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São Paulo do Potengi cancelamento do Carnaval de rua só atinge o pobre, por Glaucione Farias e Silvério Alves

São Paulo do Potengi: cancelamento do Carnaval de rua só atinge o pobre, por Glaucione Farias e Silvério Alves

Por Glaucione Farias e Silvério Alves
Para o Por Dentro do RN

Sabemos dos males da covid-19 e sempre defendemos a vacinação e as medidas de prevenção. Além disso, também respeitamos o cancelamento do Carnaval de rua em decorrência da situação atual da pandemia no Rio Grande do Norte, mas convidamos todos a uma breve reflexão: de fato, em tese, a realização do Carnaval de rua poderia levar ao aumento de casos de covid-19 e H3N2, motivo pelo qual, num primeiro momento, seu cancelamento seria aconselhável.

Porém, além da tese, devemos levar em conta a prática. Na prática, aqueles que têm um pouco mais de condições alugarão “sedes” com seus blocos, irão para festas privadas, dentro e fora do município, participarão de aglomerações e poderão trazer o vírus para quem, por não ter condições financeiras, não participou das referidas festividades.

Desse modo, para a efetividade da prevenção pretendida, pouco adiantaria proibir as aglomerações públicas se permanecessem permitidas as privadas. Além disso, outros fatores devem ser levados em consideração. Grande parte da população já tomou duas doses da vacina, as internações por covid-19 reduziram bastante e a nova gripe geralmente não causa internações muito menos mortes.

Para proibir o Carnaval de rua sob o fundamento de prevenção contra o vírus deveriam ser apresentados claramente os riscos, com previsões e estudos. Em São Paulo do Potengi, por exemplo, tivemos festas em praça pública no fim do ano, as quais não ocasionaram maiores transtornos em casos de transmissão do vírus. Se ocasionaram, não foi dado publicidade pelas autoridades de saúde. Passaram-se 7 dias sem sequer ser divulgado o boletim da covid-19, publicado ontem apenas devido a críticas nas redes sociais.

Como se não bastasse, além do comércio em geral, o poder público não pode desconsiderar a situação dos ambulantes que não têm emprego formal nem no setor privado, nem na prefeitura; e dependem de festividades como estas para ter renda.

Com todo respeito à opinião contrária, diante desse contexto, entendemos que o cancelamento do Carnaval de rua, sem maiores esclarecimentos e estudos, não é garantia de prevenção contra o vírus, sendo evidente apenas de que o maior afetado, sem dúvidas, é o pobre.

Foto: Glaucione Farias

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Sobre Glaucione Farias, colunista da coluna Por Dentro do Potengi

Sobre Glaucione Farias, colunista da coluna Por Dentro do Potengi

Glaucione Farias tem 23 anos, é blogueiro, designer, social media e produtor audiovisual. Nascido em São Paulo do Potengi, no Rio Grande do Norte, criou o Blog Glaucione Farias em 27 de janeiro de 2012.

Escreve no Por Dentro RN sobre tudo o que acontece na política local e no dia a dia da Região do Potengi.

Não há progresso sem autoperdão, por Mariana Pires II

Não há progresso sem autoperdão, por Mariana Pires

Por Mariana Pires
Para o Por Dentro do RN

Compartilhar a minha história e os meus sentimentos têm me dado a oportunidade de conhecer outras histórias que se conectam com as minhas; e até outras histórias de vida que me ensinam mais do que já pude viver. Nessa troca de experiências e energia, observei o quanto possuímos o potencial para nos transformar e criar algo maior por nós mesmos e, ao mesmo tempo que sentimos essa força, é perceptível o quanto estamos dispostos a andar com um chicotinho na mão para nos punir sempre que temos oportunidade.

Deixe eu explicar melhor: você já parou pra se atentar a esse sentimento? Se sentir capaz de conquistar o mundo inteiro, seguir aquele chamado que vem de dentro de nós e afirma que somos capazes de fazer coisas difíceis, mas, ao mesmo tempo que alimentamos o sentimento de “quero muito realizar algo positivo e construtivo” e o vendemos de forma muito verdadeira para o mundo, também nos paralisamos por acreditar, lá em nosso íntimo, que somos merecedores da realidade em que estamos hoje, de estar no exato lugar em que estamos. É como se estivéssemos nos punindo por erros cometidos e decisões ruins que tomamos no passado; e, na verdade, nós estamos fazendo isso.

Notei que esse autojulgamento, além de ser muito comum entre nossas histórias, acaba sendo o principal fator paralisante das nossas ações hoje; e ele nos impede de abraçar a nossa versão do passado e aceitá-la como ela realmente é. Com isso, ficamos presos ao sentimento de culpa por não ter tido a maturidade suficiente para ser mais assertivo em determinada época ou até mesmo no presente. Inconscientemente, alimentamos esse sentimento diariamente; e ele acaba por fazer parte desde as pequenas até as grandes decisões de nossas vidas.

Alimentar esse autojulgamento é como contratar uma prestação de serviços que você não precisava, ter uma experiência ruim e se punir como forma de recompensa. E esse comportamento rapidamente se torna um hábito que aos poucos vai minando as nossas ações e o nosso senso de merecimento. Louco isso, né?

Isso tudo só me confirmou algo que já vinha observando no decorrer das nossas trocas: não há mudanças externas legítimas sem que antes a gente faça as pazes com o nosso interior, com a nossa biografia, de forma intencional e cirúrgica.

Não há ferramentas de gestão de tempo e planejamento que promovam resultados se não estivermos livres para promover mudanças. Precisamos deixar a nossa antiga versão apenas como um instrumento de consulta de aprendizados; e não há progressos sem autoperdão.

Podemos considerar esse o primeiro grande passo para o nosso crescimento: o autoperdão chega pra fazer morada quando entendemos que, por mais difícil que seja aceitar nossas antigas versões, nada seríamos hoje se não tivéssemos passado por elas. Ter o hábito de remoer situações passadas não muda o presente, pelo contrário, nos transforma em uma âncora.

É preciso dar um desconto e evitar esse perfeccionismo nocivo e aceitar o fato de que não há refinamento ou excelência sem que antes a gente caia e arranque a tampa do joelho várias vezes. Faz parte da capacidade natural do corpo humano regenerar tecidos, então porque ser tão insensíveis com nós mesmos?

Perdoar-se pela imaturidade das versões passadas, decisões ruins e comportamentos tóxicos é uma forma de regenerar o amor e a gentileza por nós mesmos. Só conseguimos doar aquilo que aceitamos como parte positiva de nós; e qualquer coisa de diferente disso é apenas uma idealização criada para vender algo que a gente não é.

Liberamos espaço para criar uma nova perspectiva de vida, nos colocamos no lugar de merecimento, nos responsabilizamos por nossas escolhas e unimos esse repertório como recurso para abrirmos caminhos que antes não conseguíamos enxergar. Não é sobre romper, é sobre andar de mãos dadas.

Foto: Ilustração

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Sobre Mariana Pires, colunista do Por Dentro do RN

Mariana Pires Por Dentro do RN Gestão de Pessoas

Mariana Pires tem 29 anos, é formada em Gestão de Recursos Humanos pela UnP. Apaixonada por Desenvolvimento de Pessoas, atua como RH e como consultora na área de Organização Pessoal, promovendo liberdade através da criação de rotinas leves e produtivas.

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O que eu quero sentir em 2022 Um novo olhar sobre sua criação de metas, por Mariana Pires

O que eu quero sentir em 2022? Um novo olhar sobre sua criação de metas, por Mariana Pires

Por Mariana Pires
Para o Por Dentro do RN

Esperança: esse é o sentimento que povoa nosso coração quando começamos um novo ano. Aquela vontade ardente de deixar no ano anterior todas as frustações, todos os erros e até a nossa falta de comprometimento em muitos momentos. Viramos o ciclo, festejamos, e, de repente, é dia 2 de janeiro e tudo retoma seu devido lugar – as rotinas, as metas, as cobranças, o trabalho, os projetos, as realizações.

Nesse intervalinho de alguns dias de festejos e descanso, idealizamos uma realidade diferente da que já temos, prometemos a nós mesmos que haverá uma virada de chave e que agora ninguém nos tira do foco das nossas metas. Mas, que metas?

Aquelas que nós deixamos apenas no campo das ideias, não organizamos, não planejamos, não criamos micro metas e pensamos internamente “- Ah, planejar pra quê? Se tudo irá permanecer do mesmo jeito?”. Carregamos só a esperança e desejo de ter uma realidade diferente, porém, sem as ações necessárias. É um sentimento bem comum que, automaticamente, nos sabota. Não colocamos a devida fé em nossa capacidade de construir coisas maiores.

Sabemos que podemos, mas não alimentamos esse potencial por acreditar que, no fundo, não somos merecedores de tantas realizações. Mas estou aqui para te dizer que sim, você não é apenas merecedora de grandes realizações como também é muito capaz de construir tudo o que esse desejo ardente do teu coração fala todos os dias, baixinho, só pra você.

Antes mesmo de começar a colocar milhões de metas no papel para realizar em 2022, eu te convido a pensar junto comigo; quero te propor uma reflexão antes de, definitivamente, darmos o start; um exercício de visão, bora? Quero que você pare o que está fazendo nesse momento. Onde você estiver, fique numa posição confortável, feche os olhos e respire fundo algumas vezes até se sentir o corpo relaxado.

Quero que olhe pra si, como se estivesse sentada na sua frente e se pergunte: “O que desejo sentir esse ano?” Em seguida, comece a visualizar como se sente ao praticar cada hábito que quer implementar na sua rotina e visualize como se sente vivendo esse processo de mudanças.

Visualize como está cuidando da sua saúde, como está trabalhando e como está sendo sua relação com a família. Crie a imaginação de tudo o que você estará fazendo e vai perceber o quanto se aproxima do que deseja ser. Não imagine apenas imagens estáticas, imagine as ações. Tente sentir os movimentos, ouvir as palavras que fala e que ouve.

Qual transformação sente que está acontecendo com você?

Visualize a sua nova versão sendo atualizada diariamente, sem neuras, sem cobranças excessivas, praticando cada tarefa sem sentir pressa, consciente de que aquele ato é uma parcela importante para o seu crescimento. Nem devagar, nem rápido, mas no seu tempo. Como se sente agora que se visualizou vivendo diariamente uma versão mais presente e mais focada do que você é hoje?

Quero te propor um compromisso no momento que for sentar, refletir e transferir seus objetivos e metas para o papel. Vamos substituir o “o que eu quero ter” por “o que eu quero sentir” ao viver o processo de conquista dos seus objetivos. Qual a vida que você quer ter?

Antes de começar a criação metas altas e implementar todas elas na sua rotina de forma engessada, por que não refletir sobre qual vida você deseja ter e direcionar a construção da sua rotina baseada nessa reflexão?

Antes de se comprometer com números, se comprometa com o que deseja sentir no percurso da sua trajetória de realização, não apenas focar na sensação da conquista. Rotina é sobre construção diária e não há linha de chegada sem o compromisso de realizar um esforço todos os dias. Se a meta está na rotina, é porque se faz necessário e tem uma motivação maior. Sendo assim, por que não tornar a rotina mais prazerosa e conseguir se manter presente nas sensações que ela provoca?

Afinal, são os sentimentos cultivados e transformados dentro de si que irão proporcionar os aprendizados dos desafios, impulsionar as novas mudanças e te lembrar de mantê-los firmes mesmo nos dias em que a motivação não vem.

Foque em construir rotinas significativas e não só apenas no alcance de metas em números. Quem é você na linha de chegada do seu destino? O que mudou em você? É hora de se pergunta: qual é o meu ‘para quê’? Vai além da visão do que você deseja ter.

De onde vêm os seus objetivos e seus projetos? Cuidado para não ser aquela pessoa que sonha o sonho dos outros. Tem muita gente que vai no automático e segue a maioria, ou simplesmente quer o que o outro quer sem pensar se aquilo está alinhado com o seu propósito. Se comprometa a se ouvir, a se entender e ao que verdadeiramente deseja.

Quando extraímos esse néctar, passamos a ter mais clareza do que faz sentido para nós, mais encorajadas de começar mudanças sem medo de parar no caminho e mais focadas em se manter firme ao compromisso. Lembre-se: planejamento importa, mas é ferramenta. Não é ponto de partida. Comece sendo fiel a si mesma.

Foto: Ilustração

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Sobre Mariana Pires, colunista do Por Dentro do RN

Mariana Pires Por Dentro do RN Gestão de Pessoas

Mariana Pires tem 29 anos, é formada em Gestão de Recursos Humanos pela UnP. Apaixonada por Desenvolvimento de Pessoas, atua como RH e como consultora na área de Organização Pessoal, promovendo liberdade através da criação de rotinas leves e produtivas.

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Fahreinheit 451 - O sci-fi que até hoje levanta discussões, por Alexandre Vitor

Fahrenheit 451: O sci-fi que até hoje levanta discussões, por Alexandre Vitor

Por Alexandre Vitor
Para o Por Dentro do RN

Aconselho àqueles que não têm o hábito da leitura a tentarem iniciar 2022 de uma forma diferente. Enquanto curte o verão na sombra e água fresca, tire um tempinho para ler esse clássico dos anos 50, mas que continua atualíssimo: Fahrenheit 451, escrito por Ray Bradbury. Para os leitores contumazes , vai aqui uma boa dica para contrabalancear com a leveza das férias.

Aqui temos um mundo distópico em que a sociedade censura a leitura, não importa de que tipo seja, e os bombeiros (que anteriormente tinham o trabalho de apagar incêndios), agora se ocupam em tocar fogo nas obras de autores renomados.

O livro vai focar na vida do bombeiro Guy Montag , que é insatisfeito com sua vida vazia até conhecer a menina Clarisse e começar a ver o mundo sob uma ótica diferente. Um dia a garota desaparece e Guy começa a levar a sério alguns questionamentos que ela fazia. A partir daí, o personagem começa a esconder livros na sua própria casa e também começa a se rebelar contra o sistema atual.

O autor ganhou inspiração para essa obra vivendo o contexto da Guerra Fria e também o surgimento dos televisores. Curiosamente, pôs o nome do livro fazendo jus à temperatura em que o papel queima na escala Fahrenheit.

O livro traz discussões extremamente atuais e necessárias envolvendo a sociedade. Considero uma leitura obrigatória para qualquer pessoa com um mínimo de senso crítico que queira um pouco de bagagem para iniciar um bom papo-reto (ou papo-cabeça, como diz minha mãe).

O livro rendeu duas adaptações para as telas, uma em 1966 e outra bem mais atual, em 2018. Ambas com o mesmo título do livro. Peço que tentem dar uma lida nesse clássico, uma boa estória que diverte e faz pensar!

Feliz ano-novo e continuem acompanhando o Por Dentro do RN e O Papiro é Louco em 2022.

Foto: Reprodução

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Sobre Alexandre Vitor, colunista do portal Por Dentro do RN

Alexandre Vitor Papiro é Louco Por Dentro do RN

Alexandre Vitor tem 14 anos e prefere ser chamado de Vitor; é um escritor iniciante e tem um conto publicado no Wattpad. Além disso, o autor tem como hobbies a leitura, a cozinha e a prática de esportes. Desde pequeno, Alexandre Vitor se interessa por literatura. Aos 11 anos, decidiu que queria ser escritor e até já tinha vários manuscritos, mas nunca colocou nada adiante.
O jovem articulista da coluna O Papiro é Louco, aqui no Por Dentro do RNconsidera-se um leitor eclético, ou seja, aberto a quase todos os temas, mas confessa que fantasia e aventura são seus gêneros favoritos. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

O fim é, sobretudo, ir, por Mariana Pires

O fim é, sobretudo, ir, por Mariana Pires

Por Mariana Pires
Para o Por Dentro do RN

Eu sempre tive dificuldade de entender o que significava ter ciclos na vida. Por qual razão precisávamos estar nesse movimento de entrar e sair, de ir e vir. Por qual motivo precisávamos mudar o que parecia está em perfeito funcionamento. Mudar as amizades. Mudar a profissão. Mudar os ambientes. Mudar os parceiros. Mudar as etapas.

Embora eu tivesse dificuldade de entender, sempre aceitei da forma como tudo isso era imposto e não forçava a barra para permanecer; aceitava, mas não me contentava em apenas aceitar.

Nunca fui uma pessoa conformista, gosto de ir a fundo pra entender o porquê de certos acontecimentos em minha vida. Acredito que há um motivo real e significativo por trás de tudo que nos move; e finalizar ciclos importantes tinha uma atenção maior nos meus questionamentos.

O engraçado é que passei quase uma vida inteira me questionando pelos motivos errados. Eu tentava entender o que havia faltado acrescentar, o que eu havia deixado de fazer, como se essa fosse a única justificativa. Procurar erros em mim era a minha forma de lidar com a impermanência das coisas. Mas a vida, desde o seu nascimento, é cíclica.

Quando nascemos e aprendemos a falar, vamos para a escola. Fazemos amizades, aprendemos o princípio de tudo e, quando já observemos tudo que havia de importante naquele lugar, somos chamados a ir adiante. Entramos na faculdade. Novas amizades, novos conteúdos, novas visões.

Saímos da faculdade e começamos nossa trajetória profissional, onde já não temos mais a certeza de habitar em apenas um lugar, somos convidados a desapegar-se dos fim dos ciclos e viver o que eles proporcionam em sua curta (ou não) estadia. Da mesma forma são com as amizades, são com os relacionamentos amorosos e com tudo que compõe as fases da vida.

A vida é finita por si só. Ela sabe exatamente onde começar e onde concluir as suas fases e essa é a moradia da sua grandiosidade. Depois de despertar para a finitude como algo natural da vida, passei a entender a impermanência das coisas como uma oportunidade de construir algo maior para mim.

Ora, se tudo tem o seu momento de encerrar, o que vou fazer para tornar o tempo vivido em uma experiência transformadora para mim e para quem compartilha desse ciclo? Entende? Não é sobre evitar viver por saber que terá um fim. É por se permitir viver e construir algo significativo pra você justamente por saber que terá um fim.

Umas das sensações mais libertadoras que existem é quando perdemos o medo de perder, isso faz com que nos entreguemos por completo aquele momento, aquela fase.

Isso não significa que não será doloroso e que será mais fácil. Permita sentir tristeza pelo fechamento de um ciclo sem que isso signifique que foi uma escolha errada ou que não deu certo o que viveu. Fazer escolhas coerentes com os nossos valores e com as nossas visões também não são fáceis, vamos senti-las da mesma forma, não deixa de ter novas adaptações.

O luto faz parte desse processo e vivê-lo de forma genuína o deixará mais leve para seguir, mesmo não achando que está pronto. É ressignificar os momentos e abstrair o aprendizado que levará consigo para a próxima fase. O nosso medo mora no desconhecido, no que vem depois do fim. Tememos em perder o controle, onde alimentamos uma falsa sensação de segurança e estabilidade. Preferimos o que é previsível.

E quando os ciclos são especiais, que criaram lindas memórias, seu fim também será sentido na mesma intensidade e abrir mão deles também não significa que fez a escolha errada, mas que deseja viver novas experiências, sentir novas sensações, construir algo maior que aquele espaço já não proporcionava mais.

Nada é fixo ou permanente: a vida não é linear.

Entendi que os altos e baixos são sinais que nos mostram onde precisamos colocar nossa atenção, como um gerador de mudanças. Os finais acontecerão independentemente das nossas escolhas, independentemente do quanto estamos apegados e enraizados em determinados lugares. A vida segue seu fluxo, flui naturalmente e fornece formas de você acompanhá-la.

É muito mais sobre (re)começos: o final é apenas um ritual de passagem que materializa o nascimento de algo maior que está por vir e por vezes, é algo que você já havia desejado e manifestado. Além de cíclica, a vida é feita de trocas. É preciso abrir mão da gostosa sensação de sentir no controle e dançar conforme a música.

As finalizações de um ciclo é um chamado para sair da inércia. Quase que um empurrão que a vida te dá impulsionando a experimentar sensações mais intensas e completas, até mesmo de construir algo que sua capacidade de realizar ainda não havia sido testada.

É preciso estar aberto às mudanças. Está confiante de que o novo trás consigo uma experiência mais transformadora do que a que se encerrou. Confiar em si, confiar na vida. É possível dividir o medo do novo com a esperança de mudanças positivas. Essa dualidade aguça a percepção, nos mantém atentos a sentir com presença e clareza tudo que ela nos provoca.

Há beleza nas disrupturas. É quando você é apresentado a versões de si mesmo que não teria acesso se não tivesse passado pelos encerramentos. É quando você se transforma e conhece potencialidades que estavam guardadas esperando o momento de se manifestarem.

Você pode não está entendendo tudo, mas abrace seus ciclos. Acredite que está tudo bem em ser provocada – você está crescendo, se conhecendo, ampliando seus tetos.

Faça sua parte: ceda a necessidade de ter controle e usufrua da liberdade de sentir e criar sua própria realidade. O novo só chegará a quem está aberto para recebê-lo. Permita que a vida atue na sua especialidade: transmutar.

Ao final, nunca foi sobre o fim, e sim sobre o (re)começo.

Foto: Reprodução

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Sobre Mariana Pires, colunista do Por Dentro do RN

Mariana Pires Por Dentro do RN Gestão de Pessoas

Mariana Pires tem 29 anos, é formada em Gestão de Recursos Humanos pela UnP. Apaixonada por Desenvolvimento de Pessoas, atua como RH e como consultora na área de Organização Pessoal, promovendo liberdade através da criação de rotinas leves e produtivas.

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Tudo ou nada, por Mariana Pires

Tudo ou nada, por Mariana Pires

Por Mariana Pires
Para o Por Dentro do RN

“Querer é poder, basta ter força de vontade”… Se você já ouviu isso, com certeza se perguntou onde estava errando na hora de tirar os seus planos do papel ou de manter a constância necessária para colocar em prática aquilo que você planeja, não foi? Se você quer ter uma vida abundante e prospera em qualquer âmbito, basta querer e se empenhar para que os seus desejos se tornem tangíveis.

Não considero que essa visão esteja errada, mas você já se perguntou o que existe entre “o basta querer” e a “concretização das suas metas”? Qual o caminho será percorrido? O que será preciso ser feito e o que deve ser priorizado? Por último, mas não menos importante: como tudo isso será realizado?

Quando, finalmente, nos conectamos a um objetivo maior de crescimento pessoal e profissional, tendemos a traçar metas muito robustas e tentamos implementá-las a qualquer custo, com aquela ideia de que você está promovendo mudanças positivas e significativas na sua vida. A impressão de que fazer o “o muito, o grandioso” transmite a sensação de dever cumprido.

Você embarca nessa jornada esperançoso de que a constância será sua nova e mais forte parceira de caminhada, mas, em curto prazo, você começa a sentir o peso de mantê-la no mesmo ritmo acelerado com as metas que determinou lá no começo, não é mesmo?

Sabe por quê?

Porque nos cobramos excessivamente para provar a nós mesmos ou aos outros que somos capazes de realizar. Saímos de um estilo de vida que foi o nosso padrão de comportamento por anos e queremos mudá-lo em poucas semanas, poucos dias. No final das contas, o anseio pelo resultado final é muito mais intenso e evita que desfrutemos o que o processo de aprendizagem tem a oferecer.

Não consideramos que temos uma cultura que nos acompanhou a vida inteira, não consideramos que oscilamos diariamente, que teremos dias com mais energia e dias com menos energia, não consideramos que esse é um processo de mudanças e, como o próprio nome define, é a transição de um ciclo antigo para um ciclo novo.

Há um tempo necessário para maturação desse processo até que você consiga abraçá-lo com total aceitação e e torná-lo parte natural da sua rotina. O problema está em impor para si mesmo, engolindo no seco que deve realizar e ponto.

Essa atitude tira de cena todo o contexto significativo que te levou a promover a sua mudança e passa a se tornar um corrida contra você mesmo; quando, na verdade, deveria ser uma parceria movida pela gentileza.

Que tal fazermos um exercício?

  1. Você nunca foi pra academia ou foi praticante de exercícios físicos. Decide mudar e começar. Logo de cara, coloca uma meta de ir a academia todos os dias, pelo menos 1h por dia.
  2. Você não tem o hábito da leitura e coloca como meta essa prática. Inicia a meta para ler um ou dois livros por mês, pelo menos 10 páginas por dia.

Nesses dois exemplos, você acredita que foram metas realistas? Você acredita que uma pessoa que nunca teve esses dois hábitos inseridos na sua rotina, consegue realizá-los na primeira tentativa e mantêm sua constância?

Vivemos nos tempos do “Tudo ou Nada”

  • Se for para fazer apenas 20 minutos de exercício, melhor não fazer nada.
  • Se for para ler apenas duas páginas do livro por dia, melhor nem começar.

Percebe que nós queremos o muito, o resultado final, sem nem ao menos nos expor ao começo do processo e se comprometer em honrar o essencial? E é experimentando várias formas de executar a mesma tarefa que você vai entender como melhor funciona o seu tempo e o seu melhor momento de produzir.

O excesso de expectativa na realização das metas gera um excesso de autocobrança; e, como resultado, vai te deixar paralisado ou paralisada. Você deseja promover grandes mudanças, mas não entende e respeita a própria constância.

Constância é algo individual e tem mais a ver com manter o nosso ritmo, em nosso tempo: devagar e sempre; e ela é diferente para cada pessoa. Para mim, Mariana Pires, 30 minutos de academia é me manter constante; para você, isso pode significar ir duas ou três vezes na semana. Não há um padrão homogêneo.

Comprometa-se com a velocidade com a qual você consegue caminhar e de acordo com a sua realidade, velocidade esta que você consiga manter. Você não tem de seguir o ritmo de outras pessoas a ponto de se comparar com elas ou sentir-se atrasada diante de um progresso que não é o seu: tenha propósito e mantenha-se constante, independentemente da velocidade.

Lembre-se: o nosso maior gasto de energia está no início do processo de mudanças. Desistir em poucas tentativas faz com que gastemos mais energia na hora de recomeçá-lo. Inicie as suas metas de forma realista e experimente outras formas de realizá-las. Além disso, esteja atento à maneira com a qual você produz cada tarefa. É experimentando as novas abordagens de executar suas tarefas que você entenderá qual o seu ritmo produtivo.

Saia dos extremos sobre “produzir demais” ou “viver procrastinando” e busque o meio termo, o equilíbrio necessário para que mudanças significativas apareçam sem que você fique sobrecarregada de autocobrança. Lembre-se também de que grandes progressos começam com a execução eficiente daquilo que é essencial. O diferencial vem quando alcançamos a excelência de fazer aquilo que é básico.

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Sobre Mariana Pires, colunista do Por Dentro do RN

Mariana Pires Por Dentro do RN Gestão de Pessoas

Mariana Pires tem 28 anos, é formada em Gestão de Recursos Humanos pela UnP. Apaixonada por Desenvolvimento de Pessoas, atua como RH e como consultora na área de Organização Pessoal, promovendo liberdade através da criação de rotinas leves e produtivas.

Um grande conto para ler no Natal, por Alexandre Vitor

Um grande conto para ler no Natal, por Alexandre Vitor

Por Alexandre Vitor
Para o Por Dentro do RN

Quando chega o final do ano, leitores mais ávidos costumam procurar textos e filmes referentes à época, desde que sejam livros curtos e filmes leves, que não comprometam muito o tempo, tão corrido entre compras e confraternizações. Por isso trago a recomendação de um grande clássico natalino, que pode ser lido em apenas três horinhas e vai lhe render muitas reflexões, pode crer.


“Um conto de Natal”, do aclamado Charles Dickens, é uma história bem conhecida, mas muitos vão lembrar dela por causa dos filmes produzidos: “Um conto de Natal” (1984) e “Os fantasmas de Scrooge”( 2009), com o manjado Jim Carrey. Aos que nunca ouviram falar de nada disso, aconselho que pouse no planeta e leia minha sugestão.

Um grande conto para ler no Natal, por Alexandre Vitor


Trata-se do velho solitário Ebenézer Scrooge, um homem irascível , avarento e amargurado, que na madrugada de Natal recebe a visita de três espíritos que fazem uma reviravolta em sua vida, fazendo-o dar valor às pessoas ao seu redor e a ver a vida com outros olhos.

O clássico escrito em 1843 é atemporal, sendo um queridinho para os leitores e também para cinéfilos, uma vez que a adaptação feita para os cinemas em 2009 é muito fiel à obra. Após a leitura, fiquei muito satisfeito em perceber que o longa conseguiu seguir a história quase à risca. Então, caso você não seja muito fã dos papiros e prefira as películas, nesse caso, tá valendo.

Mesmo sendo uma obra escrita no século XlX, ela traz grandes discussões e aprendizados para a atualidade, como por exemplo o velho apego ao dinheiro e coisas materiais, coisa muito pertinente nos dias de hoje. Por isso, Dickens é mais um dos grandes ocupantes do Olimpo da literatura mundial.

A escrita é fluida e bonita, digna de um mestre. Pessoas de todas as idades se identificam com algum aspecto levantado nessa obra, em especial os adultos, que levam alguns puxões de orelhas (necessários). A indicação literária para a semana que antecede o Natal é essa, mas se você for dos mais preguiçosos, tenha uma boa diversão com o filme, também excelente.

Feliz Natal a todos!

E, como o pequeno Tiny Tim diz, “que Deus abençoe a todos, que Deus abençoe a todos nós”.

Foto: Reprodução

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Sobre Alexandre Vitor, colunista do portal Por Dentro do RN

Coluna de Alexandre Vitor no Por Dentro do RN

Alexandre Vitor tem 14 anos e prefere ser chamado de Vitor; é um escritor iniciante e tem um conto publicado no Wattpad. Além disso, o autor tem como hobbies a leitura, a cozinha e a prática de esportes. Desde pequeno, Alexandre Vitor se interessa por literatura. Aos 11 anos, decidiu que queria ser escritor e até já tinha vários manuscritos, mas nunca colocou nada adiante.
O jovem articulista da coluna O Papiro é Louco, aqui no Por Dentro do RNconsidera-se um leitor eclético, ou seja, aberto a quase todos os temas, mas confessa que fantasia e aventura são seus gêneros favoritos. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Cavaleiros do Forró, Mara Pavanelly e Henry Freitas são as atrações da Festa de Emancipação de Riachuelo, por Glaucione Farias

Cavaleiros do Forró, Mara Pavanelly e Henry Freitas são as atrações da Festa de Emancipação de Riachuelo, por Glaucione Farias

Por Glaucione Farias
Para o Por Dentro do RN

A Prefeitura de Riachuelo realizará na próxima segunda, dia 20, a Festa de Emancipação de Riachuelo, em alusão aos 58 anos do município. Cavaleiros do Forró, Mara Pavanelly e Henry Freitas são as atrações que animarão a todos em praça pública.

Para ter acesso à Festa de Emancipação de Riachuelo, será obrigatório estar com a carteira de vacinação em dia e apresentá-la na entrada do evento.

Foto: Reprodução

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Sobre Glaucione Farias, colunista da coluna Por Dentro do Potengi

Sobre Glaucione Farias, colunista da coluna Por Dentro do Potengi

Glaucione Farias tem 23 anos, é blogueiro, designer, social media e produtor audiovisual. Nascido em São Paulo do Potengi, no Rio Grande do Norte, criou o Blog Glaucione Farias em 27 de janeiro de 2012.

Escreve no Por Dentro RN sobre tudo o que acontece na política local e no dia a dia da Região do Potengi.

Uma conversa real sobre a cultura do bem estar, por Mariana Pires

Uma conversa real sobre a cultura do bem estar, por Mariana Pires

O bem estar legítimo parte da eliminação daquela lista interminável de tarefas ‘saudáveis’ que não fazem sentido algum pra você e que são ditadas por terceiros.

Por Mariana Pires
Para o Por Dentro do RN

Há uma cultura enraizada de que, se você faz muitas coisas ao longo do seu dia, você é ‘produtivo’ e tem resultados significativos; mas o que muitos não entendem é que há uma linha bem tênue entre o ‘posso fazer tudo’ e o ‘posso fazer DE tudo’.

Entender essa distinção é a chave para ter uma vida saudável. Para quem nunca praticou hábitos saudáveis, como esta que vos escreve, ou até mesmo não entendeu o quão importante são para alcançar resultados, sente que é um objetivo quase impossível de atingir. Ter uma rotina saudável e equilibrada parece coisa de outro mundo.

Confesso que sempre achei muito bonito aquelas pessoas que tinham uma rotina cheias de atividades. Lembro-me até de achá-los mais importantes porque aparentavam ter uma vida mais ocupada que a minha. E eu, que sempre fui tão desorganizada, olhava para tudo aquilo e via uma realidade distante de mim, uma realidade tão impossível de acontecer.

Eu não tinha visão, não tinha minhas próprias opiniões sobre determinados assuntos. Andava com pessoas que tinham hábitos tão ruins quanto os meus e a mesma visão de rotina que a minha. Sempre sonhei alto, no fundo eu queria ser uma daquelas pessoas que tinham a vida bem ocupada, preenchidas de atividades importantes.

Com o passar dos anos, me distanciei de algumas pessoas, busquei novas oportunidades de trabalho, foquei na construção de uma carreira, busquei crescimento profissional, que naturalmente é o campo que mais colocamos atenção nas nossas vidas. Sempre tive uma postura muito proativa e ousada, mas embora tivesse certa facilidade para tomar iniciativas sobre mudanças e melhorias no meu trabalho, a minha falta de organização pessoal e até mesmo a negligência que coloquei em outros campos da minha vida não me deram os resultados que tanto idealizei.

Demorei muito tempo para entender isso; e precisei passar por diversas situações de fracasso até parar e decidir voltar o olhar para mim e buscar entender o que estava deixando de fazer e onde eu precisaria mudar e melhorar. Para uma pessoa centralizadora, admitir que parte do não sucesso provém da falta de organização e de uma vida de hábitos ruins não é exatamente a coisa mais fácil de aceitar. Mas cá estamos, fazendo a necessária autocrítica.

