senador Jean é categórico, “meu projeto, desde 2013, é servir o partido. E acho que estou honrando o mandato, mantendo as bandeiras de Fátima e acrescentando as minhas”, reforça.

O parlamentar ainda segue certo consenso que alguns analistas políticos (falo dos sérios, não aqueles pagos para inventar fake news e tentam desestabilizar a gestão petista, ok?) têm seguido no Rio Grande do Norte, o de que Fátima Bezerra vem fazendo uma boa gestão e que, por causa disso, não apareceu ninguém à altura (e será que vai aparecer?) de arrancar dela uma reeleição que, até certo ponto, parece estar certa.

Sobre ser considerado fraco por seus opositores, o senador Jean diz que não tem medo dessa pecha e dá a entender que segue bem o ditado de que “o jogo só acaba quando o juiz apita”. “A oposição acha que disputar a cadeira do Senado é mais fácil. Mas aqui não tem fraquinho, não. Vamos mostrar que a gente merece e honra essa cadeira ao ponto de disputá-la”, dispara o senador Jean.

A confiança do senador tem uma razão óbvia, sobre a qual irei falar após deixar claro que, até este que vos escreve também não sabia muito sobre o trabalho e a vida do senador antes de ele assumir a vaga deixada por Fátima em 2018. Assim como me surpreendeu, por que não pode (e acho que vai) surpreender positivamente aqueles que não sabiam quem ele era antes de 2018? Bastou a campanha na última eleição para a Prefeitura para que eu visse que se tratava de um parlamentar íntegro e com bons projetos para o Rio Grande do Norte e para os brasileiros.

Como eu ia dizendo, a confiança do senador não é fruto de uma emoção metafísica, é baseada no trabalho que vem desempenhando no Senado, apresentando e tendo seus Projetos de Lei aprovados, como você mesmo pode observar neste link; além de estar viajando pelo Estado e despontando como um nome a ser considerado pelos potiguares, assim como fez em 2020, ao sair pelas ruas da capital angariando os votos que o deixaram na segunda posição no último pleito. Para quem diria que não iria ir longe, é um bom retrospecto, não?

Sobre os adversários do senador Jean

Em um estado acostumado a eleger os governos petistas desde muito tempo, o senador Jean, na visão deste que vos escreve, larga com uma pequena vantagem à frente de Rogério Marinho e Fábio Faria, ambos ministros do desgoverno Bolsonaro, que na eleição da qual saiu vencedor teve apenas 36,59% dos votos válidos no Rio Grande do Norte. É fato que o nordestino não se deixará levar por esse ‘interesse’ repentino do presidente no Nordeste, região à qual ele já atribuiu alguns preconceitos há não muito tempo.

Além disso, é ainda mais certo que ninguém comprará a candidatura de Rogério Marinho, que ganhou uma sobrevida política após se aliar ao bolsonarismo; muito menos a de Fábio Faria, cujos feitos envolvem a bajulação vergonhosa do autoritarismo de Bolsonaro e a vida pregressa como o “deputado que mais casou e se envolveu com famosas”.

Perguntado sobre quem gostaria de enfrentar, o senador Jean é categórico: “tanto faz, não quero nem saber. Eu quero é estar desse lado disputando com um dos dois. Agora, essa briga dos dois lá, é o seguinte, pega a pipoca e fica assistindo”, conclui.

Como um bom botafoguense e fã do futebol, Jean sabe que camisa não ganha jogo. E, como sempre gostou de falar pouco e agir muito, tem feito um ótimo trabalho costurando apoios e desfazendo, um a um, os ataques gratuitos que costuma sofrer por parte de quem se veste do antipetismo irracional para atacá-lo gratuitamente.

Sobre Gustavo Guedes, colunista do Por Dentro do RN

Gustavo Guedes escreve texto sobre o Universo Genial

Gustavo Guedes tem 29 anos, é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Escreve quando quer, o que quer e do jeito que bem entende. Mas se interessa pela área musical, por Astronomia, pela boa Política, por serpentes e tem uma simpatia por aviões; e tudo mais que o ajude a sair do tédio. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.
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Twitter: @gstvgds

Leia mais sobre o senador Jean e sua produção parlamentar:

Paulinho Freire sobre a reforma política

Paulinho Freire ‘manda a real’ sobre a reforma política

Nome cotado para ser candidato a deputado federal nas eleições do próximo ano, o presidente da Câmara Municipal de Natal (CNM) e da Federação das Câmaras do Rio Grande do Norte (Fecam/RN), Paulinho Freire (PDT) ‘mandou a real’ sobre a reforma política que caminha na Câmara dos Deputados, em Brasília, já aprovada em 1º turno, que prevê a volta das coligações.

Paulinho iniciou sua fala, no pequeno expediente da CMN da última quinta-feira (12), comentando a votação ocorrida na Câmara dos Deputados no dia anterior, e atribuiu a votações como aquela o fato de cada vez mais pessoas estarem descrentes com o nosso sistema político. De fato! Estamos vivenciando uma reforma eleitoral para cada pleito no Brasil, e agora o retorno das coligações representa um enorme retrocesso, explicado por uma questão apenas: ser a forma mais fácil dos atuais deputados conseguirem se reeleger.

Muitas figurinhas carimbadas – não só do Rio Grande do Norte, mas de todos os estados – teriam imensas dificuldades de renovarem os seus mandatos. Ver votações – como a da semana passada na Câmara – que determinam a mudança ao modo que permita uma reeleição ao modo ‘melhor para eles’ é assustador e ridículo.

Ora! Com raras exceções, são três anos sem qualquer trabalho de base, sem consulta popular e, por que não dizer, sem nada que agregue, verdadeiramente, a vida do povo? Para, simplesmente, faltando 1 ano para as eleições, ser ‘lançada’ uma nova legislação que os façam renovar seus mandatos. A maior e melhor das reformas políticas deve ser a mudança em muito dos eleitos – mesmo que seja com coligação!

Sentir na pele

Em sua fala, Paulinho destacou que a palhaçada (em referência à sessão da Câmara) para a volta das coligações ocorre pelo medo dos deputados em ter que montar as próprias nominatas. É verdade! Eles teriam de sentir na pele o que os vereadores sentiram na eleição de 2020, com a mudança da legislação que entrou em vigor, e que resultou numa significativa mudança nos quadros da Câmara de Natal, afetando, especialmente, políticos mais ligados à polarização – tanto do lado A quanto do lado B – que perderam seus mandatos.

E agora?

A volta das coligações ainda será votada em 2º turno na Câmara dos Deputados, votação que deverá ocorrer nesta semana. De acordo com a imprensa especializada, tem poucas chances de passar no Senado. Ainda assim, no desejo individual (e ao mesmo tempo coletivo) dos atuais deputado, é esperado um acordo que faça com que a coisa aconteça, ou, claro, afete o sucesso de novos nomes em detrimento dos seus. Já trabalho que é bom…

Democrata

Por falar em Paulinho Freire, ele deverá mudar de sigla. Ele, que já foi do PMDB, PP, PSDB e, atualmente, está no PDT, deverá se filiar ao DEM, inclusive assumindo o diretório estadual, e dando um novo momento ao histórico partido do ex-senador José Agripino e seus aliados. Vai concorrer à vaga de federal pelo partido comandado nacionalmente por ACM Neto.

Curioso

O DEM não lançou candidato a vereador em Natal. Agora, todavia, deverá ter o presidente da Câmara, Paulinho Freire, em seu quadro. Ainda é incerto quantos outros edis também vão acompanhá-lo na nova legenda. Seu grupo, além do PDT, é forte.

Seresta na Câmara dos Deputados

Quem anunciou que recebeu o convite pelo Secretário de Desenvolvimento do Estado, Jaime Calado, para ser candidato a deputado federal pelo PROS, foi o ex-vereador de Natal e ex-deputado estadual Luiz Almir.

O “velho” comunicador, que quase foi prefeito de Natal em 2004 numa eleição super acirrada com Carlos Eduardo (na época no PSB), disse que iria pensar. Homem das serestas, Luiz Almir hoje apresenta programas jornalísticos no rádio e na televisão. É sempre lembrado nas pesquisas e desponta com boas chances, caso aceite encarar a parada. Caso diga “não” e opte pelo caminho de deputado estadual, as chances de êxito são ainda maiores.

Foto: Elpídio Júnior/Câmara Municipal de Natal/Ilustração

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Sobre Thiago Martins, colunista do Por Dentro do RN

Jean Paul se fortalece para o Senado

Thiago Martins tem 28 anos, é jornalista formado pela UFRN e atua do jornalismo político no Estado. Apesar de sua maior dedicação ser na área de Assessoria de Comunicação, observa e acompanha as principais ações políticas do Rio Grande do Norte, do Brasil, e do mundo, e escreve nesta coluna a respeito do tema. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Ana Beatriz Amorim fala sobre as olimpíadas

Encerramento das Olimpíadas, por Ana Beatriz Amorim


Por Ana Beatriz Amorim
Para o Por Dentro do RN

Eis que a Olimpíadas de Tóquio chegaram ao fim. Foram mais de duas semanas e já começo a ter saudade das diversas modalidades, da emoção de goles impróprios para cardíacos, da beleza das melhores jogadas e desempenhos.

As Olimpíadas também foram a da festa e do luto, porque, às vezes, uma competição esportiva desse nível é uma alegria que dói, e a música que celebra alguma vitória dessas soa muito próxima do silêncio retumbante do campo/quadra/pista vazio, onde a noite/madrugada já caiu e algum derrotado continua sentado, sozinho, incapaz de se mexer, em meio às imensas arquibancadas sem ninguém devido ao momento ainda difícil que estamos vivendo.

Durante as Olimpíadas, incontáveis vezes me emocionei com a história dos atletas e técnicos, acompanhei muitos lances, fiquei nervosa, admirei a garra e gritei sozinha, putaquepariuporracaralho. Isso é o esporte, meus amigos. Não canso de repetir: o ambiente com os valores mais nobres que já vi. É reconhecimento, gratidão, disciplina, fair play e determinação.

Experiência sensacional, que eu quero repetir ainda muitas outras vezes. Obrigada, esporte. Ouvir o hino nacional, com nossos representantes no pódio olímpico, com a bandeira subindo, é das coisas mais emocionantes da vida.  A primeira medalha chegou prateada com Kelvin Hoefler e foi no skate.

Tivemos o bronze no judô com o Daniel Cargnin, a segunda prata no skate de Rayssa Leal, atleta e medalhista mais jovem da história olímpica do Brasil. O Fernando Schefer faturando o bronze nas piscinas.  O primeiro ouro do Brasil em Tóquio chegou logo com meu conterrâneo do Rio Grande do Norte, você foi um monstro no surf, Italo Ferreira. Você escreveu a historia do esporte e se emocionou ao lembrar da sua, foi demais.

Mayra Aguiar, deu show e foi a primeira mulher a ganhar três medalhas olímpicas em esporte individual. Rebeca Andrade foi prata e conquistou a primeira medalha olímpica da história da ginástica feminina do Brasil. E logo no individual geral e dias depois tornou o feito ainda mais especial com a conquista do ouro no salto. Primeira campeã olímpica da ginástica brasileira. Outras que fizeram história foram a Laura Pigossi e a Luisa Stefani que conquistaram nossa primeira medalha olímpica no tênis com o bronze, elas salvaram quatro match points seguidos.

O bronze do Bruno Fratus na natação foi emocionante do começo ao fim. Do beijo no bloco de partida até os segundos finais da prova. A conquista do bronze no atletismo com o jovem Alison Santos, foi épica. Martine Grael e Kahena Kunze têm que ser reverenciadas. Entraram para o seleto grupo de brasileiras que levaram a medalha de ouro em duas olimpíadas seguidas. Outro que entra para o seleto grupo de brasileiros com duas medalhas no atletismo,  é o Thiago Braz com seu bronze no salto com vara.

Quase duas horas de prova e a Ana Marcela conquistou o ouro na maratona aquática, fez história e transbordou emoção com mais esse triunfo brasileiro. Pedro Barros, já consagrado no mundo do skate agora também é herói olímpico com a conquista da medalha de prata. Deu show nas manobras e no alto astral. No boxe, Abner Teixeira garantiu o bronze e o feito inédito no esporte.

Isaquias Queiroz na canoagem com toda sua confiança e espontaneidade foi ouro e agora tem medalha de todas as cores. É um dos grandes heróis do esporte do Brasil. A história desse atleta e de muitos outros merece ser descoberta e lida mil vezes. A canoa que lá em Ubaitaba era o único transporte dele para ir de um lugar a outro, durante as Olimpíadas o levou para um lugar sem volta: o dos melhores atletas do mundo!

Hebert Conceição foi ouro com uma virada que era considerada praticamente impossível. Um nocaute nos últimos segundos do último round, bem estilo filme do Rocky Balboa, sensacional. Que madrugada. Fiquei elétrica por horas com esse feito. O futebol masculino teve uma final emocionante com direito a pênalti perdido e gol na prorrogação para conquista do ouro ficar ainda mais especial. A Beatriz Ferreira levou a prata no boxe e mostrou ser uma baixinha gigante.

Foi lindo acompanhar sua luta. Que raça e determinação! No vôlei feminino, as coisas não se encaixaram no jogo final e ficamos com a prata. Orgulho da trajetória desse time. Essa prata valeu muito. Tivemos a melhor campanha da história do Brasil nas Olímpiadas. Parabéns para todos os atletas que lutaram por medalha em um país que mal investe em esporte. Vocês foram gigantes, resgataram nosso orgulho e não me deixaram dormir direito.

Uma lição que aprendi durante esse período é que a gente não tem como garantir o resultado. Mas a gente tem como garantir como a gente vai se portar diante de qualquer resultado. Vocês foram maravilhosos!!

Foto: Reprodução/AFP

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Sobre Ana Beatriz Amorim, colunista do portal Por Dentro do RN

Ana Beatriz Amorim

Ana Beatriz Amorim tem 34 anos, é jornalista e designer gráfica formada pela UnP. Também é fotógrafa, licenciada em Artes Visuais pela UFRN e especialista em Assessoria de Comunicação. Adepta da teoria do faça uma coisa de cada vez e seja múltipla, escreve a respeito do cotidiano, artes, cultura e esporte. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Ana Beatriz Amorim

Aprendendo a conviver com a saudade, por Ana Beatriz Amorim

Por Ana Beatriz Amorim
Para o Por Dentro do RN

Quem sabe dizer o que dói mais: a causa pelo motivo que se partiu, a solidão que fica ou a do adeus a alguém importante na sua vida? Para mim, esse último é o mais difícil de sarar. Dói no verão, dói no inverno, dói de dia, de noite, em datas que seriam especiais. Toda morte é dolorosa, porque vem cheia de “se”, de “ah…”.

Quando ela não é natural, você pensa: onde eu estava que não pude impedir? Se é trágica, você esbraveja: por que, meu Deus, o que essa pessoa fez para merecer isso? Quando é de morte morrida, de velhice, ainda não sei dizer. Só sei que é automático pensar em tudo que a gente não disse, em tudo que poderia ter sido feito, em tudo que a gente ainda queria fazer na companhia daquela pessoa tão querida.

Minha garganta ainda fecha quando encontro as fotos do último Natal e lembro da sensação que tive ao notar sua alegria. Algo tinha mudado. Foi a mesma sensação daquela última quinta feira em que estive conversando e brincando com ela em pleno leito de UTI. Na sexta-feira, o brilho dela tinha mudado.

Estava mais fraca, se apagando. Lamento de não ter sido a primeira a dizer o orgulho que sentia em tê-la na minha vida. Que prazer eu sentia ao atender seus desejos, sempre tão singulares, tão seus. Um registro fotográfico aqui, outro texto ali e assim pude contribuir com o conhecimento que ela me proporcionou.

Que alento eu sentia ao me espremer na cama dela para assistir novela e ainda ganhar cafuné na cabeça ou até mesmo para assistirmos juntas o especial do Roberto Carlos. Quanta graça eu achava nas suas manias – ou até mesmo dela nunca ter entendido ao certo o real funcionamento do louco universo dos que trabalham com jornalismo, assessoria de comunicação e design gráfico.

Eu queria ter sido mais paciente. Ter dado mais alegrias, mais um beijo e um abraço. Queria ter dito, mais vezes, como ela era, e é importante para mim – e é tanto que até me surpreendo, descubro aos poucos. Irônica é essa vida: uma saída de casa até o plantão hospitalar tirou ela de minha convivência diária; um acidente no caminho que fizemos tantas e tantas vezes deixou a ausência dela mais dolorida, mais difícil.

Espero do fundo do meu coração que você, mainha ou para muitos que a conheceram, Conceição Amorim que, com tantos erros e acertos, será sempre meu maior exemplo. O meu exemplo de amor pela vida. Aprendi com ela que, em vez de dizermos adeus, devemos fazer com que todas as pessoas importantes de nossa vida saibam o quanto são importantes enquanto elas estão aqui.

Falta de tempo é a grande desculpa do século XXI. Todo mundo tem tempo para fazer mil coisas ao mesmo tempo, mas nem sempre consegue encontrar um amigo para tomar um café ou bater um papo. Você deixa para depois, se justifica, remarca e um dia e *pluft*, aquele seu amigo ou aquele parente querido que você deixou de ver no último mês pode não estar mais ali. E você vai viver um longo período pensando em verbos no tempo condicional.

Então, meus amigos, evitem dizer adeus. E insistam em olhar para os olhos de quem vocês amam, mostrando, falando, abraçando, demonstrando de alguma forma que o seu coração só é seu coração porque tem um pedaço de cada um ali.

Ainda não aprendi a me livrar da saudade para viver tranquilamente. E desconfio que nunca vou aprender. Mas pelo menos já sei uma coisa valiosa: é impossível se livrar da memória. Você não pode se livrar daquilo que amou. Isso tudo vai estar sempre com a gente. Sempre vamos desejar recuperar o lado bom da vida e esquecer e desnutrir a memória do lado mau. Desfazer as lembranças das pessoas que nos magoaram, eliminar as tristezas e as épocas de infelicidade.

É totalmente humano, então, ser um nostálgico, e a única solução é aprender a conviver com a saudade. Talvez, para a nossa sorte, a saudade possa se transformar, de uma coisa depressiva e triste, numa pequena faísca que nos impulsione para o novo, para nos entregar a outro amor, a outra cidade, a outro tempo, que talvez seja melhor ou pior, não importa, mas será diferente. E isso é o que todos procuramos todo dia: não desperdiçar a vida na solidão, encontrar alguém, entregar-nos um pouco, evitar a rotina, desfrutar a nossa parte da festa diária que é viver.

Foto: Ilustração/Paulo Magalhães/Flickr

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Sobre Ana Beatriz Amorim, colunista do portal Por Dentro do RN

Ana Beatriz Amorim

Ana Beatriz Amorim tem 34 anos, é jornalista e designer gráfica formada pela UnP. Também é fotógrafa, licenciada em Artes Visuais pela UFRN e especialista em Assessoria de Comunicação. Adepta da teoria do faça uma coisa de cada vez e seja múltipla, escreve a respeito do cotidiano, artes, cultura e esporte. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Jean Paul Prates Senador

Senado: reeleição de Jean é possível

Enquanto os entusiastas da política local ligam os holofotes para a sucessão do governo estadual e focam a briga dos ministros Rogério e Fábio pelo senado, o atual dono da vaga, Jean Paul (PT) tem se fortalecido, começando a andar pelo Rio Grande do Norte. Ainda falta muito até que a popularidade (no sentido literal mesmo, de ser popular, conhecido) do francês que ficou no lugar de Fátima quando ela se elegeu governadora cresça, e o histórico de ‘não-político’ dele não colabora em nada com isso. E isso é muito complicado.

