Por Thiago Martins – thiagolmmartins@gmail.com
Mobilidade em Pauta

O registro de acidentes com mortes envolvendo motociclistas por aplicativo voltou a ganhar destaque de forma preocupante em Natal e na região metropolitana nas últimas semanas. Em um intervalo de poucos dias, ao menos três ocorrências fatais foram noticiadas pela imprensa, duas delas confirmadamente com trabalhadores de aplicativos, reforçando um cenário já alarmante no trânsito potiguar.
Os casos recentes se somam a um contexto mais amplo mostrado com exclusividade pela coluna MOBILIDADE EM PAUTA: somente nos primeiros 20 dias de janeiro, o Rio Grande do Norte contabilizou 75 acidentes com motocicletas, conforme dados consolidados da PRF e da Polícia Rodoviária Estadual, número que já havia acendido um alerta sobre a vulnerabilidade desse modal no estado.
Acidente na Zona Norte comove Grande Natal
No dia 20 de fevereiro, um motociclista por aplicativo morreu após um grave engavetamento na avenida Doutor João Medeiros Filho, em frente à Central do Cidadão, na Zona Norte de Natal. A vítima foi identificada como Francisco Adriano da Silva, de 44 anos, bastante conhecido em São Gonçalo do Amarante.

Segundo informações da polícia, veículos pararam na faixa de pedestres para a travessia de crianças. O motociclista também reduziu a velocidade, mas um micro-ônibus alternativo da linha 312 não conseguiu frear a tempo, atingindo a moto e provocando a colisão em cadeia com outros dois carros. Adriano acabou sendo imprensado e morreu ainda no local.
O caso gerou forte comoção nas redes sociais e reacendeu o debate sobre os riscos enfrentados diariamente por motociclistas que dependem do aplicativo como fonte de renda.
Duas mortes no mesmo dia na BR-101
A situação se agravou nesta segunda-feira (2 de março), com o registro de dois acidentes fatais envolvendo motocicletas em trechos distintos da BR-101.
No primeiro caso, um motociclista por aplicativo morreu após colidir na traseira de um caminhão, no sentido Parnamirim–Natal, na altura da Avenida Abel Cabral. A ocorrência causou lentidão no tráfego, com interdição parcial da rodovia pela Polícia Rodoviária Federal. A identidade da vítima não foi divulgada.


Poucas horas depois, ainda na BR-101, no km 72, outro motociclista, de 20 anos, morreu em uma colisão transversal com um automóvel. Embora não haja confirmação oficial de que ele atuava por aplicativo, o caso foi incluído no contexto do aumento expressivo de sinistros fatais envolvendo motos na Grande Natal.
Modal em expansão, risco também
O crescimento acelerado dos aplicativos de transporte por motocicleta, aliado à precariedade da infraestrutura viária, à alta exposição ao risco e à pressão por produtividade, tem ampliado o número de ocorrências graves.
Na prática, as motos se tornaram uma alternativa para deslocamentos rápidos e mais baratos, mas também figuram como o modal mais vulnerável no trânsito urbano e rodoviário. A sequência recente de mortes reforça a necessidade de políticas públicas específicas voltadas à fiscalização, à segurança e à regulação do serviço.
Enquanto isso, famílias e colegas de trabalho seguem lidando com perdas irreparáveis, em um cenário que expõe, mais uma vez, a face mais dura da crise da mobilidade urbana na região metropolitana de Natal – e no Brasil.
Fotos: Reprodução/Via Certa Natal / Philipe Salvador/Inter TV Cabugi

Sobre Thiago Martins, colunista do Por Dentro do RN
Thiago Martins é jornalista formado pela UFRN e há 15 anos dedica-se ao estudo e à cobertura do setor de mobilidade urbana. Escreve sobre o tema desde o início da carreira, colaborando com portais de notícias especializados e acompanhando de perto as transformações na mobilidade ativa, no setor de transportes e na infraestrutura urbana. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.
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