Quando se quer muito conquistar um objetivo maior, é preciso olhar para as situações com um olhar muito transparente e franco sobre si e sobre as circunstâncias, aceitar o que precisa ser mudado e se comprometer com isso; e é aí que começa todo o processo de autodesenvolvimento. Quando, finalmente, temos o mínimo de clareza do que precisamos promover mudanças, começamos a buscar conhecimento e a melhorar os nossos hábitos: é um mergulho profundo e legítimo na mudança de estilo de vida.

O bem estar legítimo parte da mudança de mentalidade

O início de todo processo de autoconhecimento e desenvolvimento do nosso bem estar traz consigo um misto de sentimentos entusiasmados, cheio de grandes expectativas e uma sede ferrenha por resultados rápidos. Mas paremos para raciocinar: ora, se estou fazendo uma mudança radical na minha vida, não seria justo cobrar por resultados imediatos a curto prazo?

Nessa sede por esses resultados, a gente mergulha na busca por conteúdos de profissionais de diversas áreas, compra livros e cursos, faz imersões e desafios, inicia um casamento firme e forte com a vida fitness, faz meditação todos os dias, faz yoga, lê algumas páginas de um livro diariamente, estuda uma hora, faz a própria comida saudável, tem um momento com a família, cuida dos filhos, confere e reorganiza o planejamento para o outro dia, organiza todas as demandas da casa para começar o dia mais livre, é ativa nas redes sociais, se faz presente nas amizades, tem os momentos de lazer; e, não menos importante, ainda temos de ter os nossos momentos de autocuidado.

A gente inicia essa transição de estilo de vida enchendo nossas agendas de atividades que estão ‘na moda’ e que todo mundo que tenta se mostrar bem resolvido e feliz diz fazer. E não para por aí, a gente encaixa todas elas de uma única vez para serem feitas no dia e ainda se compromete a mantê-las a qualquer custo no cronograma, ainda que isso deixe tudo mecânico.

Chega o final do dia e temos duas sensações:

  1. Estou cansada, mas consegui fazer tudo e estou realizada;
  2. Estou cansada, não consegui fazer tudo e me sinto culpada por não cumprir o que planejei.

Você já se viu em alguma dessas situações?

Você não tem a sensação de que as práticas que nos ajudariam a criar hábitos saudáveis e uma vida mais leve e com mais significados acaba se transformando em uma exaustiva competição de quem é mais produtivo, de quem tem um estilo de vida mais atrativo que o outro?

A consequência disso é que chegamos em um momento em que a gente passa a realizar tudo no piloto automático. O que antes eram práticas que ajudavam no autodesenvolvimento, na conexão com nós mesmos, no aumento da performance e dos resultados, passam a ser uma obrigação diária de manter o mesmo ritmo dos outros dias. Quando não conseguimos cumprir tal agenda, é inevitável o sentimento de fracasso.

Ficamos para ‘trás’ em comparação com a rotina ‘perfeita’ das pessoas que idealizamos perfeitas. Com isso, é inevitável que não nos perguntemos: E vem a pergunta mais cobiçada dos últimos tempos: ‘como dar conta de tudo isso?’.

Com a mudança obrigatória que foi preciso promover em nossos estilos de vida, nos fizeram acreditar que deveríamos cumprir listas enormes de afazeres ‘saudáveis’ se quiséssemos acreditar que estávamos fazendo de algo importante por nós mesmos, nos cuidando de verdade.

A realidade é que criamos uma performance a ser realizada sem considerar as nossas emoções e nos forçamos a cumprir tudo mesmo sem estar nos sentindo bem. Fixamos nessa ideia de ter uma rotina saudável a qualquer custo e nem percebemos que mantê-la dessa forma pode está sendo tóxico pra nós.

Bem estar baseado no faça menos, mas faça por você

O conceito de ter uma vida saudável e produtiva está diretamente ligada ao significado e qualidade do que promovemos, não da quantidade de afazeres que realizamos. Não precisamos criar uma lista infinita de tarefas a serem feitas no dia e desafiar nossos próprios limites saudáveis para ter a satisfação de ter uma vida saudável e chegar ao final do dia completamente esgotado.

Para ter uma rotina saudável e mais leve, elimine aquela lista interminável de tarefas ‘saudáveis’ que não fazem sentido algum pra você. Escolha um ou dois rituais para serem feitos diariamente e dedique-se a eles com intenção. Viva esses momentos com presença e sinta como pequenos gestos podem fazer uma grande diferença no seu dia.

Pare de tentar fazer tudo com a ilusão de ser produtivo e passe a fazer o necessário com intenção e presença. Você vai perceber que o pouco feito com qualidade te proporcionará muito mais benefícios e bem estar. Você não precisa cumprir milhares de tarefas que não gosta para se sentir bem consigo mesmo; e isso não te faz inferior ou melhor do que ninguém, além de resguardar a sua saúde mental e a sua energia para o que realmente importa.

Faça menos, mas faça por você!
Seu desenvolvimento é uma caminhada e crescer demanda tempo e consistência.

Foto: Ilustração/Pinterest

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Sobre Mariana Pires, colunista do Por Dentro do RN

Mariana Pires Por Dentro do RN Gestão de Pessoas

Mariana Pires tem 28 anos, é formada em Gestão de Recursos Humanos pela UnP. Apaixonada por Desenvolvimento de Pessoas, atua como RH e como consultora na área de Organização Pessoal, promovendo liberdade através da criação de rotinas leves e produtivas.

Quem não gosta dos Ghostbusters Caça-fantasmas Por Alexandre VItor

Quem não gosta dos Ghostbusters? Por Alexandre VItor

Por Alexandre Vitor
Para o Por Dentro do RN

Vamos começar bem o final de semana com os Ghostbusters? Se você não sabe, não se trata de só um, mas de uma série de filmes iniciados em 1984.

Ghostbusters fala de alguns cientistas que tentam descobrir o motivo de aparições suspeitas na Nova Yorque dos anos 80. Ao se unirem, eles formam o grupo Caça-fantasmas, uma corporação destinada a capturar os estranhos seres, que pouco a pouco estão dominando e aterrorizando a cidade.

Apesar da galerinha da geração Z não gostar de filmes antigos, devido aos efeitos especiais serem ultrapassados e o ritmo ser mais lento que atualmente, Ghostbusters se tornou uma produção atemporal, conquistando novos fãs diariamente e sendo citado em outros trabalhos. O sucesso Stranger Things, inclusive, também faz referência ao filme na sua segunda temporada.

Quem não gosta dos Ghostbusters Caça-fantasmas Por Alexandre VItor
Foto: Reprodução

A vibe do filme é misteriosa, o que o torna atraente. Também tenta esclarecer de forma sucinta a origem dos fantasmas (embora a explicação seja coisa para a cabeça de nerds… e eu não sou um). O filme é divertido, engraçado e, na época em que foi lançado, foi parâmetro para os outros filmes de ficção produzidos.

A série conta com quatro filmes: dois nos anos 80 (com o elenco original), um do ano 2016, que troca OS Caça-fantasmas por AS Caça-fantasmas, e recentemente, o lançamento de 2021: “Ghostbusters mais além”, que ainda está em cartaz nos cinemas. Nesse, vamos acompanhar os netos de um dos personagens, que acabam descobrindo o passado de caçador do seu falecido avô.

A sequência é bem feita, a nova geração conseguiu deixar uma bela homenagem ao legado, fazendo inúmeras referências aos anteriores. Caso você ainda não tenha visto os antigos, aconselho ao menos assistir o primeiro antes de ir ao cinema, pois ajudará na compreensão e consequentemente no divertimento.

E, se à noite sentir alguém puxando seu pé, deixe sua mochila de prótons a postos!

Foto: Reprodução

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Sobre Alexandre Vitor, colunista do portal Por Dentro do RN

Coluna de Alexandre Vitor no Por Dentro do RN

Alexandre Vitor tem 14 anos e prefere ser chamado de Vitor; é um escritor iniciante e tem um conto publicado no Wattpad. Além disso, o autor tem como hobbies a leitura, a cozinha e a prática de esportes. Desde pequeno, Alexandre Vitor se interessa por literatura. Aos 11 anos, decidiu que queria ser escritor e até já tinha vários manuscritos, mas nunca colocou nada adiante.
O jovem articulista da coluna O Papiro é Louco, aqui no Por Dentro do RNconsidera-se um leitor eclético, ou seja, aberto a quase todos os temas, mas confessa que fantasia e aventura são seus gêneros favoritos. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Por Dentro do Potengi Tomba Farias visita festa de Nossa Senhora da Conceição em Lagoa de Velhos RN, por Glaucione Farias

Tomba Farias visita festa de Nossa Senhora da Conceição em Lagoa de Velhos/RN, por Glaucione Farias

Por Glaucione Farias
Para o Por Dentro do RN

Por ocasião da festa de Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Lagoa de Velhos/RN, o deputado estadual Tomba Farias (PSDB) visitou nesta quarta-feira (8) o município.

Por Dentro do Potengi Tomba Farias visita festa de Nossa Senhora da Conceição em Lagoa de Velhos RN, por Glaucione Farias

Na oportunidade, além de reencontrar a população, Tomba também conversou com sua base política que é composta pela prefeita Sonyara Ribeiro, o vice-prefeito Nildo Galdino, os exs prefeitos Severino Ribeiro e Washington ítalo, e de sete vereadores: Hélio Júnior, Ivanaldo Lotério, Marcelo Samuel, Aldemir Paulino, Eliana Carla, Leandro Malhada e Amilton Soares.

Foto: Reprodução

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Sobre Glaucione Farias, colunista da coluna Por Dentro do Potengi

Sobre Glaucione Farias, colunista da coluna Por Dentro do Potengi

Glaucione Farias tem 23 anos, é blogueiro, designer, social media e produtor audiovisual. Nascido em São Paulo do Potengi, no Rio Grande do Norte, criou o Blog Glaucione Farias em 27 de janeiro de 2012.

Escreve no Por Dentro RN sobre a política local da Região do Potengi.

A mágica história do Pequeno Príncipe, por Alexandre Vitor

A mágica história do Pequeno Príncipe, por Alexandre Vitor

Por Alexandre Vitor
Para o Por Dentro do RN

“Os homens não têm tempo de conhecer nada. Compram coisas já prontas nos mercados. Mas como não existe um mercado de amigos, os homens não têm mais amigos”.

Com esta frase marcante, hoje falaremos sobre a fábula “O Pequeno Príncipe”, escrita por Antoine de Saint Exupery. A história é uma das mais conhecidas e amadas no mundo. Nela, conhecemos um garotinho curioso e ingênuo que vive no pequeno asteroide B612, no qual leva uma vida tranquila com sua pequena rosa.

Certo dia, ele decide fazer uma jornada por outros planetas e, durante a viagem, ele conhece muitas pessoas e seres animados, com quem passa a trocar ideia. Chegando à Terra, o menininho encontra um azarado aviador que está perdido no deserto do Saara (na verdade, um alter ego do autor), e começa a lhe contar sobre suas grandes aventuras.

Apesar do teor infantil da obra, o livro também foi escrito para adultos, talvez principalmente para eles, uma vez que retrata lições e ensinamentos importantes que, por sua sutileza, só são compreendidos pela galera mais madura. Mesmo sendo uma obra dos anos 40, as lições permanecem atuais.

Por ser uma obra de aparência simples, sem grandes detalhes no enredo, o autor criou um universo que nos diverte e adverte com sensibilidade e delicadeza, tocando o coração dos leitores dos 8 aos 80 anos, coisa bem difícil de conseguir. Infelizmente, por preconceito e achar que se trata de um livro bobo, alguns deixam de lê-lo e se privam de uma obra memorável.

O livro é muito bem escrito, organizado e, claro, acima de tudo, é uma obra leve e fácil até para as crianças menores. O sucesso é tão grande que todo mundo, mesmo quem não o leu, sabe citar alguma frase conhecida. O livreto já rendeu inúmeros filhotes, como musicais, peças de teatro e filme. Sobre o filme, vale uma pequena análise: ele foi um lançamento de 2015, de mesmo nome, porém a licença poética empregada foi longe demais.

Há a introdução de personagens inexistentes, a adaptação não é fiel, criando até mesmo uma história paralela para complementar a original. Pelo menos para mim, um humilde e voraz leitor adolescente, não funcionou. Mas tem uma coisa que se salva: a bela música de Lily Allen, “Somewhere only we know”. Procure o clipe com a tradução no YouTube, vale a pena assistir.

“se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz”

Bom, por hoje ficamos por aqui. Um bom final de semana para os amigos do Papiro e do Por dentro do RN.

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Sobre Alexandre Vitor, colunista do portal Por Dentro do RN

Coluna de Alexandre Vitor no Por Dentro do RN

Alexandre Vitor tem 14 anos e prefere ser chamado de Vitor; é um escritor iniciante e tem um conto publicado no Wattpad. Além disso, o autor tem como hobbies a leitura, a cozinha e a prática de esportes. Desde pequeno, Alexandre Vitor se interessa por literatura. Aos 11 anos, decidiu que queria ser escritor e até já tinha vários manuscritos, mas nunca colocou nada adiante.
O jovem articulista da coluna O Papiro é Louco, aqui no Por Dentro do RNconsidera-se um leitor eclético, ou seja, aberto a quase todos os temas, mas confessa que fantasia e aventura são seus gêneros favoritos. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Em defesa dos lugares incríveis, por Alexandre Vitor

Em defesa dos lugares incríveis, por Alexandre Vitor

Por Alexandre Vitor
Para o Por Dentro do RN

De tantos lugares incríveis no mundo, a autora Jennifer Niven escolheu as maravilhas do Estado de Indiana (EUA) para contar a história de Violet e Finch, dois jovens depressivos que se ajudam para enfrentar os desafios da vida.

Violet é uma jovem adolescente com uma vida perfeita, até que um acontecimento trágico na família serve de gatilho para que ela perca a alegria de viver. Finch é aparentemente um jovem feliz e sem grandes problemas, mas que na verdade encobre grandes mágoas e traumas do passado. Para a jovem, se envolver com o cara acaba sendo sua tábua de salvação, pois ela começa a valorizar coisas anteriormente desprezadas e que dão um novo sabor à sua vida; mas, de acordo com a evolução do relacionamento, começam a vir à tona as complicações de Finch, que são tão ou piores que as dela.

Aprovei a forma como a autora criou esses personagens, ambos complexos e com passados nebulosos, que nos faz refém da leitura, e a cada página a história nos surpreende com reviravoltas, nos deixando mais empáticos com as situações que os personagens enfrentam, coisas atuais que podem ocorrer na vida de qualquer um. O livro é narrado em primeira pessoa, alternando o ponto de vista dos protagonistas, ou seja, a autora nos possibilita entrar na cabeça dos personagens, mostrando-nos como pode ser duro e cruel alguns modos de viver.

Em defesa dos lugares incríveis, por Alexandre Vitor
Foto: Ilustração/Garotas Devorando Livros

O livro ganhou uma adaptação em 2020, de mesmo título, protagonizado por Ellie Fanning (a princesa Aurora de Malévola) e Justice Smith (Jurassic World: Reino ameaçado). Apesar de também comovente e com boas interpretações, a adaptação, como de praxe, não segue o livro fielmente, cancelando personagens importantes na trama e abandonando alguns detalhes pertinentes, tornando alguns momentos vazios se comparados ao livro. Aconselho que veja o filme após a leitura do livro, para que você tire suas próprias conclusões.

Apesar de ser uma leitura nada complicada, para algumas pessoas mais sensíveis podem haver gatilhos depressivos. Não recomendaria o livro para a galera com menos de 14 anos. Como reforço, mesmo não sendo uma história verídica, nos traz algumas lições marcantes. Vale muito a leitura. E tenho certeza que a turminha que adora romances vai se desmanchar em lágrimas.

Bom final de semana!

Foto: Reprodução

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Sobre Alexandre Vitor, colunista do portal Por Dentro do RN

Coluna de Alexandre Vitor no Por Dentro do RN

Alexandre Vitor tem 14 anos e prefere ser chamado de Vitor; é um escritor iniciante e tem um conto publicado no Wattpad. Além disso, o autor tem como hobbies a leitura, a cozinha e a prática de esportes. Desde pequeno, Alexandre Vitor se interessa por literatura. Aos 11 anos, decidiu que queria ser escritor e até já tinha vários manuscritos, mas nunca colocou nada adiante.
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Paulinho Freire presta contas na FECAM RN, por Thiago Martins

Paulinho Freire presta contas na FECAM/RN, por Thiago Martins

Por Thiago Martins
Para o Por Dentro do RN

O presidente da Federação das Câmaras Municipais do Rio Grande do Norte (Fecam/RN) realizou uma prestação de contas da entidade junto aos filiados na sexta-feira (19 de novembro) em Natal. Presidentes de Câmaras de todo o estado acompanharam as informações prestadas por Paulinho, além da análise das ações da entidade. Ponto positivo e um exemplo a ser seguido por todas as federações.

1ª prova: chegar a UFRN

Neste domingo, 21, foram aplicadas as primeiras provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem 2021). Diferente dos anos anteriores, quando dezenas de linhas de ônibus iam até a UFRN para o garantir o transporte dos estudantes que realizam a prova no local, neste ano, a STTU determinou que apenas duas linhas adentrem a Universidade. Para quem utiliza o transporte público de Natal, a primeira prova deste Enem foi, sem dúvidas, chegar à UFRN em meio a uma frota tão escassa.

Petigorando

Nem mesmo a linha Circular do Campus, que funciona de forma gratuita saindo do Via Direta até a Universidade, circulou. Isso por que as empresas de ônibus de Natal resolveram “entregar” a linha. Há meses a UFRN ‘petigora’ (por que não dizer “implora”?) pelo retorno do transporte na Universidade, em diversas reuniões não apenas com a Prefeitura, mas com órgãos de fiscalização. Até agora, sem qualquer ação que determine o retorno da linha.

Incêndio controlado?

O governo Fátima Bezerra (PT) passou pelas suas piores semanas, com uma sucessão de crises complicadas que afetaram muito a imagem do executivo estadual. A morte de um senhor que teve o atendimento recusado na porta do Hospital Walfredo Gurgel, a greve dos anestesistas (e consequentemente os hospitais lotados), a CPI da Covid na Assembleia com sessão secreta e um show a parte, ameaça da suspensão das atividades no Aeroporto de Mossoró e ainda a prisão do coordenador da Segurança Pública, Ivênio Hermes.

Em meio a tudo isso, a governadora estava na Dinamarca, participando de eventos estratégicos para o Estado. Não deu outra… foi um prato cheio diante de um período tão conturbado. A fumaça permaneceu, com a associação do governo ao cancelamento dos shows da Festa do Boi – erro gravíssimo da Anorc, associação responsável pela feira, na escolha da empresa responsável pelas apresentações. O incêndio ainda não foi totalmente controlado.

Mudanças

De toda forma, o governo Fátima iniciou as mudanças no secretariado, através da troca no comando da comunicação, com a saída de Guia Dantas, que passa a ser responsável pela assessoria da governadora, e o ingresso de Daniel Cabral para a pasta, estratégica no trato com a sociedade e apresentação das ações do governo. Segundo fontes ligadas à Governadoria, foi a primeira de uma reforma administrativa que vai acontecer na gestão estadual.

Escolham seus lados

Outro quadro que deixou o governo – este em definitivo – foi o secretário adjunto da Infraestrutura, Haroldo Azevedo Filho. Haroldinho entregou o cargo que ocupava desde o início da gestão de Fátima para acompanhar o pai, empresário Haroldo Azevedo, que trocou a pré-candidatura ao Senado por uma disputa pelo Governo do Estado, sendo um dos nomes que vai rivalizar com a governadora. Haroldo foi suplente do senador Geraldo Melo na década de 1990 e, entre outras áreas, é dono das rádio 94 e 97 FM de Natal.

PSDB dividido

As assessorias dos deputados até que tentam mostrar a unidade do PSDB potiguar em torno do nome do governador paulista João Doria, em sua disputa à vaga no Planalto, mas o sentimento forte nas bases é pelo governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.

E Moro, hein?!

De volta ao Brasil e já inserido no cenário político nacional, o ex-juiz da operação Lava Jato já está dando trabalho a quem estava no jogo. Entre os três mais bem colocados – Bolsonaro, Lula e Ciro – há sinal de luz amarela com os próximos passos de Moro, e a tendência é um combate dos três – mesmo que de forma independente – para desidratar o candidato desde já.

Me diz com quem tu andas…

No RN, o aliado de Moro é o senador Styvenson, do mesmo partido ao qual o ex-juiz se filiou, o Podemos.

Foto: Reprodução

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Sobre Thiago Martins, colunista do Por Dentro do RN

Thiago Martins

Thiago Martins tem 28 anos, é jornalista formado pela UFRN e atua do jornalismo político no Estado. Apesar de sua maior dedicação ser na área de Assessoria de Comunicação, observa e acompanha as principais ações políticas do Rio Grande do Norte, do Brasil, e do mundo, e escreve nesta coluna a respeito do tema. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Teen Wolf, mais uma história de lobisomem, por Alexandre Vitor

Teen Wolf, mais uma história de lobisomem, por Alexandre Vitor

Por Alexandre Vitor
Para o Por Dentro do RN

Começamos ontem o ciclo da Lua cheia desse mês, hein, galera? Aproveitando a inspiração, que tal maratonar uma série sobrenatural? Teen Wolf, estrelado por Tyler Posey (primeiro trabalho de mais expressão) e Dylan O’Brien (o Thomas de Maze Runner), conta a história de um adolescente comum que, ao receber a mordida de um animal desconhecido numa noite de Lua cheia, começa a ter comportamento estranho e acaba por se transformar em um lobisomem.

Com a ajuda de seu melhor amigo e de outros lobisomens, ele terá que esconder sua nova condição e também descobrir a causa de uma série de mortes estranhas que estão ocorrendo na pacata cidade de Beacon Hills.

A série se inspirou num filme de 1985, de mesmo nome, estrelado por Michael J. Fox (O carinha de “De volta Para o Futuro”). Ao longo das seis temporadas, os rapazes vão se transformando de garotos assustados a machos-alfa da alcateia. A série possui cenas de impacto e a cada temporada vai se tornando mais eletrizante, pois os desafios a ser enfrentados vão aumentando, ficando cada vez mais perigosos para o jovem lobisomem.

A história é interessante, pois apesar de ter uma atmosfera sobrenatural e falar sobre lobisomens, não é um seriado muito clichê. Os personagens possuem tiradas de humor em alguns momentos, diminuindo a tensão de algumas cenas. Minha crítica é só uma: a série se perde um pouco ao longo das temporadas por começar a incluir outros personagens míticos diferentes da temática.

Deem uma chance ao nosso lobo adolescente! Tenho certeza que será uma boa diversão sob os efeitos da lua cheia desse fim de semana.

Foto: Reprodução

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Sobre Alexandre Vitor, colunista do portal Por Dentro do RN

Coluna de Alexandre Vitor no Por Dentro do RN

Alexandre Vitor tem 14 anos e prefere ser chamado de Vitor; é um escritor iniciante e tem um conto publicado no Wattpad. Além disso, o autor tem como hobbies a leitura, a cozinha e a prática de esportes. Desde pequeno, Alexandre Vitor se interessa por literatura. Aos 11 anos, decidiu que queria ser escritor e até já tinha vários manuscritos, mas nunca colocou nada adiante.
O jovem articulista da coluna O Papiro é Louco, aqui no Por Dentro do RNconsidera-se um leitor eclético, ou seja, aberto a quase todos os temas, mas confessa que fantasia e aventura são seus gêneros favoritos. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Traiu ou não traiu Por Alexandre Vitor

Traiu ou não traiu? Por Alexandre Vitor

Por Alexandre Vitor
Para o Por Dentro do RN

Traiu ou não traiu? Eis a dúvida que sempre há de existir para os leitores do consagrado Machado de Assis, um dos mais célebres escritores da Literatura brasileira, na sua obra mais polêmica: Dom Casmurro.

Na história, vamos ser apresentados a Bentinho, que, agora velho e conhecido como Dom Casmurro, nos conta sobre a sua vida. O frustrado jovem sonhava em se formar em Direito, mas dona Glória, sua mãe, tinha outros planos e decide que ele deve seguir para o seminário, ameaçando seus objetivos e também seu romance com Capitolina, a Capitu. No seminário, ele conquista uma grande amizade com Escobar, que também não tinha planos de ser padre.

A história é um romance de formação, isto é, acompanha Bentinho desde a adolescência até a terceira idade. Durante esse período, acompanhamos seu modo de encarar os problemas (ou fugir deles) e seu gradativo crescimento moral, como também sua relação com a família, com Capitu e também com Escobar.

Eu sei, nem todos gostam de ler clássicos, ainda mais aqueles que contém expressões antigas ou praticamente extintas do nosso vocabulário atual. Mas como eu gosto de ser advogado do diabo e de mostrar os dois lados da moeda, vamos para a sua defesa: Esse livro tem uma grande importância para a nossa Literatura, tornando-se um marco da nossa história. Sua compreensão e interpretação não é difícil.

Também já foi tema de várias teses e estudos. Importante destacar a beleza que o autor expressa no texto, minucioso, prezando por uma excelente construção do cenário, além do desenvolvimento dos personagens de forma profunda e ambígua.

E a cereja do bolo: Houve ou não houve a famosa traição? A maestria do escritor é tão grande que, mesmo escrito em 1899, até hoje esse mistério continua. E eu começo a desconfiar que cada leitor acredita e defende uma versão, de acordo com sua vivência pessoal e maturidade. E até mesmo quem ler esse livro por duas vezes, se passado um intervalo de tempo, pode achar o contrário do que achava antes. Saber fazer um livro assim é para poucos.

Se você ainda não leu um clássico, começará com um dos principais, pode acreditar; e me conte aqui se houve ou não houve traição.

Foto: Reprodução/YouTube/Livraria Família Cristã

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Sobre Alexandre Vitor, colunista do portal Por Dentro do RN

Coluna de Alexandre Vitor no Por Dentro do RN

Alexandre Vitor tem 14 anos e prefere ser chamado de Vitor; é um escritor iniciante e tem um conto publicado no Wattpad. Além disso, o autor tem como hobbies a leitura, a cozinha e a prática de esportes. Desde pequeno, Alexandre Vitor se interessa por literatura. Aos 11 anos, decidiu que queria ser escritor e até já tinha vários manuscritos, mas nunca colocou nada adiante.
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A hora do lobisomem - um livro de contos de terror, por Alexandre Vitor

A Hora do Lobisomem: um livro de contos de terror, por Alexandre Vitor

Por Alexandre Vitor
Para o Por Dentro do RN

Auuuuuuu! Sabe o que significa isso? Que em breve mais uma pessoa será vítima da besta que assombra a pequena cidade de Tarker’s Mills. Vai me dizer que nunca ouviu falar dessa cidade? Então, você ainda não conheceu A Hora do Lobisomem, clássico escrito por ninguém menos que Stephen King, o famoso rei do terror. A obra é composta por uma coletânea de 12 contos e cada um deles ocorre em um mês do ano, sempre na lua cheia. Ao longo dos 12 meses, assassinatos suspeitos acontecem na cidade.

A hora do lobisomem: um livro de contos de terror, por Alexandre Vitor

Muitos habitantes consideram ser um serial killer, mas estão enganados. Enquanto as autoridades tentam controlar a situação, o ser misterioso continua fazendo mais vítimas. Stephen King, propositalmente, deixa as histórias em aberto ao final de cada capítulo, a fim de deixar os leitores curiosos e ávidos pelas histórias seguintes. É importante lembrar que todos os contos estão interligados.

No final das contas, acabamos devorando o livreto todo de uma vez. Exatamente por ser mais curta, a obra se diferencia de qualquer outro volume do autor. Ele sabe desenvolver os personagens de forma rápida, mas não necessariamente artificial. A escrita é fluida e ele preza muito pelos detalhes dos acontecimentos, o que nos deixa imersos na trama.

Após um tempo de lançamento (esse livro foi escrito em 1983), A Hora do Lobisomem foi adaptado para as telonas , com o título Bala de Prata. Não é totalmente fiel à obra, não segue a linha cronológica do livro e subtrai alguns dos contos, mas mesmo assim é razoável. Contudo, em sua defesa, venho falar que é difícil adaptar um livro de contos fielmente a um filme. Por via das dúvidas, aconselho que prefira o livro.

A hora do lobisomem: um livro de contos de terror, por Alexandre Vitor


Se você nunca leu nada do autor, é uma boa pedida começar por esse. Logo nas primeiras páginas, King consegue nos conquistar facilmente. E esse pode ser um bom volume para se iniciar nesse gênero. Com essa indicação, encerro o soturno mês de outubro, às vésperas das comemorações de Halloween e do Dia de Los Muertos. Aproveite em grande estilo, fazendo jus às datas sombrias.

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Alexandre Vitor tem 14 anos e prefere ser chamado de Vitor; é um escritor iniciante e tem um conto publicado no Wattpad. Além disso, o autor tem como hobbies a leitura, a cozinha e a prática de esportes. Desde pequeno, Alexandre Vitor se interessa por literatura. Aos 11 anos, decidiu que queria ser escritor e até já tinha vários manuscritos, mas nunca colocou nada adiante.
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In Vino Veritas O governo Bolsonaro e a banalidade do mal, por Rogério Melo

O governo Bolsonaro e a banalidade do mal, por Rogério Melo

Por Rogério Melo
Para o Por Dentro do RN

Na última quarta-feira, 20, a tão esperada leitura do relatório final, que marca a conclusão dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, foi realizada pelo relator Renan Calheiros (MDB-AL), onde ao longo de 1.180 páginas recomenda o indiciamento de 66 pessoas físicas e duas pessoas jurídicas (Precisa Medicamentos e a VTCLog).

As investigações que fundamentam os indiciamentos revelam supostos atos de corrupção na aquisição de vacinas pelo Ministério da Saúde, a postura negacionista por parte do Governo Federal em relação às vacinas e ao vírus SARS-CoV-2 (coronavírus) – causador da Covid-19, e com uso de tratamentos sem qualquer respaldo científico contra a Covid-19.

O relatório e os documentos que embasaram as investigações da comissão serão encaminhados às autoridades responsáveis pela persecução criminal, que consiste em investigar o fato infringente à norma penal e pedir, em juízo, o julgamento da pretensão punitiva. Os indiciamentos se baseiam Código Penal (CP), sobretudo nos artigos relacionados à propagação da doença – 267 (epidemia com resultado morte), 268 (infração de medida sanitária preventiva) e 286 (incitação ao crime); e à corrupção na compra de vacinas – 299 (falsidade ideológica), 319 (prevaricação) e 333 (corrupção ativa); Tratado de Roma (Decreto nº 4.388, de 2002); Lei de Crimes de Responsabilidade (Lei 1.079/1950); Lei de Improbidade Administrativa (Lei 8.429/1992); Lei Anticorrupção (Lei 12.846/2013); Lei de Organização Criminosa (Lei nº 12.850/2013).

Caso seja dado prosseguimento pelos órgãos competentes a novas investigações, os indiciados podem ser responsabilizados por outros crimes nas esferas cível, penal e administrativa. A caracterização de crimes contra a humanidade contra o presidente Jair Bolsonaro, por sua vez, exige que os documentos sejam remetidos ao Tribunal Penal Internacional, na cidade de Haia (Holanda), na costa do mar do Norte da região oeste dos Países Baixos. Jair Bolsonaro chegou a ser comparado pela ex-juíza brasileira daquele tribunal, Sylvia Steiner, com Omar al-Bashir, ex-presidente do Sudão, condenado por crimes de guerra e contra a humanidade.

O presidente encabeça a lista, indiciado pelos crimes prevaricação, charlatanismo, epidemia com resultado morte, infração a medidas sanitárias preventivas, emprego irregular de verba pública, incitação ao crime, falsificação de documentos particulares, crimes de responsabilidade (violação de direito social e incompatibilidade com dignidade, honra e decoro do cargo), e conforme já citado, crimes contra a humanidade (nas modalidades extermínio, perseguição e outros atos desumanos).

Além do presidente, também foram indiciados por outros crimes o atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga e o ex-ministro da mesma pasta, Eduardo Pazuello (artigos 267, 315, 319 e 340 do Código Penal, e art. 7º do Tratado de Roma).

Outros três ministros também estão sendo indiciados, Onyx Lorenzoni, ex-ministro da Cidadania, hoje ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República; Walter Braga Netto, ministro da Defesa e ex-ministro chefe da Casa Civil; e Wagner de Campos Rosário, ministro-chefe da Controladoria Geral da União – e dois ex-ministros, Ernesto Araújo, das Relações Exteriores e Fábio Wajngarten, da Secretaria Especial de Comunicação Social.

A lista das 66 pessoas indiciadas ainda conta com deputados, empresários, parlamentares e integrantes do chamado “Gabinete Pararelo” tais como os médicos Nise Yamaguchi e Luciano Dias Azevedo, o empresário Carlos Wizard e biólogo Paolo Zanotto, bem como o presidente do Conselho Federal de Medicina, Mauro Luiz de Brito Ribeiro.

Os rastros de morte e destruição deixados pela necropolítica (pegando de empréstimo o conceito desenvolvido pelo filósofo camaronense Achille Mbembe), promovida pelo movimento bolsonarista, parecem traduzir bem esse conceito por meio do qual Mbembe questiona os limites da sobenaria de um estado, quando em nome dessa soberania, ele escolhe aqueles que devem viver ou morrer. Não é exagero lembrar dos notáveis assassinos da nossa história como o fez a jurista Sylvia Steiner comparando o nosso presidente ao ex-residente sudanês.

Talvez qualificá-lo como um genocida seja, de fato, um exagero, conforme o fez o relator Renan Calheiros, num primeiro momento em seurelatório, mas que a pedido do presidente da CPI, Omar Azis (PSD-AM), declinou da decisão, reenquadrando-o num outro tipo penal muito próximo, e homônimo ao que fora o ex-presidente Omar Al-Bashir. As estatísticas funestas trazidas à luz pelo relatório suscitam outras reflexões e ressuscitam outras tristes feridas, ainda abertas, na história da humanidade, como os holocaustos alemão, italiano e russo – países que no passado, sob o domínio dos seus regimes totalitários, submeteram suas populações às mais atrozes formas de tortura e extermínio.

