Grupos de fora podem disputar a licitação do transporte de Natal? Histórico nacional indica que cenário é possível

Grupos de fora podem disputar a licitação do transporte de Natal? Histórico nacional indica que cenário é possível

Por Thiago Martins – thiagolmmartins@gmail.com
Mobilidade em Pauta

A futura licitação do transporte público urbano de Natal começa a despertar uma pergunta inevitável no setor: empresas de outros estados devem participar da concorrência? O histórico recente de licitações no Brasil mostra que a entrada de grandes grupos empresariais fora de seus mercados tradicionais se tornou prática cada vez mais comum.

Nos últimos anos, processos licitatórios em capitais e cidades de médio porte abriram espaço para operadores nacionais que expandem atuação por meio de concessões públicas, redesenhando o mapa empresarial do transporte coletivo urbano.

Expansão nacional de grupos operadores

A movimentação empresarial tem sido marcada por estratégias de expansão territorial. Empresas que antes atuavam de forma regional passaram a disputar contratos em diferentes estados, especialmente após licitações que exigem modernização de frota, metas de desempenho e capacidade financeira.

Entre os exemplos recentes está a entrada do grupo mineiro CSC no sistema de Aracaju, por meio da Viação Roberto Santana. O grupo já operava em Minas Gerais e Goiás e ampliou sua presença no Nordeste após vencer a concorrência local.

No Rio de Janeiro, a reorganização do sistema municipal abriu espaço para a Sancetur (conhecida pela marca “SOU”) – que comprou linhas das atuais empresas para iniciar suas operações na cidade maravilhosa – e para o Grupo Comporte, responsável por operações ligadas à tradicional Piracicabana, que participou da licitação das linhas da zona Oeste e venceu o certame.

A tendência também se verifica em outras regiões do país. Em Manaus, operadores de fora do estado passaram a integrar o sistema. Em Fortaleza, empresas com atuação interestadual conquistaram espaço em concessões urbanas. Já o BRT metropolitano de Belém foi assumido por um grupo empresarial paulista.

Mercado nacional cada vez mais competitivo

O setor de transporte coletivo urbano no Brasil passa por consolidação empresarial. Grandes grupos ampliam participação por meio de concessões em capitais e regiões metropolitanas, aproveitando oportunidades abertas por licitações estruturadas.

Entre operadores com presença multirregional estão:

  • o Grupo Guanabara, com atuação urbana e rodoviária em diversos estados;
  • o Atlântico Transportes, que tem disputado – e vencido – contratos municipais em cidades da Bahia;
  • o JTP Transportes, que já operou concessões urbanas na região Norte;
  • o Mobibrasil, presente em grandes centros urbanos.

Além disso, conglomerados empresariais com atuação histórica no Sul e Centro-Oeste, demonstram interesse crescente em novas concessões urbanas, especialmente onde há exigência de renovação tecnológica e reorganização do sistema.

O que isso significa para Natal

A licitação do transporte urbano natalense surge em um contexto nacional de abertura de mercado e reorganização do setor. O modelo em elaboração, que prevê modernização operacional e reorganização das linhas, tende a exigir capacidade financeira, tecnológica e de gestão — fatores que frequentemente atraem grupos de grande porte.

O interesse de operadores externos dependerá de elementos como:

  • estrutura do edital;
  • divisão de lotes operacionais;
  • garantias econômicas do contrato;
  • política de subsídios e remuneração;
  • previsibilidade regulatória.

A experiência de outras capitais demonstra que editais estruturados com metas claras de qualidade e equilíbrio econômico-financeiro tendem a ampliar a concorrência e atrair empresas de diferentes regiões do país.

Possível mudança no perfil do sistema

Caso grupos empresariais nacionais participem da concorrência, a licitação poderá representar uma mudança no perfil histórico do sistema local, que tradicionalmente contou com operadores de atuação regional.

Os dois principais grupos empresariais que operam em Natal atualmente, são vinculados aos estados vizinhos da Paraíba e de Pernambuco. As demais empresas são locais.

Porém, atualmente, todas as atuais operadoras, estão inscritas na dívida ativa do município. Para participar, elas teriam que quitar os débitos ou criar novos CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) – o que pode vir a gerar complicações caso as empresas vençam o certame.

O movimento também dialoga com o debate nacional sobre financiamento do transporte público, modernização tecnológica e reorganização da mobilidade urbana – temas que têm orientado novos contratos de concessão no país.

O histórico brasileiro indica que, quando uma capital abre seu sistema por meio de licitação estruturada, o interesse de operadores de fora do estado deixa de ser hipótese e passa a ser possibilidade concreta.

Foto: Marcos de Paula/Prefeitura do Rio de Janeiro/Ilustração / BUS – Busólogos Unidos de Sergipe/Reprodução / Tony Oliveira/Agência Brasília

thiago martins

Sobre Thiago Martins, colunista do Por Dentro do RN

Thiago Martins é jornalista formado pela UFRN e há 15 anos dedica-se ao estudo e à cobertura do setor de mobilidade urbana. Escreve sobre o tema desde o início da carreira, colaborando com portais de notícias especializados e acompanhando de perto as transformações na mobilidade ativa, no setor de transportes e na infraestrutura urbana. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

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