Relatório publicado pelo NCPI mostra que a primeira infância é a mais prejudicada pelos eventos extremos; escola de Natal propõe um novo olhar sobre o meio ambiente
Crianças pequenas são mais expostas aos riscos climáticos, revela estudo
Crianças brasileiras nascidas em 2020 viverão, em média, 6,8 vezes mais ondas de calor e 2,8 vezes mais inundações e perdas de safra ao longo da vida do que aquelas nascidas em 1960. É o que revela o relatório “A Primeira Infância no Centro da Crise Climática”, divulgado pelo Núcleo Ciência pela Infância (NCPI) com base em informações do Observatório de Clima e Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
O estudo também aponta para um aumento significativo na ocorrência e frequência de eventos climáticos extremos no Brasil, passando de 1.779, em 2015, para 6.772, em 2023. Com isso, segundo o NCPI, a primeira infância (fase que reúne cerca de 18,1 milhões de brasileiros com até 6 anos) é a mais impactada pelos efeitos nocivos da crise climática sobre saúde, nutrição, educação, segurança e moradia.
Ainda conforme o relatório do NCPI, mais de um terço das crianças de até 4 anos vive em situação de insegurança alimentar. Além disso, em contextos de deslocamento forçado por desastres, como o ocorrido no Rio Grande do Sul no ano passado, esse grupo está entre os mais atingidos. Só na educação, eventos extremos já suspenderam as aulas de 1,18 milhão de crianças e adolescentes em 2025.

Sustentabilidade no cotidiano escolar
Em Natal, a Casa Escola adota práticas diárias que associam o aprendizado nas diversas áreas de ensino ao meio ambiente. Com metodologia construtivista, baseada em projetos, a instituição integra a sustentabilidade ao currículo e à rotina, incentivando mudanças de hábitos dentro e fora da escola. Dessa forma, de acordo com a diretora Priscila Griner, “se aprende com prazer e consistência”.
“A gente não fica só no discurso. O lixo que produzimos é cuidado até onde podemos aproveitar, já que, infelizmente, a coleta seletiva em nossa cidade é insuficiente para a demanda. Parte dos resíduos da cozinha vai para os animais do nosso Viveiro, e serve também como adubo da nossa horta. Evitamos o uso de isopor, diminuímos consideravelmente a aquisição de brinquedos de plástico, ainda que sejam reaproveitados por gerações, e desestimulamos o uso de descartáveis e produzimos mudas de plantas na escola para serem distribuídas em eventos de lazer realizados em praças com o intuito de promover brincadeiras sem tela”, destaca.
A escola também incentiva o uso de garrafas de água pessoais e promove debates sobre consumo consciente e desperdício, incluindo a leitura de rótulos e informações sobre embalagens recicláveis. Na grade curricular, os alunos da Educação Infantil e do Fundamental 1 têm aulas regulares no Viveiro, onde aprendem sobre ecossistema, e os do Fundamental 2 podem participar do Núcleo de Permacultura, que desenvolve práticas orgânicas de cultivo.
Para o ecólogo e cientista florestal José Denilson, professor de Agroecologia da Casa Escola, trazer o tema ao cotidiano escolar amplia a compreensão dos alunos sobre a sustentabilidade. “É comum associar meio ambiente a espaços verdes afastados do nosso dia a dia. Mas na verdade, estamos inseridos no meio e fazemos parte dele em toda a nossa vida. Por isso, aqui reforçamos a ideia de meio ambiente como algo abrangente e próximo, que pode ser conectado a vários saberes”, enfatiza o educador.
Além dessas ações, a escola promove feirinha de orgânicos, às segundas-feiras, com pequenos produtores da Comunidade Quilombola de Capoeiras; oficinas de bioconstrução e geotintas, em parceria com a bioconstrutora Leslhie Medeiros; além de campanhas internas para redução do uso de descartáveis e participação em iniciativas externas como a Semana RN Lixo Zero.
Conferência Infantojuvenil pelo Meio Ambiente
A Casa Escola esteve entre as 16 escolas potiguares classificadas para a etapa estadual da 4ª Conferência Infantojuvenil pelo Meio Ambiente (Ceijma), realizada de 30 de julho a 1º de agosto. O projeto apresentado, “Hydroinova: estação de tratamento de esgoto”, propõe a adaptação de Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) para gerar fertilizantes de baixo custo, beneficiando hortas familiares e contribuindo para a segurança alimentar.
A proposta foi construída coletivamente e representada pelos alunos Matheus Delmiro (9⁰ ano) e Rhavi Carneiro (7⁰ ano), que ficou entre os nove melhores projetos de escolas na Grande Natal.
“Nós temos um planeta que é único, e é evidente que ele não está mais suportando esse modelo de ocupação e consumo. Para se ter uma ideia, estima-se que o peso atual de plástico no mundo, em toneladas, é o dobro do peso de todos os animais”, afirma o biólogo e coordenador do Fundamental 2 na Casa Escola, Jorge Raminelli, que também esteve à frente da IV Conferência Estadual Infantojuvenil pelo Meio Ambiente (Ceijma).
“Não se trata de provocar alarmismos na sociedade, mas todos nós precisamos conhecer a verdadeira situação para cuidar”, completa.
Foto: Divulgação
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