Denúncias sobre transporte da Coophab completam seis meses sem solução

Denúncias sobre transporte da Coophab completam seis meses sem solução

Por Thiago Martins – thiagolmmartins@gmail.com
Mobilidade em Pauta

Passados cerca de seis meses desde as primeiras denúncias publicadas pela coluna MOBILIDADE EM PAUTA, a situação do transporte – especialmente o alternativo – que atende as regiões da Coophab e de Nova Parnamirim segue sem mudanças concretas. Usuários continuam expostos a riscos diários, enquanto problemas estruturais se acumulam e novos episódios reforçam o cenário de precariedade.

Ao longo desse período, a coluna documentou uma sequência de ocorrências que apontam falhas operacionais graves, deficiência de fiscalização e condições inadequadas de segurança no serviço que atende passageiros entre bairros de Parnamirim e Natal.

Histórico recente reforça padrão de risco

Entre os principais episódios já relatados apenas nestes últimos meses estão:

  • veículos circulando de forma irregular, uma vez que operam sem vistoria e em desacordo com o regulamento do transporte do DER/RN (Departamento de Estradas e Rodagens);
  • bloqueio do elevador de acessibilidade, impedindo o uso por pessoas com deficiência e aumentando o risco para todos os passageiros;
  • queda de usuária após partida do veículo com a porta aberta;
  • registros de acidentes envolvendo embarque inseguro e falhas operacionais;
  • denúncias recorrentes sobre condições mecânicas e estruturais precárias.

Em um dos casos mais emblemáticos, as imagens apontam que o bloqueio do equipamento de acessibilidade pode ter contribuído para a queda de uma jovem que não conseguiu acessar corretamente a área interna do veículo antes da partida. Em outra ocorrência, uma idosa caiu ao descer do transporte após o motorista iniciar o movimento do veículo.

Além desses casos, há também a péssima situação estrutural de alguns veículos, como o de matrícula 1.E2.33, que opera a linha L2 – Coophab/Centro. Neste veículo, além de sua irregularidade – por ter sido fabricado em 2011 – há a ausência de uma janela do lado direito – de acordo com os usuários que procuraram a coluna para fazer a denúncia, o veículo opera nessas condições há meses, e em dias de chuva, a situação se complica. Essa denúncia já foi feita pela coluna anteriormente, mas o veículo permanece operando desta forma.

Um vidro de uma janela não foi reposto. Os usuários precisam conviver com a entrada de água em dias chuvosos. O veículo também teve a acessibilidade bloqueada, uma vez que a roleta foi posicionada junto ao elevador para deficientes, impedindo seu uso.

Praticamente todos os demais veículos denunciados também permanecem na mesma situação caótica. Desde a publicação feita em 2 de outubro de 2025, expondo a situação de todos os alternativos da Coophab, as únicas mudanças foram nos veículos 1.E2.1.1 que deixou de circular (e não foi substituído), aumentando ainda mais os problemas de transporte na região; e o de matrícula 1.E2.28, que teve a acessibilidade adequada – liberando o espaço do cadeirante – e os bancos repostos no interior do veículo.

Nenhuma mudança estrutural

Mesmo após a ampla repercussão das denúncias e da repetição dos casos, não há registro de medidas efetivas capazes de alterar o cenário. Passageiros relatam que os problemas permanecem os mesmos: veículos antigos, operação irregular, ausência de itens de segurança e falta de fiscalização perceptível.

A permanência desse quadro reforça a percepção de que a precarização do serviço se consolidou como rotina, sem resposta proporcional das autoridades responsáveis pela regulação e fiscalização.

Impacto direto na população

A Coophab e bairros do entorno dependem diretamente desse modal para deslocamentos cotidianos. Com isso, a manutenção de um sistema instável afeta trabalhadores, estudantes e idosos que não dispõem de alternativa de mobilidade.

A ausência de controle efetivo sobre o serviço compromete não apenas a qualidade do transporte, mas a segurança viária como um todo, uma vez que veículos em condição irregular tendem a apresentar maior risco operacional.

Pressão por providências

Diante da persistência das irregularidades, cresce a cobrança por atuação mais firme dos órgãos de fiscalização – em especial o DER/RN (Departamento de Estradas e Rodagens) e por acompanhamento institucional da situação. O cenário descrito ao longo dos últimos meses indica um problema estrutural que ultrapassa casos isolados e demanda resposta coordenada.

Enquanto isso, usuários seguem utilizando um serviço marcado por incertezas, em um contexto que, longe de melhorar, se torna progressivamente mais crítico.

Fotos: Reprodução / Denúncias

thiago martins

Sobre Thiago Martins, colunista do Por Dentro do RN

Thiago Martins é jornalista formado pela UFRN e há 15 anos dedica-se ao estudo e à cobertura do setor de mobilidade urbana. Escreve sobre o tema desde o início da carreira, colaborando com portais de notícias especializados e acompanhando de perto as transformações na mobilidade ativa, no setor de transportes e na infraestrutura urbana. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

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