Após queda na prisão, Moraes libera Bolsonaro para exames em hospital

Após queda na prisão, Moraes libera Bolsonaro para exames em hospital

Exames médicos de Jair Bolsonaro foram autorizados pelo STF após queda na cela da Polícia Federal

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quarta-feira (7) que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) seja levado a um hospital em Brasília para a realização de exames médicos, após sofrer uma queda dentro da cela onde está custodiado na Superintendência da Polícia Federal (PF), no Distrito Federal.

A autorização foi concedida após novo pedido da defesa e o envio de informações médicas complementares solicitadas pelo ministro. Os exames serão realizados no hospital DF Star, ainda nesta quarta-feira, sem previsão de internação. Após os procedimentos, Bolsonaro deverá retornar à Superintendência da PF.

Na decisão, Alexandre de Moraes determinou que o transporte e a segurança do custodiado sejam realizados pela Polícia Federal de forma discreta. O desembarque no hospital deverá ocorrer pelas garagens da unidade de saúde. O ministro também estabeleceu que a PF deverá manter vigilância integral durante a realização dos exames e no retorno do ex-presidente ao local de custódia.

A queda ocorreu na madrugada de terça-feira (6), quando Bolsonaro caiu da cama dentro da cela e bateu a cabeça em um móvel. Inicialmente, a Polícia Federal informou que o ex-presidente apresentava apenas ferimentos leves, sem indicação de encaminhamento hospitalar imediato, conforme avaliação médica realizada no local.

Com base nesse primeiro relatório, Alexandre de Moraes afirmou, ainda na terça-feira, que não havia urgência para a ida ao hospital. No entanto, solicitou à defesa e à PF detalhamento dos exames pretendidos e o envio do laudo médico completo elaborado após o atendimento inicial.

Após o recebimento dessas informações, o ministro reconsiderou a decisão e autorizou a realização dos exames hospitalares. Segundo a defesa, o pedido médico descreveu um quadro clínico compatível com traumatismo craniano, além de síncope noturna associada à queda, crise convulsiva a esclarecer, oscilação transitória de memória e lesão cortante na região temporal direita.

De acordo com as informações médicas apresentadas, os profissionais responsáveis recomendaram de forma expressa a realização de três exames: tomografia computadorizada do crânio, ressonância magnética do crânio e eletroencefalograma.

A tomografia computadorizada é utilizada para obter imagens internas detalhadas da cabeça por meio de raios X. A ressonância magnética do crânio emprega campos magnéticos para avaliação das estruturas cerebrais. Já o eletroencefalograma registra a atividade elétrica do cérebro e pode indicar alterações neurológicas.

Ainda segundo a Polícia Federal e o médico pessoal de Bolsonaro, após a queda foram observados ferimentos na cabeça, além de sintomas como apatia, tontura e queda da pálpebra esquerda. Apesar disso, o relatório médico inicial da PF apontou que o ex-presidente estava consciente, orientado e sem sinais de déficit neurológico na manhã de terça-feira.

A queda foi mencionada publicamente pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) em suas redes sociais, onde informou que o ex-presidente não estava bem após o episódio ocorrido durante a madrugada.

Também nesta terça-feira (6), Michelle Bolsonaro criticou a condução do caso por parte do ministro Alexandre de Moraes, após a negativa inicial do pedido de encaminhamento hospitalar. Segundo ela, a defesa havia solicitado novamente a realização dos exames e aguardava no hospital quando foi informada de que o pedido havia sido encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR).

Após a negativa inicial, Moraes determinou a intimação da PGR para que se manifestasse sobre o novo pedido apresentado pela defesa. Com o envio das informações médicas complementares, a autorização foi concedida na manhã desta quarta-feira.

Michelle Bolsonaro também informou que solicitou à Polícia Federal a elaboração de um relatório detalhado sobre o momento em que a cela foi aberta após a queda, além do registro de todos os procedimentos adotados a partir desse horário.

A autorização judicial estabelece que, concluídos os exames médicos no hospital, Jair Bolsonaro deverá retornar à Superintendência da Polícia Federal, permanecendo sob custódia.

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil / Marcelo Camargo/Agência Brasil / Valter Campanato/Agência Brasil

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