Taxação de 50% sobre exportações brasileiras gera excedente no mercado interno e reduz preços em supermercados
Café e carnes mais baratos em Natal após tarifa dos EUA
A imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos gerou impactos diretos no mercado interno. Em Natal, capital do Rio Grande do Norte, os reflexos foram observados nos supermercados, com queda nos preços de itens como café e carnes. Os dados são do Procon Natal e da empresa de inteligência de mercado Scanntech.
Segundo levantamento do Procon Natal, o preço do café caiu 4,54% em agosto. As carnes de primeira registraram redução de 2,62%, enquanto as carnes de segunda tiveram queda de 0,95%. A tendência acompanha o cenário nacional e regional, onde os mesmos produtos apresentaram retração de preços.

A exceção foi o frango. Enquanto o preço médio do quilo da proteína caiu 5,7% no Brasil e 3,1% no Nordeste, em Natal houve aumento de 4,94%. A variação é atribuída a fatores locais, como o perfil das empresas que abastecem o mercado potiguar, que não necessariamente exportam para os Estados Unidos.
De acordo com a Scanntech, no Nordeste, os preços médios caíram 1,3% para carne suína, 1,0% para café e 0,6% para carne bovina. No Brasil, as quedas foram de 4,6% para café, 1,2% para carne suína e 0,8% para carne bovina.
A tarifa americana entrou em vigor no dia 6 de agosto. A medida afetou diretamente a exportação de produtos como frango, carnes e café, que têm os Estados Unidos como um dos principais destinos. Com a redução ou suspensão dos embarques, houve redirecionamento da produção para o mercado interno, gerando excedente e pressionando os preços para baixo.
A análise da Scanntech indica que o aumento da oferta, sem expansão proporcional da demanda, contribuiu para a queda nos preços no varejo. O fenômeno é considerado conjuntural e pode ser temporário, dependendo da recomposição das exportações ou da absorção da produção por novos mercados.
Em Natal, o preço médio da cesta básica caiu 2,03% em agosto, passando de R$ 446,69 para R$ 437,79. Além de café e carnes, produtos do hortifruti também apresentaram queda. A cebola branca teve redução de 37,67%, o tomate caiu 34,20%, a batata comum 11,48% e a batata-doce 3,75%.
O peixe foi o único item que apresentou aumento de preço em agosto, com alta de 1% no Nordeste e 2% no Brasil, segundo a pesquisa.
Especialistas apontam que o cenário de queda nos preços pode ser passageiro. A expectativa é de estabilização, com possível retorno aos patamares anteriores, dependendo da dinâmica de consumo, das negociações comerciais e da capacidade de ajuste da produção interna.
A redução nos preços foi percebida pelos consumidores. O Procon Natal registrou variações positivas para o bolso da população, especialmente em itens essenciais da alimentação. A queda nos preços é atribuída à inviabilização das exportações, que gerou excedente no mercado local.
A situação é monitorada por entidades como a Associação dos Supermercados do Rio Grande do Norte (Assurn), que também relaciona a queda de preços à política tarifária dos Estados Unidos. A entidade destaca que o comportamento do mercado nos próximos meses dependerá de fatores externos e internos, como acordos comerciais e ajustes na produção.
Foto: Arquivo/POR DENTRO DO RN/Ilustração
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