Vejam: recentemente, Jean estava na companhia de três políticos de Natal em um mesmo restaurante na hora do almoço, todos alinhados – ou sem qualquer restrição – ao governo Fátima. Mas o senador não interagiu com nenhum deles. Considerando a boa índole das pessoas, vamos pensar que tal situação não foi por má vontade dele, mas por esse seu estilo muito mais administrativo do que político. Se há essa “trava” no próprio meio político, a situação para com o externo – neste caso, a população – é ainda mais difícil… mas não é impossível.

Prova disso está no fato de que ele terminou as eleições municipais do ano passado em 2º lugar na disputa da prefeitura do Natal, com 14,38%, superando nomes já conhecidos do público local, como os deputados Kelps (Solidariedade) e Hermano (PSB), e também Sérgio Leocádio (PSL), que tinha muito tempo de TV.

Especialmente no auge das especulações da mudança do partido de Jean, que poderia sair do PT para o PDT, uma das possibilidades seria ele não sair candidato a senador por lá – vaga que seria do presidente da legenda, o ex-prefeito Carlos Eduardo – enquanto Jean tentaria uma vaga na Câmara Federal, mudança já protagonizada por políticos como Lídice da Mata (PSB), da Bahia, Aécio Neves (PSDB), de Minas Gerais, e da própria presidente do PT Gleisi Hoffmann, do Paraná. Todos “trocaram” o senado pela câmara.

A possibilidade de mudança na legenda de Jean, neste caso, aconteceria pelo seu possível entendimento com o PDT nacional – fato que, aliás, não foi negado por ele – e por ser improvável que o PT conquiste até três vagas de deputados federais nas eleições do próximo ano – se considerarmos a reeleição de Natália Bonavides e a eleição do quase-deputado Mineiro que até ganhou, mas não levou, e segue como secretário estadual.

Mas o alinhamento com o PDT não veio – nem com a mudança do partido de Jean, nem com uma união da legenda com o PT a nível local. Aliás! O presidente do partido, Carlos Eduardo, também já tem viajado o estado, e, bolsonaristas a parte, talvez seja o maior nome na oposição a Jean, que precisa se estabelecer ainda mais até as eleições, caso queira mesmo “bater a parada” e se reeleger para o senado no próximo ano.

As andanças ao lado de Fátima pelo interior são fundamentais, bem como a união com a governadora que detém bons índices de aprovação. Mas é óbvio que ele também precisa fazer sua parte. Se a eleição para Natal foi um “test-drive” – o deixando em segundo lugar – a concorrência para o Senado no próximo ano será algo ainda mais grandioso, que, caso perca, fará com que ele tenha grandes dificuldades de voltar a vida política, especialmente por sua natural assinatura de “não-político”.

Inclusive – I

O presidenciável Ciro Gomes afirmou em entrevista que a população vai “se surpreender” com as alianças que seu partido, o PDT, está articulando nos estados com foco nas eleições do próximo ano, e afirmou que o PT não tem candidato “viável” porque peca na articulação. Faz sentido, inclusive ao nível local.

Os quadros são bons, mas, vejamos: nos momentos de protagonismo do PT estadual, na última década, resultaram na eleição de Fátima como senadora na chapa com Robinson (PSD) governador, em 2014 – articulação que foi resultado do “chapão” do então PMDB que naufragou, e hoje é motivo de imensa tristeza entre muitos do ninho bacurau.

Naquele momento, a chapa eleita apenas passava a ideia de ser menos pior que a chapa derrotada (Robinson e Fátima versus Henrique e Vilma). Posteriormente, também tivemos a eleição de Fátima para governadora, em 2018, desta vez numa união com apenas dois partidos, respeitosamente, sem tanta expressão – o PCdoB e o PHS. De fato, o PT peca, e precisa ajustar isso.

Inclusive – II

O próprio PDT local já segue na busca de alianças. E é importante considerar que, na mesma entrevista, Ciro Gomes se coloca como o nome viável fugindo da polarização. No que Bolsonaro derrete, – como mostram as pesquisas – alguém pode subir. A cereja do bolo está no marqueteiro contratado por ele, um velho conhecido dos petistas, João Santana; que fez as campanhas presidenciais vitoriosas de Lula e Dilma. João tem uma forma única de conseguir expressar ideias, e deverá contribuir para o crescimento de Ciro.

Ou seja: vai ser ainda mais fácil para o ex-prefeito Carlos Eduardo se articular – como já tem feito, por exemplo, conversando com o ministro Fábio Faria – , abrindo assim portas com o PP e o PSD (partido do pai, Robinson), que tem uma boa base no interior e podem lhe garantir dobradinhas com candidatos a deputados federais e apoios mútuos, ao mesmo tempo que também se sustenta no discurso nacional da terceira via, defendendo Ciro. Carlos também já pegou a estrada, e tem “passeado” por muitas cidades do interior.

Em qual momento o GPS irá indicar que Jean e Carlos Eduardo estão no mesmo lugar?

Foto: Reprodução/Instagram

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Sobre Thiago Martins, colunista do Por Dentro do RN

Jean Paul se fortalece para o Senado

Thiago Martins tem 28 anos, é jornalista formado pela UFRN e atua do jornalismo político no Estado. Apesar de sua maior dedicação ser na área de Assessoria de Comunicação, observa e acompanha as principais ações políticas do Rio Grande do Norte, do Brasil, e do mundo, e escreve nesta coluna a respeito do tema. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Ana Beatriz Amorim Juvino Barreto

A modificação do olhar é essencial para a existência

Por Ana Beatriz Amorim
Para o Por Dentro do RN

Anos atrás, ainda estudante do curso de Jornalismo, estive visitando o Instituto Juvino Barreto para participar de um projeto chamado “Me conte a sua história”, que pedia para que eu escrevesse textos a respeito das histórias para uma futura publicação. Recordo que, ao chegar ao local, fui bem recebida pelos idosos e pela administração. Estava ali para fazer uma matéria e, se não fosse assim, acredito que teria adiado mais alguns anos (ou décadas) a visita.

Os idosos, em sua maioria simpáticos, sorriam para a minha câmera; outros, por sua vez, preferiam não se manifestar e mantinham-se a uma distância imprópria para os meus closes. Ou melhor, para os closes que eu poderia fazer das marcas do tempo em seus rostos. Era um local que sempre tive a vontade de visitar.

Vontade, vontade? Não sei, mas sempre pensei que deveria ir. Fiz os registros, gravei os depoimentos e, ao retornar para o computador, nunca consegui transcrever aquilo que ouvi. Confesso que não tive preparo suficiente para colocar um ponto final nos relatos. Esse lugar sempre foi esquecido por muitos. O isolamento, as ilhas; o asilo, um lugar de asilamento.

Aquelas pessoas estão ali isoladas; estão ali em um lugar onde são colocadas para ficar onde não se conhecem e são obrigadas a conviver umas com as outras naquele cotidiano. Geralmente, são colocados ali por um filho, um tio, um parente, uma pessoa que acha que os idosos não servem mais para a sociedade. Um descarte; você está descartado da sociedade e deve ir para um asilo.

Coloquei na cabeça que ali não iria voltar tão cedo. Egoísmo da minha parte pensar assim? Talvez tenha sido. Sei que saí de lá como quem dá uma espiada no futuro, não está preparada para isso e desiste arrasada. Anos depois, agora inserida no universo das artes visuais e junto aos amigos do curso, voltei a habitar aquele mundo, não mais como quem pensa que os vinte e poucos anos duram para sempre.

Com o propósito de contribuir na prática para o desenvolvimento dos idosos, revivi a cena dos tantos sorrisos, das também caras amarradas e ainda notei uma tristeza muito forte pelo ar. Aprendi nessa vivência que o abandono também sorri. No primeiro dia do estágio, todos lanchavam juntos, alguns sentavam-se no mesmo sofá em silêncio. Vivenciei ali um grupo de amigos que não tinham mais assunto; e então concluí que tudo acaba com o tempo caso não existam estímulos.

Hoje, posso garantir que ter vivido todas essas cenas foi um grande aprendizado! A modificação desse olhar é essencial para a existência. É a humanidade se enxergando, colocando uma lupa: a arte como tábua de salvação, como queria Nietzsche. A arte conta a história da humanidade de uma maneira mais profunda e sincera, além de preencher os nossos próprios vazios.

Para que a arte serve? Ela serve para a gente preencher como Manoel de Barros fala da poesia; e a poesia é inútil. Ela não precisa servir para nada, mas ela preenche o vazio que é tão forte e todo mundo o sente de alguma maneira. Ninguém é completo. Deve ser por isso que, depois dessa vivência, saí do local todos os dias querendo voltar, tanto para lá quanto para a minha casa, pros meus agora “trinta e poucos anos”. Pesquisar, escrever e aproveitar a vida enquanto é tempo.

Foto: Graziela Kohl/Flickr/Ilustração

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Sobre Ana Beatriz Amorim, colunista do portal Por Dentro do RN

Ana Beatriz Amorim

Ana Beatriz Amorim tem 34 anos, é jornalista e designer gráfica formada pela UnP. Também é fotógrafa, licenciada em Artes Visuais pela UFRN e especialista em Assessoria de Comunicação. Adepta da teoria do faça uma coisa de cada vez e seja múltipla, escreve a respeito do cotidiano, artes, cultura e esporte. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Senador Styvenson Valentim

E o que nós fizemos para merecer o senador Styvenson?

O senador Styvenson trava uma luta permanente contra tudo e contra todos. Permanente mesmo, talvez possamos classificar até mesmo como “eterna”. Usou seu sucesso na polícia, a fama de durão, incorruptível no comando das blitzen da “Lei Seca” para se lançar na política, se elegendo senador em 2018. Segue lutando, a todo instante, para que o país deixe de fazer a política através da política, a transformando em sabe Deus o quê, de uma maneira defendida por ele diariamente, com discurso fácil de pegar bandido, diminuir o tamanho do estado, etc etc etc.

Tudo isso são pautas extremamente louváveis e necessárias, mas se tornou o único “falatório” do senador, e até agora sem resultados práticos – infelizmente. Falta resultado prático também em ações firmes, na defesa de uma bandeira, de um grande projeto, de uma ação de contribuição para o Rio Grande do Norte. Nesses dois anos e meio, o que é possível destacar por parte do senador? O projeto da reforma de uma escola estadual. É claro que escolas estaduais merecem (e precisam) ser reformadas, ampliadas, melhoradas em todos os aspectos. Mas estamos falando da atuação de um senador da República.

Mas chegamos num ponto tão lamentável da inércia política do senador Styvenson e de grosserias desmedidas que é impossível crer que só ele esteja certo e todos estejam errados até mesmo em uma situação dessas. A violência contra as mulheres precisa ser combatida, não devendo ser relativizada em qualquer ocasião. Não existe isso de a mulher ter feito alguma coisa para “merecer” os tapas, como dito, tão tranquilamente, pelo senador, se referindo ao episódio ocorrido em Santo Antônio, quando um policial agrediu uma mulher. A maioria das atitudes do senador Styvenson, ainda que defendendo pautas importantes (não é o caso do “apoio” a violência contra mulher!) são lamentáveis e nos leva a essa reflexão: o que nós fizemos para merecer um senador desses?

Não custa lembrar

Tínhamos tantos nomes para o Senado nas eleições de 2018. Queriam experiência e uma visão mais conservadora? Geraldo Melo, Garibaldi Alves e Antônio Jácome, por exemplo. Preferiam alguém mais próximo a esquerda? Alexandre Motta. Ou, talvez, aquela com o mesmo perfil “independente” de Styvenson mas que certamente estaria vencendo o jogo, que era a ex-atleta Magnólia. Todos candidatos viáveis. Mas o discurso fácil, bonito, o bom exemplo do policial na caça aos bandidos prevaleceu. Agora, nem prende mais os bandidos, e ainda “aceita” mulheres apanhando.

A propósito I

Pensemos bem! Superior ao bem e ao mal, à esquerda e à direita, à política, a todos nós seres humanos, o senador Styvenson é categórico ao criticar tanto Lula quanto Bolsonaro. Tem ações muito bem orquestradas para isso, nos discursos de defesa da coisa pública. Assim sendo, em quem você acha que o cidadão potiguar verdadeiramente de direita, que também compactua com a defesa da moralidade e tem um perfil mais conservador, vai preferir votar para governo no próximo ano? No(s) candidato(s) ligados a Bolsonaro (leia-se Benes, Júlio César, quem sabe até o prefeito Álvaro) ou em Styvenson? Resultado prático: ainda mais divisão na oposição.

A propósito II

Enquete do atento Blog do Barreto na semana passada perguntou aos leitores do ilustre blog se entre os nomes atualmente especulados na oposição, quem seria o mais forte para enfrentar a governadora Fátima Bezerra em 2022? A resposta foi que todos os nomes colocados são considerados “fracos”. Nesse caso, Styvenson lidera com 19%; seguido por Benes, com 5%, e pelo ex-prefeito do Natal Carlos Eduardo Alves (PDT), lembrado por apenas 1%. Menos de 1% afirmaram que qualquer um vence Fátima. A conferir.

Seja solidário

A direção do Solidariedade em Natal aprovou a advertência ao vereador Klaus Araújo para que ele assine na Câmara Municipal o requerimento que pede a abertura de uma investigação sobre a compra de respiradores pulmonares pela Prefeitura do Natal durante a pandemia de Covid-19.

O requerimento é de iniciativa da bancada de oposição na CMN, e já conta com assinatura do colega de partido de Klaus, o vereador Anderson Lopes, além de Pedro Gorki (PCdoB), Professor Robério Paulino (PSOL), e das vereadoras Ana Paula (PL), Brisa Bracchi (PT) e Divaneide Basílio (PT). Klaus é atualmente o 1º vice-presidente da Casa legislativa de Natal.

Negociação

Excelente entrevista da deputada Eudiane Macedo ao Novo Notícias, na edição impressa do último sábado (24) e que está no site, onde explica e reitera sua fala a respeito de que “a governadora Fátima (PT) não aceitou negociar, não aceitou se sentar com nenhum deputado da oposição” e isso levou a abertura da CPI da Covid no RN.

Convido a quem quiser ir olhar o significado da palavra negociar no dicionário. Não há nada de negativo na palavra. Agora, a palavra negociar pode ser interpretada conforme a cabeça de quem escuta”. De fato. A oposição segue procurando fazer barulho, fazendo um estardalhaço por qualquer coisa. Para eles, é necessário, com vistas a 2022.

Calma, deputado!

Mas o que mais me chamou atenção na entrevista de Eudiane foi a seguinte fala: “Desde o momento em que cheguei na Assembleia Legislativa, é que existem alguns deputados que não aceitam a presença de uma parlamentar com meu perfil, popular, de comunidade, mulher, que não é política profissional e nem de família tradicional. Um perfil mais comum na Câmara Municipal de Natal, por exemplo, mas não na Assembleia”. É a mais pura verdade, que, felizmente, tem sido derrubada, e com projeções para que se modifique ainda mais a partir do próximo ano. O fim da obrigatoriedade do sobrenome político tem caminhado apressadamente.

Foto: Reprodução

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Sobre Thiago Martins, colunista do Por Dentro do RN

Thiago Martins tem 28 anos, é jornalista formado pela UFRN e atua do jornalismo político no Estado. Apesar de sua maior dedicação ser na área de Assessoria de Comunicação, observa e acompanha as principais ações políticas do Rio Grande do Norte, do Brasil, e do mundo, e escreve nesta coluna a respeito do tema. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Abner Moabe escreve

A cultura que revela os melhores instintos

Abner Moabe escreve: longe de qualquer romantização dos velhos clichês do “sou brasileiro e não desisto nunca”, é preciso sempre ter em mente que a cultura é o que nós temos de mais valioso e é ela que mantém esse país vivo e de pé, apesar de tudo.

Em um artigo escrito em 29 de dezembro de 1861, Machado de Assis teceu uma crítica a uma abertura de crédito suplementar ao Ministério da Fazenda, mas o motivo que lhe levou a escrever tal artigo não é o que quero destacar e, sim, uma frase que consta neste e que considero importante trazer à tona nesse momento: “o país real, esse é bom, revela os melhores instintos, mas o país oficial, esse é caricato e burlesco”.

A frase destacada no parágrafo anterior foi evocada por Ariano Suassuna em uma de suas aulas-espetáculos, mais especificamente no momento em que ele conta o episódio em que foi questionado pela esposa de um homem rico durante um jantar se ele “naturalmente” já teria ido a Disney, e sua interpretação da frase de Machado de Assis é a que eu considero a mais precisa e que eu trago aqui: o país oficial é o dos privilegiados e o país real é o povo.

O antropólogo Darcy Ribeiro dizia que “o futebol é o único reino em que o povo sente a sua pátria” e, quando questionado sobre qual o seu clube do coração, ele se dizia “flamenguista, por demagogia, já que o povo é Flamengo”. Trago o exemplo do futebol, contudo, podemos ampliar não só para outros esportes, mas também para as mais diversas manifestações daquilo que se pode considerar como cultura popular brasileira, entendendo cultura no seu mais amplo conceito de conjunto de valores, costumes e expressões.

Temos acompanhado, nos últimos dias, as disputas esportivas nos jogos olímpicos de Tóquio e não é raro ver nas redes sociais pessoas depositarem em atletas brasileiros e brasileiras alguma esperança de alegria diante da situação caótica em que o Brasil vive, em diversos aspectos e em sua grande maioria por reflexo do catastrófico governo Bolsonaro – que não se resume apenas ao não-combate a pandemia, como também o seu total descaso para com o povo, governando exclusivamente para o benefício do que o sociólogo Jessé Souza tão bem denomina de “elite do atraso”.

Sempre tive o esporte como um “irmão-gêmeo” da arte. Ambos conseguem despertar as mais diferentes emoções no ser humano, possuem um grande potencial de transformação social e são capazes de revelar os nossos melhores instintos, como declarou Machado de Assis; ambos também ajudam a constituir a cultura que nos faz lembrar da potência solidária que é o Brasil real, como tão bem declarou Gilberto Gil quando conceituou o do-in antropológico, inspirado na técnica de automassagem oriental, para “avivar o velho e atiçar o novo”.

Longe de qualquer romantização dos velhos clichês do “sou brasileiro e não desisto nunca”, é preciso sempre ter em mente que a cultura é o que nós temos de mais valioso e é ela que mantém esse país vivo e de pé, apesar de tudo. Como escreveu Fernando Brant e musicou Milton Nascimento em seu Credo: “tenha fé no nosso povo que ele resiste”.

É o Brasil real, do povo, que realmente importa!