E aí, peço permissão ao leitor para o resgate de um outro conceito, desta vez, desenvolvido pela filósofa política alemã de origem judaica, Hannah Arendt. Para Arendt, a “banalidade do mal” seria a mediocridade do não pensar, a força motriz por trás do gênio exterminador de vidas.

Um conceito, invariavelmente, mal compreendido por alguns especialistas, por atribui-lo a pessoas “destituídas da capacidade de pensar”, como o fez ao discutir erigir tal conceito para discutir o julgamento de Adolf Eichmann, iniciado em 1961, em Jerusalém, e que resultou na pena de morte por enforcamento, ocorrida em 1962, nas proximidades de Tel Aviv. Arendt não atribui o mal ao nazista julgado, para quem suas ações criminosas foram motivadas pela sua condição de “burocrata zeloso” e pela sua incapacidade de pensar por si.

Na minha opinião, a história já nos ensinou o suficiente para entendermos que a banalidade do mal não se trata um sentimento que preenche o vazio institucional deixado pela incapacidade de pensar. A banalidade do mal, pelo contrário, é um sentimento que se nutre justamente pela incapacidade de sensibilizar-se com a dor do semelhante, com a incapacidade de sentir empatia, remorso, medo e, sobretudo, pelo sentimento de sentir-se a tal ponto tão superior aos seus semelhantes, que jamais será penalizado pela dor provocada contra seus corpos.

A banalização do mal, portanto, é o próprio cálculo e desejo doloso de extinguir toda e qualquer dissonância contra sua própria existência.

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Sobre Rogério Melo, que escreve na coluna In vino veritas, no Por Dentro do RN

Coluna de Rogério Melo para o Por Dentro do RN (In Vino Veritas)

Rogério Melo tem 51 anos, é comunicador social, cientista social e mercadólogo formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Também é mestrando em Ciência da Informação pela mesma instituição. Além disso, Rogério Melo escreve na coluna In vino veritas, no Por Dentro do RN, geralmente às sextas feiras; e comenta sobre os fatos políticos do RN e do Brasil. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.


Halloween, a noite do terror, por Alexandre Vitor

Halloween, a noite do terror, por Alexandre Vitor

Nada como passar o Halloween de forma tradicional, não é mesmo? Então, para que você aproveite bem o 31 de Outubro, separei o mais clássico filme de terror referente à data e um dos mais influentes de todos os tempos: “Halloween”, de 1978.

Dirigido por John Carpenter, Halloween traz a história de Michael Myers, um garoto de apenas 06 anos que, no Dia das Bruxas de 1963, assassina a sua irmã mais velha. Após o feito, ele acaba sendo internado em um hospital psiquiátrico. 15 anos depois, o maníaco retorna à sua cidade natal, e passa a perseguir um grupo de jovens.

Por mais que seja um filme simples e de baixo orçamento, Halloween se tornou um grande sucesso na época, conquistando novos fãs até hoje. A fama foi tão grande que gerou inumeráveis sequências, além de ter se consolidado como um dos primeiros e mais influentes slashers, tendo inspirado outros famosos filmes, como a série de filmes pânico, por exemplo.

Outro feito importante é que graças a esse longa, a comemoração do dia do Halloween acabou se popularizando em todo o mundo, rompendo as barreiras dos países Anglo-saxônicos.

Mesmo sendo um filme das antigas, na época que foi rodado ele se mostrou muito original. Naquele tempo não era comum que os filmes de terror tivessem um serial killer tão bem elaborado como Michael Myers. Um outro diferencial para a época é que, a maioria dos personagens de filmes de terror eram sempre idiotas que só sabiam correr e gritar, mas esse filme trouxe a protagonista Laurie Strode, cativante e inteligente.

Apesar de ter sido uma boa produção no ano de lançamento, algumas pessoas não irão se agradar muito, por causa da narrativa mais lenta (estamos muito acostumados com a agilidade e fluidez nos filmes da atualidade) e principalmente porque naquele tempo não haviam recursos tecnológicos para comparar aos filmes de terror de hoje, podendo até mesmo não ser tão assustador para alguns expectadores.

Essa é a minha recomendação para que você termine outubro de cabelo em pé. E lembrando que está em cartaz hoje nos cinemas mais uma das sequências desse filme: “Halloween Kills”, sinal que esse título ainda dá muito pano para as mangas.

Feliz Halloween, capriche na sua fantasia e deixe aqui a sua sugestão de filme ou livro de terror para essa data.

Foto: Reprodução

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Sobre Alexandre Vitor, colunista do portal Por Dentro do RN

Coluna de Alexandre Vitor no Por Dentro do RN

Alexandre Vitor tem 14 anos e prefere ser chamado de Vitor; é um escritor iniciante e tem um conto publicado no Wattpad. Além disso, o autor tem como hobbies a leitura, a cozinha e a prática de esportes. Desde pequeno, Alexandre Vitor se interessa por literatura. Aos 11 anos, decidiu que queria ser escritor e até já tinha vários manuscritos, mas nunca colocou nada adiante.
O jovem articulista da coluna O Papiro é Louco, aqui no Por Dentro do RNconsidera-se um leitor eclético, ou seja, aberto a quase todos os temas, mas confessa que fantasia e aventura são seus gêneros favoritos. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Sobre viver de migalhas e a equivocada necessidade de pertencer por pertencer, por Gustavo Guedes

Sobre viver de migalhas e a equivocada necessidade de pertencer por pertencer, por Gustavo Guedes

Por Gustavo Guedes
Para o Por Dentro do RN

Em uma realidade cada vez mais individualista, há quem se iluda com qualquer migalha de atenção, de falsa empatia, e se adapte a qualquer situação inferior à merecida. Neste contínuo processo de autoconhecimento, é seguro dizer que este que vos escreve, assim como vários outros indivíduos, foi uma dessas pessoas.

E, para chegar a essa conclusão, foi preciso sair da caverna da arrogância, do autoengano e aceitar a realidade como ela se apresentou a mim. Foi preciso analisar tudo criticamente, cada um dos momentos nos quais as minhas entregas pessoais a causas e pessoas ficaram no lado mais pesado da balança, sem contrapartidas ou sinal de companheirismo: apenas migalhas, sobras, restos do que se poderia ter.

É óbvio que não se trata de fazer e agir esperando recompensas em troca, não se trata disso. Porém, não nos deixemos levar pela linha tênue entre agir sem esperar nada em troca e desperdiçar nossa energia e dedicação com aqueles que , oportuna e pretensiosamente, se aproveitarão disso e da nossa boa vontade; e também se voltarão contra nós quando por alguma razão “subvertermos as expectativas” que eles próprios definiram como ideais.


Migalhas daquele patrão que não valoriza o nosso trabalho porque “não é nada mais além que a nossa obrigação”, que nos elogiam para nos ter em seus pés, mas nos descem o malho quando não correspondemos aos seus anseios. Migalhas daqueles amigos que recusam os nossos convites porque o trabalho e “as obrigações burocráticas” os impedem de qualquer coisa ou que só nos procuram quando precisam de algo. Ou ainda migalhas daquele amor que, um dia, já transbordou e hoje sobrevive de um passado distante, com a falsa esperança de que tudo voltará a ser como antes. Não volta.

A gente tende a aceitar essas situações porque temos medo de não encontrar outro emprego “devido à crise e aos boletos que batem à porta”, ou porque, presos às lembranças desse passado que não existe mais, não queremos romper laços com aqueles que pelos quais nutríamos um carinho ou mantínhamos um relacionamento amoroso/fraterno porque, simplesmente, temos medo de ficar sozinho devido à dificuldade de se encontrar alguém “de futuro” hoje em dia. Repare nas aspas no termo “de futuro”, pois eu abomino esse adjetivo, uma vez que não creio que exista isso.


Esse tipo de queixa é compartilhada aos montes em textões no Facebook, em tweets sarcásticos no Twitter ou em frases de efeito nos stories do Instagram. O problema existe, é conhecido, mas quantos de nós vamos além da superfície de likes nas redes sociais e nos aprofundamos nestes temas de maneira crítica, em prol de uma mudança de dentro pra fora, para que nos blindemos dos efeitos nocivos disso tudo que foi exposto acima? Falar o óbvio, sentar e reclamar resolve?

Ninguém pode ser feliz entregando-se a fantasias tolas; pois nada traz felicidade a menos que, também, traga calma; e não vive bem aquele que desperdiça a sua vida apreensivo e preocupado.

Sêneca, em Cartas de Sêneca a Lucílio


É certo que, em uma realidade como a nossa, quaisquer lampejos de carinho, de afeto e de consideração já são vistos como sinais de que encontramos o grande amigo ou amor das nossas vidas, mas as coisas não funcionam bem assim: buscar no outro a nossa (inexistente) metade “perdida” é a receita ideal para a frustração. O que precisamos para ser feliz não está no outro e triste o indivíduo que acredita que está. E eu já acreditei, por oito anos, que as coisas funcionavam assim.

Em primeiro lugar, a gente só lida melhor com as decepções que certas jornadas nos trazem quando a gente olha pra frente e aprende que o que passou não volta mais: ficar preso ao passado nos faz sofrer duas vezes. Em segundo lugar, quando a gente deixa de achar que o mundo nos odeia ou que a gente nasceu para viver das migalhas alheias, colocando em mente as pessoas são feitas de erros, acertos, sacanagens e boas ações: tudo isso junto em um só ser.

Em terceiro lugar, sem querer valorar o que é “certo” ou “errado”, é preciso ter em mente pessoas decepcionam umas as outras. Umas mais, outras menos, mas todo mundo decepciona ou já decepcionou alguém. Brigar contra isso é em vão. O que a gente faz com o que fazem com a gente é que nos diferencia dos demais.

Em vez de procurar definir o que é certo ou errado, acho mais inteligente tentar ter em mente que as nossas ações têm consequências e elas podem ser, individualmente, boas ou ruins. Que tenhamos liberdade para fazer tudo o que queremos fazer, mas sempre prontos para, cedo ou tarde, “sentar à mesa do banquete de consequências”.

A independência é algo para pouquíssimos: é a prerrogativa dos fortes. Quem procura sê-lo sem ter a obrigação, demonstra que, provavelmente, não apenas é forte; mas também possuidor de uma audácia imensa.

É inevitável — e justo — que os nossos mais altos anseios pareçam bobagens, em algumas circunstâncias delitos, quando chegam indevidamente aos ouvidos daqueles que não foram feitos para eles.

O que serve de alimento para o espírito de uma classe de indivíduos, deve ser como veneno para outras.

Nietzsche, em Além do Bem e do Mal

Quando mergulhamos de cabeça nesta missão de aprender com as nossas tragédias pessoais e começamos a traçar os nossos limites, definindo até onde devemos ir e até onde as pessoas que nos cercam devem ir, fica mais fácil perceber em que ponto o nosso senso de comunidade deixa de sê-lo e se transforma em “aceitar qualquer coisa para ser aceito, amado e pertencer a um lugar qualquer que nos caiba”. Isso está sob nosso poder.

Eu, que já pensei em tirar a minha própria vida por coisas que me fizeram em um passado não tão distante, passei a ganhar mais qualidade de vida e saúde mental quando comecei a pensar e, principalmente, a agir assim. E é isso que me diferencia de quem vive de postar frases de motivação na Internet e não procura, de fato, agir como tenta mostrar.

Acima de tudo, quando você se ofender pela deslealdade ou ingratidão de alguém, volte-se para dentro de si próprio: a culpa é exclusivamente sua se você confiou que uma pessoa com essas características seria fiel a você.


Marco Aurélio, em Meditações

Em minhas aventuras filosóficas do último ano, sempre retorno ao aforismo do abismo de Nietzsche: quem combate monstruosidades deve cuidar para que não se torne um monstro. E, se você olhar longamente para um abismo, o abismo também olha para dentro de você.

Todos nós temos os nossos abismos e, de acordo com a mensagem que o filósofo alemão nos passa, mesmo quando somos desafiados por esses abismos, é possível tirar o máximo valor das nossas tragédias pessoais. E ele fala isso sem romantizar o sofrimento; é algo mais como, já que eu não pude nem posso evitar isso, como posso tirar vantagem disso?

Para ele, a quantidade exata de tempo que uma pessoa deve olhar para o abismo consiste no período necessário para que ela consiga reconhecer e aceitar a realidade de sua dor, compreendendo-a e tirando as lições que devem ser tiradas. Em seguida, o indivíduo deve abandoná-la antes que ela o engula integralmente e o faça viver uma vida de ressentimento.

O ressentimento, quando nascido da fraqueza, não é mais prejudicial para ninguém que para o próprio indivíduo fraco; ao contrário daqueles fortes em espírito, para os quais o ressentimento é um sentimento supérfluo.

Os meus leitores que conhecem sabem a seriedade com que a minha Filosofia trava guerra contra os sentimentos de vingança e rancor.

Em meus momentos de decadência, proibi-me de tolerar os sentimentos acima porque eram prejudiciais; assim que recuperei o controle da minha vida suficientemente, porém, mantive-os proibidos, mas desta vez porque estavam abaixo de mim.

Nietzsche, em Ecce Homo


O ressentimento nos envenena e nos faz perder a chance de exercer a nossa vontade de potência, a nossa capacidade de fazer chover quando tudo parece árido. É preciso resistir em meio ao caos e ser corajoso para, mesmo diante das dificuldades e das incertezas, não aceitar qualquer coisa senão o quinhão que é nosso por direito.

Foto: Ilustração/Pixabay

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Sobre Gustavo Guedes, colunista do Por Dentro do RN

Gustavo Guedes colunista do Por Dentro do RN

Gustavo Guedes tem 29 anos, é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Escreve quando quer, o que quer e do jeito que bem entende. Mas se interessa pela área musical, por Astronomia, por Filosofia, pela boa política, por serpentes e tem uma simpatia por aviões; e tudo mais que o ajude a sair do tédio. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.
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O ouro negro na economia liberal e o olho gordo nas eleições de 2022, por Rogério Melo

O ouro negro na economia liberal e o olho gordo nas eleições de 2022, por Rogério Melo

Por Rogério Melo
Para o Por Dentro do RN

Após 95 dias de estabilidade nos preços no GLP (gás liquefeito de petróleo), na semana passada (8/10), a Petrobras anunciou reajuste de 7,8% no combustível que sai das refinarias. No caso da gasolina, a estabilidade dos preços foi de apenas 58 dias. Segundo a companhia petrolífera, os altos preços nos combustíveis refletem a elevação nos preços no mercado internacional, pressionados pelo crescimento da demanda mundial mediante uma oferta limitada, bem como da taxa de câmbio, em função da valorização do dólar no mercado global.

A partir do último sábado (9/10), o GLP da Petrobras sofreu um reajuste médio de R$ 0,26 por kg. Já a gasolina do tipo “A”, sofreu um reajuste médio de R$ 0,20 por litro, equivalente a 7,2% para suas distribuidoras. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o acumulado dos últimos 12 meses até setembro, já alcançou o patamar dos 39,6%.

Desde 2016, a Petrobras acompanha a variação do valor do barril de petróleo no mercado internacional e do dólar. A decisão em alterar a política dos preços dos combustíveis no Brasil à época, baseada na política de paridade internacional (PPI), se deu por duas razões básicas: se desvencilhar da dependência do seu acionista majoritário, a União; e a perda de mercado no Brasil, em razão dos preços baixos dos combustíveis praticados no exterior.

A adoção da PPI também veio acompanhada do anúncio da redução dos preços dos combustíveis nas suas refinarias, o que não ocorria desde 2009 – ano em que a Petrobras reduziu os preços da gasolina e do diesel em 4,5% e 15%, respectivamente. Esperava-se que com tal decisão, seu impacto incidisse diretamente na redução de preços para o consumidor final, caso fosse repassada integralmente, puxando para baixo a inflação e elevando as expectativas de melhora da economia, segundo especialistas.

Mas, afinal, por que os preços dos combustíveis são tão altos no Brasil?

Primeiramente, é importante lembrar que o então presidente da Petrobras à época, Pedro Parente, deixou muito claro em uma coletiva de imprensa que a decisão da petroleira não levara em conta os impactos sobre a inflação nem sobre a economia brasileiras, e sim os interesses da própria companhia.

Em segundo lugar, a composição dos preços dos combustíveis que utilizamos todos os dias no país é resultante de uma longa e complexa cadeia produtiva que se inicia com a extração do óleo em águas profundas (até 7 mil metros de profundidade), passando pelas refinarias (dando origem aos seus derivados, diesel, gasolina e GLP), até chegar nas distribuidoras (que revendem aos consumidores por meio dos postos de distribuição).

De acordo com dados colhidos no período compreendido entre 3 e 9 de outubro de 2021, segundo o site da própria companhia, no caso da gasolina tipo “A”, a legislação brasileira prevê que a gasolina vendida (73%) nos postos deve ser misturada com Etanol Anidro (27%). Esse custo (R$ 1,04), que é definido livremente pelos seus produtores, se soma ainda a o preço de realização da Petrobras (R$ 2,05), aos custos e às margens de comercialização das distribuidoras e dos postos revendedores (R$ 0,63) e aos impostos devidos, ICMS (R$ 1,71), CIDE e PIS/PASEP e COFINS (R$ o PIS/PASEP 0,69) e o COFINS.

Excetuando o CIDE, todos os demais componentes do preço da gasolina sofrem variações em cada estado onde a Petrobras vende gasolina a distribuidores. O alto preço praticado nas bombas do Rio Grande do Norte só perde para o estado do Rio de Janeiro, onde os custos de ICMS e de realização da Petrobras são sensivelmente mais elevados.

Em se tratando do diesel automotivo vendido no Brasil (89%), este deve ser misturado com biodiesel (11%) – um combustível renovável produzido a partir de óleos vegetais ou gorduras animais, formando o óleo diesel “B”, que é revendido nos postos. A sua composição de preços segue o mesmo raciocínio da composição de preços da gasolina.

Ou seja, o custo de aquisição do biodiesel (R$ 0,66), se soma ainda o preço de realização da Petrobras (R$ 2,71), aos custos e às margens de comercialização das distribuidoras e dos postos revendedores (R$ 0,54) e aos impostos devidos, ICMS (R$ 0,77), CIDE e PIS/PASEP e COFINS (R$ 0,33). Excetuando o CIDE, o PIS/PASEP e o CONFINS, todos os demais componentes do preço da gasolina sofrem variações em cada estado onde a Petrobras vende gasolina a distribuidores, dentre os quais o RN não figura entre eles. O preço do diesel mais caro do país é o do estado do Pará (R$ 5,24), seguido pelo estado do Goiás (R$ 5,11).

Finalmente, em relação ao gás liquefeito de petróleo (GLP) ou gás de cozinha, No preço do botijão pago pelos consumidores nos pontos de revenda estão incluídos os custos de realização da Petrobras (R$ 47,33), aos custos e às margens de comercialização das distribuidoras e dos postos revendedores (R$ 36,45) e o ICMS (R$ 14,89). Mais uma vez, o Rio Grande do Norte figura entre os preços mais caros (R$ 103,13), perdendo apenas para o estado do Pará (R$ 103,18).

Concluindo, poderíamos inferir que o grande problema que faz o combustível ficar caro é ter seu preço indexado ao valor do dólar. Como a política de preços internacionais impacta em 36% sobre o valor dos combustíveis, ou seja, parte do que o consumidor paga na bomba é em Dólar. A alta ou a baixa produção de petróleo tem estrita relação com sua oferta no mercado, bem como com a pressão sofrida pela alta ou baixa demanda pelos combustíveis, incidindo diretamente nos seus preços de mercado.

O fato é que o consumidor brasileiro além da sua baixa renda per capita, recebe seu salário numa moeda já demasiado desvalorizada em relação ao dólar, contribuindo de sobremaneira para redução do seu poder de compra e elevação descontrolada da inflação. Até onde isso vai parar? Aguardemos, em breve, o lançamento de um novo pacote econômico milagroso de cunho populista, haja vista que o próximo ano é de eleições presidenciais, e que está em poder do osso gordo, jamais quererá larga-lo, não é mesmo?

Foto: Ilustração/Pixabay

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Sobre Rogério Melo, que escreve na coluna In vino veritas, no Por Dentro do RN

Coluna de Rogério Melo para o Por Dentro do RN (In Vino Veritas)

Rogério Melo tem 51 anos, é comunicador social, cientista social e mercadólogo formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Também é mestrando em Ciência da Informação pela mesma instituição. Além disso, Rogério Melo escreve na coluna In vino veritas, no Por Dentro do RN, geralmente às sextas feiras; e comenta sobre os fatos políticos do RN e do Brasil. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

O Halloween se aproxima. Vamos nos preparar, por Alexandre Vitor (CAPA)

O Halloween se aproxima. Vamos nos preparar?, por Alexandre Vitor

Por Alexandre Vitor
Para o Por Dentro do RN

Sem ideias do que fazer no dia do Halloween? (lembre-se, é no dia 31 de outubro). Bom, a minha primeira dica é que você junte uma turma e saia por aí fantasiado. Se não for a sua vibe, vou dar então duas dicas de filmes para que você não passe em branco nesta data assustadora.

Para fugir um pouco dos filmes de terror durante o Halloween, que só servem para ficar com o coração na mão e com medo da própria sombra, por que não ver algo mais leve, hein? Então prepare sua pipoca e seus doces e veja essas indicações de filmes leves e divertidos.

HALLOWEENTOWN

O Halloween se aproxima. Vamos nos preparar, por Alexandre Vitor no Papiro É Louco

O filme se concentra na família Cromwell, em especial Marnie, uma adolescente que recebe a ilustre visita de sua avó na noite do Halloween. A garota descobre pertencer a uma linhagem antiga de bruxas e que precisa começar o seu treinamento a partir daquele instante, ou então perderá seus poderes para sempre. Para isso, ela e seus irmãos vão parar numa cidade muito diferente de onde vivem: Halloweentown.

Esse universo abriga monstros e seres mágicos, onde os doces ou travessuras nunca têm fim. Marnie também descobre que esse não foi o único motivo para ter sido recrutada, pois uma presença maligna promete tornar os dias na estranha cidade (e no mundo mortal) mais sombrios. Essa quadrilogia (sim, são quatro filmes, mas só indico o primeiro) tem todos os personagens conhecidos do imaginário fantástico: bruxas, vampiros, monstros e outros seres, e é um filme bem divertido e leve.

ABRACADABRA

O Halloween se aproxima. Vamos nos preparar?, por Alexandre Vitor

Um dos maiores clássicos do Halloween, este filme gira em torno do frustrado adolescente Max Dennison que, sem querer, acaba libertando um trio de bruxas na noite do Halloween. Para consertar a burrada e impedir que elas virem imortais, ele vai contar com a ajuda de sua crush Allisson e sua irmãzinha Dani.

Apesar de ser um filme bem clichê, é uma boa diversão em família. E conta com com duas atrizes bem conhecidas do público adulto: Bette Midler e Sarah Jessica Parker.

Caros seguidores do Por Dentro do RN, nestas semanas que antecedem o Halloween, pretendo falar um pouquinho mais sobre o assunto. Vejo vocês na próxima.

Foto: Reprodução

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Sobre Alexandre Vitor, colunista do portal Por Dentro do RN

Coluna de Alexandre Vitor no Por Dentro do RN

Alexandre Vitor tem 14 anos e prefere ser chamado de Vitor; é um escritor iniciante e tem um conto publicado no Wattpad. Além disso, o autor tem como hobbies a leitura, a cozinha e a prática de esportes. Desde pequeno, Alexandre Vitor se interessa por literatura. Aos 11 anos, decidiu que queria ser escritor e até já tinha vários manuscritos, mas nunca colocou nada adiante.
O jovem articulista da coluna O Papiro é Louco, aqui no Por Dentro do RNconsidera-se um leitor eclético, ou seja, aberto a quase todos os temas, mas confessa que fantasia e aventura são seus gêneros favoritos. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Feliz dia e muito obrigada, professores; por Ana Beatriz Amorim

Feliz dia e muito obrigada, professores; por Ana Beatriz Amorim

Por Ana Beatriz Amorim
Para o Por Dentro do RN

Sem dúvida, minha mãe foi minha primeira professora, motivo de inspiração e confiança. Nos meus primeiros anos, me repassou as informações iniciais de uma vida que estava apenas começando. Conforme fui crescendo, outras pessoas passaram a fazer parte de minha vida, novas relações surgiram e hoje escrevo aqui para homenagear essas pessoas de fundamental importância durante minha formação, meus professores.

Professores estes que me auxiliaram na construção de minha imagem externa, diante do mundo, e interna, perante eu mesma. O professor é aquele que nos deixa crescer com nossos próprios passos, porém sempre pronto a nos oferecer auxílio.

O ensino do professor de forma alguma está restrito as quatro paredes. Pelo contrário, algumas lições são lembradas por toda uma vida. E esta mesma vida não deixa de ser uma escola, na qual, somos mutuamente, professores e alunos, pois mesmo quando ensinamos, aprendemos. Chegar à conclusão de uma graduação/pós-graduação é algo recompensador e gratificante, pois vários degraus foram percorridos nesta escadaria.

Durante a minha caminhada acadêmica, as dificuldades não foram poucas, os desafios foram muitos. Os obstáculos, muitas vezes, pareciam intransponíveis. Muitas vezes me senti só, e, assim estive. Algumas vezes o desânimo quis contagiar, porém a garra e a força de vontade foram mais fortes, sobrepondo esse sentimento, fazendo-me seguir a caminhada, apesar da sinuosidade do caminho.

Agora ao olhar para trás, a sensação de dever cumprido se faz presente e posso constatar que as noites de sono perdidas, os longos tempos de leitura, a apuração da pauta, o correr para cumprir o deadline, a digitação, renderização, vetorização, discussão, a ansiedade em querer fazer e a angústia de muitas vezes não o conseguir, não foram em vão.

Ao corpo docente dos cursos de Jornalismo, Design Gráfico, Assessoria de Comunicação da Universidade Potiguar, e também aos professores do curso de Licenciatura em Artes Visuais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, o meu parabéns e muito obrigada. Todos, juntos, formaram um time imbatível no momento de compreender, ter paciência e de mostrar os caminhos corretos da profissão.

Feliz dia e obrigada, professores. Hoje estou aqui como sobrevivente de uma longa batalha, porém, muito mais forte e confiante, com coragem suficiente para enfrentar todos os obstáculos que ainda estarão por aparecer, tendo em vista que atualmente continuo qualificando-me para exercer as profissões que tanto amo e às quais venho me dedicando.

Foto: Ilustração/Quino

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Sobre Ana Beatriz Amorim, colunista do portal Por Dentro do RN

Ana Beatriz Amorim coluna Por Dentro do RN

Ana Beatriz Amorim tem 35 anos, é jornalista e designer gráfica formada pela UnP. Também é fotógrafa, licenciada em Artes Visuais pela UFRN e especialista em Assessoria de Comunicação. Adepta da teoria do faça uma coisa de cada vez e seja múltipla, escreve a respeito do cotidiano, artes, cultura e esporte.

É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Pérolas aos porcos - um texto sobre pandemia, reflexões internas e Estoicismo, por Gustavo Guedes

Pérolas aos porcos: um texto sobre pandemia, reflexões internas e Estoicismo, por Gustavo Guedes

Por Gustavo Guedes
Para o Por Dentro do RN

A primeira versão deste texto foi publicada (em outro local) em abril de 2020, quando o Brasil registrava pouco mais de 6 mil mortos pela Covid-19. De lá pra cá, este número cresceu 100.000 vezes e muita coisa mudou, muita mesmo; mas a premissa do texto é a mesma, independentemente do contexto: é importante concentrar-se em coisas sobre as quais temos controle e tirar o foco daquelas sobre as quais não temos. Por esta razão, resolvi atualizar tudo sem abrir mão da essência do texto original.

O último rolé que dei enquanto homem livre para lugares de grandes aglomerações foi em meados de março de 2020, logo no início da pandemia do coronavírus no Brasil. Era uma quarta-feira de karaokê em um bar em Candelária, aqui em Natal. Desde então, alternei entre os momentos de ócio criativo, quando aproveitei para escrever, refletir, tocar violão, estudar e fazer alguma coisa interessante; e aqueles nos quais pareci um vegetal, com um esgotamento mental sem razão aparente, vivendo da luz que entrava pela fresta da janela do quarto e sem vontade de fazer exatamente nada, vendo aleatoriedades na Internet e dormindo.

Durante estes quase dois anos da Covid-19 no Brasil, em conversas com os amigos, quando não me deparei com quem minimiza — ou até nega — os riscos da pandemia, não era raro lidar com quem ocupava o outro extremo do espectro: com os que sofriam (ou diziam sofrer) com a insônia, a compulsão alimentar, a ansiedade e os demais efeitos colaterais inerentes ao momento delicado atravessado por todos nós.

Hoje, exatamente um ano e seis meses desde a primeira versão deste texto, ainda costumo ler e ouvir as opiniões de quem inventa qualquer argumento para meter o louco ou mergulhar em uma tristeza profunda; ainda ouço, ainda leio, mas deixei de discutir com quem não está nem aí pra nada e só pensa em si; e também deixei de expor o meu modo de enxergar a vida para quem se encontra angustiado e sufocado pelas incertezas do dia-a-dia.

A razão da minha isenção — e aparente frieza — introduz ao meu objetivo principal desde 2019: fortalecer a minha mente concentrar-me nos eventos e ações que estão sob meu controle e aceitar todas aquelas sobre as quais eu não tenho domínio; e isso envolve eventos, pessoas, alegrias e tristezas.

VIVENDO EM PAZ SOB QUALQUER CIRCUNSTÂNCIA

Em se tratando de ansiedade e depressão, tenho o conhecimento da causa. Em meio às três drogas (devidamente receitadas por uma psiquiatra) que tomei entre dezembro de 2019 e agosto de 2020, estavam justamente duas daquelas utilizadas para tratar os dois transtornos citados acima. Logo, a minha experiência, mesmo que não seja a única, merece crédito e, como dizem atualmente, está no lugar de fala ao qual pertence.

A vida de quem tem ansiedade — e não procura ajuda — não é fácil e qualquer situação fora do normal, até nem tão fora do normal assim, é torturante. A gota d’água para a minha crise foi o fim de um relacionamento e o processo de retomada das rédeas da minha vida foi doloroso, angustiante e assustador. Mas, desde o início, trabalhei a minha mente para compreender que  a luta seria diária e eu não podia vacilar.

Quando a Covid-19 resolveu se meter a besta, eu já estava com a mente mais tranquila e menos vulnerável a fatores externos. Não atribuo a minha tranquilidade exclusivamente às drogas em questão, mas principalmente às escolhas que eu fiz quando tudo em minha cabeça era uma desorganização só: uma delas foi me debruçar sobre a Filosofia.

Em nenhuma ocasião se apresente como filósofo, não fale demais sobre os seus princípios em meio à multidão, apenas atue dentro deles. Ao invés de anunciá-los, permita que vejam as ações que esses princípios deram origem.
(The Enchiridion, p.36, Epicteto, 2014)

Uma vez interessado pela Filosofia, procurei fugir da visão esnobe de quem se interessa por alguma coisa simplesmente com o objetivo de tornar-se superior a alguém, por meio da imposição de teorias complicadas, termos técnicos e muitas vezes de difícil assimilação, e fui atrás de algo mais simples e aplicável ao meu conturbado cotidiano.

Em meio à busca por alguma coisa à qual eu pudesse me agarrar quando as circunstâncias não fossem tão favoráveis, conheci o Estoicismo, cujo princípio mais característico é o de concentrar-se em coisas sobre as quais temos controle e tirar o foco daquelas sobre as quais não temos.

Há coisas que estão ao nosso alcance, e há coisas que estão além do nosso poder. Dentro de nosso poder estão: a opinião, os objetivos, os desejos, a aversão e, em suma, quaisquer assuntos que sejam nossos. E, além de nosso poder estão: o nosso corpo, a propriedade, a reputação, a posição social e, em suma, tudo o que não é propriamente um assunto nosso.
(The Enchiridion, p.17, Epicteto, 2014)

Então, durante todo esse tempo, procurei internalizar a seguinte reflexão: quando decidem burlar o isolamento pelos motivos que julgam plausíveis, não importando as consequências que o ato irresponsável possa ocasionar, tenho eu, Gustavo Guedes, poder sobre isso? Quando, de maneira egoísta, não aceitam que aglomerações propiciam o contágio em massa de pessoas, dentre as quais estarão aquelas mais vulneráveis, tenho eu, Gustavo Guedes, poder para condenar quem “merece” e “não merece” ser contaminado pelo vírus?

A diferença entre o ano de 2020 e o momento no qual este texto está sendo atualizado, em outubro de 2021, é que agora nós temos vacinas e boa parte dos brasileiros tomou pelo menos uma dose. Logo, o fato novo é ouvir as seguintes justificativas, até mesmo daquelas pessoas que pregavam empatia meses atrás: ah, mas estamos vacinados!

Como se a vacina nos protegesse 100% do contágio , da transmissão e da morte. Confesso que ouço isso com frequência, mas não dou mais tanta importância e resumo minhas revoltas a tweets específicos, mas nada que me tire dos eixos por muito tempo. Minhas objeções a isso é que o brasileiro, no geral, não tem limites: no mínimo sinal de que as coisas estão melhorando, ao invés de manter a cautela e voltar a socializar com cuidado, mete o louco com tudo e, quando dá merda, inventa qualquer desculpa que o isente.

Em se tratando dos amigos e colegas que negligenciam a saúde mental: quando alguém, por não compreender que a saúde mental é importante e buscar ajuda profissional não é motivo de vergonha, se afunda em pensamentos automáticos, muitas vezes degradantes ou se entregam a prazeres baratos para preencherem seus vazios existenciais, tenho eu, Gustavo Guedes, poder para fazê-lo(a) mudar de ideia? Não se trata de ser frio, longe disso, mas de não gastar conselhos em vão.

