Taxação dos EUA pode impactar exportações do RN e ameaçar 21 mil empregos no estado

Taxação dos EUA pode impactar exportações do RN e ameaçar 21 mil empregos no estado

Estado registrou crescimento de 120% nas exportações no primeiro semestre de 2025, mas setor produtivo vê risco com nova tarifa de importação

A tarifa de importação anunciada pelo Governo dos Estados Unidos ao Brasil, com previsão de vigência a partir de 1º de agosto, pode impactar diretamente o desempenho das exportações do Rio Grande do Norte, que registraram crescimento de 120% no primeiro semestre de 2025 em comparação com o mesmo período de 2024. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Comex), o estado exportou US$ 67,1 milhões entre janeiro e junho, igualando o total de exportações de todo o ano de 2024.

Este foi o melhor resultado semestral desde 2019, quando o estado havia alcançado US$ 81,7 milhões. No ranking do Nordeste, o RN ocupou a quarta colocação, ficando atrás de Ceará, Bahia e Maranhão, conforme dados da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

Exportações por setor e principais produtos

Os principais produtos exportados pelo Rio Grande do Norte no semestre foram:

  • Óleos de petróleo ou minerais betuminosos: US$ 24 milhões
  • Peixes frescos ou refrigerados: US$ 11,5 milhões
  • Produtos de origem animal: US$ 10,3 milhões
  • Pedras de cantaria ou de construção: US$ 4,3 milhões
  • Produtos de confeitaria: US$ 4,1 milhões
  • Sal: US$ 3,4 milhões

Segundo levantamento da Sudene, esses itens estão entre os mais impactados pela nova tarifa norte-americana, que pode inviabilizar parte dos negócios com o mercado dos Estados Unidos.

Impacto econômico regional e nacional

Estudo da Coordenação de Estudos, Pesquisas, Tecnologia e Inovação da Sudene mostra que a taxação poderá afetar fortemente os estados do Nordeste. Ceará, Bahia e Maranhão devem ser os mais impactados, seguidos por Rio Grande do Norte, que tem relação comercial histórica com os Estados Unidos.

Em nível nacional, a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) estima que a medida pode afetar quase 10 mil empresas e comprometer 3,2 milhões de empregos. No caso do Rio Grande do Norte, levantamento da Federação das Indústrias do RN (Fiern) aponta que até 21 mil postos de trabalho estão sob risco.

Setores como a indústria salineira (4,5 mil empregos), fruticultura (9 mil empregos) e pesca oceânica (1 mil empregos diretos e 4 mil indiretos) são os mais expostos à medida.

Dificuldades na abertura de novos mercados

Com a taxação iminente, setores produtivos locais buscam alternativas em novos mercados. No entanto, a abertura comercial enfrenta barreiras logísticas e sanitárias. Casos como o do melão, que levou anos para conquistar acesso ao mercado chinês, exemplificam a complexidade desse processo.

Produtos como atum, balas e sal, que têm forte presença nas exportações para os EUA, enfrentam dificuldades adicionais para reposicionar sua produção em outros destinos devido à preferência dos consumidores e à estrutura logística envolvida.

A pesca oceânica, por exemplo, exporta cerca de 80% da produção potiguar para o mercado norte-americano, e enfrenta risco de paralisação. O pescado congelado, que já tem envio suspenso, está entre os itens mais vulneráveis à nova política tarifária.

Participação dos EUA nas exportações potiguares

Os Estados Unidos representam 47% das exportações da indústria salineira do Rio Grande do Norte nos últimos seis anos. O país consome aproximadamente 50 milhões de toneladas de sal por ano, sendo 16 milhões importadas. O mercado brasileiro, em comparação, consome cerca de 7 milhões de toneladas anualmente.

Na indústria de balas e caramelos, cerca de 30% da produção potiguar é destinada à exportação, sendo metade desse volume enviado aos EUA. A projeção era de crescimento para 40% ainda em 2025. A nova tarifa ameaça a competitividade dos produtos potiguares, com possíveis impactos nas vendas e na manutenção de empregos.

Setor produtivo busca diálogo técnico

Representantes da indústria local apontam que a medida tem caráter político e defendem a abertura de diálogo técnico para evitar perdas bilaterais. A proposta de um adiamento de 90 dias da tarifa permitiria, segundo entidades industriais, a apresentação de dados sobre os impactos econômicos para ambas as partes.

No setor de balas, a estimativa é de que os produtos possam sofrer sobrepreço nas prateleiras americanas, reduzindo sua atratividade comercial. No setor salineiro, o impacto pode inviabilizar economicamente os embarques, considerando a margem de lucro e os custos operacionais atuais.

Foto: Sandro Menezes/Governo do RN/Ilustração

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