Documento descreve mensagens encontradas no celular do empresário Daniel Vorcaro sobre visitas do ministro à sua residência
A Polícia Federal finaliza um novo relatório sobre mensagens encontradas no celular do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, que fazem menção ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O documento será encaminhado ao presidente da Corte, Edson Fachin, e segue o mesmo formato do relatório entregue no início da semana com referências ao ministro Dias Toffoli.
A existência do novo relatório foi revelada por Malu Gaspar, em O Globo, e confirmada por fontes ligadas à investigação. Classificado como “informação de Polícia Judiciária”, o texto apenas descreve os achados da PF, sem pedir afastamento ou declaração de suspeição.
As mensagens que citam Alexandre de Moraes
As mensagens analisadas citam ao menos duas visitas de Alexandre de Moraes à residência de Vorcaro, no Lago Sul, em Brasília. Em uma delas, o ministro teria conversado rapidamente com Paulo Henrique Costa, então presidente do Banco de Brasília (BRB). À época, Moraes negou ter participado de reunião com o dirigente.

O episódio ocorreu no período em que Vorcaro buscava viabilizar a venda do Banco Master ao BRB. Paralelamente, a esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, mantinha contrato de consultoria com o Banco Master no valor de R$ 129 milhões.
Lula teria sugerido saída de Toffoli para conter crise
Nos bastidores de Brasília, aliados relatam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria dito que o ministro Dias Toffoli deveria deixar o Supremo Tribunal Federal para evitar que a crise envolvendo o caso Banco Master contaminasse o governo. A declaração, segundo interlocutores, foi interpretada por opositores como sinal de desconforto do Planalto diante do desgaste institucional provocado pela investigação.

A fala gerou reação de críticos do governo, que passaram a apontar uma suposta interferência do Executivo sobre o Judiciário. Parlamentares da oposição alegam que o presidente trata o Supremo Tribunal Federal como um braço político do governo, citando encontros frequentes entre integrantes dos Poderes fora das agendas oficiais. O Planalto, porém, não confirmou o teor da frase nem comentou oficialmente o assunto.
Nos bastidores, aliados do presidente afirmam que o objetivo seria evitar que o episódio envolvendo o STF e o Banco Master ampliasse o desgaste político em um momento sensível do cenário pré-eleitoral. A avaliação é que qualquer crise institucional prolongada pode afetar a agenda do governo e gerar ruídos na articulação política.
PT avalia postura de André Mendonça, mas teme impacto eleitoral
Dirigentes do Partido dos Trabalhadores avaliam que o ministro André Mendonça, que assumiu a relatoria do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal após a saída de Dias Toffoli, tem adotado postura técnica e discreta no tribunal. Apesar disso, integrantes da sigla demonstram preocupação com o impacto político das investigações em ano eleitoral, especialmente pelo fato de Mendonça ter sido indicado ao cargo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

O tema tem relevância porque será com este processo que os ministros vão definir se a tese do marco temporal tem validade ou não. O que for decidido valerá para todos os casos de demarcação de terras indígenas que estejam sendo discutidos na Justiça.
Foto: José Cruz/Agência Brasil
A informação é do colunista Paulo Cappeli, do Metrópoles. Nos bastidores, petistas afirmam temer que eventuais desdobramentos do inquérito possam atingir nomes relevantes do cenário político e que o novo relator adote uma linha mais cautelosa em relação a figuras ligadas à direita. A leitura dentro do partido é de que o caso pode envolver lideranças do Centrão, como Ciro Nogueira, além de outros dirigentes partidários com influência no Congresso.
A expectativa no PT é que o andamento das investigações avance nos próximos meses. O processo é considerado sensível dentro do ambiente político, já que envolve suspeitas de irregularidades financeiras e possíveis conexões com agentes públicos.
André Mendonça se reúne com PF para alinhar investigações
Na sexta-feira (13), André Mendonça e integrantes de seu gabinete se reuniram, de forma remota, com membros da Polícia Federal para discutir os próximos passos do inquérito. A reunião teve como objetivo alinhar procedimentos e atualizar o novo relator sobre o estágio atual das apurações, que seguem sob sigilo.
O encontro, que durou cerca de duas horas e meia, contou com integrantes do gabinete do ministro e da equipe policial responsável pelo inquérito. Segundo o Supremo, a conversa teve caráter técnico e buscou dar continuidade ao andamento do processo, agora sob nova condução.
Interlocutores do ministro afirmam que a postura adotada neste primeiro momento será de cautela. A orientação interna é atuar com “serenidade e responsabilidade”, evitando declarações públicas e decisões precipitadas. A expectativa é que, após analisar o material solicitado à PF, Mendonça avalie se o processo deve continuar no STF ou ser remetido à primeira instância, dependendo do alcance das investigações e da presença — ou não — de autoridades com foro privilegiado.
O caso Banco Master e a relação com a Lei Magnitsky
As investigações envolvendo o Banco Master ganharam contornos mais complexos após a revelação de que Daniel Vorcaro teria atuado para influenciar decisões do governo brasileiro relacionadas à Lei Magnitsky, que permite sanções a autoridades russas. Mensagens obtidas pela PF indicam que Vorcaro buscava acesso a integrantes do governo para tratar do tema.
As tratativas ocorreram em um contexto de aproximação do empresário com agentes públicos e magistrados. O caso segue em análise no Supremo, agora sob relatoria de André Mendonça, e novos desdobramentos devem surgir à medida que a Polícia Federal avança na análise do material apreendido.
Foto: Antonio Augusto/Secom/TSE / Paulo Pinto/Agência Brasil / Bruno Peres/Agência Brasil
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