E, no entanto, esse é precisamente o poder do estoicismo: a internalização da verdade básica de que podemos controlar nossos comportamentos, mas não os seus resultados — e muito menos os resultados dos comportamentos de outras pessoas — leva à calma aceitação do que quer que aconteça, seguro no conhecimento de que fizemos o nosso melhor, dadas as circunstâncias. (How To Be A Stoic: Ancient Wisdom for Modern Living, Capítulo III,
Massimo Pigliucci)

A minha aparente apatia diante de certos aspectos não decorre da frieza, mas da aceitação de que há coisas que não estão sob minha responsabilidade, sendo o egoísmo alheio e a incapacidade de reconhecer que precisa de ajuda apenas algumas dessas coisas. Até podemos tomar alguns cuidados para manter um corpo saudável e socialmente atraente e/ou aceitável, mas temos controle, por exemplo, sobre a nossa genética? E sobre a nossa predisposição a doenças? Entendem onde eu quero chegar?

Percebem que, tendo isso em mente, fica mais fácil raciocinar antes de tomar atitudes? Logo, se até sobre o nosso corpo, que nos acompanha até o último suspiro, não temos o total controle, por que deveríamos ter sobre as ações alheias?

Você pode ser invencível, se você nunca entrar em um combate onde a vitória não está sob o seu poder. (The Enchiridion, p.23, Epicteto, 2014)

NÃO CONFUNDAMOS ACEITAÇÃO COM NEGAÇÃO DA REALIDADE

Não sei vocês, mas eu sou do tipo de pessoa que, quando aprende sobre algo novo, gosto de debater o assunto com alguém que esteja minimamente interessado naquilo. Sem a soberba ou aquele ar de superioridade característico a alguns, apenas na tentativa de assimilar o que foi aprendido, abrindo a mente para os prováveis questionamentos que venham a surgir. É tão bom ouvir as histórias de alguém empolgado com aquilo que faz.

Uma das afirmações mais recorrentes de quem ouviu falar sobre o Estoicismo superficialmente é de que agir de maneira estoica seria negar a realidade até o ponto de se desconectar das emoções, o que está longe de ser verdade. Como um bom nietzschiano que me tornei, seria contraditório para mim adotar um comportamento negacionista da minha realidade.

Ignorar as nossas emoções e buscar no mundo externo remédios para tentar enganá-las não torna ninguém forte, tampouco nos torna estoicos. Evitar reconhecer e enfrentar os nossos problemas não é Estoicismo. Quando fazemos isso só para fingir que somos fortes, nós não estamos resolvemos nossos problemas; e isso nos faz fracos. Quando apenas fingimos ser estoicos, na verdade, perdemos o domínio sobre as poucas coisas que podemos, de fato, controlar.

Se você deseja progredir, você deve se contentar em parecer um tolo ou simplório no que concerne aos assuntos externos. Saiba que não é fácil manter a sua mente em harmonia com a natureza e ao mesmo tempo manter o controle das coisas externas. Se você dá atenção a uma, você necessariamente tem de negligenciar a outra. (The Enchiridion, p.21, Epicteto, 2014)

Ao contrário do que muitos pensam, o verdadeiro estoico não liga o foda-se para a realidade, mas age com técnica e habilidade na hora de lidar com ela. Logo, subentende-se que podemos ser mais enérgicos em alguns aspectos e mais ponderados em outros; não é simplesmente dar a outra face perante as ofensas, tampouco sair por aí querendo acabar com as injustiças do mundo brigando com tudo e todos.

E vou além: sabendo que os principais pensadores do Estoicismo da Antiguidade eram bastante ativos — social e/ou politicamente — na Roma Antiga, a afirmação de que o estoico viveria em um mundo no qual a realidade não importaria cai totalmente por terra. Colocar o Estoicismo nessa caixinha é conveniente para quem não está disposto a ir além das aparências; e eu vou explicar o porquê dessa afirmação logo no parágrafo abaixo.

Sêneca foi professor de Nero, que o condenou à morte; Marco Aurélio foi um dos cinco imperadores romanos mais bem-sucedidos da História e nunca perdeu sequer uma guerra enquanto foi imperador. Epicteto, por sua vez, embora escravizado, escreveu duas das obras mais importantes da Filosofia: Enchiridion de Epicteto e as Diatribes, cujos ensinamentos se perpetuam há séculos, mesmo que alguns coachs fuleragem tenham se apropriado deles e deturpado os seus sentidos em benefício próprio pra vender cursos no Instagram.

Como se pode observar, nenhum dos indivíduos acima ligou o foda-se para a realidade. Não só não ligaram o foda-se para a realidade como perpetuaram os seus feitos através dos séculos. Que tipo de indivíduo conformado faz isso? Até onde sei, nenhum.

O QUE É, DE FATO, SER ESTOICO?

Para fugir da visão superficial de que o Estoicismo prega uma vida cuja negação da realidade é tida como princípio, é preciso compreender como os estoicos dividem as coisas:

1 — As boas, consideradas as virtudes;

2 — As más, consideradas os vícios;

3 — As indiferentestodas as outras que não se encaixam em boas ou más.

Os nossos impulsos, juízos e desejos podem ser bons ou maus, e nós podemos controlá-los, logo, estão sob a nossa responsabilidade; Todas as demais coisas seguem suas próprias leis e a elas devemos ser indiferentes; e é aqui que todos confundem as bolas sobre o que é ser indiferente.

Os materiais são indiferentes, mas o uso que fazemos deles não é uma questão de indiferença. Como, portanto, um homem deve manter a firmeza e a paz de espírito e, ao mesmo tempo, o espírito cuidadoso, não sendo imprudente nem negligente? (Epictetus : the discourses as reported by Arrian, the manual, and fragments, p.237, Epicteto, 1956.)

Ser indiferente, de acordo com Epicteto, é aceitar a natureza das coisas que não estão sob o nosso controle e, a partir daí, agir com cuidado e sem precipitações na hora de lidar com elas. Se a situação apresentada é desagradável e não é coisa sobre a qual temos qualquer arbítrio, foquemos na técnica e na habilidade de atravessá-la impassivelmente. A técnica e a habilidade, neste caso, são coisas nossas.

Imagine um jogador de dados: para ele, os números são indiferentes, os dados são indiferentes; como ele vai saber o que vai cair? Não vai saber; mas ele deve ser cuidadoso e hábil com os números que caírem: essa é a tarefa dele. Da mesma maneira, portanto, a principal tarefa da vida é: distinguir as situações e pesá-las umas contra as outras, dizendo a si mesmo: “não posso controlar os fatores externos; mas a escolha sobre o que fazer com seus os resultados está sob meu controle”. (Epictetus : the discourses as reported by Arrian, the manual, and fragments, p.237–238, Epicteto, 1956.)

Retornando às problematizações sobre a falta de respeito de alguns com a pandemia; ou sobre quem se deixa levar pelas incertezas do futuro e não consegue manter a calma, é possível caracterizar tais opiniões e ações como indiferentes, uma vez que não tenho como fazer nada para torná-las favoráveis a mim. Portanto, qual deve ser a minha atitude diante delas? Observá-las cuidadosamente, ponderando o que me afeta e não me afeta, e agir com as técnicas e a habilidade adequadas para superá-las.

No caso específico, utilizar argumentos baseados em dados técnicos e científicos sobre os riscos de se promover aglomerações mesmo que estejamos vacinados e tentar dizer aos angustiados que tudo isso vai passar, aconselhando-os a buscarem ajuda profissional deveria ser suficiente e estaria sob a minha responsabilidade.

A maneira com a qual eles recebem essas informações e sugestões, muitas vezes negando-as e se chateando com minhas opiniões, todavia, não é coisa minha. E o fato de não ligar pra essas reações é o que me faz parecer, para alguns, alguém frio. Também não ligo. Ao perceber que o diálogo não está progredindo, portanto, o meu comportamento deve ser seguir o conselho de Epicteto sobre “não entrar em um combate em que não há chances de se sair vitorioso”.

É algo meio que preferir viver em paz a estar certo, sabe? Enquanto estive sem emprego fixo e sem salário fixo há por anos e meus amigos e conhecidos não sofriam com esse mal e todas as minhas apostas arriscadas pra vencer na vida deram errado, quais deveriam ser as minhas ações para cada uma dessas situações?

Se você imagina aquilo que, naturalmente, pertence a uma outra pessoa como propriedade sua, então você estará prejudicado. (The Enchiridion, p.17, Epicteto, 2014)

Aprendi, a duras penas, é claro, aceitar a realidade como ela se apresentava a mim. Aceitar sim, mas não simplesmente me conformar. A partir do momento que eu aceitei a minha realidade, consegui raciocinar a respeito de como iria lidar com ela e resolver as questões que tinham se aparecido no caminho.

Mas se você pensa que somente aquilo que lhe é próprio é o que lhe pertence; e aquilo que é próprio de outra pessoa pertence somente a ela, ninguém jamais irá colocar imposições ou limitações sobre você. Você não irá culpar a ninguém, não fará nada contra a sua própria vontade, não terá nenhum inimigo, pois nenhum mal pode alcançá-lo. (The Enchiridion, p.17, Epicteto, 2014)

Tinha eu, Gustavo Guedes, poder e controle sobre a condição alheia? Não. Logo, ela não me pertencia; tinha eu poder sobre o fato de eu receber diversos nãos e encontrar as portas fechadas quando procurava emprego? Não. O que estava ao meu alcance naquele momento? Continuar estudando, procurando e, por fim, avaliando maneiras de abrir por conta própria os caminhos.

AGORA EU VOU CANTAR PROS MISERÁVEIS, PRA ESSAS SEMENTES MAL PLANTADAS

Quando decidi me abraçar à Filosofia e ao Estoicismo para lidar com a minha realidade e traçar os meus objetivos de vida, é óbvio que também tive de lidar com o julgamento de terceiros no que concerne a essa escolha. Julgar é característico do ser humano e a gente nada pode fazer para mudar isso.

Se você se volta sinceramente à Filosofia, prepare-se desde o início para que zombem e riam de você: “aqui está ele novamente, se fazendo passar por filósofo. Onde é que ele adquiriu essa aparência orgulhosa? ”Agora, por sua parte, não tenha uma aparência arrogante, mas se prenda àquilo que lhe parece melhor. Lembre-se de que, se você for persistente, essas mesmas pessoas que, a princípio, te ridicularizaram irão, depois, te admirar. Mas se você for conquistado por eles, você será ridicularizado duas vezes. (The Enchiridion, p.24, Epicteto, 2014)

As opiniões alheias sobre mim não estão sob o meu controle, muito menos daquelas pessoas que ousam em me definir ou me julgar sem sequer me conhecerem minimamente. “Gustavo Guedes é isso, Gustavo Guedes é aquilo; Gustavo Guedes é um cuzão arrogante!”

Muitas pessoas tentam me definir pelo que escrevo, pelo que posto nos stories do Instagram e por conversas superficiais no WhatsApp, mesmo que essas plataformas representem quase nada de quem sou de verdade. Eu sou muitas coisas e elas não cabem no Instagram, no WhatsApp ou neste site.

A maneira como eu assimilo esses feedbacks, todavia, é de minha total responsabilidade. Depende de mim, Gustavo Guedes, — e de mais ninguém — utilizá-las ao meu favor ou simplesmente ignorá-las. Ser considerado louco, inconsequente e arrogante por terceiros, a princípio, pode ser desagradável.

Porém, qual deve ser o meu comportamento diante de tais julgamentos?

Em primeiro lugar, manter-se indiferente; em seguida, não agir feito louco, inconsequente e/ou arrogante. Dessa forma, o acusador não terá como sustentar suas teses e o cerne de suas maledicências por si só se destruirá. Eu só me preocupo com a minha reputação quando a ação nociva de terceiros faz com que eu perca oportunidades profissionais devido a calúnias e difamações. Mas, na maior parte do tempo, o que pensam de mim não paga minhas contas e eu simplesmente não ligo.

Lembre-se que más palavras ou golpes em si próprios não representam uma ofensa, mas a visão que consideramos essas coisas como tal. Quando, portanto, alguém te provocar, tenha certeza de que são as opiniões de quem está te provocando. Tente, portanto, em primeiro lugar, não ficar perplexo com as impressões que têm de você. Pois, se você ganha tempo e descansa, mais facilmente você se controlará. (The Enchiridion, p.23, Epicteto, 2014)

Manter um pensamento estoico tem sido, para mim, uma terapia melhor que qualquer outra, embora reconheça que não precisa ser a única. Considero mais válidas, todavia, quaisquer estratégias que, de maneira responsável e engrandecedora, tenham como foco a necessidade de se compreender que há coisas sobre as quais não temos qualquer poder e, consequentemente, não podemos evitar, restando a nós aceitar e agir habilidosamente para lidar com todas as situações externas às quais estamos vulneráveis.

Foto: Ilustração/Pixabay

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Sobre Gustavo Guedes, colunista do Por Dentro do RN

Gustavo Guedes escreve texto sobre o Universo Genial

Gustavo Guedes tem 29 anos, é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Escreve quando quer, o que quer e do jeito que bem entende. Mas se interessa pela área musical, por Astronomia, por Filosofia, pela boa política, por serpentes e tem uma simpatia por aviões; e tudo mais que o ajude a sair do tédio. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.
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Pandora Papers e a farra da dolarização da Economia brasileira, por Rogério Melo

Pandora Papers e a farra da dolarização da Economia brasileira, por Rogério Melo

Por Rogério Melo
Para o Por Dentro do RN

A grande bomba da semana ficou por conta do vazamento de arquivos financeiros que revelou a fortuna e os negócios secretos de alguns líderes atuais e passados mundiais. Os vazamentos revelam detalhes sobre o universo desconhecido das finanças offshore e das pessoas mais poderosas do planeta que detém negócios nessas empresas, que são abertas em um local diferente de onde o proprietário reside, também denominadas como sociedade ou empresa extraterritorial.

Dentre alguns nomes que figuram nos arquivos estão Vladimir Putin (presidente da Rússia), Tony Blair (ex-ministro britânico) e sua mulher, Cherie; Ilham Aliyev e Abdullah II Bin Al-Hussein (rei da Jordânia). O ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, também estão entre os nomes revelados nos vazamentos que estão sendo chamados de Pandora Papers. Ambos são sócios de offshores localizadas em paraísos fiscais.

O vazamento do Pandora Papers tem origem desconhecida, mas ganhou rapidamente espaço na mídia mundial por meio do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, sigla em inglês), uma entidade sem fins lucrativos sediada em Washington DC (EUA), formada há mais de um ano por centenas de jornalistas do mundo inteiro. Segundo o consórcio, o vazamento reúne 11,9 milhões de arquivos (documentos, e-mails, planilhas e entre outros tipos de dado), oriundos de 14 fontes, somando 2,94 TB de dados.

No Brasil, não é ilegal possuir uma empresa offshore, desde que seja declarado o seu saldo à Receita Federal e ao Banco do Brasil, quando esta possuir patrimônio superior a US$ 100 mil. O grande problema no caso do ministro Paulo Guedes e do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, é que como são funcionários públicos do alto escalão, existe o Código de Conduta da Alta Administração Federal, que veda investimentos que possam ser afetados por suas decisões em função de seus cargos, sejam eles no Brasil ou no exterior. O objetivo é evitar conflitos de interesse.

Paulo Guedes e Roberto Campos Neto integram o Conselho Monetário Nacional (CMN), órgão superior do Sistema Financeiro Nacional que tem a responsabilidade de formular a política da moeda e do crédito, objetivando a estabilidade da moeda e o desenvolvimento econômico e social do País. Como ambos têm acesso a informações sensíveis relacionadas a flutuações nas taxas de câmbio e variação nas taxas de juros, pode-se pressupor que ambos tenham se favorecido com as políticas econômicas adotadas pelo atual governo brasileiro.

Em nota emitida à BBC News Brasil, a assessoria de Paulo Guedes informou que “toda a atuação privada do ministro Paulo Guedes, anterior à investidura no cargo de ministro, foi devidamente declarada à Receita Federal, Comissão de Ética Pública e aos demais órgãos competentes, o que inclui a sua participação societária na empresa mencionada”, diz um trecho da nota. Já a assessoria de Campos Neto informou que todo o seu patrimônio, tanto no Brasil quanto no exterior, foi declarado à Comissão de Ética Pública da Presidência da República, Receita Federal e ao Banco Central.

Mas minha pergunta é: será que é suficiente informar aos órgãos competentes o montante do seu patrimônio, bem como declarar a existência de offshores de sua propriedade, quando se é um funcionário público de alto escalão e membro de um órgão superior do Sistema Financeiro Nacional?

Foto: Ilustração/Pixabay

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Sobre Rogério Melo, que escreve na coluna In vino veritas, no Por Dentro do RN

Coluna de Rogério Melo para o Por Dentro do RN (In Vino Veritas)

Rogério Melo tem 51 anos, é comunicador social, cientista social e mercadólogo formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Também é mestrando em Ciência da Informação pela mesma instituição. Além disso, Rogério Melo escreve na coluna In vino veritas, no Por Dentro do RN, às sextas feiras; e comenta sobre os fatos políticos do RN e do Brasil. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

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Livros físicos ou e-books, o que você prefere? – Por Alexandre Vitor

Por Alexandre Vitor
Para o Por Dentro do RN

Hoje eu trago essa pergunta a vocês. O que você prefere: ler, sentindo a textura do papel em suas mãos e o cheiro inconfundível do livro novo (ou velho, se preferir), ou acha melhor ler olhando para uma tela, de forma mais prática e moderna? Qual é o melhor, afinal?

Quando se aborda esse assunto, a maioria das pessoas ficam divididas; até porque ambos possuem vantagens e desvantagens, como tudo na vida, mas vamos lá. O livro físico é bom exatamente porque, convenhamos, o contato com o papel é bem mais prazeroso que tocar numa tela, e isso faz imensa diferença para leitores assíduos. Também tem a questão de ser possível fazer marcações, seja grifando ou colando post-its, ainda mais quando se fala em livros técnicos e voltados a estudos. Quem nunca grifou uma frase marcante em um livro inesquecível?

Além de tudo, ao terminar a leitura, você ainda terá mais um troféu para expor na sua estante! Mas é claro, o livro possui suas desvantagens: o peso pode ser grande, impedindo algumas pessoas de poder levá-lo na bolsa. Sem contar no preço, muito salgado no Brasil. Assim como previram o fim do cinema quando surgiu o medieval videocassete, muitos já previram o fim do livro, o que acho improvável. Enquanto houver leitores, existirão sempre os amantes do livro de papel.

E os e-books? Bem, são práticos e leves, ou seja, eles podem ser carregados sem o menor incômodo. Os preços costumam ser mais reduzidos, chegando às vezes a metade do valor do seu concorrente tradicional. Também existe a vantagem de você poder carregar uma verdadeira biblioteca debaixo do braço, devido à tamanha capacidade de armazenamento.

Isso é bom para quem lê vários livros ao mesmo tempo, ou para levar em alguma viagem. Mas, como os outros formatos, também apresentam problemas, como a necessidade de carregar a bateria, limitando o tempo de leitura às vezes. Um outro problema é o cansaço na vista, que sempre aparece, mesmo com a tela especial do objeto.

Afinal, na dúvida, o interessante mesmo seria não optar de início. Caso você tenha acesso, tente as duas formas de leitura. Com o tempo, você vai descobrir qual a sua preferida, mas a outra não será abandonada. O importante é o conteúdo lido e não a forma que você está utilizando.

Espero que você tenha gostado e continue acompanhando a coluna “O Papiro é Louco”.

Foto: Reprodução/Pixabay

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Sobre Alexandre Vitor, colunista do portal Por Dentro do RN

Coluna de Alexandre Vitor no Por Dentro do RN

Alexandre Vitor tem 14 anos e prefere ser chamado de Vitor; é um escritor iniciante e tem um conto publicado no Wattpad. Além disso, o autor tem como hobbies a leitura, a cozinha e a prática de esportes. Desde pequeno, Alexandre Vitor se interessa por literatura. Aos 11 anos, decidiu que queria ser escritor e até já tinha vários manuscritos, mas nunca colocou nada adiante.
O jovem articulista da coluna O Papiro é Louco, aqui no Por Dentro do RNconsidera-se um leitor eclético, ou seja, aberto a quase todos os temas, mas confessa que fantasia e aventura são seus gêneros favoritos. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Luciano Hang e a ópera buffa da política brasileira, por Rogério Melo

Luciano Hang e a ópera buffa da política brasileira, por Rogério Melo

Por Rogério Melo
Para o Por Dentro do RN

Existe um gênero antagônico à chamada “ópera séria”, surgido nas primeiras décadas do século XVIII, em Nápoles, e que depois se expandiu para Roma e para o norte da Itália, chamado de opera buffa.

A ópera buffa é uma forma de ópera cômica. Seu surgimento teve como principal objetivo subverter as características estilísticas da ópera séria, transformando-a em um gênero no qual a escumalha pudesse identificar sua própria semelhança com os personagens inspirados no modo de vida simples da sua gente. Por outro lado, a ópera séria era marcada pelas suntuosas temáticas épicas ou mitológicas, caracterizando-se como um entretenimento orientado à crème da la crème da sociedade italiana da época, ou seja, à nobreza.

Lá pelos idos das últimas décadas do século XVII, os dois gêneros de ópera que seguiam por caminhos evolutivos bastante diferenciados – visto que à medida que a ópera buffa que fora alcançando notoriedade, esse gênero passou a adquirir uma certa autonomia – ambos acabariam por convergir novamente. A ópera buffa passa a assumir características mais aristocráticas, que exigiam muito dos cantores em virtude das composições crescentemente rebuscadas.

Durante os séculos XV e XVI, período histórico no qual está o circunscrito o Renascimento, a Itália passava por uma série de problemas de ordens social, política, econômica e cultural, marcado por guerras, assassinatos, conspirações e assassinatos. E foi justamente nessa época, em 3 de maio de 1469, que nasceu uma das figuras mais importantes para da história universal, Niccolò di Bernardo Machiavelli, ou simplesmente, Maquiavel.

Autor da notável obra O Príncipe, Maquiavel é hoje considerado um dos primeiros cientistas políticos pela forma como pensou a conjuntura política da sua época, caracterizando usa obra como uma teoria do Estado moderno. O diplomata, historiador, filósofo, escritor e artista, passaria boa parte de sua vida realizando viagens diplomáticas no intuito de apaziguar os conflitos que assolavam os estados italianos.

Movido pelo sonho que ver uma Itália unificada, em O Príncipe, Maquiavel denuncia o perigo ao qual estava exposta a península, em razão da sua divisão política em vários estados, à mercê das maiores potências militares europeias. Nessa obra, ele discorre sobre as formas de como conduzir-se nos negócios públicos, tanto internamente, quanto externamente.

Trata-se de um “manual” de como conquistar, mante-se no poder de um principado, onde defendeu a centralização do poder político (e não absolutismo, conforme alguns interpretam) e a melhor forma de administrar o governo. As sucessivas rupturas e mudanças ocorridas nos séculos anteriores ao surgimento dos gêneros musicais já citados, foram responsáveis por profundas transformações sociais, políticas, econômicas e culturais, culminando com as rupturas no campo ideológico que influenciaram de sobremaneira a produção artística, já no século XVIII.

Dito isto, é importante ressaltar a necessidade de que façamos sempre uma reflexão sobre os fatos históricos que antecedem um fato político atual, analisando-o contextualmente, e nunca isoladamente, sob pena de perdermos de vista sob quais interesses os atores sociais envolvidos estão empenhados em produzir seus efeitos na correlação de forças que caracteriza a Política. A menção aos gêneros operísticos, a partir dos quais fiz esta breve introdução, nos servirá daqui em diante para estabelecer uma analogia ao fato político que se configurou como o mais importante da semana, o depoimento do empresário Luciano Hang.

Mais conhecido como o “Véio da Havan”, Hang é co-fundador e proprietário da Havan, uma das maiores redes de lojas de departamentos do Brasil. Foi eleito pela revista Forbes, no ano de 2020, o 21° mais rico do Brasil. A forma irreverente como se comporta em público, faz do empresário um chamariz da atenção pública em quaisquer lugares que vá, notadamente pela forma extravagante e cafona como se veste. Desde a sua reluzente careca até o terno de cores berrantes nos tons da bandeira brasileira, Hang não se furta de atrair os olhares mais diferenciados expressos em muitos tons de repúdio ou admiração.

Provavelmente, um dos maiores expoentes do bolsonarismo, prestou depoimento na CPI da Pandemia, na última quarta-feira, 29, já alcançou a marca de mais de 1, 6 milhões de visualizações, estabelecendo um novo recorde de audiência na comissão do Senado que apura irregularidades na condução do combate à covid-19. Antes mesmo de começar a depor, o senador e presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), permitiu a exibição de um vídeo institucional da Havan, a pedido do depoente, arrancando de alguns colegas da comissão fortes críticas de que estariam fazendo publicidade para a rede de lojas.

Adotando a estratégia da vitimização, Hang já chegou à CPI com placas em defesa da “liberdade de expressão”, declarando a imprensa esperar dos senadores a permissão para expressar com liberdade a sua versão dos fatos a cada pergunta realizada pelo relator Renan Calheiros (MDB-AL) e demais integrantes da comissão.

A convocação de Hang foi motivada pelo seu suposto envolvimento com o chamado gabinete paralelo, cuja função seria, dentre outras coisas, aconselhar o presidente na difusão ao uso de medicamentos comprovadamente ineficazes para o tratamento da Covid-19, a fim de evitar a adoção de medidas de isolamento prejudiciais à economia. Hang também foi questionado sobre suas ligações com o presidente Jair Bolsonaro e seus filhos, bem como a operadora privada de saúde, a empresa Prevent Senior, acusada de usar pacientes como cobaias do “tratamento precoce” e adulterado certidões de óbito com o objetivo de omitir a causa mortis dos pacientes por Covid-19.

Segundo as investigações diligenciadas pela CPI, uma dessas certidões adulteradas teria sido justamente a da mãe do depoente, Regina Modesti Hang, conforme afirmara em depoimento prestado no dia anterior, terça (28), Bruna Morato, advogada dos doze médicos que acusam a Prevent Senior de adulterar dados durante a pandemia.

No decorrer do depoimento, os senadores exibiram alguns vídeos de conteúdo apologético ao tratamento precoce, onde o empresário afirma em deles: “Tome a decisão acertada. Eu me cobro hoje que eu poderia ter salvado a minha mãe, de repente, se eu tivesse feito o preventivo”. Hang disse com surpresa que não sabia que o atestado de óbito da sua mãe omitira a real causa da sua morte por covid-19, e que ficara sabendo apenas naquele momento em que estava presente no depoimento.

“Pode ter sido um erro do plantonista, que colocou aquelas doenças. Mas, quando foram fazer o documento que vai para a secretaria de Estado, foi colocado covid-19. Não vejo interesse do hospital de mentir sobre a morte da minha mãe”, afirmou, apresentando um outro documento. Em outros momentos negou enfaticamente não pertencer ao “gabinete do ódio”, ser negacionista, apesar de defender por repetidas vezes o uso do tratamento precoce com medicamentos comprovadamente ineficazes no combate à Covid-19.

Negou também que fosse contra a vacinas, apesar de não estar vacinado contra a doença, alegando ter “alto índice de anticorpos” (importante frisar que a vacinação é recomendada até para aqueles que já se infectaram com o coronavírus, segundo recomendação científica). A sua participação também foi questionada, e negada por ele, na elaboração de um aplicativo chamado TratCov, lançado pelo Ministério da Saúde que prescrevia medicamentos como cloroquina de forma indiscriminada, mesmo havendo registros em vídeo no qual descreve o funcionamento das suas ferramentas.

A despeito das suas inúmeras negativas, e da presença de alguns “cães de guarda” no plenário da CPI para defendê-lo, suas estratégias não parecem ter convencido a opinião pública sobre o seu relevante papel no financiamento de informações falsas sobre a Covid-19, cujo principal objetivo era senão ocultar a gravidade da pandemia para a população brasileira e efetivar sua adesão à falsa possibilidade de controle da crise sanitária pelas vias ofertadas pelo gabinete paralelo a fim de salvar a economia do país.

Enfim, aquele que desde o início já se mostrava um depoimento desnecessário ao enrobustecimento do seu relatório final, se não chegou a confirmar a inapropriação, por outro lado, confirmou-se como uma poderosa ferramenta de propaganda espontânea para a rede de lojas Havan e para as narrativas negacionistas do governo Bolsonoro, corroborando a tese da inocuidade da sua presença, defendida por alguns parlamentares contrários à intimação do Luciano Hang para depor na CPI da Pandemia.

Se nas palavras do próprio presidente do plenário, Omar Aziz, já havia provas suficientes de que o Luciano Hang fora o grande financiador das fake news em prol do tratamento precoce contra a covid-19, porque então mesmo diante de tantas evidências resolvem dar ainda mais espaço na mídia para o empresário?

O depoimento, no fundo, só contribuiu para expor as graves fraturas nos sistemas judiciário e político brasileiros, responsáveis pelo enorme descaso com a situação vergonhosa em que se encontra a questão da concessão pública dos meios de comunicação de massa no Brasil, a desorientação generalizada porque passam as gestões de cada ente federado sem uma diretriz clara no que tange às políticas públicas sanitárias oriundas de uma liderança forte (não necessariamente absolutista) e alinhada com a produção científica das universidades do mundo inteiro, e sobretudo o desprezo pelas vidas humana, vegetal e animal, refletidas nas criminosas investidas do
agronegócio contra o nosso patrimônio natural.

E em expondo as já citadas fraturas, ela se caracterizou, à guisa de ópera buffa, como um teatro midiático que fundiu o grotesco e hilário, numa única peça. Uma ópera buffa protagonizada por uma personagem que mais parecia ter saído das páginas da famosa trilogia de J. R. R. Tolkien, Smeagol – disposto a perseguir seu precioso anel a partir de uma ética supostamente maquiavélica, segundo a qual “os fins justificam os meios” – do que com um respeitável empresário movido por uma causa social disposto as vidas humanas e a economia do país.

Foto: Ilustração/Rogério Melo

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Sobre Rogério Melo, que escreve na coluna In vino veritas, no Por Dentro do RN

Coluna de Rogério Melo para o Por Dentro do RN (In Vino Veritas)

Rogério Melo tem 51 anos, é comunicador social, cientista social e mercadólogo formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Também é mestrando em Ciência da Informação pela mesma instituição. Além disso, Rogério Melo escreve na coluna In vino veritas, no Por Dentro do RN, às sextas feiras; e comenta sobre os fatos políticos do RN e do Brasil. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

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Últimas conversas, por Ana Beatriz Amorim (Foto de Sara Recondo)

Últimas conversas: sobre a angústia do silêncio da ausência, por Ana Beatriz Amorim

Por Ana Beatriz Amorim
Para o Por Dentro do RN

É impossível superar uma vida interrompida. Com morte por infarto ou velhice, a gente aprende a lidar. Com uma tragédia, criamos um espaço doído e intocável que se força e se esforça para encontrar paz de vez em quando – e que entende que nunca vai conseguir sentir isso para sempre de novo.

A minha mãe morreu há mais de dez anos e nunca pode ver quem eu me tornei. A casa que sonho transformar no melhor lugar do mundo, a profissão em que me formei, depois a que inventei. Não soube das minhas histórias de amor, das viagens que fiz, das que sonho fazer. Nunca ganhou o presente de Salvador, nem sabe das músicas que eu ouço hoje, dos filmes que vejo, quais livros já li daquela minha estante infinita.

Aprendi a disfarçar a dor. E tenho uma tristeza que me acompanha sempre desde o dia em que tudo acabou. Sei que ela não ia querer saber que eu sinto essas coisas e talvez seja por isso eu tento viver tão bem.

Tem dia que é mais complicado.

Geralmente, acontece quando alguém ou alguma coisa te lembra que não tem jeito, que aquela pessoa que você amava profundamente não vai viver de novo, por mais que a medicina, a ciência e a tecnologia avancem tanto. Acabou, finito, já era, zerou. O mundo dela nunca mais vai encontrar o seu.

Minha mãe deixou de presente um grande ensinamento. Ela ouvia o que qualquer pessoa tivesse a dizer e extraía de cada uma sua melhor parte, ou a mais comovente. E ela ouvia seus pacientes com tanto interesse e tanto cuidado, sem preconceito ou julgamento. Tão raro, né?

E ela conduzia diálogos fantásticos, com suas perguntas lógicas e também com as absurdas. Foi ela quem me ensinou saber escutar com interesse e paciência. Aprendi que devemos respeitar os silêncios – que tantas vezes faz jorrar histórias e sentimentos de onde menos se espera. E que através do questionamento podemos captar histórias comoventes.

Acompanhar algumas notícias ultimamente é um exercício gigante de empatia. É sentir a dor do outro, se colocar no lugar, querer entrar na tela e dar um abraço na maioria deles! É se ver em gente que não tem nada a ver com você. O ouvir em alguns momentos universaliza a angústia e a dor, nos coloca todos no mesmo lugar, transforma a tragédia em algo que faz com que a gente se entenda um pouco mais. Nos envolve na intimidade e na fragilidade do outro e nos faz melhor ao refletirmos diante de cada situação vivenciada.

Viver é um aprendizado diário. Vale ainda mais a pena quando somos privilegiados e encontramos pessoas que criam um legado fascinante sobre a vida de gente comum ou quando você assisti um filme e fica pensando em vida e morte, lembra da música que você cantava para sua mãe e acabava arrancando risadas deliciosas dela.

Disfarçar a dor é daquelas verdades que acompanha sempre quem perdeu alguém que amamos. É esperar pela próxima lembrança para sentir aquela saudade boa e isso faz a gente seguir em frente. O silêncio do ausência chega a ser angustiante. Tem dia que é mais complicado e bate uma saudade absurda de nossas últimas conversas.