Foto: Giulia Portelinha / Comunicação Visual – Jornalismo Júnior

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Sobre Abner Moabe, colunista de Cultura no Por Dentro do RN

Abner Moabe

Abner Moabe tem 27 anos, é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e graduando em Ciências Sociais pela mesma instituição. Além disso, atua no projeto de educação e cultura Conexão Felipe Camarão e vem desenvolvendo projetos de pesquisa sobre a música do Rio Grande do Norte. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.
Instagram: @abnermoabe
Twitter: @abner_moabe

Ana Beatriz Amorim sobre amigo

Fluxo da Vida

O Dia do Amigo e Internacional da Amizade foi comemorado na última terça-feira, 20 de julho. Fiquei a pensar sobre o que escrever para homenagear a data. Várias ideias surgiram, várias ideias foram embora. Até que recordei de uma reflexão recente a respeito do fluxo da vida e as amizades: amigo é uma coisa que a gente perde ao longo da vida.

Encontramos vários, nos apegamos a alguns e, a certa altura, somos forçados a colocar o prefixo ex antes do nome daquele que enchia nosso coração de carinho e de certeza. Perder um amigo para a vida, quando não por uma fatalidade, é uma dor tão dilacerante quanto. A gente pensa que amizade é para sempre, que, quando a gente for velhinho e lembrar de tudo que aconteceu, estarão perto de nós aqueles que a gente escolheu como a família do coração.

Mas a vida tem dessas decepções. Uma hora é você que sai de cena. Em outra, a vontade é daquele que te dava toda certeza do mundo de que ficaria ali. A primeira vez em que eu tive que tornar um amigo ex-amigo, senti uma dor que acabou comigo. Fiquei sem entender, chorei, chorei. Por um tempo, foi difícil acreditar de novo na beleza, na simplicidade e nas diversas nuances de uma amizade.

Optei por deixar a amargura de lado e seguir em frente, ainda com esperança de que aquela dor eu não sentiria mais. Novas amizades vieram, as que importavam de verdade permaneceram. Prometi não sentir aquela dor de novo, não daquele jeito. Mas outras dores apareceram para mostrar que a vida é assim mesmo, por mais que a gente se pergunte se já não teve a nossa cota.

O bom é que dor ensina. E depois que a gente sente uma que parte o coração em mil pedacinhos, aprende a relativizar as outras. E, melhor ainda, renova o olhar diante dos amigos de sempre, aqueles por quem a gente sente todo o amor do mundo e em quem temos a sorte de encontrar reciprocidade.

Vi dia desses alguém mascarado nesses tempos de pandemia que outrora foi grande amigo. Na calçada oposta, num álbum antigo de fotos ou num perfil atualizado. Foi ele, mas poderia ter sido ela, ou eles. Foram tantos, já. Pessoas que passam por nossas vidas por alguns dias, às vezes anos até, e depois evaporam. Perdemos os contatos, os laços. Certas vezes mais o segundo do que o primeiro, já que, com a infinidade de meios para nos comunicarmos hoje em dia, maneiras de se achar velhos conhecidos é que não faltam. Mas nem sempre podemos, ou queremos.

As pessoas mudam, seres humanos evoluem, eu envelheço. Estranho ver alguém que, em certa época da vida, já foi confidente, de trocar segredos, de abraçar apertado, de ligar pra pedir favor e emprestar consciência. E hoje é um desconhecido. Alguém que vejo em imagens recentes e não reconheço o olhar, alguém que vejo num novo círculo de amigos e não há traço familiar. Alguém que já soube de minhas dores, risos e desamores, das minhas rimas cafonas, das inseguranças noturnas e paixões oblíquas. Mas uma pessoa que hoje nem mais o nome me soa próximo mas já fez parte de alguma história, da minha vida. De mim.

Há uns meses, estou numa onda de rever todos os meus relacionamentos, incluindo as amizades, e fico muito triste quando paro para pensar em quem antes era melhor amigo e hoje eu nem sei mais. Fico pensando o que está fazendo da vida, que caminhos está trilhando, quais escolhas teve de fazer… essas coisas. E é triste quando a gente percebe que muitos se foram para nunca mais voltar, apesar de sabermos que isso faz parte da vida, e que muitas novas amizades ainda virão. Tenho pensado nesse fluxo da vida E como tudo se torna um grande aprendizado sobre o outro e, principalmente, sobre nós mesmos. Vida que segue. 

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Ana Beatriz Amorim

Ana Beatriz Amorim tem 34 anos, é jornalista e designer gráfica formada pela UnP. Também é fotógrafa, licenciada em Artes Visuais pela UFRN e especialista em Assessoria de Comunicação. Adepta da teoria do faça uma coisa de cada vez e seja múltipla, escreve a respeito do cotidiano, artes, cultura e esporte. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Benes Leocádio

Pré-candidatura de Benes começa a se fortalecer

A oposição potiguar começa a se fortalecer com a pré-candidatura de Benes Leocádio (Republicanos) ao governo no próximo ano. De perfil tranquilo e bem adepto às conversas e as alianças políticas, Benes tem conquistado não apenas vários setores da oposição, mas também já começa a sentir uma boa aceitação dos cidadãos. A união ao presidente Jair Bolsonaro – que não tem tanta aceitação no estado – será um fator que, segundo afirmam seus apoiadores, será superado pelo pré-candidato.

Ao que a equipe de Benes escuta, a questão nacional não será fator negativo no ponto de vista local. Os últimos dias foram marcantes – positivamente – para o grupo de Benes, onde o ex-prefeito de Lajes recebeu inúmeras mensagens de apoio, tanto de políticos, quanto de cidadãos. Por enquanto, o destaque fica por conta do ataque ao consórcio Nordeste pelo rival de Fátima; de acordo com o pré-candidato, ele “não vê resultado para ninguém”.

Que a força esteja com você

O grupo governista, por sua vez, tem utilizado a estratégia do silêncio. Com exceção do comentário do secretário Mineiro, que sugeriu o “chega logo, 2022”, pouco tem se falado por lá no primeiro pré-candidato oficial.

Formigueiro I

Esta coluna já chamou atenção para a ironia de a oposição, que não tinha nem um candidato para a disputa com Fátima Bezerra até dias atrás, e agora conta com Benes e ainda com a possibilidade do prefeito de Ceará-Mirim, Júlio César, do PSD, que é ligado ao grupo do ministro Fábio Faria.

A questão é que, ao sair do hospital ontem, em São Paulo, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reforçou indiretamente o apoio à candidatura de Rogério Marinho ao senado, afetando o grupo de Fábio: “ele é reconhecido no seu estado”, disse Bolsonaro sobre Marinho. A fala foi interpretada por muitos como apoio a Rogério, deixando Fábio de lado. Isso afetaria a manutenção do nome de Júlio César na disputa?

Formigueiro II

Numa rádio em Jardim do Seridó, o ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo, do PDT, afirmou que é pré-candidato a governo, mas aceita conversar sobre a candidatura ao senado.

Formiga rainha

E ninguém duvide do senador Styvenson. Sem nada a perder e buscando reforçar suas estratégias para se reeleger em 2026, deverá sim sair candidato ao governo no próximo ano. Contra tudo e contra todos, e no estilo “único” de fazer campanha, vai de interior em interior, sentando nos bancos das praças, e conversando com as pessoas reforçando seus discursos de moralidade política e etc. Um marketing e tanto!

No caminho do açúcar

Só ai já vão quatro candidatos – Benes, Júlio César, Carlos Eduardo e Styvenson – e mais a atual chefe do executivo, Fátima, para a disputa estadual do próximo ano. Quem vai levar? Aguardemos!

Foto: Reprodução/Redes Sociais

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Benes

O plano (B)enes: a oposição segue lançando um candidato por semana

A oposição segue lançando um candidato ao Governo por semana para a disputa com a atual chefe do executivo potiguar Fátima Bezerra (PT). O nome da vez, agora, é o do ex-prefeito de Lajes, município da região central, Benes Leocádio (Republicanos). Deputado federal mais votado nas eleições de 2018, Leocádio é um bom nome, aparece bem na maioria das pesquisas, e já admitiu ao jornal Agora RN que ‘topa a parada’: “Meu nome está sendo muito bem visto nos quatro cantos do estado. Temos apoio em todos os municípios, situação que me fortalece”, disse à reportagem do Agora.

Ninguém duvide do perfil conservador de Benes – inclusive por isso mesmo ele integra tão bem a base de apoio do presidente Bolsonaro na Câmara Federal. Mas, em meio a esse jogo político, é fundamental lembrarmos que Benes perdeu a prefeitura da sua própria cidade, Lajes, quando o jovem opositor Felipe Menezes derrotou o prefeito Marcão, que foi vice de Benes e era apoiado por ele nas eleições do ano passado.

Os holofotes se destacam muito mais por sobre a atuação municipalista do deputado, sua verdadeira bandeira. Benes é hoje o 1º lugar no ranking dos deputados municipalistas da Confederação Nacional de Municípios (CNM), com 444 pontos. Numa disputa para o governo, mesmo não se elegendo, se fortalece ainda mais contra Felipe no comando de Lajes em 2024.

Até lá, segue o jogo, fortalecido desde já pelo racha dos ministros/grupos Bolsonaristas, enquanto a governadora Fátima come sua pipoca Bokus e faz seu trabalho, alcançando bons índices de aprovação no estado.

E o plano “E”

A deputada Eudiane Macêdo (Republicanos) que fez dobradinha com Benes em 2018 deverá continuar na base do governo Fátima. Ela e seu marido, o articulador político Tácio, sabem o melhor caminho a seguir. Os riscos dos planos do colega republicano Leocádio podem não valer a pena no caso de Eudiane, que tem feito boa articulação e conta com importantes apoios.

Imperador

Esta coluna já havia alertado sobre o nome do prefeito Júlio César, de Ceará-Mirim, despontar como candidato ao governo. O que não se cogitava era o racha no grupo de ministros de Bolsonaro. Vejam a ironia: para quem não tinha nem um candidato, agora são logo dois – e bons nomes, eis a realidade. Benes, do grupo do ministro do desenvolvimento regional Rogério Marinho, tem um excelente currículo. Júlio, do grupo do ministro das comunicações, também. Ambos já foram gestores, experientes.

Soldados e plebeus

Na história, Júlio César fixou uma nova fase na história política romana. Liderou uma guerra civil que obrigou os senadores romanos e o então imperador romano Pompeu a fugirem de Roma para a Grécia. Por aqui não chegará a tanto – ao menos torcemos – mas acredito que o prefeito de Ceará-Mirim terá uma facilidade muito maior em falar com os eleitores do que Benes. Apesar da ligação com Fábio Faria, Júlio vai demonstrar independência e, com um bom marketing, conseguirá focar muito em obras e ações que pretende realizar, mostrar os feitos recentes de sua gestão como prefeito de Ceará-Mirim, enquanto o destaque da união de Benes e Bolsonaro tende a ficar mais escancarado – e ser algo ruim para o republicano municipalista.

Conquistas romanas

Júlio tem tudo para ir a guerra, inclusive, mais uma ironia, é atualmente primeiro vice-presidente da FEMURN, entidade já presidida por Benes.

Pontífice Máximo

Por fim, para quem se pergunta onde entra o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo (PDT) no jogo político do próximo ano, saibam que ele poderá estar ai: na chapa de Júlio César. Os desdobramentos desse “racha” é ainda maior, com o atual prefeito Álvaro Dias – forte na capital – ligado ao grupo de Rogério/Benes -, e o grupo de Carlos Eduardo – também forte na capital – ligado a Fábio Faria/Júlio.

Foto: Reprodução/Facebook

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Bálburdia (Biólogo Henrique)

Biólogo Henrique: como a balbúrdia de um professor no YouTube vem ajudando a salvar serpentes no Brasil

Conheça o canal do biólogo Henrique, um especialista em serpentes que desmistifica os répteis para o público leigo de uma maneira simples e didática.

Fosseta loreal, órgão de Jacobson, soro antiofídico, dentição solenóglifa, opistóglifa etc. Arrisco dizer que você, caro leitor, já tenha se deparado com esses termos alguma vez em sua vida escolar; e que, provavelmente, as obrigações com outras disciplinas, atreladas à falta de aulas mais dinâmicas por uma série de fatores, tenham contribuído para essa sensação de estranhamento que você deve ter sentido ao ler o primeiro período deste texto.

Adianto, antes de tudo, que estou longe de ser especialista em serpentes. Estou mais para um jornalista curioso que, no afã de encontrar alguma atividade menos entediante para fazer na pandemia, resolveu aprender um pouco sobre esses bichos fenomenais.

O início de tudo

E eu me lembro como se fosse hoje: despretensiosamente, no início do ano passado, comecei a assistir a alguns canais que abordavam a Herpetologia (área da Biologia que se dedica aos répteis e aos anfíbios) de maneira, muitas vezes, amadora; mas com o didatismo suficiente para me fazer voltar a assistir aos vídeos outras vezes. Foi o caso dos canais de “Haroldo Bauer, o Rei das Serpentes” e do “Comédia Selvagem”, este último apresentado pelos figuraças Charles e Tiringa. Pegadinhas e zoeiras à parte, que todo nordestino que se preza conhece bem, duas coisas me chamaram atenção:

A primeira é o fato de nenhum dos apresentadores possuírem formação acadêmica para falar (tão bem) sobre serpentes; e a segunda, talvez a mais importante, é a função social que esses dois canais exercem sem perder o bom humor e, o melhor de tudo, longe da linguagem difícil e acessível apenas aos acadêmicos.

Haroldo no texto do biólogo Henrique
Foto: Reprodução/Rede Record

Os resultados são tão positivos que a diminuição da matança de serpentes por parte da população sertaneja se tornou um fato comprovado; basta ver os diversos depoimentos de inscritos que, por agora possuírem o conhecimento, optam em deixar os répteis vivos e contribuem para a preservação ambiental, conscientizando as pessoas sobre o papel das serpentes na natureza.

Charles no canal do biólogo henrique
Foto: Reprodução/Canal Comédia Selvagem

Por falta de informação e devido às tradições transmitidas de geração em geração, muitos desses animais morriam sem nem sequer oferecerem ameaça à população das áreas em que o convívio entre seres humanos e serpentes é comum, como o sertão nordestino e outras regiões distantes das grandes cidades.

Quando o popular e o erudito trabalham juntos

Recentemente, uma criança do estado no qual nasci e onde moro até hoje (o Rio Grande do Norte) foi picada, ao que parece, por uma serpente jararaca quatro vezes e sobreviveu. Embora eu seja alguém da capital e nunca tenha passado por uma situação parecida, fiquei impressionado com a resistência do garoto às picadas da cobra que mais causa acidentes no país. E é aqui, caro leitor, que o texto entra no assunto principal.

Por mais que eu considere importante a simplificação de temas complexos com o intuito de facilitar a compreensão por parte do público leigo, comigo incluso, as palavras de especialistas e o saber científico também têm a sua importância e o seu espaço no YouTube; e a transmissão desse conhecimento não precisa, necessariamente, ser chato e monótono.

Foto: Reprodução/Cedida pelo entrevistado

Além de Charles e Tiringa, ou ainda do Rei das Serpentes, que permitiram que os seus inscritos tivessem outra visão a respeito do sertão nordestino e pernambucano, também passei a acompanhar biólogos de formação no YouTube.

Entre os vários que eu acompanho, tem um que eu gosto bastante e resolvi apresentar a vocês; e a minha escolha se deu por duas razões: A primeira pela maneira didática (ainda que técnica) que utiliza para divulgar a Herpetologia na Internet; e a segunda por possuir valores sociopolíticos semelhantes aos meus, sempre em defesa da Ciência, contra a desinformação e o obscurantismo científico; sem medo de se posicionar contra o desmonte que as instituições públicas vêm sofrendo nos últimos anos.

Conheça o canal ‘Biólogo Henrique, o biólogo das cobras’

Assisti tanto aos vídeos do Comédia Selvagem e do Haroldo Bauer que o YouTube começou a me indicar outros canais que falavam sobre serpentes, me levando direto para o canal do biólogo Henrique, de quem eu me tornei inscrito desde então.

O primeiro vídeo ao qual assisti, caso eu ainda esteja bem da memória, foi o de um homem que faleceu na Bahia após apertar uma cobra coral com as mãos. O rapaz, que estava alcoolizado, acreditava que o perigo da serpente estava “no ferrão” que ela teria na cauda e acabou morrendo após ser mordido (sim, a cobra coral morde, não pica) em uma das mãos.

Uma das coisas que aprendi nesse vídeo foi que, em primeiro lugar, cobras corais não têm ferrão; e, por fim, que tínhamos acabado de assistir a um caso raro no qual uma pessoa sofre um acidente com uma micrurus ibiboboca, nome científico da espécie de cobra coral mais comum no Nordeste do Brasil.

As serpentes do gênero micrurus, no Brasil, são as responsáveis pelo menor índice de acidentes no País, ainda que detenham o título de serpentes mais peçonhentas de todos os grupos de serpentes peçonhentas que ocorrem no Brasil.

Em vídeos sobre as corais que assisti no canal do biólogo Henrique, aprendi que algumas das razões que levam ao baixo índice de acidentes com as corais no Brasil se dão pelo fato dessas serpentes não realizarem uma picada verdadeira, uma vez que precisam morder seus predadores e possuem uma boca muito pequena.

Texto sobre o biólogo Henrique
Coral verdadeira (Micrurus ibiboboca)
Foto: Igor Roberto

Esses fatores, quando somados, demandam das serpentes do gênero micrurus um esforço um pouco maior que o esforço despendido por jararacas e cascavéis para que consigam inocular sua peçonha em seus predadores. Além disso, a quantidade pequena (cerca de 1%) de acidentes com esse tipo de serpente pode ser explicada pelo hábito que as cobras corais têm de viver escondidas embaixo de folhas secas e de troncos de árvores.

Quando comparadas com as jararacas (do gênero Bothrops) ou com a cascavel encontrada no Brasil (Crotalus durissus), as serpentes do gênero micrurus são relativamente mais dóceis, uma vez que não dão “botes” quando se sentem ameaçadas por qualquer razão. Mas isso não quer dizer, caro leitor, que você deva sair por aí pegando em cobras corais, pois há um risco enorme envolvido e um acidente com esses bichos pode ser fatal.

Eu já sabia que a cobra coral possuía a peçonha mais letal das serpentes Brasil, mas não fazia a mínima ideia de que o risco de ser mordido por uma era menor que o de ser picado por uma jararaca (a líder em acidentes) ou uma cascavel. O detalhe é que eu não aprendi nada disso na escola.

Das salas de aula para a bálburdia no YouTube: quem é o biólogo Henrique?

Embora acompanhe o biólogo Henrique no YouTube quase que diariamente, nunca havia tido a oportunidade de entrevistá-lo. Ultimamente, como vocês podem testemunhar, vinha me dedicando a entrevistas relacionadas à Astronomia, por ser uma área que vem me despertando mais dúvidas que as outras e devido ao fato de coisas interessantes estarem acontecendo em Marte e, muito em breve, na Lua.

Tudo mudou na última semana. Com o acidente com o bebê em São José do Seridó, aqui no Rio Grande do Norte, vi a oportunidade de pedir explicações sobre o caso para o biólogo e aproveitei para pedir uma entrevista exclusiva a ele, que aceitou prontamente o contato e ainda gravou um vídeo explicando o que pode ter acontecido com o bebê.

Se quiser conhecer o trabalho do biólogo Henrique e compreender o que aconteceu com o bebê, assista ao vídeo abaixo. Ele menciona o Por Dentro do RN e eu fiquei muito feliz por isso.

