Senador atribui responsabilidade ao presidente do BC, Gabriel Galípolo, e cobra posicionamento de aliados do governo
O aumento da taxa básica de juros (Selic) de 14,75% para 15%, anunciado na quarta-feira (18.jun.2025) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, provocou reação do líder da oposição no Congresso Nacional, senador Rogério Marinho (PL-RN).
Em publicação nas redes sociais, o parlamentar criticou o silêncio do governo federal diante da decisão e destacou que o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “O nome do presidente do Banco Central é Galípolo, repita comigo, Galípolo, indicado por Lula. Hoje os juros que são cobrados, estratosféricos, foram definidos por Galípolo e pela maioria dos indicados do presidente Lula”, escreveu Marinho.
O senador também cobrou manifestações do líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), e da ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR).

Marinho comparou a atual gestão do BC à de Roberto Campos Neto, que presidiu a instituição entre 2019 e janeiro de 2025. Segundo ele, Campos era responsabilizado pelo governo por manter os juros elevados, mas a atual política fiscal “absolutamente irresponsável” seria a responsável por impedir a queda da taxa. “Isso inibe o investimento no Brasil. Isso gera insegurança para quem é empreendedor ou quem financia o governo brasileiro através da compra dos títulos de dívida pública”, afirmou.
O parlamentar também relacionou o aumento dos juros ao comportamento do câmbio. “Isso gera problema na nossa questão do câmbio”, afirmou, ao criticar declaração recente de Lula de que “brasileiro não come dólar”. Para Marinho, essa afirmação ignora a importância da moeda para a compra de insumos essenciais em setores como o alimentício e industrial.
Críticas também partiram da Câmara
O deputado federal General Girão (PL-RN) também criticou a alta da Selic e a ausência de manifestação do governo federal. Ele relembrou que, em 2006, último ano do primeiro mandato de Lula, os juros também estavam no patamar atual. “O PT não tem mais Roberto Campos para culpar, e mesmo assim o governo segue perdendo a guerra para a inflação”, afirmou.
Na visão do parlamentar, a política econômica da atual gestão é ineficaz. “Quem paga a conta é o povo”, declarou.

Em contrapartida, a deputada federal Natália Bonavides (PT-RN), integrante da base governista, também se posicionou contra a decisão do Copom. Em publicação nas redes sociais, ela classificou o aumento como “absurdo e inaceitável” e defendeu mudanças na política monetária. “É urgente uma guinada nessa política que só beneficia quem especula, e não quem produz. O presidente do BC precisa mudar de postura diante das pressões do capital financeiro, não há nenhuma teoria econômica que justifique isso como razoável”, disse.
Campos Neto comenta decisão
O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, também comentou o reajuste da taxa para 15%. “Eu poderia falar: ‘Viu? Me criticaram tanto e agora a taxa está maior’. Mas minha honestidade intelectual não me deixa embarcar nessa. Eu teria feito a mesma coisa”, afirmou.

Campos Neto justificou que a decisão do Copom está relacionada à necessidade de reforçar a credibilidade diante de expectativas desancoradas. Durante sua gestão, que se estendeu de 2019 a janeiro de 2025, a Selic passou de 2% para 13,75%, em um dos ciclos mais longos de elevação de juros no país.
Justificativa do Copom
Em nota oficial, o Copom apontou que o cenário internacional permanece adverso, com incertezas geradas principalmente pelas políticas fiscal e comercial dos Estados Unidos. A autoridade monetária também citou a volatilidade de ativos globais e os efeitos nas condições financeiras, o que exige cautela por parte de países emergentes em meio à tensão geopolítica global.
Foto: Roque de Sá/Agência Senado / Lula Marques/Agência Brasil
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