Foto: Reprodução/Sara Recondo

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Sobre Ana Beatriz Amorim, colunista do portal Por Dentro do RN

Coluna de Ana Beatriz Amorim Por Dentro do RN novo

Ana Beatriz Amorim tem 35 anos, é jornalista e designer gráfica formada pela UnP. Também é fotógrafa, licenciada em Artes Visuais pela UFRN e especialista em Assessoria de Comunicação. Adepta da teoria do faça uma coisa de cada vez e seja múltipla, escreve a respeito do cotidiano, artes, cultura e esporte. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Desventuras em Série desventurados em filme, em livros e em série, por Alexandre Vitor

Desventuras em Série: desventurados em filme, em livros e em série, por Alexandre Vitor

De Alexandre Vitor
Para o Por Dentro do RN

Quando as pessoas pedirem para que não reclamemos da vida, é melhor seguirmos essa linha de raciocínio, pois as coisas sempre podem ser piores. Por isso, apresento a vocês hoje as Desventuras em Série, uma saga literária composta por 13 livros, escritos por Lemony Snicket, em que conhecemos a vida desafortunada de três irmãos. Quando seus pais morrem em incêndio suspeito, os órfãos vão morar com um parente distante, que tem o único interesse de se apossar da imensa fortuna deixada pelos pais aos irmãos.


O vil Conde Olaf está disposto a qualquer coisa; e não é à toa que são 13 livros cheios de mistérios, incêndios, organizações suspeitas e tensão, além de muita falta de sorte. O que tem de dar errado, dará. Uma verdadeira sucessão de infortúnios e humor de caráter duvidoso.


Falando sobre a adaptação para as telas, o filme, lançado em 2004, foi estrelado por Jim Carrey (como Conde Olaf) e participação de Meryl Streep; e a série, produzida entre 2017 e 2019, foi estrelada por Neil Patrick Harris (aquele dos Smurfs) e Malina Weissman (de Supergirl).


O filme se baseou nos três primeiros livros, mas mesmo assim foi razoavelmente bem na fidelidade à estória. A atmosfera meio gótica (lembrando muito os filmes do Tim Burton), se adequou bem ao clima apresentado nos livros. Contudo, como sempre, algumas partes interessantes foram cortadas e alguns eventos foram postos fora da cronologia da obra. A série melhora nesses quesitos, até por ter mais tempo de duração.


Minha indicação para esse final de semana é você dar uma olhada nessa série/filme. É um pouco diferente dos padrões americanos aos quais estamos acostumados. Se você gostar, arrisque começar a saga literária. Como sempre, livros são sempre superiores.

Foto: Reprodução/Netflix

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Sobre Alexandre Vitor, colunista do portal Por Dentro do RN

Coluna de Alexandre Vitor no Por Dentro do RN

Alexandre Vitor tem 14 anos e prefere ser chamado de Vitor; é um escritor iniciante e tem um conto publicado no Wattpad. Além disso, o autor tem como hobbies a leitura, a cozinha e a prática de esportes. Desde pequeno, Alexandre Vitor se interessa por literatura. Aos 11 anos, decidiu que queria ser escritor e até já tinha vários manuscritos, mas nunca colocou nada adiante.
O jovem articulista da coluna O Papiro é Louco, aqui no Por Dentro do RNconsidera-se um leitor eclético, ou seja, aberto a quase todos os temas, mas confessa que fantasia e aventura são seus gêneros favoritos. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

A vexaminosa presença da comitiva brasileira na 75ª Assembleia Geral da ONU, por Rogério Melo

A vexaminosa presença da comitiva brasileira na 75ª Assembleia Geral da ONU, por Rogério Melo

Por Rogério Melo
Para o Por Dentro do RN

Essa semana começou bastante tensa para o presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido), que desembarcou em Nova Iorque (Estados Unidos), no domingo passado (19), por volta das 17h40, no horário de Brasília, para participar dos eventos e reuniões da 75ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), onde realizaria o discurso de abertura na assembleia, na terça (21). A agenda oficial também incluiria um encontro com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (que não aconteceu).

Sua presença por aquelas bandas não foi muito bem-vinda nem pela imprensa norte-americana (por quem cultivam profunda antipatia), nem por brasileiros residentes naquela cidade, que se manifestaram contra a comitiva brasileira em pelo menos duas situações. Os motivos das muitas polêmicas nas quais nosso chefe do executivo se envolveu se devem ao fato de declarar abertamente nunca ter se vacinado, ser um defensor do tratamento precoce contra a covid-19 (cuja eficácia nunca foi comprovada cientificamente), e de também não fazer uso da máscara como medida preventiva nos espaços públicos.

A partir daí, a viagem do presidente Bolsonaro e sua comitiva aos EUA foram seguidas por muitos outros “micos”. Talvez o maior de todos, e aquele que gerou mais memes entre os internautas foi quando ministro do Turismo, Gilson Machado Neto, postou em uma rede social uma foto em que aparecem o presidente comendo pizza na rua em Nova York, antes da Assembleia Geral da ONU, ao lado do presidente da Caixa, Pedro Guimarães; Luiz Eduardo Ramos, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência; Marcelo Queiroga, ministro da Saúde; e o próprio ministro do Turismo.

Bolsonaro foi hostilizado até pelo prefeito da cidade de Nova Iorque, o democrata Bill Blasio, que chegou a declarar em um pronunciamento feito na segunda (20), que caso o presidente brasileiro não quisesse se vacinar, não precisaria nem ir à cidade. Nesse mesmo dia, pela manhã, Bolsonaro e sua comitiva tomaram o café da manhã no hotel onde estavam hospedados, em uma área reservada para eles, apesar da existência de uma placa informando a obrigatoriedade da apresentação do comprovante de vacinação no restaurante.

O motivo é que a cidade exige, desde 16 de agosto, que as pessoas apresentem comprovante de vacinação contra a Covid-19 para ingressar em lugares fechados, como restaurantes, cinemas, teatros e academias. Apesar disso, nenhum dos funcionários locais exigiram o documento. Apenas um encontro oficial com o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, estava agendado para dia. A reunião seria para tratar sobre questões ambientais, entretanto, a vacina contra a covid-19 acabou se tornando a pauta.

No fim da segunda-feira, o grupo foi alvo de protestos de brasileiros em dois momentos diferentes: um no hotel onde a comitiva estava hospedada; e outro, em frente ao prédio onde fica o escritório brasileiro que representa o país nas Nações Unidas, durante um jantar com o embaixador brasileiro na ONU, localizado num bairro ao norte de Nova York.

Ao passarem pelos manifestantes, a comitiva foi recebida aos gritos de “genocida” e “assassino” e “fora, Bolsonaro”. Após o episódio, começaram a circular nas redes sociais um vídeo em que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, se levanta do banco chacoalhando as mãos incessantemente com seus dedos médios em riste. Uma atitude, no mínimo, lamentável para um representante do Executivo Federal.

Na terça (21), pouco antes de seu discurso na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) teve um breve encontro com o presidente polonês de extrema-direita, Andrzej Duda, para quem “ideologia LGBT” é pior que o comunismo.

Já durante o seu discurso que durou aproximadamente 12 minutos, o presidente Bolsonaro se posicionou contra o que vem sendo chamado de passaporte sanitário para vacinados, afirmou a não existência de corrupção no seu governo, descontextualizou informações sobre o desmatamento na Amazônia, afirmou que as manifestações ocorridas durante o 7 de Setembro foram “as maiores da história” (resta saber a qual história ele queria se referir), declarou que o desempenho econômico brasileiro está entre melhores dentre os países emergentes, e, claro, defendeu a adoção do chamado tratamento precoce contra a Covid-19.

E para fechar com chave de ouro a nossa coluna semanal, após o encontro com Boris Johnson, o ministro Queiroga anunciaria por meio de suas redes sociais ter testado positivo para a covid-19. Disse ainda que ficaria de quarentena (às nossas expensas, diga-se de passagem) nos EUA, “seguindo todos os protocolos de segurança sanitária”.

Ou seja, aqueles dedos médios em riste não foram só para os manifestantes contrários ao governo Bolsonaro em Nova Iorque, eles foram apresentados para você, leitor, que paga seus impostos para que seus representantes façam suas viagens de luxo. This is Brazil!

Foto: Rogério Melo

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As coisas que não podemos explicar, por Ana Beatriz Amorim

As coisas que não podemos explicar, por Ana Beatriz Amorim

Por Ana Beatriz Amorim
Para o Por Dentro do RN

Um dia uma amiga querida perguntou o que me encanta. Descobri que o encanto vem de coincidências que eu nem sei dizer, só sentir. Não tem regra, nem padrão, não tem roteiro, vivência anterior que dê a dica. É só um encanto. Encanto pelo encanto, essa coisa meio parnasiana.

Encanto é aquilo que enche o coração quando você menos espera. É aquilo que faz os olhos saltarem, se encherem de alegria ou de lágrimas. Lágrimas boas, não aquelas que lavam o desespero e a dor, mas as que transbordam o que o coração já não consegue dar conta.

Encanto, apesar do jogo de palavras, não se encontra em qualquer esquina, em qualquer canto. Mas aparece no diálogo mais banal, na surpresa que você nunca imaginaria, mas que vai lembrar pro resto da vida. Leva tempo para que duas pessoas descubram seus encantos. O dia a dia tem essa dureza de massacrar a gente, às vezes.

Leva tempo para que elas saibam o que enche o coração e transborda pelos olhos até se transformar em um beijo, um abraço ou na frase mais simples que diz a maior coisa do mundo, com todo o amor que isso carrega. Mas, às vezes, o encanto se perde de repente. E resta esperar que ele surpreenda de novo.

Foto: Reprodução/Ana Echebarria

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Sobre Ana Beatriz Amorim, colunista do portal Por Dentro do RN

Coluna de Ana Beatriz Amorim Por Dentro do RN novo

Ana Beatriz Amorim tem 35 anos, é jornalista e designer gráfica formada pela UnP. Também é fotógrafa, licenciada em Artes Visuais pela UFRN e especialista em Assessoria de Comunicação. Adepta da teoria do faça uma coisa de cada vez e seja múltipla, escreve a respeito do cotidiano, artes, cultura e esporte. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Legendtopia, um universo mágico infanto-juvenil, por Alexandre Vitor

Legendtopia, um universo mágico infanto-juvenil, por Alexandre Vitor

Por Alexandre Vitor
Para o Por Dentro do RN

Que segredos será que um restaurante temático fajuto pode esconder? Simples: uma passagem secreta para um universo fantástico.


Legendtopia, A batalha de Terr, é um livro infanto-juvenil escrito por Lee Bacon e lançado em 2018. Os livros são uma duologia, mas apenas o primeiro foi traduzido para o português até agora. Nessa história, vamos conhecer Kara, uma garotinha convencida e cética que descobre acidentalmente uma abertura para um reino fantástico e medieval, o Reino de Heldstone. Lá ela conhece Frederico XIV (Fred para os íntimos), um jovem príncipe que sonha em assumir o reinado e ser um herói, assim como seus ancestrais.


Quando os dois mundos se chocam, irão desencadear problemas para ambos os universos e personagens. Outras criaturas também virão a descobrir essa passagem e forças malignas tentarão dominar ambos os mundos. Fred e Kara precisam salvar seus dois lares. O livro é narrado em 1ª pessoa, sempre alternando o ponto de vista dos dois protagonistas, o que torna a estória mais dinâmica, onde o autor cria momentos engraçados e sarcásticos que contrastam com momentos de tensão.


Para quem se identificou com Nárnia, clássico do C.S. Lewis, há muita chance de gostar também dessa aventura, mas lembrando que ela é direcionada à galera pré-adolescente. Essa é minha indicação para esse final de semana, e é um bom livro para quem deseja se iniciar no hábito da leitura, sobretudo àquela turma que ainda não chegou à adolescência.

Foto: Reprodução

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Coluna de Alexandre Vitor no Por Dentro do RN

Alexandre Vitor tem 14 anos e prefere ser chamado de Vitor; é um escritor iniciante e tem um conto publicado no Wattpad. Além disso, o autor tem como hobbies a leitura, a cozinha e a prática de esportes. Desde pequeno, Alexandre Vitor se interessa por literatura. Aos 11 anos, decidiu que queria ser escritor e até já tinha vários manuscritos, mas nunca colocou nada adiante.
O jovem articulista da coluna O Papiro é Louco, aqui no Por Dentro do RNconsidera-se um leitor eclético, ou seja, aberto a quase todos os temas, mas confessa que fantasia e aventura são seus gêneros favoritos. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

O 11 de setembro e a 'Fakeada no Coração do Brasil', por Rogério Melo

O 11 de setembro e a ‘Fakeada no Coração do Brasil’, por Rogério Melo


Por Rogério Melo
Para o Por Dentro do RN

No dia 11 de setembro, último sábado, aquele que talvez tenha sido o maior atentado da história da humanidade completou 20 anos. Estamos falando dos ataques suicidas realizados por quatro aviões da Boeing (dois 757 e dois 767, dois da American Airlines e dois da United Airlines), que decolaram dos aeroportos de Boston, Newark e Washington, causando quase 3.000 mortes nos Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001. Naquela manhã, ambos os voos tinham como destino o estado da Califórnia. No entanto, eles jamais chegariam aos seus destinos.


Dominado por 5 sequestradores, o voo 11 da American Airlines, com 11 tripulantes e 76 passageiros, colidiu com a Torre Norte do World Trade Center, em Nova York, às 8h46. Apenas 17 minutos depois, o avião que fazia o voo 175 da United, com 9 tripulantes, 51 passageiros e 5 terroristas, colidiu com a Torre Sul. Às 9h37 daquela mesma manhã, todos ainda tentávamos processar tudo o que estava acontecendo, quando foi a vez do avião que fazia o voo 77 da American Airlines colidir contra o Pentágono, prédio do Departamento de Defesa dos EUA, em Washington. Nele, viajavam 6 tripulantes, 53 passageiros e 5 sequestradores.

Exatamente 26 minutos depois, às 10h03, a aeronave que realizava o voo 93 da United Airlines, que tinha como alvo o Congresso norte-americano, mas caiu perto de Shanksville, na Pensilvânia, depois que alguns dos 7 tripulantes e 33 passageiros que estavam sob custódia de 4 terroristas tentaram reassumir o controle do avião. Ao todo, somaram-se 77 minutos, tempo suficiente para que 19 terroristas da Al-Qaeda conseguissem marcar para sempre a história, no séc. XXI, com maior e mais ousado atentado terrorista de todos os tempos. O saldo total de mortos foi de 2.996, diretamente relacionado às ações terroristas. Porém, suas marcas perduram até os dias de hoje.

BOLSONARO E ADÉLIO, UMA FAKEADA NO CORAÇÃO


Não obstante, essa data não ficará marcada somente pelo aniversário de duas décadas do atentado, o último sábado foi marcado também pelo lançamento de um documentário, cujo principal objetivo é o de reescrever o fato político responsável pela ascensão de à presidência do então deputado Federal Jair Messias Bolsonaro, ocorrido em 06 de setembro de 2018, em Juiz de Fora, quando sofreu um atentado durante um comício que promovia sua campanha eleitoral para a presidência do Brasil.

O documentário, intitulado “Bolsonaro e Adélio – Uma fakeada no coração do Brasil” é o resultado de uma longa pesquisa elaborado pelo jornalista investigativo Joaquim de Carvalho, pelo cineasta Max Alvim e pelo cinegrafista Eric Monteiro, com produção da TV 247 e financiamento coletivo de seus assinantes e apoiadores. Publicado no dia seguinte, domingo (12), no YouTube, já mais de 1 milhão de visualizações. Durante aproximadamente 1 hora e 45 minutos, o jornalista Joaquim de Carvalho apresenta uma narrativa de que facada sofrida por Jair Bolsonaro, em 2018, durante sua visita à cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais, teria sido forjada, objetivando despertar o clamor público ao fato.


Mas os golpes sofridos pelo presidente durante essa semana não pararam por aí. Um grupo de juristas coordenado pelo ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior entregou nesta terça-feira (14) à CPI da Covid um relatório sobre os possíveis crimes de responsabilidade cometidos pelo presidente Jair Bolsonaro, durante a pandemia. O relatório servirá para embasar o senador Renan Calheiros (MDB-AL) na conclusão dos trabalhos da CPI, que deverá ser entregue no próximo dia 23.

Os crimes de responsabilidade, segundo a Constituição, são a condição por meio da qual um presidente da República pode ser submetido a um processo de impeachment. A comissão de juristas responsáveis pela elaboração do citado relatório sugere o indiciamento do presidente Jair Bolsonaro cometeu crimes contra a humanidade, a saúde, a administração e a paz pública, infringindo medidas sanitárias preventivas e praticando charlatanismo, incitação ao crime e prevaricação durante a pandemia de coronavírus.


“A responsabilidade penal do presidente da República é a do mandante, organizador e dirigente da conduta de seus subordinados, em especial do ministro da Saúde Eduardo Pazuello. Portanto, a resposta penal pode ser agravada. Para além da prática dos crimes comuns, também está demonstrada responsabilidade penal individual do presidente, do ministro Eduardo Pazuello e, pelo menos, da médica Mayra Pinheiro Correia, pelos crimes contra a humanidade analisados”, conclui o relatório.

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Rogério Melo tem 51 anos, é comunicador social, cientista social e mercadólogo formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Também é mestrando em Ciência da Informação pela mesma instituição. Além disso, Rogério Melo escreve na coluna In vino veritas, no Por Dentro do RN, às sextas feiras; e comenta sobre os fatos políticos do RN e do Brasil. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

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Olhar para dentro, por Ana Beatriz Amorim

Olhar para dentro, por Ana Beatriz Amorim

A melhor coisa que fiz por mim nos últimos tempos foi voltar a escrever. Dividir a angústia foi um alívio – e já me fez pensar em várias coisas, algumas novas, outras nem tanto. Escrever me tirou da inércia. Ler os comentários de vocês é a mesma coisa que receber uma injeção de adrenalina, motivação e amor.

A gente vive um momento delicado. É muito louco. Exigimos demais de nós mesmos – e o mundo ao nosso redor parece exigir mais ainda. Temos que fazer muito, ter uma vontade incessante, nos dedicar a tudo com muita determinação.

Ao receber o convite para colaborar com essa coluna, confesso que fiquei reflexiva. Gosto de ficar em dúvida. De pensar “pra quê?”. De quase desistir, ao menos por um tempo. Me senti mais gente de verdade, menos personagem nesta internet que a gente se acostumou a viver como palco.

Ao construir os textos e ver que muitos de vocês sentem as mesmas coisas, meu nível de empatia aumentou em 100%. Empatia, essa palavra de que eu tanto gosto! Entre o primeiro post e este, comecei um daqueles trabalhos que nos fazem lembrar porque escolhemos uma profissão. O que eu mais gosto no Jornalismo é de fazer entrevistas.

Gosto de dialogar com gente que dedica a vida inteira a uma ideia, a uma causa; gente que fala com paixão sobre o que faz, sobre o que ainda quer fazer – e a força incessante de cada um deles é impressionante! Não poderia haver momento melhor do que esse de entrar em contato com gente admirável, inspiradora, que todos vocês vão adorar conhecer no decorrer das próximas publicações.

Ao longo dessas conversas, que podem durar uma hora, mas geralmente duram 5, 6, 7 horas ou um dia inteiro, voltei a perceber que uma das melhores coisas do mundo é conversar ouvindo com toda atenção o que o outro tem a dizer. Ando tão fascinada por isso! Você conversa 5, 10 minutos, ok, pode saber algumas coisas sobre alguém. Passou da meia hora, não tenha dúvida que vai descobrir, ao menos um pouquinho, as nuances, o que faz aquela pessoa ser quem é.

Voltar a fazer Jornalismo me lembrou do que une tudo que fiz e faço na profissão. A vontade de compartilhar as coisas do mundo que me interessam e me emocionam. É quando mostro, faço um convite, converso sobre as coisas que elas ficam mais legais de verdade. Há momentos em que tudo que a gente precisa é olhar para dentro, né? E depois ver o tanto de mundo que existe lá fora.

Este post é para agradecer pelas palavras de vocês, que me lembraram da essência da reflexão. É muito natural para mim dividir o que me emociona. Pode ser uma foto, uma música, uma história transformadora. O mundo é tão interessante, e eu me empolgo tanto com tanta coisa que é impossível não postar por aqui com todo o amor do mundo.

Vocês são demais! Muito obrigada.

Foto: Ilustração/Duane Michals

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Sobre Ana Beatriz Amorim, colunista do portal Por Dentro do RN

Coluna de Ana Beatriz Amorim Por Dentro do RN novo

Ana Beatriz Amorim tem 35 anos, é jornalista e designer gráfica formada pela UnP. Também é fotógrafa, licenciada em Artes Visuais pela UFRN e especialista em Assessoria de Comunicação. Adepta da teoria do faça uma coisa de cada vez e seja múltipla, escreve a respeito do cotidiano, artes, cultura e esporte. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

A série Atypical e suas reflexões, por Alexandre Vitor

A série Atypical e suas reflexões, por Alexandre Vitor

Por Alexandre Vitor
Para o Por Dentro do RN

Como você se sentiria se fosse excluído simplesmente por ser diferente? Não por escolher, mas por ser diferente? Atypical é uma série estadunidense que mescla drama e comédia. Se concentra na vida de Sam Gardner, um adolescente autista que não possui muitos amigos. O garoto, além de enfrentar a solidão e outros dramas diários, passa por situações hilárias tentando encontrar uma namorada e ter suas primeiras experiências sexuais.


Por causa de Sam, também vamos conhecer as dificuldades que afetam o restante da família: sua irmã Casey e seus pais, mostrando que ninguém tem um manual de instruções de como conviver com o diferente. A série é um exercício de empatia para o expectador e de reconhecer que, mesmo com inabilidades em alguns setores, Sam, com seus esforços, consegue ter grandes momentos e ser mais verdadeiro que muitos ditos “normais”.


A série foi encerrada nesse ano após 4 temporadas de risos, lágrimas e situações bem constrangedoras. Vale a pena dar uma procurada na Netflix nesse final de semana. Tenho certeza que você vai ver os “diferentes” com um olhar ainda mais parceiro.


Dedico o texto de hoje a todos os garotos autistas, em especial a Ângelo e Augusto, que sempre encontro nos passeios pelo shopping.

Foto: Reprodução

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Sobre Alexandre Vitor, colunista do portal Por Dentro do RN

Coluna de Alexandre Vitor no Por Dentro do RN

Alexandre Vitor tem 14 anos e prefere ser chamado de Vitor; é um escritor iniciante e tem um conto publicado no Wattpad. Além disso, o autor tem como hobbies a leitura, a cozinha e a prática de esportes. Desde pequeno, Alexandre Vitor se interessa por literatura. Aos 11 anos, decidiu que queria ser escritor e até já tinha vários manuscritos, mas nunca colocou nada adiante.
O jovem articulista da coluna O Papiro é Louco, aqui no Por Dentro do RNconsidera-se um leitor eclético, ou seja, aberto a quase todos os temas, mas confessa que fantasia e aventura são seus gêneros favoritos. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Com união das três pré-candidatas, eleição da OAB RN caminha para a polarização, por Thiago Martins

Com união das três pré-candidatas, eleição da OAB/RN caminha para a polarização, por Thiago Martins

Por Thiago Martins
Para o Por Dentro do RN

As advogadas e até então pré-candidatas à presidência da OAB do Rio Grande do Norte, Marisa Almeida e Rossana Fonseca anunciaram que retirarão suas pré-candidaturas para apoiar Magna Letícia. O anúncio foi feito na sexta-feira, dia 10 de setembro. No jogo do poder cabe tudo; e a união das três ocorre mesmo em meio a divergências, acordos não cumpridos, além forte intolerância entre alguns integrantes dos três grupos aos quais fazem parte.

Por um histórico e tanto do trio, é possível afirmar que se trata da união entre as desunidas, a qual agora parte para a polarização de uma chapa forçada com o intuito de desbancar o atual presidente da ordem, Aldo Medeiros. Atualmente, as pesquisas indicam vantagem da atual gestão, mesmo sendo afetada pela pandemia da Covid-19. A conferir os novos episódios.

Missa de 7º dia

Foi cremado em Brasília, na última semana, o corpo do ministro aposentado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o potiguar José Augusto Delgado, que faleceu aos 83 anos, em decorrência de um AVC. Em Natal, haverá uma missa de 7º dia, que deverá reunir familiares, amigos, ex-alunos e admiradores do ex-ministro.

A missa será realizada nesta segunda-feira (14), às 19h, na Igreja Bom Jesus das Dores, na Ribeira.

O inferno astral de Álvaro

Na véspera do seu aniversário, comemorado em 4 de setembro, o prefeito de Natal, Álvaro Dias (PSDB), talvez tenha vivido o auge do seu inferno astral, com o anúncio de que sua líder na Câmara, a vereadora Nina Souza (PDT), deixaria o cargo. Não teve bolo, salgadinho, nem docinho que desse jeito. O prefeito segue sem líder, inclusive, afetando e travando as discussões dos projetos na Câmara.

É hora de apagar as velinhas

Na semana seguinte, a surpresa foi a manifestação de vereadores – tanto da base, como os oposicionistas – contra os graves problemas do transportes que impera em Natal, especialmente a retirada de linhas que ocorreram desde o início da pandemia e até hoje não foram retomadas pela Secretaria de Mobilidade Urbana de Natal (STTU).

O prefeito Álvaro Dias colocou uma pessoa de sua confiança na pasta, o secretário Paulo César, que é um homem sério e dedicado à coisa pública, com bom currículo político, mesmo não sendo técnico em transportes. Apesar disso, a pasta tem excelentes nomes técnicos, como a secretária adjunta Daliana Bandeira e Newton Filho, além de uma boa comunicação, feita por Tárcio Cavalcante.

Vamos cantar aquela musiquinha

Esse tema do transportes merece uma atenção especial. Há muito o prefeito Álvaro Dias vem tentando sim uma definição sobre a licitação e ações que garantam a melhoria do sistema de transportes de Natal, mas, sem sucesso.

Curiosamente, assistia hoje ao prefeito de Salvador, Bruno Reis (DEM), realizando a entrega de 160 novos ônibus à capital baiana, todos com ar-condicionado, ao mesmo tempo em que o próprio prefeito admitia que o transporte era o maior problema da cidade – assim como ocorre em todo Brasil e em várias cidades do mundo.

A questão é: como enfrentar isso? Em Salvador, que já licitou seu sistema, um dos consórcios teve o contrato rompido com a gestão. Então, faltam ações mais efetivas em Natal, e não é só para agradar os vereadores, mas para que as melhorias ocorram, de fato.

O efeito Lula está em campo

A governadora Fátima Bezerra segue com o ‘efeito Lula’ ligado, especialmente após a visita do ex-presidente a Natal, durante a caravana que realizou em estados do Nordeste. Se apoia no líder para ampliar a boa avaliação que seu governo tem tido e ganhar tempo em uma decisão crucial para o próximo ano: a escolha do vice.

Fátima e parte do grupo querem manter o atual nome de Antenor Roberto (PCdoB). Jaime Calado corre por fora. MDB se lança a todo momento – sendo recebido com espinhos pela deputada Natália Bonavides. Tempestade perfeita para o surgimento de um nome que alavanque, já que nem isso a oposição ainda conseguiu fazer.

Domingo ela não vai

A propósito, o PT anunciou que não participaria das manifestações do domingo (12) contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Convocadas pelo Movimento Brasil Livre (MBL), o evento teve presença confirmada de outros partidos de centro esquerda, como PSDB, PDT e Solidariedade.

Avaliação positiva

Para os apoiadores do grupo do presidente Jair Bolsonaro e até mesmo para observadores do cenário político, as manifestações favoráveis ao presidente no feriado de terça-feira, 7 de setembro, foi positiva.

De acordo com o nosso serviço secreto, que inclusive acompanhou tudo de cima de uma árvore na Prudente de Morais, à altura da Praça Cívica, a chegada das caravanas no interior demonstrou organização e é um fator importante na garantia de nomes de apoiadores do presidente para as eleições do próximo ano, tanto no parlamento estadual, quanto na Câmara Federal.

Foto: Reprodução/Instagram

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Sobre Thiago Martins, colunista do Por Dentro do RN

Thiago Martins

Thiago Martins tem 28 anos, é jornalista formado pela UFRN e atua do jornalismo político no Estado. Apesar de sua maior dedicação ser na área de Assessoria de Comunicação, observa e acompanha as principais ações políticas do Rio Grande do Norte, do Brasil, e do mundo, e escreve nesta coluna a respeito do tema. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Karatê kid e Cobra Kai, a ressurreição, por Alexandre Vitor

Karatê Kid e Cobra Kai, a ressurreição, por Alexandre Vitor


Por Alexandre Vitor
Para o Por Dentro do RN

Se você, que está lendo essas linhas, é um adulto e teve sua juventude nos anos 80, tenho certeza que viu os filmes Karatê Kid, grande sucesso na época. Se você, que está lendo essas linhas é uma criança/adolescente, provavelmente já assistiu ou ouviu falar na série Cobra Kai. E se assistiu, resolveu voltar no tempo (influenciado por seus velhos) e acabou assistindo os Karatês… de qualquer forma, se você não sabe do que estou falando, é porque esteve morando em Marte nos últimos anos.


Karatê Kid é uma sequência de 4 filmes estreado em 1984, com Ralph Macchio, Pat Morita e William Zabka. Os filmes, os três primeiros pelo menos, se concentram na vida de Daniel Larusso, um adolescente solitário que acabara de se mudar para a Califórnia. O garoto encontra dificuldades em se adaptar na nova cidade, pois é frequentemente vítima de bullying dos valentões da sua escola, liderados por Johnny Lawrence. Para conseguir contornar essa situação (e sobreviver), ele se aproxima de Sr. Miyagi, um mestre no Karatê, que o ensina não só as técnicas de autodefesa, mas também vira uma figura paterna para o cara. As continuações são voltadas a outras questões, mas ainda temos uma boa pegada sobre a arte do Karatê.


Existe um remake de Karatê Kid lançado em 2010 estrelado por Jaden Smith e Jackie Chan. Só que, nesse filme, a arte marcial é o Kung Fu. Mas como assim? Então o filme deveria ter se chamado Kung Fu Kid, não?


Recentemente, em 2018, foi lançado um spin-off chamado Cobra Kai, nos streamings Netflix e YouTube Premium, em que, já adultos, as rixas entre Daniel e Johnny se tornam maiores, envolvendo também seus filhos, amigos e toda a cidade. O problema vai aumentando a cada capítulo, o que torna a série envolvente.


A série tem uma boa produção, tem boas tiradas cômicas zoando com os costumes dos anos 80, que pareceu ser uma década bem divertida. Também é bom ver na série que as coisas não são tão preto no branco como pareciam ser no filme; e o vilão pode não ser tão vilão assim. Também há os conflitos da galera jovem; e todos acabam juntos e misturados.


Vale a pena fazer a maratona completa, começando com os Karatês, mesmo com aquela pegada bem datada nos anos 80, para se situar melhor em algumas lembranças e não ficar perdido em algumas piadas da série atual. Lembrando que a série ainda está em andamento, com sua 4ª temporada esperada para dezembro de 2021 e com mais promessas de continuação.


E você, já viu Karatê Kid? Está se identificando mais com Daniel ou com Johnny? Comenta aí.

Essa coluna de hoje é em homenagem aos meus amigos do Dojo Samurai.

Foto: Reprodução

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Sobre Alexandre Vitor, colunista do portal Por Dentro do RN

Coluna de Alexandre Vitor no Por Dentro do RN

Alexandre Vitor tem 14 anos e prefere ser chamado de Vitor; é um escritor iniciante e tem um conto publicado no Wattpad. Além disso, o autor tem como hobbies a leitura, a cozinha e a prática de esportes. Desde pequeno, Alexandre Vitor se interessa por literatura. Aos 11 anos, decidiu que queria ser escritor e até já tinha vários manuscritos, mas nunca colocou nada adiante.
O jovem articulista da coluna O Papiro é Louco, aqui no Por Dentro do RNconsidera-se um leitor eclético, ou seja, aberto a quase todos os temas, mas confessa que fantasia e aventura são seus gêneros favoritos. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Buscando espaço para os encontros, por Ana Beatriz Amorim

Buscando espaço para os encontros, por Ana Beatriz Amorim

Por Ana Beatriz Amorim
Para o Por Dentro do RN

Viver uma pandemia não estava nos meus planos. Me falta repertório emocional para passar por um momento histórico desse nível. Até gostava de ver filmes e de ler sobre futuros meio catastróficos, meio inevitáveis, mas ainda assim distantes. No futuro, afinal. Agora, enquanto um vírus se espalha, queria escapar para o futuro-onde-sim-vai-ficar-tudo-bem-tomara. Ou então voltar para o passado, quando podia encontrar quem quisesse no momento que estivesse a fim. Saudade dos bons encontros.

Porque na vida vivida pelas telas, alternando entre celular e computador, terminando o dia de frente para TV, vemos pedaços da gente. Estamos em uma observação constante sobre nós mesmos refletidos em lives, reuniões no Zoom, videochamadas. Ainda bem que vivemos essa pandemia em um momento em que a internet dá conta de reproduzir múltiplos espaços da nossa vida, claro.

Dá pra trabalhar, estudar, fazer doação, encontrar os amigos, buscar entretenimento e informação (essa última, quanto mais moderação, melhor para sua saúde mental). É por ela que tentamos suprir a falta do outro com uma checagem emocional constante – agora a interlocução conta com minutos iniciais para conferir se tá dando para atravessar o dia. Ainda assim, que saudade de abraçar.

Saudade de ver, encostar, ocupar o mesmo espaço, ficar na rua, dançar, passear pela cidade, ir de uma exposição a um restaurante, emendar com a sobremesa, migrar para o quintal dos amigos, apertar as crianças que estamos deixando de ver na idade que elas têm agora – e me parte o coração ir ao Parque das Dunas e não poder interagir com um menino de três anos enquanto ele se diverte com um cachorro que é seu amigo também. Tem dias que sinto falta até da conversa de elevador, quando a gente conseguia falar sobre o tempo, e não sobre a pandemia vivida no pandemônio que se tornou o Brasil desde 2020.