Henrique Abrahão Charles, também conhecido como o biólogo Henrique, nasceu na cidade de Nova Friburgo, no sudeste do estado do Rio de Janeiro e dedica a sua vida profissional (e por que não pessoal?) à Biologia; e, embora um herpetólogo também se dedique aos anfíbios, a paixão do biólogo Henrique parece ser mesmo as serpentes.

A minha hipótese foi confirmada quando, em meu contato inicial para começar a escrever este texto, perguntei sobre a sua formação acadêmica e sobre suas atividades profissionais e recebi a seguinte resposta:

Graduação em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e mestrado no Comportamento Predatório de Serpentes Boidaes (anacondas, sucuris, serpentes arco-íris e jiboias) de Diferentes Habitats na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Além disso, Henrique é professor e já deu aulas de Biologia na rede pública do estado fluminense.

“Ensinar Ciência é um dom, mas é muito difícil ensinar Ciência”, diz o biólogo Henrique

Como sempre costumo perguntar aos meus entrevistados cientistas e/ou divulgadores científicos, perguntei ao Henrique sobre sua opinião a respeito do ensino da Ciência nas escolas e como os professores poderiam estimular os alunos a darem mais valor à área. “Para você ensinar Ciência você precisa estar completamente apaixonado pela Ciência”, diz.

O biólogo e professor ainda aponta a superlotação de salas de aula como um dos entraves para o ensino adequado da Ciência nas escolas, que chegam a ter mais de 40 alunos por sala de aula; o que faz com que os professores fiquem sobrecarregados e, sob o meu ponto de vista, acaba atrapalhando qualquer tentativa de dar aulas mais dinâmicas e interessantes.

Biólogo Henrique ensinando
Foto: Reprodução/Cedida pelo entrevistado

“Nós temos de ser não apenas educadores; muitas vezes, nós temos de agir como pais dos alunos”, continua Henrique, que se emociona ao contar para este repórter as histórias de alguns alunos para os quais já deu aula enquanto era professor na rede pública. “Muitas vezes, tive de me preocupar se os meus alunos estavam comendo ou não; além disso, cansei de ver vários deles indo para a escola com problemas familiares de toda natureza. Então a gente acaba fazendo aquilo que a gente consegue para entregar uma aula interessante aos alunos”, conclui.

Confesso que as respostas do professor me fizeram refletir sobre as minhas críticas, que agora enxergo ser injustas em certos casos, ao modo de se ensinar Ciência nas escolas. Por ter estudado na rede particular durante a minha vida toda, nunca parei para pensar (não a fundo) na situação dos alunos de escola pública que, por várias razões internas e externas ao ambiente escolar, têm o seu desempenho prejudicado não só nas Ciências, sejam elas naturais ou exatas, mas em qualquer outra disciplina. “O problema é estrutural”, diz Henrique.

Sobre a criação do canal ‘Biólogo Henrique, o biólogo das cobras’ no YouTube

Quando perguntado sobre as motivações que o fizeram abrir um canal no YouTube e “dar a cara pra bater” em uma rede que, ao mesmo tempo em que pode ser maravilhosa, também pode ser tóxica na mesma medida, Henrique diz que a ideia veio após vários pedidos de ex-alunos e de pessoas o estimulando a gravar as coisas que ensinava. A carreira de professor entrou em um hiato depois que Henrique abandonou as salas de aula para se dedicar ao Parque Ecológico da Restinga do Barreto, localizado no município fluminense de Macaé, às margens da BR-106.

Biólogo Henrique no Parque
Foto: Reprodução/Cedida pelo entrevistado

Como subsecretário do Meio Ambiente de Macaé, o herpetólogo ajudou a tirar o maior parque urbano de restinga do mundo do papel e, embora não exerça mais nenhum cargo de chefia do local, ainda continua sendo consultor e biólogo do parque.

Em relação à motivação que teve para dar início à sua jornada no YouTube, o entrevistado diz que ela veio após o apelo de ex-alunos e de visitantes do parque, que pediam para que ele gravasse tudo aquilo que ele estava ensinando para aqueles pequenos grupos que apareciam no local. “Grava isso, cara; grava esse conhecimento que você passou. A gente viu aqui, mas outras pessoas também precisam ver”, revela Henrique sobre os estímulos que o levaram a se tornar conhecido no YouTube.

Relação com os haters e críticos

Mesmo com todos os avanços e com uma crescente de seguidores e apoiadores no canal, nada é perfeito. Quando o assunto são os haters, o biólogo afirma que há uma quantidade ínfima deles; e que não chegam a incomodar. Todavia, o biólogo diz que é recorrente alguns inscritos tentando refutá-lo em seus vídeos por meio do senso comum e do disse me disse, ainda que o seu conteúdo diga o contrário de maneira embasada.

“Por exemplo, quando eu digo que apenas a Ciência tem a cura para acidentes que envolvem picada de serpentes, algumas pessoas costumam dizer que existem chás milagrosos ou uma receita da vovó capazes de neutralizar as toxinas no corpo humano”, conta. Com o tempo, o herpetólogo diz que essas pessoas vão aprendendo e passam a compreender as coisas de maneira científica e menos dogmática. “É prazeroso trabalhar o medo das pessoas a um nível em que elas passem a achar as serpentes fascinantes”, diz.

Foto: Reprodução/YouTube

Em relação ao medo, ele conta que é uma coisa normal do ser humano e uma marca evolutiva da nossa espécie desde a época das cavernas, na qual animais peçonhentos já causavam problemas para o Homem. O temor pelas serpentes também é justificado, de acordo com o professor, pela quantidade de acidentes ofídicos que ocorrem no Brasil por ano, cerca de 30 mil.

“Morrem por volta de 150 pessoas por picada de cobras no País por ano”, afirma. No mundo, esse número chega a 4.000.000 de casos por ano; e morrem entre 80 e 140 mil pessoas. Com tantos dados assustadores, fica fácil descobrir as razões pelas quais o medo é completamente justificável.

“As serpentes são extremamente importantes na natureza para a regulação ambiental”.

Como em todas as coisas na natureza, a razão pela qual as serpentes existem é maior que qualquer medo que elas possam causar: equilíbrio ambiental.

Sobre a importância que esses répteis têm para o equilíbrio ecológico, o biólogo Henrique diz que, “se fôssemos fazer um cálculo linear, estima-se que uma serpente, ao longo dos seus 20 anos, poderia evitar o nascimento de dois milhões de roedores. Elas são extremamente importantes pois auxiliam na regulação ambiental”.

O herpetólogo continua dizendo que “também criou o canal com o objetivo de transformar esse medo das pessoas em fascínio”, por meio da conscientização sobre “papel que as serpentes desempenham na natureza”.

É visível perceber a felicidade que o professor tem ao concluir que se sente muito satisfeito por estar atingindo esse objetivo dia após dia. “Após o início do meu trabalho no canal, cansei de ver pessoas dizendo que não matam mais os animais porque entendem a importância deles”, comemora.

“O potencial biotecnológico de uma jararaca é capaz de salvar milhares de pessoas ao redor do mundo”

Sobre a importância da peçonha de serpentes para a Medicina, confesso a vocês que a primeira vez que eu ouvi sobre o fato foi no canal do Haroldo Bauer. Na ocasião, descobri que o farmacologista brasileiro Sérgio Henrique Ferreira foi o responsável por isolar uma substância no veneno da jararaca capaz de ajudar pessoas com hipertensão.

Sérgio Henrique Ferreira
Foto: Reprodção/Arquivo/SBED

Por essa razão, o cientista foi eleito membro da Academia Brasileira de Ciências em 29 de março de 1984 e presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) no período de 1997 a 1999, tendo recebido da entidade o título de presidente de honra. Hoje em dia, pessoas que sofrem com a pressão alta e utilizam o Captopril para controlá-la devem, e muito, às cobras jararacas e ao cientista por ter descoberto e isolado essa substância para a fabricação do medicamento.

Sobre os colegas e a fama de rei da balbúrdia: perguntei ao biólogo Henrique se ele sofreu preconceito por parte de seus pares da Academia

Quando perguntei ao entrevistado sobre a relação dele com seus colegas da Academia, ele me respondeu que sentiu preconceito logo no início do canal, mas por parte de outros divulgadores e/ou cientistas que trabalham no mesmo nicho de conteúdo. Para quem ainda não teve a oportunidade de ver, Henrique tornou-se conhecido como o “Rei da Balbúrdia” após os ataques de um certo ex-ministro da Educação do governo Bolsonaro (a quem não vou dar Ibope) às instituições públicas, se referindo a elas como espaços de “balbúrdia e arruaça”.

Vale salientar que ataques desse nível são comuns tanto para a alta cúpula de bolsonaristas convictos, que costumam circundar o presidente, quanto para o apoiador mais “baixo clero” que possa existir. Em seus vídeos, como uma reação irônica à fala do ex-ministro, o biólogo Henrique passou a utilizar a “máscara da balbúrdia” em homenagem aos trabalhos de pesquisa realizados pelas instituições públicas do Brasil e para, de maneira bem-humorada, divulgar a Ciência.

Foto: Reprodução/Cedida pelo entrevistado

Henrique diz que até mesmo os colegas da Academia compreendem a necessidade da máscara para atrair a atenção da “criançada que assiste ao canal, incluindo autistas, que passam a se interessar pelo conteúdo em decorrência da maneira descontraída que os vídeos são gravados”, diz o professor.

Ainda de acordo com o biólogo, “uma vez que o conteúdo abordado é de pós-graduação, no âmbito de mestrado e até mesmo de doutorado, é comum que a Academia também seja atraída ao canal”. Se ainda restavam dúvidas sobre a aceitação do canal do biólogo Henrique pelos biólogos, o entrevistado conta que muitos pesquisadores do Butantan não só aprovam e apoiam o trabalho dele no YouTube como também participam com dicas, entrevistas ou simplesmente como espectadores.

Política e Ciência se misturam? Para o biólogo Henrique, se misturam completamente

Uma das questões mais controversas para alguns divulgadores científicos que eu sigo, e não só da área da Biologia, é a certa ojeriza que sentem quando alguém toca no assunto Política. Quando não estão abstendo de opiniões a esse respeito em suas redes, muitos deles simplesmente partem para o senso comum de que “políticos são todos iguais” e que “nada vai mudar” Como falei logo no início deste texto, uma das coisas que me fizeram seguir o biólogo Henrique no YouTube foi o fato de me identificar com alguns de seus posicionamentos.

Quando perguntei sobre a relação entre Política e Ciência, Henrique foi categórico ao afirmar que “a divulgação científica é político-ativista”, isto é, o indivíduo faz Ciência e defende a Ciência porque acredita no que está defendendo. Na visão deste que vos escreve, o fato de o professor ter estudado em universidade pública e ter participado da administração de um parque público tenha o ajudado a enxergar a importância das políticas públicas para a Ciência no Brasil, mas essa visão ainda não é tão clara para muitos divulgadores, infelizmente.

Biólogo Henrique segura uma iguana
Foto: Reprodução/Cedida pelo entrevistado

“Ciência e Política se misturam completamente. A gente vem de uma época de ditadura na qual você não podia falar sobre Política que seria perseguido”, diz o professor. De acordo com o herpetólogo, foi a partir daí que se criou essa ideia de que não devemos discutir sobre o tema.

“A Ciência segue uma diretriz política e não é, de maneira nenhuma, neutra”, continua Henrique. Para ele, a Ciência funciona tanto para o bem quanto para o mal; e pode servir tanto para os interesses públicos quanto para os privados; é tudo questão de que sejam traçadas diretrizes capazes de nortear a Ciência.

“O ofidismo, por exemplo, é uma doença tropical negligenciada. Todos os avanços científicos ocorreram por causa de investimento público; graças ao médico Vital Brasil e ao Butantan”, destaca. Para a iniciativa privada, todavia, não seria lucrativo produzir e vender soro antiofídico para as pessoas porque “pobre não tem dinheiro pra comprar” e, como se sabe, o mercado vive essencialmente de lucro.

“É preciso ter uma bancada da Ciência na política brasileira”

Em contraposição às bancadas da bala, do boi e da bíblia; ou à bancada recente dos negacionistas da Ciência, o biólogo Henrique ainda é defensor da mobilização dos cientistas brasileiros para se lançarem no cenário político e formarem a “bancada da Ciência”.

Dessa forma, de acordo com o especialista em serpentes, uma bancada formada por homens e mulheres da Ciência poderia ajudar na formulação de diretrizes que incentivassem à área científica e ajudassem e combater de frente essa “idade média” que vem tomando conta das discussões políticas nos últimos anos.

“Divulgador que ignora isso não terá, depois, o que divulgar. Não dá para ficar em cima do muro enquanto a anticiência levou a óbito mais de meio milhão de pessoas no Brasil. E eu não irei ficar nessa covardia”, conclui.

O canal do “Biólogo das Cobras” é a prova de que dá para ser técnico sem ser chato; e os resultados provam isso

Com mais de 300 mil seguidores no YouTube e cerca de 65 milhões de visualizações, o canal do biólogo Henrique é uma prova prática de que é possível divulgar a Ciência na Internet sem ser chato ou monótono.

O fato de o obscurantismo científico e o negacionismo estarem em alta, atrelado à dificuldade que os canais de Ciência no YouTube têm de crescer, torna importante dar destaque ao sucesso do canal do “Biólogo das Cobras”, que se tornou, seguramente, o maior canal do mundo (de estudo) da fauna ofídica.

Além disso, o biólogo ainda administra a maior página do mundo de divulgação da herpetofauna, em Língua Portuguesa, do Facebook. É claro que os números, isoladamente, não querem dizer muita coisa. Mas, no caso acima, posso garantir que a qualidade da audiência também traz qualidade ao conteúdo do canal.

Foto: Reprodução/Cedida pelo entrevistado

Em nome dos leitores do Por Dentro do RN e de todos os interessados por Ciência que conheceram um pouco mais sobre a Herpetologia e sobre o canal, gostaria de agradecer ao biólogo Henrique pela atenção dispensada a este repórter.

Também quero revelar, publicamente, que a divulgação dessa área no YouTube me ajudou a aprender que uma cobra peçonhenta não tem “quatro ventas”, mas sim um órgão chamado de fosseta loreal (exceto as da família dos Elapídeos) o qual utiliza para detectar as variações de temperatura do ambiente e auxiliar na hora da alimentação e da defesa de predadores; e me ajudou, também, a ficar fascinado por esses bichos tão mal compreendidos quanto as serpentes.

No Brasil, das 370 espécies de serpentes catalogadas, apenas 55 são consideradas “de importância médica” e podem causar acidentes graves; ou seja, quando você mata uma serpente, há grandes chances de estar tirando a vida de uma que nem sequer seria um risco pra você.

Foto: Reprodução/Facebook/Hora da Ciência

E tem outro fato importante: todas essas 55 espécies estão inclusas em apenas quatro gêneros. São eles: o grupo das jararacas (Bothrops), o das cascavéis (Crotalus), o das corais (Micrurus) e o das surucucus (Lachesis); que possuem características marcantes capazes de nos fazer ligar o alerta e deixá-las em paz, no máximo desviando do seu caminho e/ou pedindo ajuda a alguém.

Sendo assim, deixo um apelo a você, caro leitor: viu uma cobra por perto? Não mate. O fato de tê-la enxergado já garante que você terá cautela e não se aproximará ao ponto de o encontro se tornar perigoso. Diferente do que diz o dito popular, cobras não correm atrás das pessoas a fim de picá-las.

Até a próxima e viva a balbúrdia!

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Sobre Gustavo Guedes, colunista do Por Dentro do RN

Gustavo Guedes escreve texto sobre o Universo Genial

Gustavo Guedes tem 29 anos, é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Escreve quando quer, o que quer e do jeito que bem entende. Mas se interessa pela área musical, por Astronomia, serpentes e tem uma simpatia por aviões; e tudo mais que o ajude a sair do tédio. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.
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Fátima Bezerra

Fátima anda com fé; e a fé não costuma faiá

Publicação nas redes sociais da governadora Fátima Bezerra (PT) mostra hoje a caminhada da gestora, ao som de “Andar Com Fé”, composição do baiano Gilberto Gil, ex-ministro de Lula; época na qual a atual governadora era eleita deputada federal pelo Rio Grande do Norte. Mas isso são só coincidências, porque, de fato, a fé não costuma falhar.

Na luz

Com boa aprovação e liderando todas as pesquisas para o pleito do próximo ano, a governadora segue se movimentando bem, inclusive em meio à CPI da pandemia estadual instalada na Assembleia Legislativa. Fátima mostra que está muito mais na luz que nas trevas; e, por esse fato, segue plenamente as suas atividades – administrativas e políticas – e ainda tem tempo para dar suas caminhadas.

Na escuridão

O que ainda anda meio indefinido são questões como vice e candidatura que apoiará ao Senado – apesar de, particularmente, eu acreditar que Jean Paul vai encarar a disputa.

Na cobra coral

Analistas políticos destacam o quanto a CPI deverá dar uma viabilidade política ao deputado estadual Kelps Lima (SD), que, segundo falam, deverá ser candidato a deputado federal no pleito do próximo ano. Para os demais integrantes que compõem a oposição ao governo, a dificuldade permanece.

Na lâmina de um punhal

Será que toda a oposição dos deputados estaduais de hoje, apoiadora do presidente e automaticamente associada a Bolsonaro, encontrará tantos votos assim? Ainda mais diante de um quadro de rejeição ao chefe do Planalto no Rio Grande do Norte e de aceitação à governadora Fátima? Isso é o que veremos ano que vem.

Na maré

Por falar na oposição estadual, inclusive, o destaque negativo vai para a lamentável fala do deputado estadual Tomba Farias (PSDB) contra a possibilidade de greve dos professores no Estado. “E agora vem a greve dos professores. Greve de quê? Estão em férias há 1 ano e 9 meses. Há um ano 1 nove meses que não tem aula no Rio Grande do Norte”, disse Tomba. As aulas permaneceram acontecendo neste período de pandemia, no formato remoto, com professores dando aulas diretamente de suas próprias casas.

Viva e sã

Seguem as articulações do ingresso do MDB no governo estadual. O tema tem sido tocado pelo deputado federal Walter Alves. Hoje, Túlio Lemos, em seu blog, divulgou o nome do ex-senador Garibaldi como vice de Fátima para o pleito do próximo ano. É possível. Este blog já antecipou a possibilidade do prefeito de Apodi, Alan Silveira, também como possibilidade. Aguardemos por 2022.

Triste na solidão

Para encerrar, destaque para a frase de Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal: “Temos de tratar Napoleão como Napoleão. Suspeitas de fraude? Traga as provas e vamos discutir isso publicamente. Essa gente dialoga com aqueles que dizem que o homem não foi à Lua, a Terra é plana e a cloroquina salva”, disparou o ministro em comentário sobre quem desconfia da lisura das eleições.

