Desenvolvida em formato de elefante, novidade recebeu patente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial
Um dispositivo inovador, criado no Rio Grande do Norte, promete transformar o cuidado com crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O ALEF, acrônimo de Adaptador Lúdico em Forma de Elefante, facilita a administração de medicamentos líquidos nesse público, que frequentemente enfrenta dificuldades relacionadas a aversões sensoriais e resistência comportamental.
O produto, que recebeu patente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) sob o número BR 10 2024 026085 6, incorpora elementos lúdicos, sensoriais e interativos, projetados a partir de modelagem 3D e impressão com materiais acessíveis. O objetivo é reduzir o estresse no momento da medicação e melhorar a adesão ao tratamento de forma mais humanizada.
Trata-se de um dispositivo que funciona como suporte para acoplar uma seringa dosadora padrão do mercado, a mesma que acompanha os medicamentos líquidos fornecidos pela indústria farmacêutica. Um dos objetivos do ALEF é ocultar a seringa dosadora, de modo que ela não seja vista ou percebida pela criança, facilitando a aceitação no momento da ingestão. Isso é possível porque a ferramenta tem a aparência de um brinquedo.
O projeto levou quase dois anos para ser desenvolvido. O criador é o aluno do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia da Universidade Potiguar (PPGB/UnP) e, agora, doutor em Biotecnologia da Saúde, Eurico de Souza Costa. “A proposta sempre foi criar uma solução que respeitasse as particularidades das crianças com TEA e tornasse o momento da medicação menos traumático. Saber que o ALEF agora é uma tecnologia patenteada reforça o potencial de facilitar a rotina diária de muitas famílias e profissionais de saúde”, comemora.
O interesse dele pelo tema ganhou força com o aumento da visibilidade dos casos de Transtorno do Espectro Autista, observado no dia a dia e nas discussões públicas. “Minha motivação surgiu quando atuei na indústria farmacêutica, em uma linha de medicamentos voltados ao sistema nervoso central. Na época, atendia um território que ia da Paraíba a Rondônia e, ao longo de quase quatro anos, ouvi inúmeros relatos médicos sobre transtornos neurológicos, incluindo o TEA”, relata o pesquisador.

Ainda segundo Eurico, os resultados de sua pesquisa indicam que o uso de ferramentas adaptadas melhora a aceitação dos medicamentos, promovendo uma abordagem mais humanizada e eficaz. A pesquisa destaca a relevância da tecnologia na saúde pediátrica e seu potencial para transformar práticas clínicas, especialmente em populações vulneráveis, como os indivíduos com TEA.
O estudo reforça a importância de envolver cuidadores e profissionais em todas as etapas do tratamento, assegurando que as necessidades da criança sejam o foco principal. “O ALEF representa um avanço importante ao unir ciência, tecnologia e sensibilidade, favorecendo não apenas a adesão ao tratamento, mas também fortalecendo o vínculo entre a criança, a família e a equipe de saúde”, afirma a coordenadora do PPGB/UnP, professora doutora Amália Rêgo.
Para o orientador do projeto, professor doutor Fausto Pierdoná Guzen, o ALEF é um exemplo de como a pesquisa acadêmica pode gerar soluções práticas e humanizadas, especialmente para públicos que enfrentam desafios tão específicos como as crianças com TEA. “Acreditamos que a inovação na área da saúde precisa estar a serviço das necessidades reais da população. A conquista da patente é motivo de grande alegria, porque reconhece o potencial transformador desse trabalho e abre portas para que ele chegue a quem mais precisa”, pontua.
Foto: Divulgação
Siga o Por Dentro do RN também no Instagram e mantenha-se informado.