É no final de semana que essa saudade se intensifica. Quando a gente fazia tudo isso prolongando o dia para ficar junto, cada hora revendo mais um amigo, naquela aglomeração de afeto que era capaz de nos dar mais energia de vida. Conversando sobre diversos assuntos, lembrando do que acabou de acontecer durante a semana, da partida de futebol, dos planos, das viagens, reforçando nosso entendimento de que a gente vive bem quando vive junto. Ouvindo música, escutando o outro de corpo inteiro, experimentando até ficar em silêncio também. A conversa pela tela é focada, não deixa espaço para a pausa. E tantas vezes é no silêncio compartilhado que acontece uma conexão mais profunda.

A certa altura talvez muitos de nós vamos furar a quarentena, imagino. Porque a gente tem necessidade de afeto, de abraço, de toque, de ficar junto. E, sem previsão de quanto tempo vai durar a pandemia, vamos precisar desenhar alternativas para ver o outro com segurança, respeitando protocolos. Uma amiga me ajudou a levar o pensamento para um lugar menos rígido, falando de necessidade versus risco. “Comprar comida num supermercado é alto risco, mas grande necessidade, por isso vamos. No começo da pandemia a gente colocou os encontros como baixa necessidade. Mais de um ano depois virou alta necessidade”

A gente precisa reforçar os cuidados mesmo com a chegada e o acesso à vacina para poder entrar em contato com nossas pessoas queridas. Ao montar logística para rever alguns, confesso, primeiro senti angústia e quase um desespero. Para logo depois pensar que essa atitude de buscar espaço para os encontros pode se tornar possibilidade também.

Se é disso que vamos precisar para viver momentaneamente o presente com um pouco mais de afeto, me vem à cabeça uma figurinha de WhatsApp: já tô com roupa de ir. Porque não vejo a hora de tomar minha segunda dose da vacina e a gente se encontrar de novo com os devidos cuidados – e mais uma vez sempre com a esperança de que teremos dias melhores.

Foto: Ilustração/Getty Images

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Ana Beatriz Amorim

Ana Beatriz Amorim tem 35 anos, é jornalista e designer gráfica formada pela UnP. Também é fotógrafa, licenciada em Artes Visuais pela UFRN e especialista em Assessoria de Comunicação. Adepta da teoria do faça uma coisa de cada vez e seja múltipla, escreve a respeito do cotidiano, artes, cultura e esporte. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Das bravatas às gravatas no Dia da Independência, por Rogério Melo

Das bravatas às gravatas no Dia da Independência, por Rogério Melo

Por Rogério Melo
Para o Por Dentro do RN

Na terça-feira passada, 07, dia em que se comemora a Independência do Brasil, manifestantes saíram às ruas em pelo menos setenta (70) cidades brasileiras para declararem seu apoio ao Governo Federal, segundo apontam as estimativas de seus organizadores.

Os manifestantes saíram em carreata até os respectivos pontos de concentração previamente definidos, exibindo cartazes pedindo o “fechamento do Congresso Nacional”, as adoções do “voto impresso” e de um “tribunal militar”, a “exoneração de todos os ministros do STF”, a “intervenção das Forças Armadas” e a consequente instauração de um “Estado de Sítio” no país, bem como outras ilegalidades que afrontam o Estado Democrático de Direito, cujas leis [pelo menos teoricamente] são criadas pelo povo e para o povo, a fim de respeitar a dignidade da pessoa humana tão violada em tempos de Ditadura Militar.

Apesar da recomendação das principais lideranças nacionais de esquerda para que se evitassem as manifestações, naquele dia, os atos contra o governo também marcaram presença nas ruas para protestar contra o descontrole da inflação, a alta taxa desemprego, os altos preços dos combustíveis, da energia elétrica e da cesta básica; contra a recessão econômica, e pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro.

Para as lideranças de esquerda, o motivo era evitar o confronto direto entre o “Grito dos Excluídos” e os bolsonaristas, que insuflados pelas declarações abertas do presidente em apoio ao armamento de seus aliados, pudesse resultar até mesmo em mortes. Entretanto, a despeito das tensões provocadas pelos discursos inflamados da população, as polícias militares dos estados não registraram nenhuma ocorrência digna de nota.

O presidente também voltou à pauta do voto impresso, criticando o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, contudo, sem fazer qualquer menção ao seu nome. Importante aqui destacar sobre o arquivamento do Projeto de Emenda Constitucional do voto impresso (PEC 135/2019) na Câmara dos Deputados, votada no dia 10 em agosto, que representou uma derrota para o governo Bolsonaro para quem o sistema de votação por meio da urna eletrônica é fraudulento, se eximindo de apresentar quaisquer provas que corroborem com suas levianas afirmações.

Partindo de uma percepção ampliada falsamente a todos os brasileiros, afirmou para os presentes: “Não podemos admitir um sistema eleitoral que não fornece qualquer segurança. Nós queremos eleições limpas, democráticas, com voto auditável e contagem pública dos votos. Não podemos ter eleições onde pairem dúvidas sobre os eleitores. Não posso participar de uma farsa como essa patrocinada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral”, disse Barroso.

Flopou

Um fato chamou a atenção de lideranças oposicionistas, que se manifestaram nas redes sociais sobre os atos de 7 de setembro, foi a baixa adesão por parte de manifestantes pró-governo, nos quais era esperada a participação de um público pelo menos 95% superior ao verificado, tanto na Esplanada dos Ministérios, em Brasília; quanto na Avenida Paulista, em São Paulo. Segundo Tweetdeck, um aplicativo de mídias sociais, que integra mensagens do Twitter e do Facebook, a hashtag #flopou entrou nos trending topics das redes durante a tarde.

O verbo “flopar” é um estrangeirismo utilizado por jovens para se referirem aos eventos que não conseguem alcançar o público almejado pelos seus organizadores. “Flopar”, portanto, se origina do termo, em inglês flop, podendo ser traduzido como “fracasso”. O termo figurou entre os termos mais buscados no Google, ainda durante a tarde, segundo o Google Trends.

Na Esplanada dos Ministérios, a estimativa de público de 150 mil pessoas, o que equivaleria a 5% do público previsto pelos manifestantes pró-Bolsonaro, segundo informação não oficiais fornecidas pelo jornal Valor Econômico aos demais veículos de imprensa.

Já em São Paulo, o público esperado pelos organizadores oscilaria em torno de 2 ou 3 milhões de pessoas, segundo informação passada à Polícia Militar, numa reunião ocorrida, no dia 31 de agosto. No entanto, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) daquele estado estima um público em torno de 125 mil manifestantes presentes na Avenida Paulista. Ou seja, pouco mais de 6% da expectativa dos organizadores.

Muito embora os públicos em ambos os atos citados tenham aquém das expectativas dos organizadores, há que se considerar que uma presença tão massiva de pessoas neles é uma clara demonstração de que o presidente ainda é capaz de mobilizar seus aliados em torno dos seus objetivos, bem como de que esses mesmos fiéis escudeiros estão dispostos a fazer qualquer coisa para alcançá-los.

Trata-se daqueles aos quais muitos analistas políticos vêm denominando como o “núcleo duro” dos apoiadores bolsonaristas, correspondentes em termos percentuais a algo em torno de 25% dos eleitores brasileiros. Um percentual ainda bastante alto, a despeito da vertiginosa queda que o atual presidente vem sofrendo nas intenções de voto para o pleito de 2022, em relação ao ex-presidente Lula.

#BolsonaroArregou

Depois da hashtag #Flopou, em alusão ao fracasso dos atos pró-Bolsonaro, foi a vez da hashtag #BolsonaroArregou invadir as redes com uma enxurrada de memes zoando o pedido de desculpas velado do presidente, depois de um pronunciamento intitulado “Declaração à Nação”, nesta última quinta-feira, (9).

Não deu outra, os internautas não perdoaram. Importante lembrar que, em agosto, o presidente Bolsonaro protocolara no Senado um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre Moraes defendendo a tese de que ele e o ministro Luis Roberto Barroso agem fora dos limites impostos pela nossa Constituição. O governo amargava mais uma derrota, uma vez que o pedido foi indeferido.

A tal “Declaração à Nação” (texto redigido com a ajuda do até então ausente dos holofotes do cenário político, o ex-presidente Michel Temer) emergiu como uma tentativa de apaziguar os ânimos nos Três Poderes, após o presidente do STF, o ministro Luiz Fux, afirmar em seu pronunciamento realizado no dia anterior, quarta- feira (8), que “o Supremo Tribunal Federal também não tolerará ameaças à autoridade de suas decisões. Se o desprezo às decisões judiciais ocorre por iniciativa do chefe de qualquer dos poderes, essa atitude, além de representar um atentado à democracia, configura crime de responsabilidade, a ser analisado pelo Congresso Nacional” – condição sine qua non para a abertura de um processo de impeachment.

Pela gravidade das declarações do presidente, no dia 7 de setembro, aos seus correligionários, podemos supor ainda existirem “muitos panos para as mangas” para muitos outros desdobramentos políticos.

Resta-nos a nós, pobres mortais, sobre quem a pesada mão do alto custo de vida repousa, aguardar se aquilo que resultará das bravatas bolsonaristas e das as gravatas daqueles que comandam os Três Poderes, serão seus enlaces em torno do objetivo de arrancar o país do fundo do poço em que se encontra; ou se juntas, formarão uma corda com a qual sufocarão, de uma vez por todas, o país nas profundezas de uma crise que não é somente sanitária, mas econômica, política, social e, sobretudo, ética.

Foto: Reprodução/Pedro Ladeira/Folhapress

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Sobre Rogério Melo, que escreve na coluna In vino veritas, no Por Dentro do RN

Coluna de Rogério Melo para o Por Dentro do RN (In Vino Veritas)

Rogério Melo tem 51 anos, é comunicador social, cientista social e mercadólogo formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Também é mestrando em Ciência da Informação pela mesma instituição. Além disso, Rogério Melo escreve na coluna In vino veritas, no Por Dentro do RN, às sextas feiras; e comenta sobre os fatos políticos do RN e do Brasil. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

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A Última Festa: mais um favoritado?, por Alexandre Vitor

Por Alexandre Vitor
Para o Por Dentro do RN

Sabe aqueles livros que têm um assassino que te deixa louco? Que você fica a toda hora elegendo um novo suspeito? Acabou de encontrar um bom exemplar.

Olá, querido leitor do Por Dentro do RN. Hoje, iremos comentar um pouco sobre o livro de suspense “A Última Festa”, da autora britânica Lucy Foley. Sim, é aquele livro de ficar com o coração na mão e roer as unhas.

Aqui, nós vamos conhecer um grupo de nove amigos que se relacionam desde a escola e passam o réveillon juntos todos os anos, para relembrar os velhos tempos. Em uma ocasião, eles escolhem uma hospedaria afastada nas Terras Altas da Escócia, onde neva muito e cujo acesso é difícil, tanto para chegar como para sair. Hotel? Neve? Isolamento? Alguma lembrança de um filme/livro famoso com esses elementos? Vislumbrei uma suave inspiração em “O Iluminado”, clássico de Stephen King que foi adaptado, em 1980, por Stanley Kubrick.

Voltando à obra, por trás de uma aparente harmonia, todos possuem arestas antigas uns com os outros; e isso acaba culminando em um assassinato. O diferencial é que, além de não sabermos quem é o assassino (claro!), também não sabemos quem foi o assassinado. Muitos eventos estranhos e suspeitos acontecem no decorrer da estória.


O livro, além de divertido pelo mistério, também levanta questões sobre amizades que julgamos verdadeiras e que, na verdade, podem esconder muito rancor represado e mascarado que acaba vindo à tona. Falhas? Sim, temos: achei que a vítima foi um tanto previsível. Eu, que não tenho tanta experiência no gênero, descobri com pouca dificuldade.

Para alguém mais aficionado, tipo leitor de Agatha Christie, seria moleza. Já descobrir o assassino é um pouco mais complicado. Mesmo assim, vale a leitura. Particularmente, achei a proposta do livro interessante. A autora soube criar uma atmosfera de tensão, ligando o passado e o presente de forma instigante. Se você ainda não conhece, aproveite esse feriadão e vá correndo às livrarias.

E você, pretende ler o quê nesses dias de folga? Fala aí nos comentários. E valeu por estar acompanhando “O Papiro é Louco” aqui no Por Dentro do RN.

Foto: Reprodução/Coisas de Mineira

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Sobre Alexandre Vitor, colunista do portal Por Dentro do RN

Coluna de Alexandre Vitor no Por Dentro do RN

Alexandre Vitor tem 14 anos e prefere ser chamado de Vitor; é um escritor iniciante e tem um conto publicado no Wattpad. Além disso, o autor tem como hobbies a leitura, a cozinha e a prática de esportes. Desde pequeno, Alexandre Vitor se interessa por literatura. Aos 11 anos, decidiu que queria ser escritor e até já tinha vários manuscritos, mas nunca colocou nada adiante.
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Fundação Perseu Abramo (FPA) lança livro sobre o golpe de 2016, por Rogério Melo

Fundação Perseu Abramo (FPA) lança livro sobre o golpe de 2016, por Rogério Melo

Por Rogério Melo
Para o Por Dentro do RN

No último dia 31 de agosto, completaram-se cinco anos do processo ao qual os partidos de esquerda definem como “golpe institucional”, que depôs do Governo Federal a ex-presidenta, Dilma Rousseff.

Após pouco mais de três meses de um extenuante processo de impeachment, desde que fora afastada da presidência da República pelo Senado Federal, em 12 de maio de 2016, a primeira mulher a ocupar o cargo mais importante do país foi afastada definitivamente das suas funções sob acusação de liberar créditos suplementares sem o aval do Congresso, bem como de promover os atrasos nos repasses da União aos bancos públicos com a finalidade de cobrir gastos dessas instituições com programas do governo, popularmente conhecidos como “pedaladas fiscais”, cujo objetivo era melhorar artificialmente as contas do governo.

Embora os dois supostos crimes de responsabilidade tenham motivado a abertura do processo pelo Senado Federal, a sua gestão já apresentava importantes desgastes provocados pela intensa recessão econômica, momento em que chegou a encolher aproximadamente 8% em apenas dois anos, após sua reeleição.

Outro fator era a ausência de apoio político no Congresso Nacional, refletida na baixa governabilidade; e, finalmente, pelo escândalo do “Petrolão” – um bilionário esquema de corrupção caracterizado pela cobrança de propina das empreiteiras com as quais celebravam-se contratos para execução de obras superfaturadas, a fim de abastecer os cofres de partidos, funcionários da estatal e políticos.

Esse esquema foi alvo da investigação da Polícia Federal denominada de “Lava Jato”. A Operação Lava Jato, por sua vez, desencadeou uma onda de protestos que invadiram as ruas e as redes sociais digitais em todo o país

Na exata data do quinquênio de aniversário do golpe de 2016, a Fundação Perseu Abramo (FPA), instituição ligada ao PT, lançou o livro intitulado “Brasil: cinco anos de golpe e destruição”. A obra foi organizada pela ex-assessora e economista Sandra Brandão como contribuições dos Núcleos de Acompanhamento de Políticas Públicas (NAPPs) da Fundação Perseu Abramo e de centenas de colaboradores em todo o País, e a coordenação do Centro de Altos Estudos da FPA.

Prefaciado pelo ex-ministro da Casa Civil no governo de Dilma, Aloizio Mercadante, para quem “as falsas promessas neoliberais dos que apoiaram a farsa do impeachment não se cumpriram, e o país tem hoje um Estado mais autoritário, um país completamente isolado internacionalmente, uma economia em crise e uma sociedade dividida pelo negacionismo e pelo obscurantismo. O fracasso do governo golpista de Temer e o despreparo e a falta de coordenação do governo Bolsonaro têm levado a cabo o mais severo desmonte das políticas públicas brasileiras de nossa história Republicana”, escreveu em seu prefácio.

Quem apresenta a obra é a própria Dilma Rousseff, onde analisa o processo de corrosão da democracia sob o qual estamos atravessando em quatro atos: o primeiro ato, o próprio golpe de 2016, cujo corolário foi aprovar no Congresso o congelamento de todas as despesas por 20 anos com saúde, educação, saneamento, habitação, ciência e tecnologia, cultura, proteção e direitos das mulheres e dos negros, por exemplo, conhecida como “Emenda do Teto dos Gastos”.

O segundo ato, a interdição de Lula, que permitiu a ascensão de um governo radicalmente neoliberal na economia e neofascista na política; o terceiro ato, culminado pela eleição do atual presidente Jair Messias Bolsonaro, alavancada por setores neoliberais do centro e da centro-direita, dos militares, dos segmentos do mercado financeiro, de empresários e da mídia oligopolizada; e, finalmente, o quarto ato, caracterizado pela gestão desastrosa e genocida da pandemia da covid-19.

Em suas considerações finais, Dilma afirma que “Bolsonaro é o resultado do ovo da serpente chocado no Golpe de 2016, no discurso do ódio que o sustentou e na interdição do ex-presidente Lula. Temos muitos combates a travar para enfrentar o pior governo da história do país e restabelecer a vida e os direitos que vêm sendo roubados do povo brasileiro desde o impeachment fraudulento”, diz.

Para ela, “o reconhecimento da inocência de Lula é uma vitória da justiça e da democracia. E abre uma forte e promissora perspectiva para a luta e a organização do povo brasileiro. Está aberto um caminho para a reconstrução do Brasil. Temos uma alternativa de poder no campo popular. E, sem dúvida, mais uma vez vamos seguir em frente e continuar lutando pela democracia, pela soberania e pela vida”, conclui, esperançosa, a primeira mulher a governar o Brasil.

O livro está disponível para download gratuito no seguinte link: Brasil: Cinco anos de golpe e destruição.

Foto: Reprodução/Fundação Perseu Abramo

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Sobre Rogério Melo, que escreve na coluna In vino veritas, no Por Dentro do RN

Coluna de Rogério Melo para o Por Dentro do RN (In Vino Veritas)

Rogério Melo tem 51 anos, é comunicador social, cientista social e mercadólogo formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Também é mestrando em Ciência da Informação pela mesma instituição. Além disso, Rogério Melo escreve na coluna In vino veritas, no Por Dentro do RN, às sextas feiras; e comenta sobre os fatos políticos do RN e do Brasil. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

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O que a gente é hoje é o que importa, por Ana Beatriz Amorim

O que a gente é hoje é o que importa, por Ana Beatriz Amorim

Por Ana Beatriz Amorim
Para o Por Dentro do RN

A gente passa a vida com medo: medo de morrer, de ficar tempo demais no emprego errado, de não ter o colo dos amigos quando a gente mais precisa, de não fazer as viagens dos sonhos, de não conseguir comprar a casa própria, de não encontrar alguém para casar e ter filhos. De todos os medos, o que mais me aflige é o de não conseguir amar.

Porque vamos combinar: depois de um, dois, três corações partidos, fica fácil pensar que nada vai dar certo, que as relações viram DRs intermináveis que culminam em mágoas quase eternas. Nos livros, nos filmes, nas músicas que a gente passa o tempo todo lendo, vendo e ouvindo, todo mundo sofre por amor; e a gente acha lindo, se identifica, quer viver aquela avalanche de paixão, de tesão, de loucura.

Quando chega a vida real, todo mundo parece querer o conto de fadas, enxergando no outro a imagem da perfeição, alguém sem um passado que diga muito, alguém que mal tenha um presente (só se for com você) e cujo futuro esteja inevitavelmente atrelado ao seu e comece a ser planejado imediatamente.

Não, pessoal, menos! Vamos com calma! É preciso entender que a gente é a soma de tudo o que nós vivemos, principalmente de tudo o que vivemos com outras pessoas. São as histórias de amor que deixam a gente do jeito que é: às vezes mais madura, às vezes mais medrosa, às vezes mais otimista para buscar de novo, mas sempre diferente e mais experiente.

O que a gente é hoje é o que importa. A gente faz o que pode e, na maioria das vezes, é de todo o coração. Afinal, por mais que o medo insista em se instalar, ainda vale mais uma paixão louca do que um coração congelado.

Foto: Reprodução/Tatiana Pezzin

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Sobre Ana Beatriz Amorim, colunista do portal Por Dentro do RN

Ana Beatriz Amorim

Ana Beatriz Amorim tem 35 anos, é jornalista e designer gráfica formada pela UnP. Também é fotógrafa, licenciada em Artes Visuais pela UFRN e especialista em Assessoria de Comunicação. Adepta da teoria do faça uma coisa de cada vez e seja múltipla, escreve a respeito do cotidiano, artes, cultura e esporte. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Falando sobre o filme americano 'Correndo Atrás' (Whatever It Takes), dos anos 2000, por Alexandre Vitor

Falando sobre o filme americano ‘Correndo Atrás’ (Whatever It Takes), dos anos 2000, por Alexandre Vitor

Por Alexandre Vitor
Para a coluna O Papiro é Louco, no Por Dentro do RN

Hoje, irei falar (e tentar convencê-los a assistir) sobre o filme adolescente “Correndo Atrás”. Eu sei, eu sei, se trata de uma comédia romântica, coisa de ‘menininhas’, de acordo com algumas pessoas. Então, vamos fingir que não conhecemos alguns caras que adoram esse gênero, mas negam até a morte – e fazem o “grande sacrifício” de acompanhar a irmã ou a namorada no cinema.

Melhora se disser que o filme foi inspirado no clássico Cyrano de Bergerac? Soube que o filme fez sucesso à época do lançamento de sua refilmagem, com o ator Gerard Depardieu? Mas, como ainda não li nem assisti, não posso opinar nem correlacionar com “Correndo Atrás”.

Também ajuda se disser que o filme tem no elenco Shane West (Um Amor Pra Recordar), Jodi Lyn O´Keefe (Prision break, The Vampire Diaries) e James Franco (Planeta dos Macacos – A Origem e Homem aranha) , todos ainda bem no inicio das suas respectivas carreiras?

A trama trata, como muitas comédias românticas, de dois caras querendo conquistar as garotas dos seus sonhos e, para isso, fazem um acordo e muitas loucuras, no melhor sentido de “uma mão lava a outra”. Têm aqueles personagens bem clichês do cinema estadunidense: a popular, o bonitão, os CDFs, o palhaço da turma, o azarado; mas não é um besteirol.

Também podemos extrair algumas lições desse longa; como, por exemplo, valorizar as amizades verdadeiras ao invés daquelas que têm interesses incluídos, e também nunca fingir ser uma pessoa que não você mesmo.

Sinceramente, gostei desse filme. Assisti a ele pela Netflix há algumas semanas, um tempinho depois do lançamento. A cronologia foi bem construída, piadas na medida certa e personagens com boas motivações. Mas, como nem tudo são flores, é claro que teve alguns defeitinhos. O principal é o desfecho, muito abrupto e adocicado ao meu ver.

Está aí minha dica bem light para essa semana. Se você já viu ou vai entrar na minha onda, mesmo sem gostar de comédias românticas e só vai assistir para acompanhar sua irmã, comente aqui o que achou.

Foto: Ilustração

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Sobre Alexandre Vitor, colunista do portal Por Dentro do RN

Coluna de Alexandre Vitor no Por Dentro do RN


Alexandre Vitor
 tem 14 anos e prefere ser chamado de Vitor; é um escritor iniciante e tem um conto publicado no Wattpad. Além disso, o autor tem como hobbies a leitura, a cozinha e a prática de esportes. Desde pequeno, Alexandre Vitor se interessa por literatura. Aos 11 anos, decidiu que queria ser escritor e até já tinha vários manuscritos, mas nunca colocou nada adiante.
O jovem articulista da coluna O Papiro é Louco, aqui no Por Dentro do RNconsidera-se um leitor eclético, ou seja, aberto a quase todos os temas, mas confessa que fantasia e aventura são seus gêneros favoritos. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

In vino veritas por Rogério Melo no Por Dentro do RN

Semana agitada no cenário político do Brasil, por Rogério Melo

Por Rogério Melo
Para o Por Dentro do RN

Esta foi uma semana bem agitada no cenário político brasileiro. Isso porque na última sexta-feira, 20, o presidente Jair Bolsonaro havia protocolado uma denúncia dirigida ao presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (Democratas-MG), contra o Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

O presidente Bolsonaro já anunciara em suas redes sociais, desde o último dia 14 (sábado), a sua intenção em apresentar tal solicitação contra Alexandre de Moraes, bem como contra o Ministro Luís Roberto Barroso, igualmente integrante do STF, e atual Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Entretanto, no pedido formalizado constava somente a denúncia contra o ministro Alexandre de Moraes. A justificativa dada pelo presidente na sua conta do Twitter foi a de que ambos “extrapolam com atos os limites constitucionais”.

As declarações do presidente ocorreram no contexto da prisão preventiva decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, no dia 12 do mês corrente, contra o ex-deputado federal e presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, aliado do governo. Roberto Jefferson é um dos investigados no Inquérito 4.874, que investiga a existência de uma suposta organização criminosa, cuja finalidade seria atentar contra a Democracia e o Estado de Direito por meio da disseminação de fake news.

O pedido se fundamenta no Artigo 52 da Constituição Federal, que prevê como competência privativa do Senado Federal, inciso II, “processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal, os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, o Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União nos crimes de responsabilidade”.

A decisão do presidente se deu depois que teve seu nome citado num pedido de investigação feito no dia 09 de agosto pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), presidio por Barroso, a fim de apurar um suposto vazamento de informações reservadas nas redes sociais, no dia 04 de agosto. Neste mesmo inquérito, também são citados os nomes do deputado federal Felipe Barros (PSL-PR) e do delegado responsável pelo caso, Victor Neves Feitosa Campo.

O STF manifestou seu repúdio contra o pedido protocolado pelo presidente da República, emitindo a seguinte nota: “O Estado Democrático de Direito não tolera que um magistrado seja acusado por suas decisões, uma vez que devem ser questionadas nas vias recursais próprias, obedecido o devido processo legal. O STF, ao mesmo tempo em que manifesta total confiança na independência e imparcialidade do Ministro Alexandre de Moraes, aguardará de forma republicana a deliberação do Senado Federal”.

O Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) emitiu um parecer onde concluiu serem inexistentes os crimes de responsabilidade imputados ao ministro Alexandre de Moraes, uma vez que a denúncia apresentada pelo presidente da República Jairo Bolsonaro, “não possui fundamento jurídico para justificar a abertura de processo de impeachment contra o referido ministro injusta e abusivamente denunciado”, motivo pelo qual recomendou que tal pedido fosse liminarmente rejeitado pelo presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco.

Houve também a reação partidos de centro e esquerda, no total dez, que emitiram separadamente duas cartas abertas pedindo a rejeição do pedido de impeachment contra o ministro do STF. Os presidentes nacionais do DEM, MDB e PSDB, PT, PDT, PSB, PCdoB, Cidadania, PV e Rede Sustentabilidade, se posicionaram em defesa da democracia, das instituições, do Supremo e de Alexandre de Moraes. Juntas, essas bancadas reúnem 43 dos 81 senadores.


Nesta quarta-feira (25), o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, fez o anúncio pela rejeição do pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O pedido fora submetido à Advocacia do Senado, que emitiu um parecer técnico, no qual considerou a peça sem adequação legal. Para Pacheco, a preservação da independência entre os Poderes se constituiu numa possibilidade para que as crises institucionais sejam deixadas para trás.

“Há também o lado político de uma oportunidade dada para que possamos restabelecer as boas relações entre os Poderes. Quero crer que esta decisão possa constituir um marco de pacificação e união nacional, que tanto pedimos, e é fundamental para o bem-estar da população e para a possibilidade de progresso e ordem no nosso país”, declarou Pacheco. O comunicado acerca da rejeição do pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes foi feito num pronunciamento à imprensa, em que Pacheco estava acompanhado pelo vice-presidente do Senado, Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB).

A decisão pelo arquivamento frustrou as expectativas do presidente Jair Bolsonaro de que, uma vez acatado por Pacheco, do pedido de impeachment desencadearia uma onda de protestos favoráveis à sua gestão por todo o país, no próximo dia 07 de setembro, data em que se comemora a Independência do Brasil. Àqueles que defendem o livre exercício das instituições democráticas e a manutenção do Estado de Direito resta a esperança de que tal decisão assinale um fim na crise institucional entre os três poderes.

Uma esperança demasiado frágil, é verdade, quando levamos em conta a inaptidão, a imaturidade, a incompetência, a insensibilidade, a apatia, a insanidade mental e a incapacidade daquele que governa um país economicamente arrasado por uma pandemia que já vitimou mais de 600 mil pessoas, por uma inflação praticamente fora de controle e por um contingente de mais de 14 milhões de desempregados.

Foto: Reprodução/Rogério Melo

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Sobre Rogério Melo, que escreve na coluna In vino veritas, no Por Dentro do RN

Coluna de Rogério Melo para o Por Dentro do RN (In Vino Veritas)

Rogério Melo tem 51 anos, é comunicador social, cientista social e mercadólogo formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Também é mestrando em Ciência da Informação pela mesma instituição. Escreve na coluna In vino veritas, no Por Dentro do RN, às sextas feiras; e comenta sobre os fatos políticos do RN e do Brasil. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

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E fora do Story, você está bem Por Ana Beatriz Amorim

E fora do Story, você está bem? – Por Ana Beatriz Amorim

Por Ana Beatriz Amorim
Para o Por Dentro do RN

Todo mundo é feliz na internet; e que assim seja, porque se tem uma coisa que a rede mundial de computadores permite é que você edite a sua vida. Muita gente faz isso no mundo offline. A diferença é que, quando as pessoas atualizam os seus status, feed ou stories, você recebe uma avalanche de informações que não teria condições de acompanhar na vida real. É mais fácil ler toda a sua timeline do que marcar encontro com cada um que posta ali.

O Instagram vira, então, um reality show – 24 horas por dia, sete dias por semana – de pessoas compartilhando suas vidas incríveis, bem-sucedidas; de viajantes do mundo que não passam por nenhum drama. Quase sempre a vida dos outros parece melhor do que a nossa. Mas será que é possível ser feliz o tempo todo? Todo mundo sabe que não; todavia, ninguém se furta de pensar coisas do tipo: “Nossa, a vida de fulana é tão organizada. Ela, na minha idade, já tem casa, marido e filhos”. A internet é linda, mas causa uma ansiedade enorme na gente.

Talvez isso aconteça porque passar horas na internet nos faz criar um ciclo vicioso. Você está ali, sente necessidade de falar alguma coisa, de compartilhar uma música que seja. Faz isso, recebe uma curtida, alguns comentários e já sente vontade de falar e postar mais. Em paralelo a tudo isso, também acompanha a vida dos outros como se fosse um seriado, fazendo as mesmas coisas que você.

Fico aqui pensando numa solução; e acho que parte dela está numa campanha por um mundo virtual mais real, com mais gente de verdade. Afinal, nem lá nem cá, talvez só na TV, as pessoas vivem num comercial de margarina, né?

Foto: Reprodução/Coluna da Ana Beatriz Amorim

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Sobre Ana Beatriz Amorim, colunista do portal Por Dentro do RN

Ana Beatriz Amorim

Ana Beatriz Amorim tem 35 anos, é jornalista e designer gráfica formada pela UnP. Também é fotógrafa, licenciada em Artes Visuais pela UFRN e especialista em Assessoria de Comunicação. Adepta da teoria do faça uma coisa de cada vez e seja múltipla, escreve a respeito do cotidiano, artes, cultura e esporte. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Sai de cena a guitarra violada de Paulo Rafael, por Abner Moabe

Sai de cena a guitarra violada de Paulo Rafael, por Abner Moabe

Ter uma identidade artística única é para poucos, independente de qual seja a linguagem. Na música, ter uma sonoridade que soe original depende de vários fatores; e, se Alceu Valença teve êxito nessa empreitada, muito se deve a Paulo Rafael, guitarrista, arranjador e seu fiel escudeiro por 46 anos, falecido hoje aos 66 anos após uma batalha contra o câncer.


Tendo iniciado sua carreira na banda Ave Sangria, que já apresentava uma sonoridade ousada numa mistura de rock psicodélico e música nordestina, Paulo Rafael e Alceu se conheceram numa noitada em Olinda, curiosamente na mesma noite em que Alceu conheceu de perto uma jovem bailarina que mais tarde ele a batizaria de “a moça bonita da praia de Boa Viagem”.

Mas é apenas em 1975 que a história dos dois no palco começou de fato; quando Alceu convidou o Ave Sangria para lhe acompanhar no festival Abertura defendendo a música Vou Danado pra Catende. A banda preferiu seguir sendo base para Alceu Valença e, ao longo dos anos, os músicos foram saindo, restando apenas Paulo Rafael.


Com exceção de Molhado de Suor (1974), todos os demais discos de Alceu Valença tiveram a presença da guitarra de Paulo Rafael; e é praticamente impossível pensar no que seria da música do artista de São Bento do Una sem seu o parceiro guitarrista. Paulinho, como era carinhosamente chamado, foi o a cara e o som da guitarra nordestina e deu a sonoridade que transformaria Alceu em um ícone da música brasileira; e isso é um das coisas que mais chama a atenção. Paulo Rafael nunca foi de procurar os holofotes, preferia ficar ali do lado direito do palco com a sua guitarra fazendo o necessário para que a Alceu e a sua música fossem as estrelas. E conseguiu.


Vai ser difícil ouvir o riff inicial de Anunciação com a mesma emoção. Eu costumava dizer que, provavelmente, os dedos de Paulo Rafael já faziam esse solo automaticamente de tanto que ele tocou essa música na vida; sem contar em outras tantas linhas de guitarra e solos marcantes que absolutamente todo e qualquer brasileiro já ouviu mesmo sem querer. Como li mais cedo, quem é fã de Alceu é fã de Paulo Rafael mesmo que não saiba, pois ele entrou para o seleto rol dos que conseguiram o feito de tocar o coração de uma nação tão heterogênea como a nação brasileira.


