Endividamento atinge 44% dos bares e restaurantes do RN em janeiro, aponta Abrasel

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Mais de 40% dos bares e restaurantes do Rio Grande do Norte estavam com pagamentos em atraso no mês de janeiro, de acordo com levantamento realizado pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). A pesquisa também revelou que um em cada quatro estabelecimentos do setor operou no prejuízo no primeiro mês do ano.

O levantamento foi realizado com empresários do setor entre os dias 23 de fevereiro e 3 de março e ouviu estabelecimentos de diferentes regiões do estado. Os dados apontam um cenário de desafios financeiros para o setor no início de 2026.

De acordo com a pesquisa, 44% dos bares e restaurantes potiguares afirmaram ter pagamentos em atraso, o que caracteriza endividamento. O índice mostra que uma parcela significativa do setor enfrenta dificuldades para honrar compromissos financeiros.

Principais dívidas do setor são com impostos federais

Entre os estabelecimentos endividados, a pesquisa da Abrasel detalhou quais são as principais categorias de débitos. Os impostos federais lideram o ranking, sendo citados por 83% dos empresários com pagamentos em atraso.

Em seguida, aparecem os impostos estaduais, mencionados por 53% dos entrevistados endividados. Os empréstimos bancários representam a terceira principal fonte de dívida, apontada por 43% dos empresários do setor.

Um em cada quatro estabelecimentos teve resultado negativo

O levantamento também analisou a rentabilidade dos bares e restaurantes no mês de janeiro. Os dados mostram que 25% dos estabelecimentos registraram resultado negativo no período, ou seja, operaram no prejuízo.

Por outro lado, metade dos empresários (50%) afirmou ter obtido lucro em janeiro. Outros 24% relataram que o resultado do mês ficou em estabilidade, sem variação significativa em relação ao equilíbrio financeiro.

Faturamento menor que em dezembro para 45% dos empresários

A pesquisa da Abrasel também comparou o faturamento de janeiro com o mês anterior. Para 45% dos entrevistados, a receita de janeiro foi inferior à registrada em dezembro. Em contrapartida, 40% relataram crescimento no faturamento na comparação mensal, enquanto 13% apontaram estabilidade.

O presidente da Abrasel no Rio Grande do Norte, Thiago Machado, analisou os fatores que impactam o desempenho do setor no início do ano. Segundo ele, o período é tradicionalmente mais desafiador para bares e restaurantes.

“O início do ano é sempre mais desafiador, com muita gente viajando para as praias e, logo na sequência, o Carnaval. Além disso, há uma concentração de despesas típicas desse período, como IPTU, IPVA e gastos com a volta às aulas, o que acaba reduzindo o consumo”, afirma Machado.

Maioria dos estabelecimentos reajustou preços abaixo da inflação

A pesquisa abordou ainda a política de preços adotada pelos bares e restaurantes nos últimos 12 meses. Os dados indicam que 37% dos estabelecimentos não realizaram qualquer reajuste de preços no período.

Outros 54% afirmaram ter feito reajustes, mas em percentuais iguais ou inferiores à inflação acumulada. Apenas 9% dos empresários disseram ter aumentado os preços acima da inflação no último ano.

De acordo com a Abrasel, os números indicam que parte significativa dos empresários enfrenta dificuldades para repassar integralmente os custos aos consumidores, o que pode pressionar ainda mais as finanças dos estabelecimentos.

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

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