Foto: Reprodução/Redes Sociais

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Sobre Thiago Martins, colunista do Por Dentro do RN

Thiago Martins tem 28 anos, é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), atuante do jornalismo político no Estado. Apesar de sua maior dedicação ser na área de Assessoria de Comunicação, observa e acompanha as principais ações políticas do Rio Grande do Norte, do Brasil, e do mundo, e escreve nesta coluna a respeito do tema. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Deputada Carla Dickson

Deputada Carla Dickson: a mais atuante do RN

Quando se cogitou o nome da deputada federal Carla Dickson (PROS) para a disputada do governo do estado nas eleições do próximo ano – algo que ela própria já negou o interesse, se dedicando a renovar seu mandato como deputada federal –, foi levado em consideração o contexto além da polarização política com a governadora Fátima Bezerra (PT), já que Carla faz parte do grupo de apoio ao presidente Jair Bolsonaro.

O nome de Carla era defendido – ainda é, entre muitos bolsonaristas locais – pelo fato de ser mulher, médica, carismática, ter uma boa atuação política anterior (foi vereadora antes de ser deputada) etc. Todavia, Carla difere, em muito, dos nomes forçados a todo custo pelo grupo, como é o caso do nome do ministro Rogério Marinho ou do ex-comunista Fábio Dantas.

Ou ainda dos que estão “comendo pelas beiradas” para, na hora certa, serem apresentados como grandes gestores, nomes perfeitos para um novo momento no governo, alinhados com a proposta de Bolsonaro e que, na estratégia de marketing deles, trarão o “avanço para o RN”, como é caso do prefeito de Ceará-Mirim, Júlio César (PSD); ou ainda do prefeito de Maxaranguape, o empresário Luís Eduardo (PSDB), que tem cumprido agenda em todo estado, dando entrevistas em que constantemente fala sobre o combate à Covid no município e do empenho em relação ao turismo.

Voltando para a situação de Carla Dickson, também já escrevi aqui que a deputada ‘bateu na trave’ na eleição passada, e tem tudo para fazer o gol no próximo ano: os atributos – mulher, médica, carismática, bom histórico político – aliados à estrutura familiar (com seu marido, Albert, deputado estadual; e a cunhada Margarete Régia, vereadora de Natal, ambos do PROS) são pontos importantíssimos e aliados à excelente atuação que a deputada tem tido no interior do estado, com prefeitos, vereadoras e lideranças, atendendo aos pleitos e se destacando como nenhum outro.

É muito interessante como Carla tem conseguido fortalecer sua imagem trazendo recursos para o RN, falando diretamente à ponta, coisa que se esperava muito mais do deputado General Girão (PSL), por exemplo, pela proximidade com o presidente Bolsonaro.

Girão tinha a oportunidade de ser “o homem de Bolsonaro”, mas tem usado seu prestígio apenas para fazer barulho na defesa do presidente ou contra o governo do estado, e isso faz com que ele ganhe muito mais destaque para si do que para qualquer outra boa ação em prol do estado.

Aliás, verdade seja dita, todos os atributos de Bolsonaro para o RN caem no colo muito mais dos ministros potiguares Fábio e Rogério, que no colo dos deputados como Girão, Benes, João Maia ou Beto. Enquanto isso, Carla vai tocando a bola e com boas chances de fazer o gol no próximo ano.

Time oponente

Situação semelhante à de Carla, porém pela esquerda, é de Rafael Motta. Ao lado de Natália Bonavides (PT) na oposição federal, ele segue com uma agenda e um discurso muito viável para o eleitor e de fortalecimento com as lideranças. Natália se atenta muito mais às pautas do partido – que automaticamente ganham o contexto político pessoal dela enquanto parlamentar; já Rafael vai tocando a bola, mesmo em meio as dificuldades em ser oposição e ter que comandar, além de tudo, o discurso contra o presidente.

No ataque

Ou seja, enquanto Natália segue com a firme defesa do seu partido e de suas ações endereçadas a Bolsonaro, Rafael programa suas críticas a Bolsonaro, mas segue mostrando ao eleitor do RN que está presente. São oposições diferentes: Natália trabalha no macro, nas lutas e ideais do partido; e Rafael faz a política do dia a dia.

Resultado do jogo

Ainda falta um ano para o pleito, mas, pela direita, eu apostaria na deputada Carla Dickson, bem como em Natália e também em Rafael pela esquerda. Já no meio termo, com certeza, João Maia. Já as outras quatro vagas… Só aguardando pra ver!

Foto: Gustavo Sales/Câmara dos Deputados

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Walter Alves

Walter Alves fortalece o agronegócio do RN

Em reunião ocorrida ontem (5) com o presidente da Associação Norte-Rio-Grandense de Criadores (ANORC), Marcelo Passos, e o diretor Alexandre Chaves, o deputado federal Walter Alves (MDB) anunciou a destinação de uma emenda para a Associação, voltada para a Prova de Ganho de Peso em Confinamento (PGP). O propósito é contribuir com a continuidade do calendário de provas, de maneira que o setor agropecuário possa alcançar a excelência do rebanho.

Agro é pop

Walter Alves tem se destacado como um nome de defesa do agronegócio local – e até nacional – setor que tem carregado o Brasil inteiro nas costas, diante da desindustrialização que contamina nossa nação. E apesar da seca e das dificuldades que assolam o interior do Estado, há um importante destaque no plantio do gado no RN e para a contribuição que o setor dá a economia local, regional e até mesmo nacional.

Agro é Tech

Destaque também para a atual diretoria da Anorc, comandada pelo experiente Marcelo Passos. Em meio à própria pandemia e com a impossibilidade da realização presencial dos eventos agropecuários – como a famosa Festa do Boi, que movimentou cerca de R$ 60 milhões em negócios e foi visitada por 240 mil pessoas em 2019 – a associação tem sido bem conduzida com a defesa do setor agro ainda mais consolidada.

Agro é – quase – tudo

Entre os políticos federais que apoiam e têm uma visão mais voltada para o agro, o destaque é, sem dúvida alguma, de Walter Alves, com a destinação de emendas, visitas as associações ligadas ao setor, etc, seguido de modo mais discreto por Benes Leocádio (Republicanos). Este último, um grande entusiasta da ExpoLajes, evento realizado na sua querida cidade localizada na região central, mas que desde os tempos de presidente da Femurn não perde a oportunidade de prestigiar e apoiar a Festa do Boi. Uma maior divulgação e associação entre Benes e o segmento seria importante.

O arco-íris encobriu João Doria

Política nacional: o anúncio em rede nacional de televisão de que é gay, feito pelo do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), encobriu seu oponente do próprio partido, o presidenciável João Doria, também governador – este de São Paulo. Analistas classificam como uma ação estratégica de Eduardo, que sonha em disputar a presidência da república em 2022.

Deu certo

Eduardo Leite ganhou grande visibilidade nacional desde o anúncio, e tem feito um discurso procurando se posicionar entre o PT e Jair Bolsonaro. Apesar de ter votado no presidente em 2018, alega que foi um erro, mas também não votaria no PT. E tem feito isso de uma maneira muito mais sutil do que as críticas do ex-aliado petista Ciro Gomes (PDT), que recebeu a resposta sendo chamado de coronel pela loira sulista Gleisi Hoffmann, presidente do PT. Veja que ironia: uma paranaense, estado de uma região que tem se destacado por seu conservadorismo, chamando um nordestino de coronel. A cereja do bolo: centro-esquerda versus centro-esquerda.

Com a bandeira na mão

Leite inicia o debate com a bandeira do arco-íris na mão, conseguindo se projetar no cenário nacional, como já dito, encobrindo o próprio colega de partido João Doria – odiado pelo grupo de Bolsonaro, mas que também seria difícil de ser aceito pelo voto de centro-esquerda. A partir de ter colocado seu bloco na rua, Eduardo Leite segue agora tentando reforçar sua imagem de bom gestor e tentar figurar lá na quebra da polarização “Bolsonaro X PT” para 2022, quem sabe até levando o pleito.

Parabéns

Quem parabenizou publicamente o governador Eduardo Leite pelo anúncio feito de ter se assumido gay e pela “excelente gestão”, foi o deputado Kelps Lima. “Em um país cheio de preconceitos você se torna um farol para quem acredita em um país mais tolerante e racional”, escreveu. Há anos, ele e seu grupo político tentam quebrar a polarização local, tanto nas eleições municipais de Natal, quanto na estadual. Sem sucesso, até então.

Respeito

E por falar em João Doria, em entrevista na semana passada a Rádio 98 FM, quando questionado a comentar sobre a aliança que ocorre no RN, unindo PT e PSDB desde 2018, o governador se limitou a dizer que respeita, apesar de as duas siglas serem adversárias no plano nacional. Ok!

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Sobre Thiago Martins, colunista do Por Dentro do RN

Thiago Martins tem 28 anos, é jornalista formado pela UFRN e atua do jornalismo político no Estado. Apesar de sua maior dedicação ser na área de Assessoria de Comunicação, observa e acompanha as principais ações políticas do Rio Grande do Norte, do Brasil, e do mundo, e escreve nesta coluna a respeito do tema.

Voto impresso já era

Voto impresso: cédulas rasgadas

Com uma forte artilharia de diversos partidos contra a proposta do voto impresso, o relator da proposta, deputado federal da ala bolsonarista Filipe Barros, do PSL do Paraná, já admite adotar um meio-termo em seu parecer, em busca de consenso para aprovar a proposta na Casa. As informações são do colunista Igor Gadelha, do site Metrópoles.

Com a rejeição da proposta por 11 siglas, Filipe intensificou conversas com lideranças partidárias em busca de consenso para aprovar proposta na Câmara. O relatório já foi lido na semana passada, e deverá ser votado pelos parlamentares.

A atuação contra o voto impresso contou com um forte aparato dos próprios membros do Supremo Tribunal Federal, como destacado pelo portal Por Dentro do RN em matéria recente, quando noticiamos o acordo firmado entre ministros e presidentes de partidos.

Além disso, quem também saiu em defesa do atual sistema, foi o Presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, do DEM de Minas Gerais. Pacheco disparou: “A minha posição é de plena confiança na Justiça eleitoral brasileira. Não identifico indício algum de fraude nos resultados eleitorais. Essa é uma opinião que tenho, que o sistema eleitoral deve continuar pelo sistema eletrônico”.

De olho na urna

A defesa de algumas teses ligadas ao chamado “bolsonarismo” é, no mínimo, estranha. É o caso das urnas eletrônicas, que elegem Bolsonaro, seus familiares e aliados há décadas, mas agora entram no rol de inimigos da nação, chave de fraudes, etc. Ainda bem que os deputados – pelo menos em sua maioria – e os presidentes das legendas não compraram tal ideia e rechaçam a proposta do voto impresso. E tomaram que mantenham o posicionamento.

Abram-se as cortinas de fumaça

Excelente artigo de André Petry, na Revista Piauí, questiona “Quando será o golpe?”. É exatamente isso: é notório, pelo rumo que as coisas vão, que Bolsonaro perdendo, não irá passar a faixa para ninguém – seja Lula, Ciro, Dória, Eduardo Leite ou qualquer outro sonho do centro.

“Quem pensa que bastará juntar o conjunto dos democratas no segundo turno, formando uma aliança de ocasião, talvez esteja acreditando que o elefante de Krylov foi passear na Cornualha. Não foi. Ele está aqui, robusto como uma montanha. Sentado aí do seu lado e debochando de políticos do tamanho da cabeça de um alfinete”, diz trecho do texto.

De olho no relógio

A propósito: o horário de verão, extinto pelo governo Bolsonaro e tendo sido o primeiro de uma série de temas anterior a pandemia em que o presidente iria lutar pela derrubada – a qual incluía a urna eletrônica e as campanhas das chamadas vacinas de rotina (aquelas disponíveis nos postos de saúde e que constam no cartão de vacinação) – já volta a figurar até mesmo entre aliados do presidente. É o caso do empresário Luciano Hang, dono das lojas Havan, que aderiu neste fim de semana ao movimento de empresários que pedem a volta do horário de verão, segundo matéria do IG. A adesão de Hang é encarada como um grande passo para o movimento, já que se trata de um dos empresários mais próximos de Bolsonaro.

No mais

As urnas eletrônicas são confiáveis, vacinas salvam vidas há anos e, de quebra, a terra não é plana.

Parada não solicitada

O prefeito de Natal, Álvaro Dias (PSDB), sancionou projeto de lei do vereador Milklei Leite (PV), com substitutivo da vereadora Nina Souza (PDT), impedindo a idade máxima para a frota de transportes alternativos que circulam na capital. O projeto suspende, até a realização da licitação do sistema de transporte coletivo, a exigência da idade máxima para a frota de veículos opcionais em circulação na cidade. Contudo, os veículos em idade acima do estabelecido – 10 anos – deverão ser submetidos e aprovados em inspeção técnica.

Na defesa

Milklei tem se destacado pela defesa do segmento do transporte opcional na Câmara de Natal. O vereador do PV morador da Zona Norte de Natal, foi motorista de alternativo, conhecendo muito bem a difícil realidade do segmento. A própria lei aprovada, com inclusão do texto de Nina, demonstra bem isso: hoje, a maioria dos micro-ônibus que circulam em Natal já têm mais de 10 anos de uso, e necessitam de um amparo do poder público. Poucos foram comprados novos, zero quilômetro. A maioria são veículos usados, principalmente da cidade de São Paulo.

Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

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Sobre Thiago Martins, colunista do Por Dentro do RN

Thiago Martins tem 28 anos, é jornalista formado pela UFRN e atua do jornalismo político no Estado. Apesar de sua maior dedicação ser na área de Assessoria de Comunicação, observa e acompanha as principais ações políticas do Rio Grande do Norte, do Brasil, e do mundo, e escreve nesta coluna a respeito do tema.

Igor Costa

Comunicação – ainda mais – fortalecida no RN com novo projeto de Igor Costa

O talentosíssimo e sempre bem informado Igor Costa, do blog Território Livre de Verdade, está prestes a lançar um novo produto jornalístico no Rio Grande do Norte. Trata-se do “Portal 84”, que foi idealizado por Igor Costa e tem o objetivo de ampliar a atuação do jornalismo no RN. Com a mudança, o TL passará a integrar o Portal 84, e será transformado em coluna especializada na abordagem dos temas referentes à política local e regional.

Parceria forte

Igor Costa tem uma trajetória singular de sucesso na comunicação local. Circula muito bem no meio político, conhece vereadores, deputados, secretários etc. de todas as correntes políticas. É um cara atento, ligado, e certamente fará da unificação dos seus blogs – Território Livre de Verdade e Portal 84 – algo inovador e de muito sucesso.

Não é de hoje

Importante registrar que a atuação de Igor com seu blog começou em 2009. São mais de 10 anos na cobertura de temas ligados especialmente a política, mas que agora se fortalece. Inclusive, Igor foi um grande incentivador da criação do nosso Portal, o Por Dentro do RN, e seu novo site estará em consonância com este portal, do qual um dos dirigentes é este jornalista que vos escreve.

Inclusive

Entre as novidades destacadas por Igor, ele anunciou, neste final de semana, que a ex-prefeita Micarla de Sousa pretende voltar à vida pública. Vai ser candidata a deputada estadual nas eleições do ano que vem, cargo que ocupou em 2006, eleita com 43.936. Para as eleições do próximo ano, Micarla tem circulado pelo Rio Grande do Norte e tem no segmento evangélico sua principal base eleitoral.

Retrovisor

Micarla vai precisar apagar (ou seria embaçar?) do retrovisor a má fama de ex-prefeita (ocasionado, em muito, pelo boicote de lideranças estaduais), e certamente nem procure focar tanto na busca do voto de Natal. Usará seu carisma, fortalecerá a boa comunicação com quem hoje já a escuta – ela comanda a rádio 95 FM, com um programa diário na emissora, e a TV Ponta Negra, líder de audiência no Estado. Além disso, usará o currículo do que fez de bom a seu favor, como a implantação de UPAs e CMEIs. Áreas importantes: saúde e educação.

Voto evangélico

Caso se concretize a candidatura de Micarla para uma vaga na Assembleia nas eleições do próximo ano, sem dúvida alguma, a ex-prefeita se unirá aos parlamentares que já se destacam na busca pelo voto evangélico: o atual deputado Albert Dickson (PROS), que troca receita de remédios ineficazes por likes no YouTube; e ainda conta com a dupla formada por sua esposa, Carla Dickson, para deputada federal, e da irmã, Margarete Régia, vereadora de Natal.

Fora do clã dos Dickson, há o deputado Jacó Jácome, que tem se destacado na luta contra os desmandos do próprio partido, o PSD, e conta com o apoio dos trabalhos sociais do pai, ex-deputado federal Antônio Jácome, no atendimento médico, tendo também o vereador Érico Jácome (MDB) na sua estrutura; e agora Micarla, esbanjando carisma e simpatia para os ouvintes. Muita oração até 2022!

Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

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Sobre Thiago Martins, colunista do Por Dentro do RN

Thiago Martins tem 28 anos, é jornalista formado pela UFRN e atua do jornalismo político no Estado. Apesar de sua maior dedicação ser na área de Assessoria de Comunicação, observa e acompanha as principais ações políticas do Rio Grande do Norte, do Brasil, e do mundo, e escreve nesta coluna a respeito do tema.

Estrelas Mercúrio Retrógrado

Mercúrio retrógrado: saiba por que o pobre planeta NÃO tem culpa pelos nossos problemas

Sobre como vieses de confirmação e retrospectiva nos fazem crer em Astrologia e que o suposto Mercúrio retrógrado explica nossas desventuras.

Ao escrever esse texto pela primeira vez, eu estava passando por uma das piores fases da minha vida e os motivos não cabem por aqui, pelo menos não até agora. Entre a primeira versão e esta versão do artigo que você está lendo agora, caro leitor, foram-se exatamente 487 dias; ou um ano e quatro meses. Esse pequeno “disclaimer” inicial tem o simples objetivo de situar o leitor em um tempo que, conforme eu falei acima, não condiz mais com a realidade; foi muita água rolando debaixo da ponte.

As lições aprendidas no período de conturbações e de ansiedade fora do controle, por outro lado, são perpétuas e me acompanharão para sempre; e me ajudarão a lidar com os próximos baques, e a evitar procurar em seres extraordinários ou doutrinas metafísicas e irracionais a explicação e os culpados para as tragédias pessoais que resolvam aparecer para mim no futuro. Por essa razão, avaliei que seria pertinente dar uma adaptada no texto e publicá-lo novamente, agora neste canal; para que todos possam ler. Vamos ao que interessa, né? Vamos ao bendito do Mercúrio retrógrado.

O meu primeiro contato com o termo Mercúrio retrógrado

Quem me acompanhou no final de 2019 até meados de março de 2020, percebeu o rebuliço pelo qual eu estava passando naquela época. Os efeitos psicológicos do fim de um relacionamento de oito anos, os problemas financeiros inerentes a qualquer membro da classe média brasileira e os conflitos familiares deram o tom na minha vida nesse ínterim. E o que essas três áreas têm em comum? É simples: são áreas adoradas pela astrologia e por quem atribui a ela um papel decisivo no comportamento dos seres humanos.

Não costumo explicar a intenção dos meus textos, porém, abro uma exceção e deixo claro que o meu objetivo não é criar treta com quem se sente melhor com a leitura de mapas astrais ou com quem, intimamente, se pauta na posição das estrelas para tomar decisões. O gosto particular de cada um não é problema meu e nunca será.

