Fetronor defende faixas exclusivas e STTU aponta expansão, mas falta de fiscalização reduz ganhos da mobilidade

Fetronor defende faixas exclusivas e STTU aponta expansão, mas falta de fiscalização reduz ganhos da mobilidade

Por Thiago Martins – thiagolmmartins@gmail.com
Mobilidade em Pauta

Campanha reforça importância das faixas de ônibus, enquanto o Conselho Municipal de Mobilidade discute ampliação dos corredores em Natal; desrespeito de motoristas ainda compromete a eficiência

Durante a Semana Nacional de Trânsito, a Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Nordeste (Fetronor) lançou em Natal uma campanha de conscientização para destacar a importância do respeito às faixas exclusivas e semi-exclusivas de ônibus.

Com o slogan “Respeitar a faixa exclusiva de ônibus é priorizar o cidadão”, a iniciativa alerta para o impacto negativo da invasão desses corredores por veículos particulares. Segundo a entidade, a prática compromete a mobilidade urbana, aumenta o tempo de viagem e reduz a qualidade do serviço prestado a milhares de usuários.

O presidente da Fetronor, Eudo Laranjeiras, destacou que o tema vai além do cumprimento da lei:

“O respeito às faixas não é apenas uma questão de obediência, mas de cidadania. Cada minuto perdido representa menos qualidade de vida para quem já enfrenta os desafios diários da mobilidade em Natal.”

Desde a implantação, em 2013, os corredores chegaram a reduzir em até 25 minutos o tempo de deslocamento em vias como a Avenida Nevaldo Rocha. Hoje, com as constantes invasões, esse ganho caiu para cerca de cinco minutos nos horários de pico.

STTU aponta necessidade de ampliar corredores

Paralelamente à campanha da Fetronor, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU) levou ao Conselho Municipal de Transporte e Mobilidade Urbana (CMTMU) a discussão sobre a expansão das faixas exclusivas.

Entre as propostas estão:

  • 3,22 km na BR-101, entre o Shopping Via Direta e a Igreja Universal;
  • 1,24 km entre o Centro Administrativo e o Natal Shopping;
  • Requalificação da Av. Nevaldo Rocha, com 4,5 km e investimento de R$ 24,6 milhões.

A implantação de parte das novas faixas, contudo, também depende do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT/RN), órgão responsável pelas vias federais – no caso das marginais da BR-101, onde a STTU propôs os novos corredores.

Não há confirmação por parte da CMTMU sobre avanços de discussões com o DNIT para a expansão das faixas na via federal.

De acordo com a secretária Jódia Melo, as medidas beneficiarão cerca de 35 linhas de ônibus e podem reduzir em até 15 minutos o tempo das viagens.

O CMTMU, que reúne representantes do poder público, sociedade civil e operadores do sistema, tem o papel de avaliar e acompanhar essas políticas, garantindo participação ampla nas decisões.

O desafio da fiscalização

Apesar dos avanços institucionais e do consenso em torno da necessidade de priorizar o transporte coletivo, a falta de fiscalização é hoje um dos maiores gargalos. Motoristas de veículos particulares seguem utilizando as faixas de ônibus de forma irregular, especialmente nos horários de pico, diminuindo os ganhos obtidos com os corredores.

Sem a presença efetiva de agentes de trânsito ou uso de tecnologia para registrar infrações, os corredores acabam funcionando apenas parcialmente. Isso gera frustração entre os usuários do transporte público, que deixam de sentir a diferença prometida com a implantação das faixas.

Ações concretas

A campanha da Fetronor e as propostas de expansão apresentadas pela STTU apontam para o mesmo caminho: priorizar o transporte público como estratégia de mobilidade sustentável.

No entanto, enquanto a fiscalização não se tornar rotina e efetiva, os ganhos com os corredores seguirão limitados. A cidade de Natal possui hoje mais de 50 km de faixas de ônibus, mas sua eficiência depende diretamente do cumprimento das regras por todos os usuários da via.

A pauta está na mesa: campanhas, investimentos e planejamento já existem. O próximo passo precisa ser ação concreta na fiscalização para garantir que a prioridade ao transporte coletivo seja real, e não apenas teórica.

Fotos: Arquivo/POR DENTRO DO RN

thiago martins

Sobre Thiago Martins, colunista do Por Dentro do RN

Thiago Martins é jornalista formado pela UFRN e há 15 anos dedica-se ao estudo e à cobertura do setor de mobilidade urbana. Escreve sobre o tema desde o início da carreira, colaborando com portais de notícias especializados e acompanhando de perto as transformações na mobilidade ativa, no setor de transportes e na infraestrutura urbana. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

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