Se tantas vezes sua guitarra anunciou a chegada numa manhã de domingo, No Romper da Aurora de uma segunda é que ele nos deixa e eu apenas agradeço cantando:


“Quando o sol beijar a lua
E a lua for embora
Entro na rua do Sol
Dobro na rua da Aurora
Meu amor eu vou chorando
É chegada a nossa hora
Meu bem já vou embora
Vou, eu vou
No romper da aurora
Vou que vou”

Ao mestre Paulo Rafael, toda a minha reverência!

Foto: Reprodução/Instagram

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Além de Paulo Rafael e Alceu Valença, Abner Moabe também fala sobre cultura brasileira, MPB e artistas potiguares no Por Dentro do RN

Abner Moabe fala sobre Paulo Rafael no Por Dentro do RN

Abner Moabe tem 27 anos, é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e graduando em Ciências Sociais pela mesma instituição. Além disso, atua no projeto de educação e cultura Conexão Felipe Camarão e vem desenvolvendo projetos de pesquisa sobre a música do Rio Grande do Norte. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.
Instagram: @abnermoabe
Twitter: @abner_moabe

Jogo dos sete erros, por Thiago Martins

Dias de luta, dias de glória; por Thiago Martins

De Thiago Martins
Para o Por Dentro do RN

Jogo dos sete erros

Você sabe quem desse mosaico da conta do Instagram @pensandoaoab pediu para excluir a foto desta arte que foi publicada e a apagada depois do pedido?

Dias de luta

Foi uma semana tensa para a bancada governista na Câmara Municipal de Natal. Na quarta-feira (18), discussão do vereador Robson Carvalho com a própria líder do governo, Nina Souza, ambos do PDT, por conta de um projeto de Robson que a líder orientou voto contrário. Ambos saíram chateados.

No dia seguinte, foi a vez dos estreantes Nivaldo Bacurau e Hermes Câmara se desentenderem, pela concessão de um “pela ordem” numa sessão que já estava atrasada. Nina e Robson selaram a paz e buscam acordo para o projeto; Já no caso de Bacurau e Hermes, o petebista até se aproximou para buscar diálogo, mas foi visível que o pessebista saiu #chateado da sessão.

Dias de glória

Pode-se dizer que a glória de Nina é permanente. É uma excelente vereadora, consegue conduzir extremamente bem a liderança do governo, mesmo em meio a várias crises. Robson tem crescido, se destacado, bateu na trave na eleição para deputado federal em 2018 e já tem viajado o estado, podendo surpreender próximo ano, caso busque a vaga de deputado estadual (ou até federal).

Quanto a Hermes, coube ao experiente vereador Raniere Barbosa (Avante) rasgar elogios ao seu favor na sessão da quarta-feira, afirmando que Hermes tem atuado como um estadista, em referência à reunião ocorrida na prefeitura, ocasião na qual defendeu os vendedores ambulantes das praias de Natal. Bom… a união e boa relação de Hermes com Álvaro e com Fátima, campos opostos, mostra isso muito bem. Trata-se de alguém bem articulado.

Se for, vá na paz

Se for vá na paz jogo dos sete erros Thiago Martins
Foto: Reprodução

Já em relação ao vereador Nivaldo Bacurau, é importante destacar a boa atuação que ele tem tido, especialmente na resolução de problemas comunitários da Zona Norte de Natal, e sua participação em projetos e ações sociais. Mas, como destaca o premiado filme Bacurau, do pernambucano Kleber Mendonça Filho: se for, vá na paz. Digo isso porque, no primeiro semestre, Bacurau já teve situação semelhante de “estresse” com o vereador Robério Paulino (PSOL), quando reclamou que o colega só ‘falava a mesma a coisa’ em toda sessão – de fato, Robério, diariamente, alertava para os índices de transmissão e morte de covid-19.

Enquanto isso, na Assembleia…

Assistimos (literalmente, já que o regimento da Casa foi atualizando, permitindo a exibição das CPIs pela TV Assembleia) às CPIs da Covid e da Arena das Dunas. O que se ouve pelas ruas é que não vai dar em nada. Será?

Cada vez mais Humana

Kehrle Júnior Jogo dos Sete Erros Por Thiago Martins
Foto: Reprodução

Mudanças na comunicação da Humana Saúde. A operadora que atua no Rio Grande do Norte tem crescido consideravelmente e passa a ter o então assessor de comunicação, o jornalista e colega Kehrle Júnior, promovido a coordenador regional de Comunicação e Marketing. A assessoria, pro sua vez, passa para a jornalista Salvina Miranda, que, com sua experiência, chega para agregar mais conhecimento e valor a Humana. Parabéns, caros amigos!

Foto: Reprodução

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Sobre Thiago Martins, colunista do Por Dentro do RN

Jean Paul se fortalece para o Senado

Thiago Martins tem 28 anos, é jornalista formado pela UFRN e atua do jornalismo político no Estado. Apesar de sua maior dedicação ser na área de Assessoria de Comunicação, observa e acompanha as principais ações políticas do Rio Grande do Norte, do Brasil, e do mundo, e escreve nesta coluna a respeito do tema. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Alexandre Vitor fala sobre adaptações de livros em filmes

As polêmicas e divergências entre os livros e suas adaptações para as telonas, por Alexandre Vitor

Por Alexandre Vitor
Para o Por Dentro do RN

Quando se fala em filmes e séries baseados em livros, a polêmica sempre aparece. Nem sempre as obras são bem adaptadas para as telonas. Um exemplo disso é “O conde de Monte Cristo”, clássico do Alexandre Dumas.

Uma parte do filme realmente se apresentou bem. Porém, depois, a adaptação não seguiu o livro corretamente. Os personagens não são bem apresentados (alguns até nem aparecem no filme), e o enredo possui alguns furos imperdoáveis, principalmente com o modo de vingança do Conde, que seria o ápice da estória. Sabe aquele velho ditado do tempo dos dinossauros, que diz que a vingança é um prato que se come frio? Nesse caso, o prato ficou esfriando por 20 anos (não posso dar spoiler!).

Bom, também há coisas que precisamos levar em conta: os livros têm formato bem diferente dos filmes e séries, não podemos exigir uma boa adaptação de um livro de 1600 páginas em 2h11min. Filmes apresentam fatos de modo mais ágil para não tornarem-se muito arrastados, já livros possuem formato mais detalhista, onde os autores escreveram com liberdade.

Até aí tudo bem, tudo compreensível. Mas existem coisas que são inegociáveis. Como se modifica, por causa de uma adaptação, uma estória conhecida mundialmente? Isso para mim é imperdoável. Bom, se ficou curioso leia o livro. É fantástico. E lembre-se: por melhor que possa ser o filme, o livro no qual ele se baseou será sempre superior.

Deixa o comentário se você já leu um livro e se decepcionou ao assistir ao filme!

Foto: Reprodução

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Sobre Alexandre Vitor, colunista do portal Por Dentro do RN

Coluna de Alexandre Vitor no Por Dentro do RN

Alexandre Vitor tem 14 anos e prefere ser chamado de Vitor; é um escritor iniciante e tem um conto publicado no Wattpad. Além disso, o autor tem como hobbies a leitura, a cozinha e a prática de esportes. Desde pequeno, Alexandre Vitor se interessa por literatura.

Aos 11 anos, decidiu que queria ser escritor e até já tinha vários manuscritos, mas nunca colocou nada adiante. Além disso, o colunista do Por Dentro do RN considera-se um leitor eclético, ou seja, aberto a quase todos os temas, mas confessa que fantasia e aventura são seus gêneros favoritos.

Ana Beatriz Amorim

A arte de registrar, por Ana Beatriz Amorim

Por Ana Beatriz Amorim
Para o Por Dentro do RN

Hoje, celebramos o dia mundial da fotografia. Além de abordar o tema por ser tão apaixonada por essa arte, resolvi compartilhar alguns dilemas da profissão de fotojornalista que em diversos momentos eu me perguntava: “será que devo parar de fotografar e abaixo a câmera de vez?”.

O fotojornalismo é uma profissão muito, muito instigante. No período em que estive “na rua”, vivi situações, conheci lugares e pessoas que, muito provavelmente, eu não conheceria se não fosse jornalista. Diariamente, a gente se depara com as mais diferentes histórias, das mais bonitas às mais dolorosas.

Ser testemunha dessas histórias e poder contá-las por meio de textos e imagens é uma experiência muito rica e gratificante. Mas, como todas as coisas vêm com seus bônus e ônus, nem sempre é fácil e nem sempre é confortável vivenciar tudo isso com uma câmera nas mãos.

Uma das situações que acho mais difíceis de se fotografar são os enterros, principalmente, os relacionados à violência . O profissional está ali, de certa forma invadindo aquele espaço, aquele momento de tristeza, de dor, do sofrimento da perda, do inconformismo, da revolta. É difícil não se sentir desconfortável, é difícil buscar boas imagens sem ser notado, sem ser indelicado, porque por mais que você tome cuidado em ser sutil, a sua presença ali muitas vezes é encarada como desrespeito para os familiares e amigos do falecido.

Já perdi as contas de quantas vezes me chamaram de urubu e já perdi as contas de quantas vezes me senti como tal. Mas tenho meus limites, nem sempre consigo respirar fundo, ignorar os olhares duros e continuar fotografando. Tem hora que preciso abaixar a câmera e respeitar aquela dor. Mas aí surge o meu grande dilema: e se eu chegar no meu limite e abaixar a câmera e o fotógrafo da concorrência não fizer o mesmo?

Já vivi isso diversas vezes. E em muitas delas, tive de passar dos meus limites pra não perder “A” foto. É inevitável falar desse assunto e não lembrar dos depoimentos incríveis dos fotógrafos Greg Marinovich e João Silva, no livro O Clube do Bangue-Bangue, que relata a cobertura fotográfica dos conflitos civis que marcaram o período de transição entre o apartheid e a república democrática, com a eleição de Nelson Mandela para presidente, na África do Sul.

Nunca vivi nada nem parecido com o drama de uma guerra, mas Greg Marinovich levanta uma questão que tem muito a ver com essas situações de limite que os fotógrafos vivem no dia a dia de um jornal: tragédias e violência certamente geram imagens poderosas. os registros do que vêm sendo feitos no Afeganistão é o exemplo mais atual. É para isso que somos pagos. Mas cada uma dessas fotos tem um preço: parte da emoção, da vulnerabilidade, da empatia que nos torna humanos se perde cada vez que o obturador é disparado.

Não me sinto menos humana a cada click que dou em uma pauta difícil. Pelo contrário, busco ainda mais a minha humanidade e o meu respeito pelo ser humano. E em todas as fotos que faço, tento passar isso. Lembro-me muito de uma pauta bem dolorida que fiz, o enterro de uma menina de 13 anos que tinha sido atropelada. As pessoas, principalmente crianças, estavam muito emocionadas no velório e isso mexeu bastante comigo.

Teve um momento que subi em uma sepultura, porque tinha muita gente e eu não tinha bom ângulo para fotografar de baixo, e uma senhora gritou para mim: “mas é um urubu mesmo!”. Engoli seco, continuei fotografando, depois desci da sepultura, me afastei um pouco e tentei me acalmar.

Eu estava visivelmente mal com aquilo e uns cinco minutos depois, a mesma senhora se aproximou, notou minhas lágrimas e me pediu desculpas falando: “Não é fácil para você estar aqui, não é? Estou vendo que você mesmo bem jovem tem coração, me perdoe”. Fui embora daquele cemitério pensando muito no meu papel de fotojornalista e nos meus sentimentos enquanto fotógrafa e pessoa.

As cenas fortes são extremamente fotografáveis, isso é um fato. Uma fotografia de um choro desesperado emociona, outra de alguém desmaiando também emociona. Mas existem formas e formas de se fazer essa imagem. Sem falar que não dá para passar por cima de tudo para se conseguir uma fotografia digna de prêmio.

Nós estamos lidando com pessoas, com sentimentos, e não dá para ignorar isso. Daniel Cornu, no livro Jornalismo e Verdade diz, de maneira bem dura, que “o jornalista que seja tentado em tais circunstâncias a esquecer o respeito que deve ao outro, vítima, testemunha, parente, espezinha o respeito que deve a si mesmo: não é mais que instrumento – meio! – da informação. Está reduzido à função que o sistema mediático lhe atribui. É prisioneiro de um determinismo reificante, de que seu próprio cinismo não é capaz de o libertar (…)”.

Abaixar a máquina, para mim, é antes de tudo respeitar a mim mesma. Há momentos nos quais a gente precisa recuar e pronto. A minha hora, talvez, não seja a mesma do fotógrafo ao lado e muitas vezes não é, porque cada pessoa reage de um jeito diferente diante dessas situações. E eu não quero dizer com isso que um fotógrafo seja mais sensível ou humano do que outro, de jeito nenhum. O limite de cada um é diferente, apenas isso.

Foto: Ana Beatriz Amorim

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Sobre Ana Beatriz Amorim, colunista do portal Por Dentro do RN

Ana Beatriz Amorim

Ana Beatriz Amorim tem 35 anos, é jornalista e designer gráfica formada pela UnP. Também é fotógrafa, licenciada em Artes Visuais pela UFRN e especialista em Assessoria de Comunicação. Adepta da teoria do faça uma coisa de cada vez e seja múltipla, escreve a respeito do cotidiano, artes, cultura e esporte. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Senador Jean e Fátima Bezerra eleições de 2022

Intrigas da oposição tentam ofuscar a força de Jean no Senado Federal em 2022, por Gustavo Guedes

Gustavo Guedes escreve: como um bom botafoguense e fã do futebol, Jean sabe que camisa não ganha jogo; mas que também faz um ótimo treino.

Em se tratando da falta de opositores que consigam, de fato, ameaçarem a reeleição da governadora Fátima Bezerra nas eleições do próximo ano, um recente artigo postado pela Agência Saiba Mais atentou para o fato de que, na verdade, a disputa mais difícil ocorrerá para o Senado Federal.

Enquanto Fátima segue influente desde 2014, quando conseguiu arrancar o Rio Grande do Norte das mãos de Henrique Eduardo Alves e, ao mesmo tempo, entregou o Estado para Robinson Faria, atitude esta pela qual deve se arrepender grandiosamente, o senador Jean, que assumiu a vaga de Fátima no Senado, vem despontando como o grande nome do PT para manter a cadeira em 2022, agora com todos os méritos.

Em entrevista ao programa Balbúrdia, do portal citado acima, o senador deixou claro que não tem medo do que está por vir. De acordo com o senador Jean, “não há motivos para o PT rifar, agora, a vaga para disputar essa eleição do Senado”, diz Jean, que embora deixar claro que tem vontade de disputar o pleito, também afirma que não tem projeto pessoal de poder, apenas por vaidade.

Sobre isso, o senador Jean é categórico, “meu projeto, desde 2013, é servir o partido. E acho que estou honrando o mandato, mantendo as bandeiras de Fátima e acrescentando as minhas”, reforça.

O parlamentar ainda segue certo consenso que alguns analistas políticos (falo dos sérios, não aqueles pagos para inventar fake news e tentam desestabilizar a gestão petista, ok?) têm seguido no Rio Grande do Norte, o de que Fátima Bezerra vem fazendo uma boa gestão e que, por causa disso, não apareceu ninguém à altura (e será que vai aparecer?) de arrancar dela uma reeleição que, até certo ponto, parece estar certa.

Sobre ser considerado fraco por seus opositores, o senador Jean diz que não tem medo dessa pecha e dá a entender que segue bem o ditado de que “o jogo só acaba quando o juiz apita”. “A oposição acha que disputar a cadeira do Senado é mais fácil. Mas aqui não tem fraquinho, não. Vamos mostrar que a gente merece e honra essa cadeira ao ponto de disputá-la”, dispara o senador Jean.

A confiança do senador tem uma razão óbvia, sobre a qual irei falar após deixar claro que, até este que vos escreve também não sabia muito sobre o trabalho e a vida do senador antes de ele assumir a vaga deixada por Fátima em 2018. Assim como me surpreendeu, por que não pode (e acho que vai) surpreender positivamente aqueles que não sabiam quem ele era antes de 2018? Bastou a campanha na última eleição para a Prefeitura para que eu visse que se tratava de um parlamentar íntegro e com bons projetos para o Rio Grande do Norte e para os brasileiros.

Como eu ia dizendo, a confiança do senador não é fruto de uma emoção metafísica, é baseada no trabalho que vem desempenhando no Senado, apresentando e tendo seus Projetos de Lei aprovados, como você mesmo pode observar neste link; além de estar viajando pelo Estado e despontando como um nome a ser considerado pelos potiguares, assim como fez em 2020, ao sair pelas ruas da capital angariando os votos que o deixaram na segunda posição no último pleito. Para quem diria que não iria ir longe, é um bom retrospecto, não?

Sobre os adversários do senador Jean

Em um estado acostumado a eleger os governos petistas desde muito tempo, o senador Jean, na visão deste que vos escreve, larga com uma pequena vantagem à frente de Rogério Marinho e Fábio Faria, ambos ministros do desgoverno Bolsonaro, que na eleição da qual saiu vencedor teve apenas 36,59% dos votos válidos no Rio Grande do Norte. É fato que o nordestino não se deixará levar por esse ‘interesse’ repentino do presidente no Nordeste, região à qual ele já atribuiu alguns preconceitos há não muito tempo.

Além disso, é ainda mais certo que ninguém comprará a candidatura de Rogério Marinho, que ganhou uma sobrevida política após se aliar ao bolsonarismo; muito menos a de Fábio Faria, cujos feitos envolvem a bajulação vergonhosa do autoritarismo de Bolsonaro e a vida pregressa como o “deputado que mais casou e se envolveu com famosas”.

Perguntado sobre quem gostaria de enfrentar, o senador Jean é categórico: “tanto faz, não quero nem saber. Eu quero é estar desse lado disputando com um dos dois. Agora, essa briga dos dois lá, é o seguinte, pega a pipoca e fica assistindo”, conclui.

Como um bom botafoguense e fã do futebol, Jean sabe que camisa não ganha jogo. E, como sempre gostou de falar pouco e agir muito, tem feito um ótimo trabalho costurando apoios e desfazendo, um a um, os ataques gratuitos que costuma sofrer por parte de quem se veste do antipetismo irracional para atacá-lo gratuitamente.

Sobre Gustavo Guedes, colunista do Por Dentro do RN

Gustavo Guedes escreve texto sobre o Universo Genial

Gustavo Guedes tem 29 anos, é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Escreve quando quer, o que quer e do jeito que bem entende. Mas se interessa pela área musical, por Astronomia, pela boa Política, por serpentes e tem uma simpatia por aviões; e tudo mais que o ajude a sair do tédio. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.
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Leia mais sobre o senador Jean e sua produção parlamentar:

Paulinho Freire sobre a reforma política

Paulinho Freire ‘manda a real’ sobre a reforma política

Nome cotado para ser candidato a deputado federal nas eleições do próximo ano, o presidente da Câmara Municipal de Natal (CNM) e da Federação das Câmaras do Rio Grande do Norte (Fecam/RN), Paulinho Freire (PDT) ‘mandou a real’ sobre a reforma política que caminha na Câmara dos Deputados, em Brasília, já aprovada em 1º turno, que prevê a volta das coligações.

Paulinho iniciou sua fala, no pequeno expediente da CMN da última quinta-feira (12), comentando a votação ocorrida na Câmara dos Deputados no dia anterior, e atribuiu a votações como aquela o fato de cada vez mais pessoas estarem descrentes com o nosso sistema político. De fato! Estamos vivenciando uma reforma eleitoral para cada pleito no Brasil, e agora o retorno das coligações representa um enorme retrocesso, explicado por uma questão apenas: ser a forma mais fácil dos atuais deputados conseguirem se reeleger.

Muitas figurinhas carimbadas – não só do Rio Grande do Norte, mas de todos os estados – teriam imensas dificuldades de renovarem os seus mandatos. Ver votações – como a da semana passada na Câmara – que determinam a mudança ao modo que permita uma reeleição ao modo ‘melhor para eles’ é assustador e ridículo.

Ora! Com raras exceções, são três anos sem qualquer trabalho de base, sem consulta popular e, por que não dizer, sem nada que agregue, verdadeiramente, a vida do povo? Para, simplesmente, faltando 1 ano para as eleições, ser ‘lançada’ uma nova legislação que os façam renovar seus mandatos. A maior e melhor das reformas políticas deve ser a mudança em muito dos eleitos – mesmo que seja com coligação!

Sentir na pele

Em sua fala, Paulinho destacou que a palhaçada (em referência à sessão da Câmara) para a volta das coligações ocorre pelo medo dos deputados em ter que montar as próprias nominatas. É verdade! Eles teriam de sentir na pele o que os vereadores sentiram na eleição de 2020, com a mudança da legislação que entrou em vigor, e que resultou numa significativa mudança nos quadros da Câmara de Natal, afetando, especialmente, políticos mais ligados à polarização – tanto do lado A quanto do lado B – que perderam seus mandatos.

E agora?

A volta das coligações ainda será votada em 2º turno na Câmara dos Deputados, votação que deverá ocorrer nesta semana. De acordo com a imprensa especializada, tem poucas chances de passar no Senado. Ainda assim, no desejo individual (e ao mesmo tempo coletivo) dos atuais deputado, é esperado um acordo que faça com que a coisa aconteça, ou, claro, afete o sucesso de novos nomes em detrimento dos seus. Já trabalho que é bom…

Democrata

Por falar em Paulinho Freire, ele deverá mudar de sigla. Ele, que já foi do PMDB, PP, PSDB e, atualmente, está no PDT, deverá se filiar ao DEM, inclusive assumindo o diretório estadual, e dando um novo momento ao histórico partido do ex-senador José Agripino e seus aliados. Vai concorrer à vaga de federal pelo partido comandado nacionalmente por ACM Neto.

Curioso

O DEM não lançou candidato a vereador em Natal. Agora, todavia, deverá ter o presidente da Câmara, Paulinho Freire, em seu quadro. Ainda é incerto quantos outros edis também vão acompanhá-lo na nova legenda. Seu grupo, além do PDT, é forte.

Seresta na Câmara dos Deputados

Quem anunciou que recebeu o convite pelo Secretário de Desenvolvimento do Estado, Jaime Calado, para ser candidato a deputado federal pelo PROS, foi o ex-vereador de Natal e ex-deputado estadual Luiz Almir.

O “velho” comunicador, que quase foi prefeito de Natal em 2004 numa eleição super acirrada com Carlos Eduardo (na época no PSB), disse que iria pensar. Homem das serestas, Luiz Almir hoje apresenta programas jornalísticos no rádio e na televisão. É sempre lembrado nas pesquisas e desponta com boas chances, caso aceite encarar a parada. Caso diga “não” e opte pelo caminho de deputado estadual, as chances de êxito são ainda maiores.

Foto: Elpídio Júnior/Câmara Municipal de Natal/Ilustração

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Sobre Thiago Martins, colunista do Por Dentro do RN

Jean Paul se fortalece para o Senado

Thiago Martins tem 28 anos, é jornalista formado pela UFRN e atua do jornalismo político no Estado. Apesar de sua maior dedicação ser na área de Assessoria de Comunicação, observa e acompanha as principais ações políticas do Rio Grande do Norte, do Brasil, e do mundo, e escreve nesta coluna a respeito do tema. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Ana Beatriz Amorim fala sobre as olimpíadas

Encerramento das Olimpíadas, por Ana Beatriz Amorim


Por Ana Beatriz Amorim
Para o Por Dentro do RN

Eis que a Olimpíadas de Tóquio chegaram ao fim. Foram mais de duas semanas e já começo a ter saudade das diversas modalidades, da emoção de goles impróprios para cardíacos, da beleza das melhores jogadas e desempenhos.

As Olimpíadas também foram a da festa e do luto, porque, às vezes, uma competição esportiva desse nível é uma alegria que dói, e a música que celebra alguma vitória dessas soa muito próxima do silêncio retumbante do campo/quadra/pista vazio, onde a noite/madrugada já caiu e algum derrotado continua sentado, sozinho, incapaz de se mexer, em meio às imensas arquibancadas sem ninguém devido ao momento ainda difícil que estamos vivendo.

Durante as Olimpíadas, incontáveis vezes me emocionei com a história dos atletas e técnicos, acompanhei muitos lances, fiquei nervosa, admirei a garra e gritei sozinha, putaquepariuporracaralho. Isso é o esporte, meus amigos. Não canso de repetir: o ambiente com os valores mais nobres que já vi. É reconhecimento, gratidão, disciplina, fair play e determinação.

Experiência sensacional, que eu quero repetir ainda muitas outras vezes. Obrigada, esporte. Ouvir o hino nacional, com nossos representantes no pódio olímpico, com a bandeira subindo, é das coisas mais emocionantes da vida.  A primeira medalha chegou prateada com Kelvin Hoefler e foi no skate.

Tivemos o bronze no judô com o Daniel Cargnin, a segunda prata no skate de Rayssa Leal, atleta e medalhista mais jovem da história olímpica do Brasil. O Fernando Schefer faturando o bronze nas piscinas.  O primeiro ouro do Brasil em Tóquio chegou logo com meu conterrâneo do Rio Grande do Norte, você foi um monstro no surf, Italo Ferreira. Você escreveu a historia do esporte e se emocionou ao lembrar da sua, foi demais.

Mayra Aguiar, deu show e foi a primeira mulher a ganhar três medalhas olímpicas em esporte individual. Rebeca Andrade foi prata e conquistou a primeira medalha olímpica da história da ginástica feminina do Brasil. E logo no individual geral e dias depois tornou o feito ainda mais especial com a conquista do ouro no salto. Primeira campeã olímpica da ginástica brasileira. Outras que fizeram história foram a Laura Pigossi e a Luisa Stefani que conquistaram nossa primeira medalha olímpica no tênis com o bronze, elas salvaram quatro match points seguidos.

O bronze do Bruno Fratus na natação foi emocionante do começo ao fim. Do beijo no bloco de partida até os segundos finais da prova. A conquista do bronze no atletismo com o jovem Alison Santos, foi épica. Martine Grael e Kahena Kunze têm que ser reverenciadas. Entraram para o seleto grupo de brasileiras que levaram a medalha de ouro em duas olimpíadas seguidas. Outro que entra para o seleto grupo de brasileiros com duas medalhas no atletismo,  é o Thiago Braz com seu bronze no salto com vara.

Quase duas horas de prova e a Ana Marcela conquistou o ouro na maratona aquática, fez história e transbordou emoção com mais esse triunfo brasileiro. Pedro Barros, já consagrado no mundo do skate agora também é herói olímpico com a conquista da medalha de prata. Deu show nas manobras e no alto astral. No boxe, Abner Teixeira garantiu o bronze e o feito inédito no esporte.

Isaquias Queiroz na canoagem com toda sua confiança e espontaneidade foi ouro e agora tem medalha de todas as cores. É um dos grandes heróis do esporte do Brasil. A história desse atleta e de muitos outros merece ser descoberta e lida mil vezes. A canoa que lá em Ubaitaba era o único transporte dele para ir de um lugar a outro, durante as Olimpíadas o levou para um lugar sem volta: o dos melhores atletas do mundo!

Hebert Conceição foi ouro com uma virada que era considerada praticamente impossível. Um nocaute nos últimos segundos do último round, bem estilo filme do Rocky Balboa, sensacional. Que madrugada. Fiquei elétrica por horas com esse feito. O futebol masculino teve uma final emocionante com direito a pênalti perdido e gol na prorrogação para conquista do ouro ficar ainda mais especial. A Beatriz Ferreira levou a prata no boxe e mostrou ser uma baixinha gigante.

Foi lindo acompanhar sua luta. Que raça e determinação! No vôlei feminino, as coisas não se encaixaram no jogo final e ficamos com a prata. Orgulho da trajetória desse time. Essa prata valeu muito. Tivemos a melhor campanha da história do Brasil nas Olímpiadas. Parabéns para todos os atletas que lutaram por medalha em um país que mal investe em esporte. Vocês foram gigantes, resgataram nosso orgulho e não me deixaram dormir direito.

Uma lição que aprendi durante esse período é que a gente não tem como garantir o resultado. Mas a gente tem como garantir como a gente vai se portar diante de qualquer resultado. Vocês foram maravilhosos!!

Foto: Reprodução/AFP

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Ana Beatriz Amorim

Ana Beatriz Amorim tem 34 anos, é jornalista e designer gráfica formada pela UnP. Também é fotógrafa, licenciada em Artes Visuais pela UFRN e especialista em Assessoria de Comunicação. Adepta da teoria do faça uma coisa de cada vez e seja múltipla, escreve a respeito do cotidiano, artes, cultura e esporte. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Ana Beatriz Amorim

Aprendendo a conviver com a saudade, por Ana Beatriz Amorim

Por Ana Beatriz Amorim
Para o Por Dentro do RN

Quem sabe dizer o que dói mais: a causa pelo motivo que se partiu, a solidão que fica ou a do adeus a alguém importante na sua vida? Para mim, esse último é o mais difícil de sarar. Dói no verão, dói no inverno, dói de dia, de noite, em datas que seriam especiais. Toda morte é dolorosa, porque vem cheia de “se”, de “ah…”.

Quando ela não é natural, você pensa: onde eu estava que não pude impedir? Se é trágica, você esbraveja: por que, meu Deus, o que essa pessoa fez para merecer isso? Quando é de morte morrida, de velhice, ainda não sei dizer. Só sei que é automático pensar em tudo que a gente não disse, em tudo que poderia ter sido feito, em tudo que a gente ainda queria fazer na companhia daquela pessoa tão querida.

Minha garganta ainda fecha quando encontro as fotos do último Natal e lembro da sensação que tive ao notar sua alegria. Algo tinha mudado. Foi a mesma sensação daquela última quinta feira em que estive conversando e brincando com ela em pleno leito de UTI. Na sexta-feira, o brilho dela tinha mudado.

Estava mais fraca, se apagando. Lamento de não ter sido a primeira a dizer o orgulho que sentia em tê-la na minha vida. Que prazer eu sentia ao atender seus desejos, sempre tão singulares, tão seus. Um registro fotográfico aqui, outro texto ali e assim pude contribuir com o conhecimento que ela me proporcionou.

Que alento eu sentia ao me espremer na cama dela para assistir novela e ainda ganhar cafuné na cabeça ou até mesmo para assistirmos juntas o especial do Roberto Carlos. Quanta graça eu achava nas suas manias – ou até mesmo dela nunca ter entendido ao certo o real funcionamento do louco universo dos que trabalham com jornalismo, assessoria de comunicação e design gráfico.

Eu queria ter sido mais paciente. Ter dado mais alegrias, mais um beijo e um abraço. Queria ter dito, mais vezes, como ela era, e é importante para mim – e é tanto que até me surpreendo, descubro aos poucos. Irônica é essa vida: uma saída de casa até o plantão hospitalar tirou ela de minha convivência diária; um acidente no caminho que fizemos tantas e tantas vezes deixou a ausência dela mais dolorida, mais difícil.

Espero do fundo do meu coração que você, mainha ou para muitos que a conheceram, Conceição Amorim que, com tantos erros e acertos, será sempre meu maior exemplo. O meu exemplo de amor pela vida. Aprendi com ela que, em vez de dizermos adeus, devemos fazer com que todas as pessoas importantes de nossa vida saibam o quanto são importantes enquanto elas estão aqui.

Falta de tempo é a grande desculpa do século XXI. Todo mundo tem tempo para fazer mil coisas ao mesmo tempo, mas nem sempre consegue encontrar um amigo para tomar um café ou bater um papo. Você deixa para depois, se justifica, remarca e um dia e *pluft*, aquele seu amigo ou aquele parente querido que você deixou de ver no último mês pode não estar mais ali. E você vai viver um longo período pensando em verbos no tempo condicional.

Então, meus amigos, evitem dizer adeus. E insistam em olhar para os olhos de quem vocês amam, mostrando, falando, abraçando, demonstrando de alguma forma que o seu coração só é seu coração porque tem um pedaço de cada um ali.

Ainda não aprendi a me livrar da saudade para viver tranquilamente. E desconfio que nunca vou aprender. Mas pelo menos já sei uma coisa valiosa: é impossível se livrar da memória. Você não pode se livrar daquilo que amou. Isso tudo vai estar sempre com a gente. Sempre vamos desejar recuperar o lado bom da vida e esquecer e desnutrir a memória do lado mau. Desfazer as lembranças das pessoas que nos magoaram, eliminar as tristezas e as épocas de infelicidade.

É totalmente humano, então, ser um nostálgico, e a única solução é aprender a conviver com a saudade. Talvez, para a nossa sorte, a saudade possa se transformar, de uma coisa depressiva e triste, numa pequena faísca que nos impulsione para o novo, para nos entregar a outro amor, a outra cidade, a outro tempo, que talvez seja melhor ou pior, não importa, mas será diferente. E isso é o que todos procuramos todo dia: não desperdiçar a vida na solidão, encontrar alguém, entregar-nos um pouco, evitar a rotina, desfrutar a nossa parte da festa diária que é viver.

Foto: Ilustração/Paulo Magalhães/Flickr

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Sobre Ana Beatriz Amorim, colunista do portal Por Dentro do RN

Ana Beatriz Amorim

Ana Beatriz Amorim tem 34 anos, é jornalista e designer gráfica formada pela UnP. Também é fotógrafa, licenciada em Artes Visuais pela UFRN e especialista em Assessoria de Comunicação. Adepta da teoria do faça uma coisa de cada vez e seja múltipla, escreve a respeito do cotidiano, artes, cultura e esporte. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Jean Paul Prates Senador

Senado: reeleição de Jean é possível

Enquanto os entusiastas da política local ligam os holofotes para a sucessão do governo estadual e focam a briga dos ministros Rogério e Fábio pelo senado, o atual dono da vaga, Jean Paul (PT) tem se fortalecido, começando a andar pelo Rio Grande do Norte. Ainda falta muito até que a popularidade (no sentido literal mesmo, de ser popular, conhecido) do francês que ficou no lugar de Fátima quando ela se elegeu governadora cresça, e o histórico de ‘não-político’ dele não colabora em nada com isso. E isso é muito complicado.