Se o problema fosse apenas com o tal do Mercúrio retrógrado, seria o menor dos problemas. O meu incômodo, se é que posso chamar de incômodo, é direcionado a quem busca justificar suas ações mundanas culpando os astros: ora, a culpa não é das estrelas. Sabendo dos perrengues expostos por mim naquela época, para um grupo seleto de leitores e escritos sem qualquer filtro, recebi vários e-mails e estava próximo de pessoas que levavam ao extremo temas como astrologia, tarô etc, etc, etc.

Mercúrio Retrógrado
Foto: Reprodução/Internet

No último Carnaval que aproveitei antes da pandemia, ainda em 2020, durante o meu exílio em uma casa de praia com algumas pessoas e com uma crush do Tinder, fui apresentado ao termo que dá titulo a esse tópico: Mercúrio retrógrado; e também ao conceito de inferno astral. Na hora, fiquei pensando, onde é que eu estou? Mas resolvi deixar a conversa fluir para ver as conclusões que eu tiraria com aquilo tudo. Não custava nada, custava? Há gente que faz coisa pior no Carnaval, vamos concordar.

Como jornalista e curioso, resolvi tentar entender os porquês que tornam Mercúrio retrógrado, o que o planeta fez ou faz para ser assim e por que eu deveria me preocupar com isso. No dia em que escrevi a versão original desse texto, descobri que estava vivendo o que a astrologia chama de inferno astral. Isto é, de acordo com os astrólogos, o inferno astral de um ariano (que é o meu caso) ocorre quando “o Sol está passando pela constelação de Peixes no céu”. Basicamente, o inferno astral de qualquer pessoa será sempre o signo anterior ao signo dela; sendo assim, o signo anterior ao de Áries é o de Peixes. As razões pelas quais acreditam nisso, todavia, eu não quis saber.

O que é Mercúrio retrógrado e por que as pessoas o culpam quando alguma coisa dá errado?

Sabendo que cada um mete o louco à sua maneira no Carnaval e isso não é problema meu, por estar em ambiente hostil e cercado de gente que acredita no que dizem os horóscopos e os mapas astrais, resolvi (tentar) compreender a visão da astrologia sobre o “fenômeno” e descobri que, de acordo com essa pseudociência tão adorada até mesmo por alguns psicólogos e cientistas, as coisas tendem a ficar instáveis e confusas na fase chamada Mercúrio retrógrado; a qual, em linhas gerais, o planeta estaria andando para trás. Sim, anos depois da Teoria da Relatividade, da visita da New Horizons a Plutão e ao cinturão de Kuiper; e em uma época na qual Estados Unidos e China têm robôs explorando Marte, há quem acredite que Mercúrio anda pra trás.

Brincadeiras à parte, o conceito de Mercúrio retrógrado já começa errado para mim (que entendo um pouco) e para quem entende muito sobre Astronomia. Como amante dessa Ciência tão maltratada, aprendi que Mercúrio retrógrado não existe porque nenhum planeta orbita o Sol de maneira retrógrada: no caso de um suposto movimento de translação “ao contrário” , tudo não passa de ilusão de ótica para um observador que esteja na Terra. Simples assim. Como alguém pode basear uma ideia em algo que, simplesmente, não existe?

Além de Mercúrio retrógrado, fizeram meu mapa astral
Para quem quiser me definir pelo signo, eis o mapa que fizeram pra mim em 2020. rsrsrs
Foto: Astrolink

Ainda assim, houve quem ousasse colocar a culpa no pobre planeta pelas turbulências que chacoalharam a minha vida durante o início do ano passado. Sem qualquer arrogância ou aquela soberba acadêmica da qual eu sou um crítico ferrenho, posso dizer que essas pessoas falharam miseravelmente na missão de encontrar explicações místicas para tentar explicar meus infortúnios; e eu vou dizer o porquê. Aos fatos: de acordo com os astrólogos e simpatizantes, a última vez que Mercúrio esteve retrógrado, em 2019, foi entre 31 de outubro e 20 de novembro. Memorize esse período, caro leitor.

Em 2019, o meu namoro acabou após umas coisas que vieram à tona; coisas estas inaceitáveis até mesmo para o cara mais liberal do mundo, não pelo ocorrido em si, mas pela conspiração e pelas tramas envolvidas; mas isso não vem ao caso. Por ter uma memória boa, sei que o alarme mais evidente de que tinha algo errado disparou no dia 20 de outubro; e também me lembro de que eu recebi uma das piores notícias da minha vida no dia 12 de dezembro. Comparando com o período que pedi para memorizar, temos onze dias antes do início e e vinte dois dias após o fim do que alegam ser um fenômeno astrológico capaz de instabilizar nossas vidas.

Que mané Mercúrio retrógrado, Mercúrio é inocente! Mas temos de procurar um culpado, não?

Se eu não fosse tão bom com datas, poderia ter me deixado levar pela explicação dos leitores do Personare e caído na história para boi dormir, ainda que bem contada, sobre os infortúnios da minha nada mole vida naquela época. O meu veredito é que o pobre e minúsculo planeta é inocente!

Como falharam nessa primeira justificativa, tentaram explicar a minha, digamos, sensibilidade e inquietude alegando que eu estaria, desde o dia 20 de fevereiro daquele ano, passando pelo meu inferno astral, já que eu sou do signo de Áries e o Sol começa a passar pela constelação de Peixes nessa data.

Só que a minha vida estava uma bagunça desde 2019, sem tréguas, sem planetas ou constelações que pudessem me ajudar. A diferença é que, dia após dia, por esforço próprio e com ajuda profissional, fui tendo mais jogo de cintura e tranquilidade para lidar com os altos e baixos. Como já estava envolvido até o pescoço com a pseudociência, fui além e descobri que os meus pares perfeitos seriam as pessoas do meu signo e, além disso, quem nasceu sob o signo de Leão, Libra ou Sagitário.

Meu maior relacionamento durou oito anos; e a pessoa por quem fui perdidamente apaixonado era, adivinhem, Leonina. Como se não bastasse, Leão ainda seria o meu paraíso astral. De acordo com os aspirantes a João Bidu, a combinação perfeita! Só que não. Descobri ainda que o meu ascendente é Sagitário, só não entendi bem o que isso significa na prática e, sendo honesto, não tinha qualquer interesse em entender.

Penso, logo existo / Eu acredito, logo estou certo
Foto: Reprodução/Internet

Onze anos atrás, em 2010, antes de começar o meu namoro mais longo, namorei uma sagitariana por alguns meses. No final das contas, ela terminou comigo porque estava entediada. Logo depois, arrumou um namorado, casou e, até onde sei, teve filho. Em janeiro de 2020, conheci uma menina foda, inteligente, linda e adorável. Tudo se encaixou. Adivinhem o signo? Capricórnio, um dos signos com a menor chance de combinação com Áries. Por que não deu certo? Simples: por culpa exclusivamente minha, não por falta de afinidades; simplesmente porque eu não estava preparado para um compromisso sério naquele momento. Mas a culpa não foi das estrelas, foi minha, por ter sido burro a ponto de nutrir por meses o sentimentos por uma leonina que estava se lixando para mim e fazia questão de mostrar isso.

Há 17 anos, conheço uma taurina de quem me aproximei do ano passado pra cá: mulher foda, inteligente, linda, fala alemão como uma nativa, alguém que minha antiga escola permitiu se aproximar de mim, mas que as coisas da vida fizeram que ela morasse na Alemanha e arrumasse um namorado por lá; mas somos amigos e isso é o que importa. De acordo com a astrologia, porém, ela não seria uma boa combinação para mim por ser do signo de Touro.

Enfim, acho que vocês já têm ideia da conclusão que eu quero tirar disso tudo. Ainda assim, eu poderia passar horas tentando defender o meu ponto de vista com evidências científicas de que astrologia é placebo: só funciona para quem acredita e se deixa influenciar. Poderia, ainda, dizer que os acertos atribuídos aos astros podem ser explicados por dois mecanismos psicológicos inerentes ao ser humano: o viés de confirmação e o viés de retrospectiva.

Sobre o viés de confirmação e o viés de retrospectiva

Como já tentei deixar claro desde o início desse texto, a minha intenção aqui nunca foi pregar para convertidos, pois todos sabemos que cada um já é feliz (ou acredita que é) com a maneira com a qual enxerga o mundo e suaviza a realidade dura e cruel, tentando atribuir um sentido metafísico às intempéries da vida. Porém, também não posso me autocensurar com medo de ser acusado de roubar a brisa alheia apenas porque as crenças dela não resistem a um questionamento.

Sendo assim, acho que você, caro leitor, já leu alguma coisa em um horóscopo que, até certo ponto, fez sentido pra você. É uma característica típica inerente a nós, seres humanos, tentar encontrar sentido em tudo o que nos acontece. Dessa forma, ficamos mais vulneráveis aos efeitos do vieses de confirmação e de retrospectiva que introduzi no final do tópico anterior.

Mercúrio Retrógrado no viés de confirmação
Foto: Reprodução

Enquanto o viés de confirmação explica a nossa tendência em aceitar informações e características que combinem com o que sabemos ou acreditamos, ignorando as demais; isto é, a nossa mente está disposta a enxergar apenas aquilo que faz sentido para as nossas crenças.

viés de retrospectiva, por sua vez, explica a tendência que o indivíduo tem de lembrar-se dos acertos e esquecer-se dos erros: isto é, é mais fácil se lembrar de uma previsão que se concretizou do que daquelas que deram errado. Você, por exemplo, se lembra daquela previsão de uma semana maravilhosa ou daquele aumento de salário que você iria ter e não teve? Talvez não porque não se concretizou e você, subconscientemente ou não, ignorou.

Mas não se preocupe, meu amigo, com os horrores que eu te digo

Quem entende de signos alega que eu sou um cara chato, arrogante, briguento, difícil de lidar e tudo de ruim; mas ignora os aspectos positivos que, provavelmente, eu deva ter. Dizem que o lado bom dos arianos, por exemplo, consiste no fato de serem pessoas honestas, leais e que odeiam violações a esses dois valores.

E de fato eu me considero assim, mas não porque sou ariano; e sim porque eu acho que as pessoas deveriam ser assim, não faltando com a verdade para com as outras pessoas, ainda mais quando as mentiras são capazes de causar danos (quase) irreparáveis aos indivíduos que são expostos a elas. E não falo isso com aquela ideia de fazer o bem para conseguir algum prêmio ou ganhar uma vaga no céu.

Yeah Science, Bitch | Mercúrio retrógrado
Foto: Reprodução/Know Your Meme

Para mim, ser honesto não é ser besta, como muitos pensam. Ser honesto, de acordo com os parâmetros para se viver bem em sociedade, é uma atitude inteligente; não se trata de se sentir especial por agir como a “alma mais honesta do mundo”. Todos nós temos o nosso lado ruim e oculto; é fato que eu também sei ser ruim, mas por que eu seria? Apenas para suprir os meus desejos de vingança?

A questão é que alguns adeptos da astrologia se parecem com alguns evangélicos lendo a Bíblia e seguindo apenas o que interessa a eles. Obviamente, não acredito em qualquer estereótipo atribuídos a mim, mas confesso ser difícil lidar com a ideia de que alguém, sem nunca ter trocado qualquer ideia comigo, define que sou de tal jeito porque sou do signo de Áries. O mais contraditório nisso tudo, na minha visão, é que essas pessoas são as mesmas que dizem não se rotular ou ficar dentro de caixinhas. What about agir da maneira que o seu signo diz que você é, bitch?

Mercúrio retrógrado está para o entendedor de Astrologia tal como o torcedor mais fiel está para o seu time

Uma coisa é certa: existindo ou não, sendo verdade ou mentira, se você se relaciona com alguém que leva tudo isso a sério e acredita em mapas astrais a ponto de justificar os seus erros e acertos, pode ter certeza que tais convenções irão funcionar; subconscientemente ou não, esses indivíduos agirão de tal maneira que todas as características e ações esperadas para tais características irão se concretizar.

Um exemplo prático: namorar uma leonina e ter dois ex-amigos (isso existe?) leoninos me fez penar com manipulações, com o caráter orgulhoso daqueles que eram incapazes de reconhecer que estavam errados em alguma coisa. O plano de fundo para determinados comportamentos era nada mais e nada menos que a astrologia. Quando eu ficava puto por tamanha manipulação, adivinha o que acontecia? Eu tinha o meu repúdio deslegitimado porque nasci em Abril sob o signo de um carneiro. Depois que entraram em minha vida, muita coisa virou um inferno porque, vez ou outra, sempre estavam metendo signos em tudo.

Ao vivo é muito pior (ou melhor, dependendo do ponto de vista)

O último ano, ao contrário do que muitos pensam, não me tornou pessimista com a vida. Muito pelo contrário, aprendendo que a vida se vive aqui e que não é preciso haver qualquer sentido para ela, ficou mais fácil abstrair a ideia de que viver é, sim, esses altos e baixos; e eles não têm nada a ver com fatores metafísicos, ou com a infinitude do Universo querendo nos testar.

Hoje, como nunca, me tornei alguém mais pé no chão do que eu já era. Me sinto bem melhor assumindo a responsabilidade pelos meus atos sem buscar culpados para justificá-los; e sem usar qualquer muleta como desculpa para me isentar de minhas obrigações e dos meus BOs. De acordo com o psiquiatra e psicoterapeuta suíço, Carl Jung, “até você se tornar um indivíduo consciente, o inconsciente irá dirigir sua vida e você vai chamá-lo de destino”.

Coloquei-me em minhas próprias mãos e recuperei a minha saúde: a primeira condição de sucesso em tal objetivo é que, no fundo, o homem goze de suas plenas faculdades mentais. Uma natureza intrinsicamente mórbida não se tornará, jamais, saudável. É sob essa luz que, agora, avalio o longo período de infortúnios que suportei: redescobri a vida e a mim mesmo. Provei todas as coisas boas e, mesmo as ninharias, consideradas banais por aqueles que gozam de uma vida mais confortável, tornaram-se mais prazerosas. Eu fiz a minha filosofia.

Friedrich Nietzsche em Ecce Homo (1908)
Páginas 12 e 13

Muito dessa visão não me impede de enxergar e usufruir as pequenas alegrias da vida, todavia. Nunca me considerei tão bem quanto agora, e olhe que as mudanças mais extraordinárias não aconteceram na minha vida externa, apenas internamente. Confesso que Nietzsche e o Estoicismo têm um pouco de culpa nisso. Enquanto um me fez quebrar toda a má consciência que certas doutrinas nos impõem quando queremos exercer nossas vontades, o outro me fez me prender às coisas sobre as quais eu tenho algum poder de mudança.

Depois de tudo isso, só quero deixar reforçar a ideia de que não sou contra a astrologia como uma maneira individual de se conectar com o universo, alienígenas, Nirvana ou qualquer coisa assim. Cada um faz o que quer, com quem quer e do jeito que quer. Para mim, astrologia é como uma religião qualquer: se você está feliz individualmente e não a utiliza como bode expiatório para as suas atitudes, ótimo. Por mais que eu não concorde e tenha várias ressalvas a fazer, respeito plenamente o seu direito de crer no que ou em quem quiser e me abstenho de opinar.

Todavia, se alguém me pedisse para indicar alguma coisa alguma coisa, seria o episódio do “Explicando”, da Netflix, que fala sobre a astrologia e aponta os estudos que explicam o porquê de os astros não interferirem no comportamento das pessoas. O episódio tem menos de trinta minutos e não utiliza jargões científicos e arrogantes para passar a mensagem e ajudar a esclarecer alguns pontos importantes sem comprar briga com adeptos do João Bidu, do Personare ou da Capricho.

É provável que os resultados das sensações religiosas, morais e estéticas pertençam apenas à superfície das coisas, enquanto o indivíduo gosta de acreditar que, por meio dessas sensações, ele está pelo menos em contato com a essência do mundo. A astrologia acredita que o céu estrelado gira em torno do destino de cada indivíduo; e o sujeito moral supõe que os anseios de seu coração devem constituir, também, a essência e o coração de todas as coisas.
A razão pela qual ele se ilude é que tais sensações produzem, nele, uma profunda felicidade e infelicidade; e, portanto, ele sente o mesmo orgulho com a astrologia.

Friederich Nietzsche
Human, All to Human
Capítulo 1.4

Foto: JavierPardina / Adobe Stock

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Sobre Gustavo Guedes, colunista do Por Dentro do RN

Gustavo Guedes escreve texto sobre o Universo Genial

Gustavo Guedes tem 29 anos, é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Escreve quando quer, o que quer e do jeito que bem entende. Mas se interessa pela área musical, Astronomia, serpentes e tem uma simpatia por aviões; e tudo mais que o ajude a sair do tédio. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.
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Thiago Martins

Bandeira vermelha: segundo bolsonaristas, Dilma é a culpada pelo aumento na taxa extra da conta de luz

Na coluna de Thiago Martins: Dilma Rousseff é a culpada pelo aumento na bandeira vermelha, que entra hoje em vigor no Brasil, de acordo com bolsonaristas.

Mesmo não sendo mais presidente do Brasil, Dilma Rousseff é a culpada pelo aumento na bandeira vermelha da conta de luz, aprovado recentemente e que já entra em vigor hoje. “Escolhas erradas” da época em que ela presidia o país fazem com que tenhamos que pagar os altos valores da energia hoje, justificam blogueiros governistas, em repetidas matérias nas quais tentam livrar a imagem do governo Bolsonaro da culpa pelo aumento.

Aliás

A narrativa é quase a mesma quando o assunto é o absurdo e exorbitante preço dos combustíveis. Neste caso, a culpa recai sobre os governadores e os impostos estaduais.

É fato

Ninguém gosta de pagar impostos, e há uma alta carga. Mas a ridícula política de preços associada ao dólar não tem qualquer cabimento. Em Natal, o litro da gasolina custa R$ 6,29.

De toda forma

Retirando todos os impostos (inclusive os estaduais), a política de preços tende a deixar os combustíveis caros. Mas a culpa não é do presidente, ‘taoquei’?!

Orar é essencial em Mossoró…

Li no bem informado Blog do amigo Saulo Valle, de Mossoró, que a Câmara Municipal da capital do oeste aprovou, na terça-feira (29), o Projeto de Lei 54/2021, de autoria do vereador Lamarque Oliveira (PSC), que estabelece igrejas, templos e cultos de qualquer denominação religiosa como atividade de caráter essencial em períodos de calamidade pública na cidade.

… E também em Natal

Tivemos lei semelhante em Natal, apresentada logo no início da atual legislatura, pela vereadora Camila Araújo (PSD), nome que tem se destacado entre os parlamentares da capital. A matéria foi aprovada no dia 25 de fevereiro.

… Na verdade, em todo RN

O estado também tem lei que considera as igrejas como atividade essencial, devendo os templos permanecerem abertos. Coube ao deputado Albert Dickson apresentar o projeto, também aprovado e já sancionado, até mesmo com direto a outdoor. Não são só seus vídeos indicando remédios sem comprovação contra Covid-19 que o marido da deputada federal Carla Dickson divulga! Que bom!

No aquecimento

Quem começa a se destacar, especialmente pelas críticas feitas ao Governo do Estado, é o prefeito de Ceará-Mirim, Júlio César (PSD). O gestor tem feito uma administração excelente no município, e é também o primeiro vice-presidente da FEMURN. Eleito inicialmente para um mandato “tampão” de um ano, em dezembro de 2019, Júlio não pretendia nem mesmo ir para a reeleição, em novembro de 2020. Mas, a boa administração lhe rendeu tanta aceitação, que foi reeleito com 81,40% no ano passado.

