Enquanto Natal garante ônibus gratuitos e operação especial no Carnaval, transporte metropolitano do RN fica esquecido

Enquanto Natal garante ônibus gratuitos e operação especial no Carnaval, transporte metropolitano do RN fica esquecido

Por Thiago Martins – thiagolmmartins@gmail.com
Mobilidade em Pauta

Enquanto a operação especial da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU) garante linhas gratuitas, reforço de frota e planejamento estratégico para o Carnaval 2026 em Natal, o cenário fora dos limites da capital é de completo vazio operacional.

Não há anúncio de operação especial do transporte metropolitano.
Não há linhas extras integrando municípios da Grande Natal aos polos oficiais.
Não há política estadual clara para estimular o deslocamento regional durante o período.

E isso ocorre justamente no momento em que o Estado deveria atuar de forma coordenada.

Grande Natal sem integração especial

Natal estruturou:

  • 963 viagens extras;
  • Linhas SE gratuitas;
  • Operação Corujão sem tarifa;
  • Planejamento por polos e corredores.

Mas o que foi planejado para o transporte metropolitano?
Resposta: Nada.

Municípios como Parnamirim – que concentra parte do litoral e também realiza um Carnaval estruturado – não contam com operação especial integrada. Não há reforço anunciado que conecte praias, polos festivos e regiões periféricas à capital ou entre si.

Cidades como São Gonçalo do Amarante, Macaíba e Extremoz seguem dependentes da malha regular, sem reforço estratégico compatível com a demanda sazonal.

A pergunta é simples: Por que a mobilidade urbana não é prioridade estadual?

DER/RN ausente em um dos períodos mais estratégicos do ano

O sistema intermunicipal é regulado pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Rio Grande do Norte.

No entanto, o órgão não anunciou:

  • Plano especial para o Carnaval;
  • Ampliação coordenada de oferta;
  • Política de incentivo tarifário;
  • Integração operacional com os municípios.

Isso ocorre em um contexto já delicado, em que quase metade da frota intermunicipal opera fora da vida útil regular prevista em regulamento – tema já amplamente discutido aqui na coluna.

Ou seja:
Há envelhecimento da frota, ausência de renovação estruturada e agora também ausência de planejamento sazonal.

Transporte rodoviário também perde força

Historicamente, o Carnaval movimentava o transporte rodoviário intermunicipal e interestadual:

  • Pessoas viajando para descanso no interior;
  • Folias consolidadas em polos regionais;
  • Turismo interno fortalecido.

Neste ano, no entanto, empresas relatam demanda fraca e número reduzido de ônibus extras – cenário discreto, inclusive inferior ao observado em anos anteriores.

A crise não é apenas de demanda. É também de estímulo e planejamento. Sem política estadual clara para o setor, o transporte deixa de ser indutor de desenvolvimento e passa a operar apenas de forma reativa.

Taxas altas e desestímulo ao usuário

Outro ponto sensível é a política de taxas de embarque na rodoviária de Natal, administrada pela Socicam. Os valores cobrados estão entre os mais elevados proporcionalmente à tarifa praticada, o que encarece a viagem e desestimula o deslocamento, sobretudo em um cenário econômico ainda fragilizado.

Quando se soma:

  • Frota envelhecida;
  • Falta de operação especial;
  • Pouco estímulo estadual;
  • Taxas elevadas;
  • Demanda enfraquecida;

O resultado é previsível: retração do setor e perda de protagonismo do transporte público regional.

Mobilidade não pode ser política municipal isolada

Natal demonstra que é possível planejar, estruturar e incentivar o transporte coletivo em grandes eventos. O que falta é replicar – ou ao menos coordenar – essa política em nível metropolitano e estadual. O Carnaval não é apenas festa. É economia, turismo, circulação regional e desenvolvimento.

Sem transporte estruturado:

  • O fluxo entre municípios diminui;
  • A economia local perde dinamismo;
  • O setor de transporte enfraquece ainda mais;
  • E o Estado perde capacidade de induzir crescimento.

O que deveria estar acontecendo

Seria possível:

  • Linhas metropolitanas extras – de preferência com tarifa gratuita – rumo aos polos de Natal;
  • Operação integrada entre capital e municípios litorâneos;
  • Reforço coordenado para polos regionais do interior;
  • Redução ou revisão temporária das taxas de embarque;
  • Plano estadual de mobilidade sazonal.

Mas nada disso foi apresentado.

Conclusão

Enquanto Natal organiza seu Carnaval com planejamento e transporte gratuito, o restante do sistema metropolitano e rodoviário segue sem direção clara.

A ausência de ação do DER/RN expõe uma realidade mais profunda: a mobilidade urbana e o transporte público não são tratados como prioridade estratégica pelo Estado.

E um setor ignorado não se fortalece – na verdade, só se enfraquece.

O Carnaval apenas escancara o que já vem acontecendo há anos.

Fotos: Thalles Albuquerque/Cedidas / Arquivo/POR DENTRO DO RN

thiago martins

Sobre Thiago Martins, colunista do Por Dentro do RN

Thiago Martins é jornalista formado pela UFRN e há 15 anos dedica-se ao estudo e à cobertura do setor de mobilidade urbana. Escreve sobre o tema desde o início da carreira, colaborando com portais de notícias especializados e acompanhando de perto as transformações na mobilidade ativa, no setor de transportes e na infraestrutura urbana. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

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