Vejam: recentemente, Jean estava na companhia de três políticos de Natal em um mesmo restaurante na hora do almoço, todos alinhados – ou sem qualquer restrição – ao governo Fátima. Mas o senador não interagiu com nenhum deles. Considerando a boa índole das pessoas, vamos pensar que tal situação não foi por má vontade dele, mas por esse seu estilo muito mais administrativo do que político. Se há essa “trava” no próprio meio político, a situação para com o externo – neste caso, a população – é ainda mais difícil… mas não é impossível.

Prova disso está no fato de que ele terminou as eleições municipais do ano passado em 2º lugar na disputa da prefeitura do Natal, com 14,38%, superando nomes já conhecidos do público local, como os deputados Kelps (Solidariedade) e Hermano (PSB), e também Sérgio Leocádio (PSL), que tinha muito tempo de TV.

Especialmente no auge das especulações da mudança do partido de Jean, que poderia sair do PT para o PDT, uma das possibilidades seria ele não sair candidato a senador por lá – vaga que seria do presidente da legenda, o ex-prefeito Carlos Eduardo – enquanto Jean tentaria uma vaga na Câmara Federal, mudança já protagonizada por políticos como Lídice da Mata (PSB), da Bahia, Aécio Neves (PSDB), de Minas Gerais, e da própria presidente do PT Gleisi Hoffmann, do Paraná. Todos “trocaram” o senado pela câmara.

A possibilidade de mudança na legenda de Jean, neste caso, aconteceria pelo seu possível entendimento com o PDT nacional – fato que, aliás, não foi negado por ele – e por ser improvável que o PT conquiste até três vagas de deputados federais nas eleições do próximo ano – se considerarmos a reeleição de Natália Bonavides e a eleição do quase-deputado Mineiro que até ganhou, mas não levou, e segue como secretário estadual.

Mas o alinhamento com o PDT não veio – nem com a mudança do partido de Jean, nem com uma união da legenda com o PT a nível local. Aliás! O presidente do partido, Carlos Eduardo, também já tem viajado o estado, e, bolsonaristas a parte, talvez seja o maior nome na oposição a Jean, que precisa se estabelecer ainda mais até as eleições, caso queira mesmo “bater a parada” e se reeleger para o senado no próximo ano.

As andanças ao lado de Fátima pelo interior são fundamentais, bem como a união com a governadora que detém bons índices de aprovação. Mas é óbvio que ele também precisa fazer sua parte. Se a eleição para Natal foi um “test-drive” – o deixando em segundo lugar – a concorrência para o Senado no próximo ano será algo ainda mais grandioso, que, caso perca, fará com que ele tenha grandes dificuldades de voltar a vida política, especialmente por sua natural assinatura de “não-político”.

Inclusive – I

O presidenciável Ciro Gomes afirmou em entrevista que a população vai “se surpreender” com as alianças que seu partido, o PDT, está articulando nos estados com foco nas eleições do próximo ano, e afirmou que o PT não tem candidato “viável” porque peca na articulação. Faz sentido, inclusive ao nível local.

Os quadros são bons, mas, vejamos: nos momentos de protagonismo do PT estadual, na última década, resultaram na eleição de Fátima como senadora na chapa com Robinson (PSD) governador, em 2014 – articulação que foi resultado do “chapão” do então PMDB que naufragou, e hoje é motivo de imensa tristeza entre muitos do ninho bacurau.

Naquele momento, a chapa eleita apenas passava a ideia de ser menos pior que a chapa derrotada (Robinson e Fátima versus Henrique e Vilma). Posteriormente, também tivemos a eleição de Fátima para governadora, em 2018, desta vez numa união com apenas dois partidos, respeitosamente, sem tanta expressão – o PCdoB e o PHS. De fato, o PT peca, e precisa ajustar isso.

Inclusive – II

O próprio PDT local já segue na busca de alianças. E é importante considerar que, na mesma entrevista, Ciro Gomes se coloca como o nome viável fugindo da polarização. No que Bolsonaro derrete, – como mostram as pesquisas – alguém pode subir. A cereja do bolo está no marqueteiro contratado por ele, um velho conhecido dos petistas, João Santana; que fez as campanhas presidenciais vitoriosas de Lula e Dilma. João tem uma forma única de conseguir expressar ideias, e deverá contribuir para o crescimento de Ciro.

Ou seja: vai ser ainda mais fácil para o ex-prefeito Carlos Eduardo se articular – como já tem feito, por exemplo, conversando com o ministro Fábio Faria – , abrindo assim portas com o PP e o PSD (partido do pai, Robinson), que tem uma boa base no interior e podem lhe garantir dobradinhas com candidatos a deputados federais e apoios mútuos, ao mesmo tempo que também se sustenta no discurso nacional da terceira via, defendendo Ciro. Carlos também já pegou a estrada, e tem “passeado” por muitas cidades do interior.

Em qual momento o GPS irá indicar que Jean e Carlos Eduardo estão no mesmo lugar?

Foto: Reprodução/Instagram

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Sobre Thiago Martins, colunista do Por Dentro do RN

Jean Paul se fortalece para o Senado

Thiago Martins tem 28 anos, é jornalista formado pela UFRN e atua do jornalismo político no Estado. Apesar de sua maior dedicação ser na área de Assessoria de Comunicação, observa e acompanha as principais ações políticas do Rio Grande do Norte, do Brasil, e do mundo, e escreve nesta coluna a respeito do tema. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Ana Beatriz Amorim Juvino Barreto

A modificação do olhar é essencial para a existência

Por Ana Beatriz Amorim
Para o Por Dentro do RN

Anos atrás, ainda estudante do curso de Jornalismo, estive visitando o Instituto Juvino Barreto para participar de um projeto chamado “Me conte a sua história”, que pedia para que eu escrevesse textos a respeito das histórias para uma futura publicação. Recordo que, ao chegar ao local, fui bem recebida pelos idosos e pela administração. Estava ali para fazer uma matéria e, se não fosse assim, acredito que teria adiado mais alguns anos (ou décadas) a visita.

Os idosos, em sua maioria simpáticos, sorriam para a minha câmera; outros, por sua vez, preferiam não se manifestar e mantinham-se a uma distância imprópria para os meus closes. Ou melhor, para os closes que eu poderia fazer das marcas do tempo em seus rostos. Era um local que sempre tive a vontade de visitar.

Vontade, vontade? Não sei, mas sempre pensei que deveria ir. Fiz os registros, gravei os depoimentos e, ao retornar para o computador, nunca consegui transcrever aquilo que ouvi. Confesso que não tive preparo suficiente para colocar um ponto final nos relatos. Esse lugar sempre foi esquecido por muitos. O isolamento, as ilhas; o asilo, um lugar de asilamento.

Aquelas pessoas estão ali isoladas; estão ali em um lugar onde são colocadas para ficar onde não se conhecem e são obrigadas a conviver umas com as outras naquele cotidiano. Geralmente, são colocados ali por um filho, um tio, um parente, uma pessoa que acha que os idosos não servem mais para a sociedade. Um descarte; você está descartado da sociedade e deve ir para um asilo.

Coloquei na cabeça que ali não iria voltar tão cedo. Egoísmo da minha parte pensar assim? Talvez tenha sido. Sei que saí de lá como quem dá uma espiada no futuro, não está preparada para isso e desiste arrasada. Anos depois, agora inserida no universo das artes visuais e junto aos amigos do curso, voltei a habitar aquele mundo, não mais como quem pensa que os vinte e poucos anos duram para sempre.

Com o propósito de contribuir na prática para o desenvolvimento dos idosos, revivi a cena dos tantos sorrisos, das também caras amarradas e ainda notei uma tristeza muito forte pelo ar. Aprendi nessa vivência que o abandono também sorri. No primeiro dia do estágio, todos lanchavam juntos, alguns sentavam-se no mesmo sofá em silêncio. Vivenciei ali um grupo de amigos que não tinham mais assunto; e então concluí que tudo acaba com o tempo caso não existam estímulos.

Hoje, posso garantir que ter vivido todas essas cenas foi um grande aprendizado! A modificação desse olhar é essencial para a existência. É a humanidade se enxergando, colocando uma lupa: a arte como tábua de salvação, como queria Nietzsche. A arte conta a história da humanidade de uma maneira mais profunda e sincera, além de preencher os nossos próprios vazios.

Para que a arte serve? Ela serve para a gente preencher como Manoel de Barros fala da poesia; e a poesia é inútil. Ela não precisa servir para nada, mas ela preenche o vazio que é tão forte e todo mundo o sente de alguma maneira. Ninguém é completo. Deve ser por isso que, depois dessa vivência, saí do local todos os dias querendo voltar, tanto para lá quanto para a minha casa, pros meus agora “trinta e poucos anos”. Pesquisar, escrever e aproveitar a vida enquanto é tempo.

Foto: Graziela Kohl/Flickr/Ilustração

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Ana Beatriz Amorim

Ana Beatriz Amorim tem 34 anos, é jornalista e designer gráfica formada pela UnP. Também é fotógrafa, licenciada em Artes Visuais pela UFRN e especialista em Assessoria de Comunicação. Adepta da teoria do faça uma coisa de cada vez e seja múltipla, escreve a respeito do cotidiano, artes, cultura e esporte. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Senador Styvenson Valentim

E o que nós fizemos para merecer o senador Styvenson?

O senador Styvenson trava uma luta permanente contra tudo e contra todos. Permanente mesmo, talvez possamos classificar até mesmo como “eterna”. Usou seu sucesso na polícia, a fama de durão, incorruptível no comando das blitzen da “Lei Seca” para se lançar na política, se elegendo senador em 2018. Segue lutando, a todo instante, para que o país deixe de fazer a política através da política, a transformando em sabe Deus o quê, de uma maneira defendida por ele diariamente, com discurso fácil de pegar bandido, diminuir o tamanho do estado, etc etc etc.

Tudo isso são pautas extremamente louváveis e necessárias, mas se tornou o único “falatório” do senador, e até agora sem resultados práticos – infelizmente. Falta resultado prático também em ações firmes, na defesa de uma bandeira, de um grande projeto, de uma ação de contribuição para o Rio Grande do Norte. Nesses dois anos e meio, o que é possível destacar por parte do senador? O projeto da reforma de uma escola estadual. É claro que escolas estaduais merecem (e precisam) ser reformadas, ampliadas, melhoradas em todos os aspectos. Mas estamos falando da atuação de um senador da República.

Mas chegamos num ponto tão lamentável da inércia política do senador Styvenson e de grosserias desmedidas que é impossível crer que só ele esteja certo e todos estejam errados até mesmo em uma situação dessas. A violência contra as mulheres precisa ser combatida, não devendo ser relativizada em qualquer ocasião. Não existe isso de a mulher ter feito alguma coisa para “merecer” os tapas, como dito, tão tranquilamente, pelo senador, se referindo ao episódio ocorrido em Santo Antônio, quando um policial agrediu uma mulher. A maioria das atitudes do senador Styvenson, ainda que defendendo pautas importantes (não é o caso do “apoio” a violência contra mulher!) são lamentáveis e nos leva a essa reflexão: o que nós fizemos para merecer um senador desses?

Não custa lembrar

Tínhamos tantos nomes para o Senado nas eleições de 2018. Queriam experiência e uma visão mais conservadora? Geraldo Melo, Garibaldi Alves e Antônio Jácome, por exemplo. Preferiam alguém mais próximo a esquerda? Alexandre Motta. Ou, talvez, aquela com o mesmo perfil “independente” de Styvenson mas que certamente estaria vencendo o jogo, que era a ex-atleta Magnólia. Todos candidatos viáveis. Mas o discurso fácil, bonito, o bom exemplo do policial na caça aos bandidos prevaleceu. Agora, nem prende mais os bandidos, e ainda “aceita” mulheres apanhando.

A propósito I

Pensemos bem! Superior ao bem e ao mal, à esquerda e à direita, à política, a todos nós seres humanos, o senador Styvenson é categórico ao criticar tanto Lula quanto Bolsonaro. Tem ações muito bem orquestradas para isso, nos discursos de defesa da coisa pública. Assim sendo, em quem você acha que o cidadão potiguar verdadeiramente de direita, que também compactua com a defesa da moralidade e tem um perfil mais conservador, vai preferir votar para governo no próximo ano? No(s) candidato(s) ligados a Bolsonaro (leia-se Benes, Júlio César, quem sabe até o prefeito Álvaro) ou em Styvenson? Resultado prático: ainda mais divisão na oposição.

A propósito II

Enquete do atento Blog do Barreto na semana passada perguntou aos leitores do ilustre blog se entre os nomes atualmente especulados na oposição, quem seria o mais forte para enfrentar a governadora Fátima Bezerra em 2022? A resposta foi que todos os nomes colocados são considerados “fracos”. Nesse caso, Styvenson lidera com 19%; seguido por Benes, com 5%, e pelo ex-prefeito do Natal Carlos Eduardo Alves (PDT), lembrado por apenas 1%. Menos de 1% afirmaram que qualquer um vence Fátima. A conferir.

Seja solidário

A direção do Solidariedade em Natal aprovou a advertência ao vereador Klaus Araújo para que ele assine na Câmara Municipal o requerimento que pede a abertura de uma investigação sobre a compra de respiradores pulmonares pela Prefeitura do Natal durante a pandemia de Covid-19.

O requerimento é de iniciativa da bancada de oposição na CMN, e já conta com assinatura do colega de partido de Klaus, o vereador Anderson Lopes, além de Pedro Gorki (PCdoB), Professor Robério Paulino (PSOL), e das vereadoras Ana Paula (PL), Brisa Bracchi (PT) e Divaneide Basílio (PT). Klaus é atualmente o 1º vice-presidente da Casa legislativa de Natal.

Negociação

Excelente entrevista da deputada Eudiane Macedo ao Novo Notícias, na edição impressa do último sábado (24) e que está no site, onde explica e reitera sua fala a respeito de que “a governadora Fátima (PT) não aceitou negociar, não aceitou se sentar com nenhum deputado da oposição” e isso levou a abertura da CPI da Covid no RN.

Convido a quem quiser ir olhar o significado da palavra negociar no dicionário. Não há nada de negativo na palavra. Agora, a palavra negociar pode ser interpretada conforme a cabeça de quem escuta”. De fato. A oposição segue procurando fazer barulho, fazendo um estardalhaço por qualquer coisa. Para eles, é necessário, com vistas a 2022.

Calma, deputado!

Mas o que mais me chamou atenção na entrevista de Eudiane foi a seguinte fala: “Desde o momento em que cheguei na Assembleia Legislativa, é que existem alguns deputados que não aceitam a presença de uma parlamentar com meu perfil, popular, de comunidade, mulher, que não é política profissional e nem de família tradicional. Um perfil mais comum na Câmara Municipal de Natal, por exemplo, mas não na Assembleia”. É a mais pura verdade, que, felizmente, tem sido derrubada, e com projeções para que se modifique ainda mais a partir do próximo ano. O fim da obrigatoriedade do sobrenome político tem caminhado apressadamente.

Foto: Reprodução

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Sobre Thiago Martins, colunista do Por Dentro do RN

Thiago Martins tem 28 anos, é jornalista formado pela UFRN e atua do jornalismo político no Estado. Apesar de sua maior dedicação ser na área de Assessoria de Comunicação, observa e acompanha as principais ações políticas do Rio Grande do Norte, do Brasil, e do mundo, e escreve nesta coluna a respeito do tema. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Abner Moabe escreve

A cultura que revela os melhores instintos

Abner Moabe escreve: longe de qualquer romantização dos velhos clichês do “sou brasileiro e não desisto nunca”, é preciso sempre ter em mente que a cultura é o que nós temos de mais valioso e é ela que mantém esse país vivo e de pé, apesar de tudo.

Em um artigo escrito em 29 de dezembro de 1861, Machado de Assis teceu uma crítica a uma abertura de crédito suplementar ao Ministério da Fazenda, mas o motivo que lhe levou a escrever tal artigo não é o que quero destacar e, sim, uma frase que consta neste e que considero importante trazer à tona nesse momento: “o país real, esse é bom, revela os melhores instintos, mas o país oficial, esse é caricato e burlesco”.

A frase destacada no parágrafo anterior foi evocada por Ariano Suassuna em uma de suas aulas-espetáculos, mais especificamente no momento em que ele conta o episódio em que foi questionado pela esposa de um homem rico durante um jantar se ele “naturalmente” já teria ido a Disney, e sua interpretação da frase de Machado de Assis é a que eu considero a mais precisa e que eu trago aqui: o país oficial é o dos privilegiados e o país real é o povo.

O antropólogo Darcy Ribeiro dizia que “o futebol é o único reino em que o povo sente a sua pátria” e, quando questionado sobre qual o seu clube do coração, ele se dizia “flamenguista, por demagogia, já que o povo é Flamengo”. Trago o exemplo do futebol, contudo, podemos ampliar não só para outros esportes, mas também para as mais diversas manifestações daquilo que se pode considerar como cultura popular brasileira, entendendo cultura no seu mais amplo conceito de conjunto de valores, costumes e expressões.

Temos acompanhado, nos últimos dias, as disputas esportivas nos jogos olímpicos de Tóquio e não é raro ver nas redes sociais pessoas depositarem em atletas brasileiros e brasileiras alguma esperança de alegria diante da situação caótica em que o Brasil vive, em diversos aspectos e em sua grande maioria por reflexo do catastrófico governo Bolsonaro – que não se resume apenas ao não-combate a pandemia, como também o seu total descaso para com o povo, governando exclusivamente para o benefício do que o sociólogo Jessé Souza tão bem denomina de “elite do atraso”.

Sempre tive o esporte como um “irmão-gêmeo” da arte. Ambos conseguem despertar as mais diferentes emoções no ser humano, possuem um grande potencial de transformação social e são capazes de revelar os nossos melhores instintos, como declarou Machado de Assis; ambos também ajudam a constituir a cultura que nos faz lembrar da potência solidária que é o Brasil real, como tão bem declarou Gilberto Gil quando conceituou o do-in antropológico, inspirado na técnica de automassagem oriental, para “avivar o velho e atiçar o novo”.

Longe de qualquer romantização dos velhos clichês do “sou brasileiro e não desisto nunca”, é preciso sempre ter em mente que a cultura é o que nós temos de mais valioso e é ela que mantém esse país vivo e de pé, apesar de tudo. Como escreveu Fernando Brant e musicou Milton Nascimento em seu Credo: “tenha fé no nosso povo que ele resiste”.

É o Brasil real, do povo, que realmente importa!

Foto: Giulia Portelinha / Comunicação Visual – Jornalismo Júnior

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Sobre Abner Moabe, colunista de Cultura no Por Dentro do RN

Abner Moabe

Abner Moabe tem 27 anos, é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e graduando em Ciências Sociais pela mesma instituição. Além disso, atua no projeto de educação e cultura Conexão Felipe Camarão e vem desenvolvendo projetos de pesquisa sobre a música do Rio Grande do Norte. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.
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Ana Beatriz Amorim sobre amigo

Fluxo da Vida

O Dia do Amigo e Internacional da Amizade foi comemorado na última terça-feira, 20 de julho. Fiquei a pensar sobre o que escrever para homenagear a data. Várias ideias surgiram, várias ideias foram embora. Até que recordei de uma reflexão recente a respeito do fluxo da vida e as amizades: amigo é uma coisa que a gente perde ao longo da vida.

Encontramos vários, nos apegamos a alguns e, a certa altura, somos forçados a colocar o prefixo ex antes do nome daquele que enchia nosso coração de carinho e de certeza. Perder um amigo para a vida, quando não por uma fatalidade, é uma dor tão dilacerante quanto. A gente pensa que amizade é para sempre, que, quando a gente for velhinho e lembrar de tudo que aconteceu, estarão perto de nós aqueles que a gente escolheu como a família do coração.

Mas a vida tem dessas decepções. Uma hora é você que sai de cena. Em outra, a vontade é daquele que te dava toda certeza do mundo de que ficaria ali. A primeira vez em que eu tive que tornar um amigo ex-amigo, senti uma dor que acabou comigo. Fiquei sem entender, chorei, chorei. Por um tempo, foi difícil acreditar de novo na beleza, na simplicidade e nas diversas nuances de uma amizade.

Optei por deixar a amargura de lado e seguir em frente, ainda com esperança de que aquela dor eu não sentiria mais. Novas amizades vieram, as que importavam de verdade permaneceram. Prometi não sentir aquela dor de novo, não daquele jeito. Mas outras dores apareceram para mostrar que a vida é assim mesmo, por mais que a gente se pergunte se já não teve a nossa cota.

O bom é que dor ensina. E depois que a gente sente uma que parte o coração em mil pedacinhos, aprende a relativizar as outras. E, melhor ainda, renova o olhar diante dos amigos de sempre, aqueles por quem a gente sente todo o amor do mundo e em quem temos a sorte de encontrar reciprocidade.

Vi dia desses alguém mascarado nesses tempos de pandemia que outrora foi grande amigo. Na calçada oposta, num álbum antigo de fotos ou num perfil atualizado. Foi ele, mas poderia ter sido ela, ou eles. Foram tantos, já. Pessoas que passam por nossas vidas por alguns dias, às vezes anos até, e depois evaporam. Perdemos os contatos, os laços. Certas vezes mais o segundo do que o primeiro, já que, com a infinidade de meios para nos comunicarmos hoje em dia, maneiras de se achar velhos conhecidos é que não faltam. Mas nem sempre podemos, ou queremos.

As pessoas mudam, seres humanos evoluem, eu envelheço. Estranho ver alguém que, em certa época da vida, já foi confidente, de trocar segredos, de abraçar apertado, de ligar pra pedir favor e emprestar consciência. E hoje é um desconhecido. Alguém que vejo em imagens recentes e não reconheço o olhar, alguém que vejo num novo círculo de amigos e não há traço familiar. Alguém que já soube de minhas dores, risos e desamores, das minhas rimas cafonas, das inseguranças noturnas e paixões oblíquas. Mas uma pessoa que hoje nem mais o nome me soa próximo mas já fez parte de alguma história, da minha vida. De mim.

Há uns meses, estou numa onda de rever todos os meus relacionamentos, incluindo as amizades, e fico muito triste quando paro para pensar em quem antes era melhor amigo e hoje eu nem sei mais. Fico pensando o que está fazendo da vida, que caminhos está trilhando, quais escolhas teve de fazer… essas coisas. E é triste quando a gente percebe que muitos se foram para nunca mais voltar, apesar de sabermos que isso faz parte da vida, e que muitas novas amizades ainda virão. Tenho pensado nesse fluxo da vida E como tudo se torna um grande aprendizado sobre o outro e, principalmente, sobre nós mesmos. Vida que segue. 

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Sobre Ana Beatriz Amorim, colunista do portal Por Dentro do RN

Ana Beatriz Amorim

Ana Beatriz Amorim tem 34 anos, é jornalista e designer gráfica formada pela UnP. Também é fotógrafa, licenciada em Artes Visuais pela UFRN e especialista em Assessoria de Comunicação. Adepta da teoria do faça uma coisa de cada vez e seja múltipla, escreve a respeito do cotidiano, artes, cultura e esporte. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Benes Leocádio

Pré-candidatura de Benes começa a se fortalecer

A oposição potiguar começa a se fortalecer com a pré-candidatura de Benes Leocádio (Republicanos) ao governo no próximo ano. De perfil tranquilo e bem adepto às conversas e as alianças políticas, Benes tem conquistado não apenas vários setores da oposição, mas também já começa a sentir uma boa aceitação dos cidadãos. A união ao presidente Jair Bolsonaro – que não tem tanta aceitação no estado – será um fator que, segundo afirmam seus apoiadores, será superado pelo pré-candidato.

Ao que a equipe de Benes escuta, a questão nacional não será fator negativo no ponto de vista local. Os últimos dias foram marcantes – positivamente – para o grupo de Benes, onde o ex-prefeito de Lajes recebeu inúmeras mensagens de apoio, tanto de políticos, quanto de cidadãos. Por enquanto, o destaque fica por conta do ataque ao consórcio Nordeste pelo rival de Fátima; de acordo com o pré-candidato, ele “não vê resultado para ninguém”.

Que a força esteja com você

O grupo governista, por sua vez, tem utilizado a estratégia do silêncio. Com exceção do comentário do secretário Mineiro, que sugeriu o “chega logo, 2022”, pouco tem se falado por lá no primeiro pré-candidato oficial.

Formigueiro I

Esta coluna já chamou atenção para a ironia de a oposição, que não tinha nem um candidato para a disputa com Fátima Bezerra até dias atrás, e agora conta com Benes e ainda com a possibilidade do prefeito de Ceará-Mirim, Júlio César, do PSD, que é ligado ao grupo do ministro Fábio Faria.

A questão é que, ao sair do hospital ontem, em São Paulo, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reforçou indiretamente o apoio à candidatura de Rogério Marinho ao senado, afetando o grupo de Fábio: “ele é reconhecido no seu estado”, disse Bolsonaro sobre Marinho. A fala foi interpretada por muitos como apoio a Rogério, deixando Fábio de lado. Isso afetaria a manutenção do nome de Júlio César na disputa?

Formigueiro II

Numa rádio em Jardim do Seridó, o ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo, do PDT, afirmou que é pré-candidato a governo, mas aceita conversar sobre a candidatura ao senado.

Formiga rainha

E ninguém duvide do senador Styvenson. Sem nada a perder e buscando reforçar suas estratégias para se reeleger em 2026, deverá sim sair candidato ao governo no próximo ano. Contra tudo e contra todos, e no estilo “único” de fazer campanha, vai de interior em interior, sentando nos bancos das praças, e conversando com as pessoas reforçando seus discursos de moralidade política e etc. Um marketing e tanto!

No caminho do açúcar

Só ai já vão quatro candidatos – Benes, Júlio César, Carlos Eduardo e Styvenson – e mais a atual chefe do executivo, Fátima, para a disputa estadual do próximo ano. Quem vai levar? Aguardemos!

Foto: Reprodução/Redes Sociais

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Thiago Martins tem 28 anos, é jornalista formado pela UFRN e atua do jornalismo político no Estado. Apesar de sua maior dedicação ser na área de Assessoria de Comunicação, observa e acompanha as principais ações políticas do Rio Grande do Norte, do Brasil, e do mundo, e escreve nesta coluna a respeito do tema. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Benes

O plano (B)enes: a oposição segue lançando um candidato por semana

A oposição segue lançando um candidato ao Governo por semana para a disputa com a atual chefe do executivo potiguar Fátima Bezerra (PT). O nome da vez, agora, é o do ex-prefeito de Lajes, município da região central, Benes Leocádio (Republicanos). Deputado federal mais votado nas eleições de 2018, Leocádio é um bom nome, aparece bem na maioria das pesquisas, e já admitiu ao jornal Agora RN que ‘topa a parada’: “Meu nome está sendo muito bem visto nos quatro cantos do estado. Temos apoio em todos os municípios, situação que me fortalece”, disse à reportagem do Agora.

Ninguém duvide do perfil conservador de Benes – inclusive por isso mesmo ele integra tão bem a base de apoio do presidente Bolsonaro na Câmara Federal. Mas, em meio a esse jogo político, é fundamental lembrarmos que Benes perdeu a prefeitura da sua própria cidade, Lajes, quando o jovem opositor Felipe Menezes derrotou o prefeito Marcão, que foi vice de Benes e era apoiado por ele nas eleições do ano passado.

Os holofotes se destacam muito mais por sobre a atuação municipalista do deputado, sua verdadeira bandeira. Benes é hoje o 1º lugar no ranking dos deputados municipalistas da Confederação Nacional de Municípios (CNM), com 444 pontos. Numa disputa para o governo, mesmo não se elegendo, se fortalece ainda mais contra Felipe no comando de Lajes em 2024.

Até lá, segue o jogo, fortalecido desde já pelo racha dos ministros/grupos Bolsonaristas, enquanto a governadora Fátima come sua pipoca Bokus e faz seu trabalho, alcançando bons índices de aprovação no estado.

E o plano “E”

A deputada Eudiane Macêdo (Republicanos) que fez dobradinha com Benes em 2018 deverá continuar na base do governo Fátima. Ela e seu marido, o articulador político Tácio, sabem o melhor caminho a seguir. Os riscos dos planos do colega republicano Leocádio podem não valer a pena no caso de Eudiane, que tem feito boa articulação e conta com importantes apoios.

Imperador

Esta coluna já havia alertado sobre o nome do prefeito Júlio César, de Ceará-Mirim, despontar como candidato ao governo. O que não se cogitava era o racha no grupo de ministros de Bolsonaro. Vejam a ironia: para quem não tinha nem um candidato, agora são logo dois – e bons nomes, eis a realidade. Benes, do grupo do ministro do desenvolvimento regional Rogério Marinho, tem um excelente currículo. Júlio, do grupo do ministro das comunicações, também. Ambos já foram gestores, experientes.

Soldados e plebeus

Na história, Júlio César fixou uma nova fase na história política romana. Liderou uma guerra civil que obrigou os senadores romanos e o então imperador romano Pompeu a fugirem de Roma para a Grécia. Por aqui não chegará a tanto – ao menos torcemos – mas acredito que o prefeito de Ceará-Mirim terá uma facilidade muito maior em falar com os eleitores do que Benes. Apesar da ligação com Fábio Faria, Júlio vai demonstrar independência e, com um bom marketing, conseguirá focar muito em obras e ações que pretende realizar, mostrar os feitos recentes de sua gestão como prefeito de Ceará-Mirim, enquanto o destaque da união de Benes e Bolsonaro tende a ficar mais escancarado – e ser algo ruim para o republicano municipalista.

Conquistas romanas

Júlio tem tudo para ir a guerra, inclusive, mais uma ironia, é atualmente primeiro vice-presidente da FEMURN, entidade já presidida por Benes.

Pontífice Máximo

Por fim, para quem se pergunta onde entra o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo (PDT) no jogo político do próximo ano, saibam que ele poderá estar ai: na chapa de Júlio César. Os desdobramentos desse “racha” é ainda maior, com o atual prefeito Álvaro Dias – forte na capital – ligado ao grupo de Rogério/Benes -, e o grupo de Carlos Eduardo – também forte na capital – ligado a Fábio Faria/Júlio.

Foto: Reprodução/Facebook

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Sobre Thiago Martins, colunista do portal Por Dentro do RN

Thiago Martins tem 28 anos, é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), atuante do jornalismo político no Estado. Apesar de sua maior dedicação ser na área de Assessoria de Comunicação, observa e acompanha as principais ações políticas do Rio Grande do Norte, do Brasil, e do mundo, e escreve nesta coluna a respeito do tema. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

Bálburdia (Biólogo Henrique)

Biólogo Henrique: como a balbúrdia de um professor no YouTube vem ajudando a salvar serpentes no Brasil

Conheça o canal do biólogo Henrique, um especialista em serpentes que desmistifica os répteis para o público leigo de uma maneira simples e didática.

Fosseta loreal, órgão de Jacobson, soro antiofídico, dentição solenóglifa, opistóglifa etc. Arrisco dizer que você, caro leitor, já tenha se deparado com esses termos alguma vez em sua vida escolar; e que, provavelmente, as obrigações com outras disciplinas, atreladas à falta de aulas mais dinâmicas por uma série de fatores, tenham contribuído para essa sensação de estranhamento que você deve ter sentido ao ler o primeiro período deste texto.

Adianto, antes de tudo, que estou longe de ser especialista em serpentes. Estou mais para um jornalista curioso que, no afã de encontrar alguma atividade menos entediante para fazer na pandemia, resolveu aprender um pouco sobre esses bichos fenomenais.

O início de tudo

E eu me lembro como se fosse hoje: despretensiosamente, no início do ano passado, comecei a assistir a alguns canais que abordavam a Herpetologia (área da Biologia que se dedica aos répteis e aos anfíbios) de maneira, muitas vezes, amadora; mas com o didatismo suficiente para me fazer voltar a assistir aos vídeos outras vezes. Foi o caso dos canais de “Haroldo Bauer, o Rei das Serpentes” e do “Comédia Selvagem”, este último apresentado pelos figuraças Charles e Tiringa. Pegadinhas e zoeiras à parte, que todo nordestino que se preza conhece bem, duas coisas me chamaram atenção:

A primeira é o fato de nenhum dos apresentadores possuírem formação acadêmica para falar (tão bem) sobre serpentes; e a segunda, talvez a mais importante, é a função social que esses dois canais exercem sem perder o bom humor e, o melhor de tudo, longe da linguagem difícil e acessível apenas aos acadêmicos.

Haroldo no texto do biólogo Henrique
Foto: Reprodução/Rede Record

Os resultados são tão positivos que a diminuição da matança de serpentes por parte da população sertaneja se tornou um fato comprovado; basta ver os diversos depoimentos de inscritos que, por agora possuírem o conhecimento, optam em deixar os répteis vivos e contribuem para a preservação ambiental, conscientizando as pessoas sobre o papel das serpentes na natureza.

Charles no canal do biólogo henrique
Foto: Reprodução/Canal Comédia Selvagem

Por falta de informação e devido às tradições transmitidas de geração em geração, muitos desses animais morriam sem nem sequer oferecerem ameaça à população das áreas em que o convívio entre seres humanos e serpentes é comum, como o sertão nordestino e outras regiões distantes das grandes cidades.

Quando o popular e o erudito trabalham juntos

Recentemente, uma criança do estado no qual nasci e onde moro até hoje (o Rio Grande do Norte) foi picada, ao que parece, por uma serpente jararaca quatro vezes e sobreviveu. Embora eu seja alguém da capital e nunca tenha passado por uma situação parecida, fiquei impressionado com a resistência do garoto às picadas da cobra que mais causa acidentes no país. E é aqui, caro leitor, que o texto entra no assunto principal.

Por mais que eu considere importante a simplificação de temas complexos com o intuito de facilitar a compreensão por parte do público leigo, comigo incluso, as palavras de especialistas e o saber científico também têm a sua importância e o seu espaço no YouTube; e a transmissão desse conhecimento não precisa, necessariamente, ser chato e monótono.

Foto: Reprodução/Cedida pelo entrevistado

Além de Charles e Tiringa, ou ainda do Rei das Serpentes, que permitiram que os seus inscritos tivessem outra visão a respeito do sertão nordestino e pernambucano, também passei a acompanhar biólogos de form