Por Thiago Martins – thiagolmmartins@gmail.com
Mobilidade em Pauta
O Rio Grande do Norte registrou 75 acidentes envolvendo motocicletas apenas nos primeiros 20 dias de janeiro, segundo dados consolidados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), nas rodovias federais, e da Polícia Rodoviária Estadual (PRE), nas rodovias estaduais. Os números reforçam o alto grau de exposição desse modal e ampliam o debate sobre segurança, fiscalização e o crescimento acelerado do uso de motos no estado.
De acordo com a PRF, foram contabilizados 50 sinistros no período, sendo 20 considerados graves. As ocorrências resultaram em 56 pessoas feridas e sete mortes. Já a PRE registrou 25 sinistros envolvendo veículos de duas rodas, com 21 acidentes com feridos, três com óbitos e um caso com apenas danos materiais. No total, 29 pessoas ficaram feridas nas rodovias estaduais, a maioria condutores.

Os dados evidenciam um cenário preocupante logo no início do ano e refletem uma realidade que se repete em todo o estado: motociclistas seguem entre as principais vítimas de acidentes de trânsito, especialmente em vias de maior fluxo e em regiões metropolitanas.
Caso recente ilustra a gravidade das ocorrências
Na última terça-feira, 20 de janeiro, um acidente envolvendo o motociclista Carlos ganhou repercussão nas redes sociais, após publicações feitas por perfis locais que acompanham o cotidiano do trânsito no RN. O caso chamou atenção pela gravidade da colisão e pelas circunstâncias do ocorrido, que se assemelham a dezenas de outros registros recentes.
Situações como a de Carlos ilustram o que os números confirmam: o motociclista está entre os usuários mais vulneráveis do sistema viário. A ausência de proteção estrutural do veículo, aliada à alta exposição e, muitas vezes, à pressão por agilidade no deslocamento, amplia os riscos de lesões graves e mortes.
Crescimento do uso de motos e novos desafios
Nos últimos anos, o uso de motocicletas cresceu de forma significativa no RN, impulsionado por fatores como o custo mais baixo do veículo, a economia de combustível e, mais recentemente, a expansão dos aplicativos de transporte e entrega, especialmente em Natal e na Região Metropolitana.

Esse avanço, embora atenda a uma demanda de mobilidade e geração de renda, traz novos desafios para o poder público. Em grandes centros como São Paulo, o crescimento do motofrete e dos serviços por aplicativo levou à criação de regras específicas, com exigências de cadastro, uso de equipamentos de segurança e fiscalização mais rigorosa — medidas que passaram a integrar a política de mobilidade urbana da capital paulista.
No RN, o debate ainda ocorre de forma tímida. A sequência de acidentes registrados neste início de ano reforça a necessidade de discutir regulamentação, qualificação dos condutores, fiscalização e campanhas educativas, de modo a reduzir riscos sem ignorar a importância econômica e social do modal.
Reflexão e necessidade de ação institucional
De forma discreta, os números também colocam em evidência o papel das instituições de controle. Diante do avanço do uso das motocicletas e do volume de ocorrências, cresce a expectativa por um posicionamento mais claro do Ministério Público, tanto no acompanhamento de políticas de segurança viária quanto na discussão sobre a regulamentação das atividades que envolvem motos no transporte de pessoas e mercadorias.
Enquanto isso, o início de 2026 deixa um alerta: sem ações integradas de fiscalização, educação no trânsito e regulação adequada, a tendência é que os números continuem elevados, com impactos diretos na saúde pública, no sistema viário e, principalmente, na vida de quem utiliza a motocicleta como meio de trabalho ou deslocamento diário.
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil / Bruno Peres/Agência Brasil / Fernando Frazão/Agência Brasil

Sobre Thiago Martins, colunista do Por Dentro do RN
Thiago Martins é jornalista formado pela UFRN e há 15 anos dedica-se ao estudo e à cobertura do setor de mobilidade urbana. Escreve sobre o tema desde o início da carreira, colaborando com portais de notícias especializados e acompanhando de perto as transformações na mobilidade ativa, no setor de transportes e na infraestrutura urbana. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.
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