O objetivo da apuração é avaliar se há indícios de reajustes abusivos por parte das distribuidoras
O preço dos combustíveis na cidade de Natal registrou novo aumento no início de março, de acordo com pesquisa realizada pelo Procon Natal nesta segunda-feira (09). O levantamento identificou reajuste em todos os tipos de combustível comercializados na capital potiguar em comparação com o mês anterior. Em alguns postos, o preço da gasolina comum chegou a R$ 7,19, valor que acendeu alerta entre consumidores e motivou um pedido de apuração por parte do governo federal.
A pesquisa do Procon Natal constatou que, mesmo sem indícios de aumento por parte da Petrobras, os preços praticados nas bombas subiram. De acordo com o Núcleo de Pesquisa do órgão, o petróleo é negociado em dólar no mercado internacional, e a alta na cotação do barril, aliada à valorização da moeda americana, elevou o custo de toda a cadeia produtiva, com impacto especialmente no transporte e na logística.
O levantamento apontou que a maioria dos postos pesquisados pratica valores acima da média geral. Dos estabelecimentos analisados, 77% comercializam etanol acima do preço médio, 87% fazem o mesmo com a gasolina comum e 82% com o diesel comum. Os dados completos da pesquisa, incluindo a planilha com variações entre maior e menor preço por região, estão disponíveis no site do Procon Natal.
Variação de preços pode chegar a 17% entre bairros
Apesar do aumento generalizado, a pesquisa identificou diferenças significativas nos preços praticados entre os bairros da capital. O consumidor que pesquisar antes de abastecer pode encontrar uma economia considerável.
A gasolina comum e o etanol mais baratos foram encontrados no bairro das Rocas, na zona Leste, com preços de R$ 6,37 e R$ 5,37, respectivamente. Já o Diesel S-10 mais em conta foi localizado por R$ 6,38 no bairro do Alecrim, também na zona Leste. O gás veicular mais barato, de R$ 4,95, foi registrado na região Sul, no bairro de Lagoa Nova.

A maior variação percentual foi observada no etanol. O combustível foi encontrado com preços entre R$ 5,39 (no bairro do Potengi, zona Norte) e R$ 6,29, uma diferença de 17,13%, o que representa R$ 0,92 a mais no bolso do consumidor por litro. Para a gasolina comum, a diferença chegou a R$ 0,80 entre o menor preço (R$ 6,37, no bairro das Rocas) e o maior (R$ 7,19), uma economia potencial de 12,87%. No diesel S-10, a variação foi de R$ 0,81, com o menor preço a R$ 6,38 (bairro da Ribeira) e o maior a R$ 7,19.
Regiões com melhores preços médios
O estudo do Procon Natal também detalhou as médias de preço por região da cidade. A zona Leste apresentou os melhores preços médios para a gasolina comum (R$ 6,88), etanol (R$ 5,80) e gás veicular (R$ 5,04). Para o diesel comum, a melhor média foi encontrada na região Sul (R$ 6,53), enquanto o diesel S-10 teve o preço médio mais baixo na zona Oeste (R$ 6,57).
Governo federal aciona Cade para investigar distribuidoras
Paralelamente ao cenário de alta identificado pelo Procon Natal, o governo federal decidiu intervir. A Secretaria Nacional do Consumidor, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, enviou um ofício ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) solicitando a apuração do recente aumento nos preços dos combustíveis no Rio Grande do Norte, além de outros três estados e do Distrito Federal.
O objetivo é avaliar se há indícios de reajustes abusivos por parte das distribuidoras. A medida foi tomada após alertas de entidades representativas do setor, como o Sindipostos-RN, Sindicombustíveis-DF, Sindicombustíveis Bahia, Minaspetro e Sulpetro. Essas organizações relataram que houve aumento nos valores de venda praticados pelas distribuidoras aos postos de combustíveis.
Cenário internacional e impacto no bolso do consumidor
De acordo com os sindicatos do setor, a elevação nos preços pode estar ligada ao avanço do preço do petróleo no mercado internacional, influenciado pelo conflito iniciado no Oriente Médio em fevereiro de 2026. Em publicação nas redes sociais, o Sindipostos-RN afirmou que o cenário global “liga um alerta para o mercado de combustíveis no Brasil”, destacando a possibilidade de impactos diretos para os consumidores do estado.

Até o momento, a Petrobras não divulgou mudanças nos preços praticados em suas refinarias. Ainda assim, o reflexo nos postos de Natal já é sentido. O aumento nos combustíveis impacta diretamente o custo de vida e o orçamento das famílias, uma vez que influencia não apenas os gastos com transporte, mas também diversos outros preços da economia. Especialistas avaliam que, se a instabilidade internacional continuar pressionando o valor do petróleo, novos aumentos podem ocorrer nos próximos meses, afetando principalmente motoristas e transportadores da região metropolitana de Natal.
Próximos passos da investigação e orientações ao consumidor
Agora, cabe ao Cade analisar o documento encaminhado pela Secretaria Nacional do Consumidor e verificar se existem indícios de práticas irregulares por parte das distribuidoras. A partir dessa análise, poderão ser adotadas medidas de fiscalização ou outras ações para evitar prejuízos injustificados aos consumidores.
Enquanto isso, o Procon Natal orienta os consumidores a continuarem atentos aos preços e a pesquisarem antes de abastecer. Caso identifiquem valores muito acima da média encontrada pela pesquisa, os cidadãos podem denunciar apresentando o cupom fiscal emitido pelo posto de combustível na sede do órgão, localizada na Rua Ulisses Caldas, nº 181, Cidade Alta, ou pelos canais de atendimento: (84) 98812-3865 e e-mail procon.natal@natal.gov.br, para que sejam adotadas as medidas administrativas cabíveis.
Fotos: Arquivo/POR DENTRO DO RN/Ilustração
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