Estado potiguar registrou retração de 7,6% na comparação com janeiro de 2025, atrás apenas do Rio Grande do Sul (-10,2%). Cenário nacional foi de queda generalizada, com exceção do Amapá
O comércio varejista do Rio Grande do Norte registrou a segunda maior queda do país em janeiro de 2026. De acordo com o Índice do Varejo Stone, que mede o desempenho do setor, o estado teve uma retração de -7,6% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O desempenho só não foi pior que o do Rio Grande do Sul, que apresentou queda de -10,2% no período.
Os dados, compilados no mais recente relatório da Stone sobre o mercado varejista brasileiro, mostram que todos os estados da federação registraram variação negativa em janeiro, com exceção do Amapá, que cresceu 2,9%. O índice “restrito” utilizado na pesquisa exclui os segmentos de materiais de construção, veículos e peças e o atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo (atacarejo).

No ranking nacional, as menores retrações foram observadas no Maranhão (-0,1%), Pará (-0,4%), Piauí (-1,0%) e Roraima (-1,1%). Além do Rio Grande do Norte e do Rio Grande do Sul, as maiores quedas ocorreram no Amazonas (-7,3%), Santa Catarina (-6,5%), São Paulo e Distrito Federal (-6,4%) e Espírito Santo (-6,2%).
Análise do cenário nacional e local
O resultado negativo do Rio Grande do Norte está alinhado a uma tendência observada em todo o território nacional. No panorama geral, o índice restrito recuou -0,9% em janeiro na comparação com dezembro. Já na análise anual, ante janeiro de 2025, a queda foi mais acentuada, chegando a -5,6%.
De acordo com análise do Conselho Regional de Economia (Corecon/RN), a retração observada no estado é reflexo de um movimento comum no primeiro mês do ano, quando os consumidores reduzem os gastos para equilibrar as finanças após as despesas das festas de fim de ano. O cenário de queda, no entanto, foi generalizado e atingiu todos os segmentos comerciais pesquisados, incluindo combustíveis, farmácias, vestuários e calçados.
Fatores macroeconômicos pressionam consumo
Além da sazonalidade, fatores macroeconômicos contribuíram para o desempenho negativo do varejo. O índice aponta o mercado de crédito como um elemento predominante para a redução no consumo. Com a taxa Selic mantida em 15% ao ano, o custo do crédito se elevou, impactando diretamente o orçamento das famílias já comprometido com dívidas.
O início do ano também é marcado por despesas extras com tributos, como IPVA e IPTU, que pressionam ainda mais a capacidade de compra da população. A combinação entre juros elevados e endividamento das famílias torna o consumidor mais seletivo, segundo a análise do Corecon/RN.
Desempenho por setor e perspectivas de recuperação
Em todo o país, apenas um segmento registrou variação positiva em janeiro. O setor de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo apresentou alta de 1,4% no período. Apesar do crescimento, o setor também sofreu os efeitos da retração geral, com uma leve redução no faturamento dos supermercados, de acordo com a análise econômica.

Para os próximos meses, a expectativa é de um cenário de recuperação gradual. Entre os fatores que podem contribuir para a melhora do desempenho do varejo estão a desvalorização do dólar frente ao real, a queda da inflação e o início da redução gradual da taxa Selic, previsto para março.
Outro fator que deve injetar recursos na economia é a isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) para quem ganha até R$ 5 mil, medida que entrou em vigor em 2026. A avaliação do Corecon/RN é de que o comércio e o setor de serviços, que respondem por mais de 72% da economia potiguar, seguem como forças latentes e devem apresentar recuperação a partir do segundo semestre.
Foto: Arquivo/POR DENTRO DO RN/Ilustração
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