Por que não?

Para quem não pretendia nem ser candidato a reeleição, Júlio tem conquistado grandes feitos – com o mérito de sua boa administração, que fique registrado – e muita articulação política, como na ocasião em que fez questão de ser 1º vice-presidente da FEMURN, ou inviabilizaria a chapa. Por que, então, não concorrer ao governo no próximo ano? Terá o recall de uma boa administração, de ter sido gestor de uma cidade grande, e a vaga que o grupo opositor a Fátima tanto precisa, mas que está difícil de decolar.

Até lá…

O grupo de oposição ao governo estadual segue tampando o sol com a peneira na definição do nome. A determinação da vez é afirmar Rogério Marinho como candidato a governo, defesa que tem sido feita pelo prefeito de Natal, Álvaro Dias (PSDB), como na entrevista de ontem a rádio 97 FM, quando considerou que foi tirado do contexto na possibilidade de apoiar Fátima (PT), declaração dada ao programa “12 em Ponto 98”, da rádio 98 FM.

Foto: Isac Nóbrega/PR

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Álvaro e Fátima Igreja

Milagre de São Pedro? Fátima e Álvaro unidos pelo santo

Tinha que ser São Pedro, o pescador de almas, para unir a governadora Fátima Bezerra (PT) e o prefeito de Natal Álvaro Dias (PSDB). Eles estiveram juntos na noite da terça-feira (29), durante a missa de encerramento das comemorações do santo, no bairro do Alecrim, em Natal, celebrada pelo arcebispo Dom Jaime Vieira Rocha. Presença também do secretário de assistência social de Natal e filho do prefeito Álvaro, Adjuto Dias, e do vereador de Natal Hermes Câmara (PTB). Mas a política não entrou em pauta por lá, somente a devoção ao santo e a celebração de uma das paróquias mais tradicionais de Natal.

Nada é por acaso
O encontro ocorreu justamente quando aumentam os burburinhos a respeito do possível apoio de Álvaro a Fátima nas eleições do próximo ano. Independente do apoio do prefeito a Fátima ou não, Álvaro tem diminuído os ataques a governadora e a gestão estadual, e nas últimas semanas tem se dedicado muito mais a exaltar obras e ações da prefeitura.

Vai apoiar!
Nessa terça-feira (29), em entrevista ao programa “12 em Ponto 98”, da rádio 98 FM, Álvaro disse que, apesar de divergências recentes com a governadora, ele tem “boa relação” com Fátima e que “não há obstáculo intransponível” para que os dois estejam no mesmo projeto político nas eleições do ano que vem.

Não vai apoiar!
Já ao Blog de Thaísa Galvão após a repercussão da entrevista, Álvaro disse que seu candidato a governador do RN é Rogério Marinho (atual ministro de Bolsonaro), justificando que Marinho tem viabilizado obras no Rio Grande do Norte, como a conclusão da barragem Oiticica.

Talvez apoie!
Um observador da política local afirma que é real a possibilidade do apoio de Álvaro a Fátima, independente Rogério Marinho. Principalmente porque o Ministro disputa, na verdade, o cargo de Senador, inclusive, concorrendo pela mesma chapa com Fábio Faria – eles ainda não definiriam qual dos dois será o candidato. Há uma imensa dificuldade do grupo bolsonarista na definição de um nome para concorrer ao Governo do Estado.

É provável que apoie!
Nessa equação política, é preciso observar, principalmente, a candidatura de Adjuto Dias a deputado estadual. Adjuto concorreu pelo MDB em 2018, mesmo partido em que seu pai, Álvaro, estava filiado, ficando na primeira suplência. Ainda não se sabe se o atual secretário de assistência social de Natal fica no MDB ou muda de legenda. Caso permaneça, vale considerar que o MDB caminha para o apoio a Fátima, através da articulação do deputado federal Walter Alves.

E por que isso deve ser levado em consideração?
O MDB hoje está dividido em relação ao apoio a Fátima na Assembleia Legislativa. O partido tem dois deputados: Nelter Queiroz e Dr. Bernardo. Nelter é considerado “independente” – apesar de ter assinado a CPI da pandemia estadual – e Dr. Bernardo apoia a governadora. A questão é que ambos têm uma significativa estrutura, e é provável que sejam reeleitos sem grandes dificuldades. Já Adjuto está chegando agora, tentando ser eleito. Percorrer o estado carregando a bandeira de Bolsonaro – ou, na melhor das hipóteses, ser associado a ele – vai ser algo complicado, por mais que tenha um número bom de votos em Natal, onde há um público mais conservador e, tecnicamente, mais opositor a Fátima.

Não vai ser milagre
Se o apoio de Álvaro a Fátima se concretizar, não será nenhum milagre de São Pedro. Ao contrário: será muita estratégia política. Já correm as apostas que a vaga a candidato ao senado pelo grupo bolsonarista será de Rogério Marinho. O grupo de Fábio Faria vai viabilizar a eleição do ex-governador Robinson Faria a deputado federal.

Uma chapa “Robinson deputado federal + Fábio Faria senador” é pesada de tal modo que afunda profundamente já na saída. Já Rogério, verdade seja dita, tem obras e ações para mostrar pelo Estado. Isso reforça a dificuldade de um nome ao governo pelo grupo de Bolsonaro no RN, confirmando, portanto, que “não há obstáculo intransponível” para que o prefeito e a governadora possam se aliar no próximo ano.

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Sobre Thiago Martins, colunista do Por Dentro do RN

Thiago Martins fala sobre Álvaro

Thiago Martins tem 28 anos, é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), atuante do jornalismo político no Estado. Apesar de sua maior dedicação ser na área de Assessoria de Comunicação, observa e acompanha as principais ações políticas do Rio Grande do Norte, do Brasil, e do mundo, e escreve nesta coluna a respeito do tema.

É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

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Carla Dickson

Menos uma: Carla Dickson descarta candidatura ao Governo

A deputada federal Carla Dickson, do PROS, descartou sua candidatura ao pleito de 2022, no qual enfrentaria a governadora Fátima Bezerra. Com isso, está realmente difícil para a oposição achar um nome que queira ir para a disputa com a atual governadora do Rio Grande do Norte. Ela foi lembrada pelo grupo bolsonarista, que compõe a oposição a Fátima nas últimas semanas, mas segundo o Blog do Túlio Lemos, a esposa do deputado estadual Albert Dickson (PROS) descartou a possibilidade.

“Meu objetivo é a reeleição de Federal. Não tenho esses planos de candidatura ao Governo agora não. Agradeço a lembrança ao meu nome, mas agora não tenho esse projeto”, disse Carla Dickson ao blog de Túlio Lemos. A deputada federal teve mais de 60 mil votos em sua primeira candidatura ao Congresso em 2018. Ela ficou na primeira suplência e assumiu o mandato com a posse de Fábio Faria no Ministério das Comunicações.

Carla Dickson e Albert Dickson são do segmento evangélico. Atualmente, ela tem se destacado na busca de recursos para o Estado e no apoio a demandas de prefeitos. Anteriormente, era vereadora em Natal. Mulher, evangélica e médica, foi uma boa possibilidade para o embate com Fátima, dentro do grupo do presidente Jair Bolsonaro no Rio Grande do Norte, comandado pelos ministros Fábio Faria e Rogério Marinho. Ambos querem disputar o Senado e procuram um nome para o Governo. Fábio e Rogério, porém, ainda não se decidiram sobre qual dos dois será o candidato.

Certíssima

Carla já se destacou desde a eleição passada, quando era vereadora em Natal e ficou na primeira suplência da coligação para federal. Ela superou o aliado Rogério Marinho, que ficou na segunda suplência (com 59 mil votos). E apesar do pouco tempo em que faz parte da bancada federal, já se destaca muito mais na união com prefeitos, vereadores e lideranças (principalmente do interior) do que outros bolsonaristas, como General Girão (PSL) e Benes Leocádio (Republicanos). Ela está certíssima!

Casos de família

Importante destacar que Carla tem uma estrutura e tanto, com seu marido, Albert, deputado estadual, e sua cunhada, Margart Régia, vereadora de Natal.

Meta

Daniel Menezes, do blog “O Potiguar”, destacou em seu blog que parece ser uma meta da oposição lançar um candidato por semana ao governo. Aparentemente, isso está deixando de ser uma ironia e se tornando realidade.

Um porre de cachaça

Isso porque não foi considerado o super articulador Fábio Dantas, o homem crítico das próprias obras – como a da reforma do papódromo, iniciada sob sua gestão (quando era vice de Robinson e estava filiado ao PCdoB), e feita com recursos do Banco Mundial – que também foi ventilado como candidato. Hoje responsável por uma cachaçaria em São José de Mipibu, sua base eleitoral, talvez seja necessário um porre de cachaça muito grande no povo potiguar para esse voto.

Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Sobre Thiago Martins, colunista do Por Dentro do RN

Thiago Martins tem 28 anos, é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), atuante do jornalismo político no Estado. Apesar de sua maior dedicação ser na área de Assessoria de Comunicação, observa e acompanha as principais ações políticas do Rio Grande do Norte, do Brasil, e do mundo, e escreve nesta coluna a respeito do tema. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

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Universo Genial 175 mil

Universo Genial: como um estudante de Física criou, por meio do humor, uma das maiores páginas sobre divulgação astronômica do Instagram

Conheça Jeferson Stefanelli, que criou o Universo Genial para aproximar a Astronomia do público leigo por meio do humor no Instagram.

Por Gustavo Guedes, para o Por Dentro do RN

Dando continuidade ao projeto de escrever sobre páginas e canais que tratem da divulgação científica na Internet, me entrei em contato com Jeferson por e-mail e quis saber um pouco mais sobre o seu trabalho, suas aspirações profissionais e as motivações que o levaram a criar um dos perfis que eu mais gosto (e acho engraçadas) no Instagram.

O Universo Genial entrou na minha vida quando um conhecido compartilhou uma foto da suporta descoberta da tão falada fosfina no planeta Vênus. Na época, chegaram a dizer que isso seria um indício de vida. Tempos depois, porém, revisaram o estudo e perceberam que a substância nem era tão abundante assim na atmosfera do planeta.

Fundador do Universo Genial no Instagram e Facebook
Foto: cedida pelo entrevistado

Quem é Jeferson Stefanelli?

Imagine o que é ser um estudante de exatas que conseguiu o feito de ter 175 mil seguidores no Instagram. Esse é o caso de Jeferson Stefanelli, dono da Universo Genial, página humorística que procura simplificar a Astronomia para o público geral. Nascido no município paulista de São Bernardo do Campo, casado com Vânia e pai da estudante de Psicologia Letícia, Jeferson é um jovem de 43 anos, apaixonado por Astronomia e um fã inveterado de Carl Sagan, um dos cientistas mais importantes do século XX.

“Sempre fui um apaixonado pela Astronomia desde os meus 9 anos, quando li o grande livro Cosmos, de Sagan”, diz Jeferson, que revela que essa foi a inspiração dele para, ainda em 2014, criar a página do Universo Genial no Facebook, que conta hoje com quase 40 mil curtidas.

Como aconteceu a migração do Universo Genial para o Instagram?

Há três anos, após o Facebook começar a perder o protagonismo que já teve outrora, Jeferson resolveu migrar a página para o Instagram, plataforma que mais cresceu nos últimos anos. Para Jeferson, o cabeça por trás dos posts humorísticos no Universo Genial, a motivação para a criação da página veio pela sua paixão pela Astrofísica, que estuda há doze anos e o fez entrar em licenciatura em Física.

E foi no Instagram que Jeferson conseguiu a visibilidade que poucos têm atualmente, ainda mais quando se trata de um assunto maltratado pelos “jovens místicos” de hoje em dia: a Astronomia. Com posts engraçados, o Universo Genial me arranca boas gargalhadas e, ao mesmo tempo, me despertam a curiosidade para explorar mais sobre o tema.

E não é porque são engraçados que não têm papel didático. Muito pelo contrário: durante as lives que realiza com certa frequência, no contato direto com seus seguidores, Jeferson ajuda a simplificar a Astronomia de uma maneira de dar inveja a qualquer professor que se proponha a tarefa.

Stefanelli é um fã incondicional da Ciência, uma de suas maiores, se não a maior, paixão.

Stefanelli, que ainda não é formado, sempre deixa isso claro em seus vídeos. Além disso, segundo suas próprias palavras e independentemente do cargo profissional que ele exerça enquanto pessoa , o Universo Genial tem a função de “compartilhar os assuntos mais complexos da Astronomia de uma forma mais simples”.

Como seguidor e entusiasta da Astronomia, posso dizer que o futuro Físico (ou professor de Física?) vem fazendo esse trabalho muito bem. Jeferson é mais um dos divulgadores científicos da Internet que adotam o “humor ácido para combater as pseudociências que infestam o Brasil atualmente”. E é isso o que importa: combater charlatões e pseudociências.

Sobre as pseudociências e a divulgação científica no Brasil

Quando o assunto são as pseudociências, o fundador do Universo Genial é categórico. Sem titubear, as pessoas acreditam em pseudociências porque “não precisam pensar”. Basta perceber o número de pessoas que se deixam levar por promessas absurdas e soluções “quânticas” para problemas ordinários que fica fácil concordar com Jeferson.

Na minha opinião, o termo “quântico” é o novo “gourmet: um termo que tem um sentido totalmente diferente daquele que foi apropriado e adotado por charlatões para ganhar dinheiro dos indivíduos mais incautos, para não dizer burros. Mas é como diz o velho provérbio popular: todos os dias saem de casa um malandro e um besta. Quando os dois se encontram, alguém faz negócio.

De acordo com Jeferson, a sociedade e a mídia, atualmente, “se aproveitam desses temas e do sensacionalismo porque é mais rentável” e o estudo demanda “anos e anos de estudos, de experimentação”. A Ciência, por sua vez, se atém aos fatos e ao Método Científico; e isso faz com que não “haja espaço para achismos”.

E você, caro leitor, qual o seu papel nisso tudo?

Sobre o ensino das Ciências nas escolas, administrador do Universo Genial diz que é preciso mudar o modo de se ensinar Ciência na escola

Conforme eu disse no texto anterior, eu era um desastre na escola quando o assunto era relacionado às Ciências Exatas; um verdadeiro desastre. Certamente, não isento a minha parcela de responsabilidade na minha trágica trajetória pelos cálculos, porém, de acordo com o próprio Jeferson, é preciso que haja “uma mudança geral da grade curricular nas escolas”; e acabar com a ideia de que “o conhecimento de alguém é baseado em responder perguntas automaticamente”.

“O conhecimento tem quer adquirido com vontade, com prazer, não como obrigação”, diz Stefanelli; e deixa claro que, obviamente, as técnicas existem e devem ser utilizadas, de maneira que fique mais fácil esquematizar o pensamento, porém, elas podem ser “simples, criativas e cativantes, não mecânicas”.

Stefanelli conta que as ideias para as publicações no Universo Genial vêm mais à noite e, às vezes, por meio dos próprios seguidores

Perguntei a Jefferson de onde vinham todas as ideias que eles tinham para as postagens que ele faz no perfil do Universo Genial no Instagram. Segundo ele, elas surgem mais no período noturno e, muitas vezes, são ideias dos próprios seguidores da página.

“Durmo com um bloco de notas ao lado da minha cama e vou anotando as ideias que aparecem durante a noite”, diz; e conclui dizendo que as inspirações também surgem nas lives que realiza com seus fiéis seguidores.

Relação entre trabalho e família: o velho embate entre Religião e Ciência

Jeferson é casado com Vânia Stefanelli. Juntos, tiveram uma filha chamada Letícia, que está no terceiro ano da Psicologia. Ao ser perguntado sobre o apoio que recebe da esposa, alega que Vânia sempre o apoiou em seus projetos pessoais e profissionais.

O problema “é que parte da família não compreende muito bem o trabalho que desenvolvo fazendo divulgação científica na Internet”, diz. Sei bem como é, Jeferson; imagine o que é dizer aos pais que decidiu estudar Jornalismo? Um curso para o qual nem exigem diploma hoje em dia. Mas o importante é fazer o que se gosta!

Letícia, filha de Jeferson, à esquerda; Jeferson Stefanelli ao centro
e Vânia, à direita
Foto: cedida pelo entrevistado

Por ter um posicionamento ácido e uma visão pouco ortodoxa em relação às religiões, já que é ateu, Jeferson diz que algumas pessoas da família não gostam muito do que ele faz. Sobre Vânia, todavia, Stefanelli não poupa palavras: “ela sabe dessa minha paixão em melhorar o conhecimento científico de quem tem interesse”, conclui.

Nas conversas com a esposa, Jeferson sempre diz não querer ser famoso, que a fama é passageira, mas que “quer ser lembrado por alguém quando falarem sobre Astronomia”, afirma.

Sobre realizações pessoais e profissionais com o perfil do Universo Genial

Perguntado sobre se a página no Instagram e Facebook já dão alguma espécie de retorno financeiro, Jeferson afirma que “bem pouco”, porém, a realização pessoal com o projeto é diametralmente oposta aos ganhos monetários.

Para ele, o Universo Genial é “um lazer, um hobby; é sempre um prazer falar sobre ciência com quem quer ouvir”, diz. Além disso, Stefanelli reconhece que o projeto no Instagram permitiu e permite o contato e o networking com grandes nomes da divulgação científica ao redor do mundo: “do Brasil à Italia, da Grécia aos Estados Unidos, do Chile até a Índia”, conclui.

No final da entrevista, pedi para Jeferson deixar uma mensagem para os leitores do Por Dentro do RN que o seguem no Instagram. Em nome da página do Universo Genial, Stefanelli disse que agradece a atenção e carinho de todos e deixou uma mensagem para os fãs: “a única coisa que nos diferencia das outras oito milhões de espécies catalogadas em nosso planetas é a racionalidade; então, vamos utilizá-la, questionando, pesquisando e, por fim, não acreditando em algo só porque alguém pediu para acreditar”.

Em nome do Por Dentro do RN, agradeço ao Jeferson pela atenção dispensada a mim, enquanto repórter, e reforço, enquanto entusiasta da Ciência, que sem ela e sem os divulgadores científicos que tentam simplificá-la para os leigos, a situação talvez estaria bem pior atualmente, em meio a tanto obscurantismo. No mais, que tal vocês acompanharem o Jeferson lá no Instagram?

Vamos desejar sucesso ao Jeferson e vida longa ao Universo Genial!

Sobre Gustavo Guedes, colunista do Por Dentro do RN

Gustavo Guedes escreve texto sobre o Universo Genial

Gustavo Guedes tem 29 anos, é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Escreve quando quer, o que quer e do jeito que bem entende. Mas se interessa por Música, Astronomia, Serpentes, Aviação e tudo mais que ajude a sair do tédio. Não acredita em signos e não tem muita paciência para quem baseia sua vida em Astrologia. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.
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Divulgadores Científicos do Brasil

Divulgadores científicos no YouTube e a guerra contra negacionistas e charlatões

Divulgadores científicos jovens e veteranos usam o YouTube como arma contra o negacionismo e querem aproximar o público da Ciência.


Por Gustavo Guedes, para o Por Dentro do RN

É fato que o negacionismo científico é um fenômeno recorrente em boa parte da existência humana. Não importa se ele ocorre por fatores religiosos, pela guerra política de versões sobre um mesmo fato, ou ainda pelo simples desconhecimento do método científico por parte de nós, brasileiros leigos; o tal do negacionismo sempre esteve ali, latente, à espera de alguém que o tirasse das sombras e o defendesse publicamente.

Mas o negócio parece que ficou feio de uns anos pra cá, principalmente: terraplanismo, movimento antivacina, ataques coordenados às instituições públicas de qualidade etc. Um dos resultados dos constantes ataques sofridos pela Ciência no Brasil é a saída de jovens cientistas para outros países onde possam ser valorizados de verdade. Além disso, tudo piora em meio ao mar de desinformação, às notícias sensacionalistas e ao negacionismo que tomam conta das redes sociais e dos aplicativos de mensagens.

Negacionista - Dicio, Dicionário Online de Português.

Na tentativa de combater esse tipo de comportamento, um grupo brasileiro de divulgadores científicos tomou para si a ingrata missão de aproximar a Ciência daqueles que nunca tiveram acesso a ela de maneira eficiente, maneira esta contrária ao comportamento arrogante de parte da Academia, que se isola em seu Olimpo intelectual; ou ainda à metodologia equivocada do ensino das Ciências que é aplicada até os dias de hoje, baseada no ensino mecânico e, muitas vezes descontextualizado, de postulados, fórmulas, cálculos e mais cálculos.

E é sobre esse grupo de divulgadores científicos no YouTube do qual irei falar neste texto.

O problema, para mim, sempre esteve na base

Particularmente, sempre fui um desastre na escola quando o assunto envolvia os temidos cálculos. Acreditem, eu era uma verdadeira lástima. Fico arrepiado só de me lembrar do período da escola, onde enquanto passava direto nas disciplinas da área de Humanas, sofria para aprender as “Quatro Leis da Termodinâmica” na Física ou as “Equações Logarítmicas” na Matemática; mas quem disse que eu aprendi?

Instituto Reis Magos, 2007.
Eu sempre gostei, digamos, de atividades mais dinâmicas.
Foto: Gustavo Guedes, Natal, ano de 2007

Embora não reclame da minha área profissional, é claro, a razão acima é uma que me fez escolher iniciar e seguir uma carreira no Jornalismo. Não que atualmente isso seja visto com glamour, é claro, em decorrência da quantidade de colegas apelando para a situação em que vivemos. Mas, como diria a mamãe, eu não sou todo mundo, né? Há bons e maus profissionais em todas as áreas.

Divulgadores científicos do YouTube simplificam a Ciência como estratégia para combater o negacionismo

Passado o trauma do período escolar, meu espírito curioso me fez dar outra chance à Ciência, agora sem a necessidade de fazer provas para passar de ano. Com o surgimento de canais sobre Ciência no YouTube brasileiro nos últimos anos, passei a acompanhar de perto o crescimento dos canais de divulgadores científicos na plataforma; e confesso que foi uma das melhores coisas que eu fiz na vida.

O interessante disso tudo é que se alguém me perguntasse algo sobre Astronomia ou Física dez anos atrás; ou sobre Genética, ou ainda sobre a composição da rarefeita atmosfera marciana, provavelmente, eu agiria um dos seres mais ignorantes na Terra para responder qualquer uma delas; e esse verbo “agir” aqui, conjugado no futuro do pretérito, é para demarcar que, hoje, eu já sou bem menos ignorante que dez anos atrás e não ajo mais dessa forma. Inclusive consigo conversar, minimamente, sobre esses temas; e sem aquela chatice acadêmica que 99% das pessoas não entendem.

Muito desse avanço, sem dúvidas, pode ser creditado aos divulgadores científicos que citarei logo abaixo; e os quais indico com toda a satisfação do mundo, aproveitando este espaço para, com minhas palavras, ajudar a despertar a curiosidade científica de quem me acompanha por aqui.

Conheça 7 divulgadores científicos para acompanhar no YouTube

1 – SPACE TODAY, com Sérgio Sacani

Sérgio Sacani
Foto: Reprodução/Space Today

Sérgio Sacani é um geofísico formado pela Universidade de São Paulo, que se tornou mestre em Ciências e Engenharia do Petróleo pela Universidade de Campinas e doutor em Geociências também pela Unicamp.

Olhando assim parece só mais um acadêmico dentre os vários que usam do seu cargo para destilar um certo ar de superioridade, mas é totalmente o contrário: de maneira simples e didática, Sacani sempre grava vídeos e realiza lives em seu canal no YouTube, o Space Today; no qual comenta sobre os principais acontecimentos da Astronomia no Brasil e no Mundo; desde que você não use espaço para comentários no YouTube para perguntar sobre Alcântara, é claro. Além disso, o produtor de conteúdo também realiza diversas lives observando o céu ou ainda transmitindo os lançamentos espaciais da Nasa e outras agências espaciais.

Brincadeiras à parte, o Space Today foi o primeiro canal de divulgação científica que ganhou a minha atenção e minha inscrição no YouTube. Foi lá que eu aprendi que não é apenas o planeta Saturno que possui anéis, Urano também possui um sistema de anéis e vários outros planetas também possuem essa característica. Além disso, o produtor de conteúdo também possui um site onde fala sobre Astronomia e uma loja online onde vende artigos com a mesma temática.

Conhecer o canal do Serjão foi a porta de entrada para começar a seguir vários outros divulgadores científicos no YouTube e nas redes sociais.

2 – CANAL DO SCHWARZA, com Schwarza

Divulgadores científicos do YouTube - Schwarza
Foto: Reprodução/Twitter

“Scalobaloba! Olá, pessoas, eu sou o Schwarza. Quem acompanha o Schwarza no YouTube já tem essa saudação decorada de cor.

Dono do Canal do Schwarza, o divulgador científico Júnior Silva, ou Schwarza como todos conhecemos, estudou um curso integrado de Astronomia na Escola Municipal de Astronomia e Astrofísica (EMA) e é associado da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB).

Schwarza começou com o canal Poligonautas, ainda em 2011, e falava basicamente sobre jogos. O giro para a Astronomia ocorreu quando o divulgador científico fez um vídeo falando sobre algumas curiosidades sobre o Sol, que foi um sucesso.

O que eu gosto no Canal do Schwarza é o jeito simples e direto de falar sobre temas que, nem sempre, são tão simples; mas ele consegue fazer esse feito com maestria, e ainda me desperta a curiosidade para pesquisar mais sobre determinado tema. Um dos meus vídeos favoritos do canal é o que trata sobre como alguns fungos encontrados na usina nuclear de Chernobyl podem ajudar futuras missões tripuladas até o planeta Marte. Por que eu não aprendi algo assim na escola?

Divulgadores científicos do YouTube - Schwarza e seus gatos
Foto: Reprodução/YouTube

Além disso, que tipo de professor dá aulas com a participação de seus dois gatos? Também por isso o Canal do Schwarza está nessa lista aqui.

3 – CAFÉ E CIÊNCIA, com Felipe Hime

Divulgadores científicos do YouTube - Felipe Hime
Foto: Reprodução/Facebook

O canal Café e Ciência entra nessa lista porque o Felipe Hime é dos meus, alguém que não tem paciência para “goiabões”, apelido carinhoso que ele atribui aos conspiracionistas que adoram acreditar e repercutir teorias mirabolantes que se encaixem em seus delírios mentais. Em março de 2021, o divulgador científico carioca divulgou em seu Twitter que iria se inscrever para ir para a Lua com a Space X, do bilionário Elon Musk; e gravou um vídeo no qual explica o porquê de querer participar da missão, programada para 2024.

Hime, que estuda Astronomia no Observatório do Valongo, da UFRJ, além de produzir conteúdo de qualidade na divulgação científica, se diferencia dos demais no quesito de provocar o caos e tirar onda da cara de quem, por pura maldade, vive de propagar desinformação na Internet.

Meus vídeos favoritos são aqueles em que ele comenta sobre vários artigos científicos publicados, muitas vezes ao vivo, a fim de evitar o sensacionalismo e desfazer equívocos da imprensa acerca de algum tema que esteja em evidência. Além de transmitir os lançamentos que ocorrem ao redor do mundo.

4 – CIÊNCIA TODO DIA, com Pedro Loos

Divulgadores científicos do YouTube - Pedro Loos
Foto: Reprodução/YouTube

O Ciência Todo Dia é apresentado por Pedro Loos, um bacharel em Física da Universidade Federal de Santa Catarina que dá verdadeiras aulas sobre Ciência e Física no YouTube, de uma maneira que, particularmente, eu nunca vi em outro lugar; muito menos quando eu estudava.

Com mais de dois milhões de inscritos, o Ciência Todo Dia é um dos que mais abriram minha mente para a Física e o principal responsável por me fez perder o trauma do Ensino Médio, época em que eu passava maus bocados para passar de ano e falhei miseravelmente algumas vezes. Mas sobre isso a gente fala depois, ok?

Meus vídeos favoritos do canal vêm da série sobre Física Básica disponibilizada por Loos, que explica os principais conceitos da Física para leigos, como este que vos escreve.

5 – FÍSICA E AFINS, com Bibi Bailas

Divulgadores científicos do YouTube - Bibi Bailas
Foto: Reprodução/Twitter

Eu conheci o canal da PhD em Física Teórica de Partículas, Gabriela Padilha Bailas, por acaso. Estava passeando por algumas postagens da página “Dicas Anticoach”, no Instagram, e dei de cara com uma live dela com os administradores da página.

A “Dicas Anticoach” expõe e denuncia alguns charlatões que se apropriam de termos da Física e apelam para pseudociências com o intuito de enganarem os incautos da Internet. Por essa razão, costuma sofrer vandalismo pelos charlatões, que vez ou outra ameaçam a turma de processo.

“Kore kore! Bem-vindos a mais um vídeo aqui no Física e Afins. E foi assim que Bibi Bailas, como gosta de ser chamada, conquistou a minha inscrição e os meus likes em seu canal.

A divulgadora científica, que mora no Japão e trabalha na Universidade de Tsukuba, na província de Ibaraki, merece uma vaga nessa minha lista devido ao seu trabalho para desmascarar, com a autoridade de quem entende do assunto, a maioria dos golpistas que se utilizam das crenças metafísicas alheias para ganhar dinheiro.

Dentre os meus vídeos favoritos, eu destaco aqueles em que ela procura combater pseudociências que adoram enfiar o nome “quântico” em tudo: Reprogramação Quântica de DNA, Reiki Quântico, Lei da Atração e outras coisas que, na minha visão, não passam de baboseiras.

É um ótimo canal para você que, assim como eu, não acredita em nada disso e só busca explicações técnicas de alguém que, de fato, sabe do que está falando e transmite credibilidade no que se propõe a fazer.

O Nordeste também conta com representantes na lista de divulgadores científicos brasileiros no YouTube

Para os conterrâneos que estavam se preparando para me xingar por ter “esquecido” canais nordestinos de divulgação científica, não me esqueci de nada, cambada de apressados!

6 – PONTO EM COMUM, com Davi Calazans

Divulgadores científicos do YouTube - Davi Calazans
Foto: Reprodução/Instagram

Cearense de Fortaleza, Davi Calazans e é dono do maior canal de divulgação científica do Nordeste, o Ponto em Comum.  Biólogo de formação, pela Universidade Federal do Ceará, é também membro fundador do Science Vlogs Brasil, “o selo que atesta a qualidade da divulgação científica”, de acordo com o perfil deles no Twitter.

Além do fato de ser nordestino, o que por si só já o faz ter um espaço garantido por aqui, os vídeos publicados por Davi me chamam atenção por causa dos títulos chamativos, que despertam a minha curiosidade assim que recebo as notificações do canal no meu celular. Há momentos em que eu me pergunto: como é que eu não pensei nisso antes?

Você sabe por que abacates não deveriam existir ou por que os gatos são líquidos? E sobre a razão pela qual um tom de azul bebê fez com que o QI de crianças diminuísse, você sabe? Bom, eu não posso explicar por aqui, mas você pode aprender no Ponto em Comum.

7 – MISTÉRIOS DO ESPAÇO, com Alexsandro Mota

Divulgadores científicos do YouTube - Alexandro Mota
Foto: Reprodução/Twitter

Por fim, mas não menos importante, indico o canal Mistérios do Espaço. Alexsandro Mota é de Conceição do Coité, no interior da Bahia, e talvez seja o mais novo dessa lista.

Estudante de Comunicação Social na Universidade do Estado da Bahia, Alexsandro é divulgador científico faz seis anos e, como gosta de dizer, criou o canal com o objetivo de tornar a Astronomia mais popular entre o público leigo.

No blog que mantém com o mesmo nome, está constantemente traduzindo, escrevendo e adaptando matérias com abordagem didática.

Conheci o Mistérios do Espaço em 2021, ao assistir a um vídeo no qual Alexandro manda um balão estratosférico com uma câmera acoplada na atmosfera superior da Terra, a mais de 40km de altitude.

Além disso, o divulgador científico baiano ainda grava lives apontando o telescópio para a Lua, além de realizar astrofotografia em seu perfil no Instagram.

Sobre Gustavo Guedes, colunista do Por Dentro do RN

Gustavo Guedes escreve texto sobre o Universo Genial

Gustavo Guedes tem 29 anos, é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Escreve quando quer, o que quer e do jeito que bem entende. Mas se interessa por MúsicaAstronomiaSerpentesAviação e tudo mais que ajude a sair do tédio. Não acredita em signos e não tem muita paciência para quem baseia sua vida em Astrologia. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.
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O Cangaço na Literatura

‘O Cangaço na Literatura’ tem conteúdo rico sobre o cangaço no Brasil

Sergipano Robério Santos é a cabeça por trás d’O Cangaço na Literatura’ e tem três livros publicados sobre a vida dos cangaceiros

Texto por Gustavo Guedes, para o site Por Dentro do RN

Se houver apenas cinco brasileiros que entendam sobre o período do cangaço no Brasil, o professor e escritor sergipano, Robério Santos, é uma delas com certeza. Dono de um canal com quase 260 mil inscritos e com mais de 40 milhões de visualizações, Robério discorre sobre os anos de pólvora e sangue nos rincões do sertão nordestino. O leitor incauto e desatento pode se perguntar: o que faz um tema tão antigo e datado chamar tanta atenção assim?

A resposta, embora simples, não é tão óbvia assim: talvez pelo fato de ter sido professor antes de se tornar escritor e criador de conteúdo para o YouTube.

De um jeito simples e muitas vezes descontraído, Robério se distancia da didática carrancuda e entediante que ainda predomina em grande parte das aulas de História nas escolas brasileiras e consegue atrair uma audiência assídua, para a qual pode explicar sobre os principais acontecimentos, curiosidades e personalidades do período.

Ainda que de maneira leve e informal, mas embasada nas dezenas de livros que servem de base para o seu trabalho, Robério faz questão de mostrar, em cada vídeo, as referências literárias das quais extrai a maioria das informações que transmite para o seu público.

Não importam se são volantes, cangaceiros ou testemunhas vivas dos períodos sombrios que assolaram o Nordeste nos anos 30, o escritor sempre tem alguma história para contar e sempre busca levar em consideração as diversas abordagens sobre o mesmo fato, não deixando que suas visões pessoais atropelem os acontecimentos.

Ora, nada mais justo que deixar as conclusões para o público que assiste aos vídeos e tiram um tempo para acompanhá-los, não é mesmo?

N’O Cangaço na Literatura, as histórias são contadas nos locais onde os fatos ocorreram

Ir até os locais onde os fatos ocorreram é o diferencial do canal ‘O Cangaço na Literatura’. Além de professor, escritor e criador de conteúdo, Robério ainda é o que costumo chamar de andarilho; não no sentido de nômade, mas de alguém que se embrenha pelo sertão percorrendo as trilhas abertas pelos cangaceiros e pelas volantes muitas décadas atrás.

Nininho e Robério, de O Cangaço na Literatura
Foto: Reprodução/Instagram

Sempre acompanhado de seu inseparável companheiro e cinegrafista Nininho, que também mora em Itabaiana, no interior de Sergipe, os inscritos podem ver as paisagens das histórias alternando entre os mandacarus, os xiquexiques, os vilarejos e as cidades visitadas e invadidas por Lampião e seu bando.

Entre os locais visitados, me veio à mente o local onde descansam os restos mortais do cangaceiro Jararaca, em Mossoró. O pernambucano de Buíque, José Leite de Santana, mais conhecido como Jararaca, tombou na cidade potiguar após ser preso pela tentativa frustrada de invasão à cidade. O cangaceiro foi morto após quatro dias detido na cidade do Rio Grande do Norte, e enterrado no cemitério Cemitério São Sebastião, em Mossoró.

Mas as aventuras não param por aí. Um dos meus vídeos favoritos (pode ser assistido acima) é o de quando Nininho e Robério fizeram uma visita noturna à Fazenda Patos, no município de Piranhas, nas Alagoas. No local, o bando do cangaceiro Corisco assassinou o proprietário da fazenda e mais cinco pessoas .

O vídeo, que foi gravado em 2018, voltou à tona em 2021 após os inscritos perceberem uma espécie de vulto branco nas imagens. Na ocasião, sem saber a razão naquele momento, Robério e Nininho correm assustados das ruínas da sede da antiga fazenda.

Focando na abordagem sobrenatural, Robério pega a estrada com o canal ‘Caça-Fantasmas Brasil’

Após os inscritos perceberem figuras estranhas nos vídeos de Robério, o canal iniciou uma expedição conjunta com os fundadores do canal Caça-Fantasmas Brasil, Rosa Maria e João Tocchetto, que procuram explicar fenômenos sobrenaturais também no YouTube.

A expedição começou a ser gravada na cidade de Itabaiana, em Sergipe, onde Robério nasceu e cresceu; e será transmitida nos canais oficiais d’O Cangaço na Literatura e do Caça-Fantasmas Brasil.

Após anos estudando sobre o Cangaço, Robério é autor de três livros sobre o tema

Robério Santos ainda é autor de três livros com a temática do cangaço, sendo eles: ‘As quatro vidas de Volta Seca’, que conta a história do cangaceiro Volta Seca; ‘Zé Baiano’, que conta sobre a vida do também cangaceiro Zé Baiano, conhecido, dentre outras coisas, por ferrar (feito gado!) suas vítimas, principalmente as mulheres, no rosto, nas nádegas e nas partes íntimas.

Por fim, lançado em 2021, o livro ‘Marca’ fala sobre, de acordo com o próprio autor, “do sertão profundo e seus perigos pela ótica de Marca, filha da aristocracia rural que se rebela contra os maus tratos e segue em busca do Padre Cícero para tentar entender os motivos de sua existência“.

O canal ‘O Cangaço na Literatura’ é indicadíssimo para quem, assim como eu, gosta de estudar História de uma maneira dinâmica e divertida. Nota 10!

Sobre Gustavo Guedes, colunista do Por Dentro do RN

Gustavo Guedes escreve texto sobre o Universo Genial

Gustavo Guedes tem 29 anos, é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Escreve quando quer, o que quer e do jeito que bem entende. Mas se interessa por MúsicaAstronomiaSerpentesAviação e tudo mais que ajude a sair do tédio. Não acredita em signos e não tem muita paciência para quem baseia sua vida em Astrologia. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.
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