PF deflagra Operação Indébito e investiga desvios de R$ 6,3 bilhões do INSS

PF deflagra Operação Indébito e investiga desvios de R$ 6,3 bilhões do INSS

A deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE) está entre os alvos da operação

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (17), a Operação Indébito, um desdobramento da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema nacional de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

As investigações, conduzidas em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), apontam que os desvios podem chegar a R$ 6,3 bilhões no período entre 2019 e 2024.

Deputada Gorete Pereira é alvo e passa a usar tornozeleira eletrônica

A deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE) está entre os alvos da operação. Segundo informações obtidas pela TV Globo, a parlamentar passou a ser monitorada com tornozeleira eletrônica.

As investigações indicam que a deputada teria ligação com o esquema envolvendo a Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional (Aapen), presidida por uma das investigadas, para a realização de descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas.

De acordo com as apurações, a parlamentar teria participado ativamente das fraudes e recebido recursos originados nos desvios. Ela também é investigada por ter aberto empresas em nomes de laranjas para facilitar o esquema.

PF cumpre mandados no Ceará e no Distrito Federal

Policiais federais e auditores da CGU cumprem 19 mandados de busca e apreensão, dois mandados de prisão e outras medidas cautelares no Ceará e no Distrito Federal. Os mandados judiciais foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro André Mendonça.

O objetivo da operação é aprofundar as investigações da Operação Sem Desconto para esclarecer a prática de crimes como inserção de dados falsos em sistemas oficiais, constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário e atos de ocultação e dilapidação patrimonial.

Empresário e ex-presidente de associações são presos

A PF cumpriu dois mandados de prisão nesta terça-feira. Foram presos o empresário Natjo de Lima Pinheiro e a advogada Cecília Rodrigues Mota, ex-presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional (Aapen) e da Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (AAPB).

Segundo relatório da PF divulgado pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, o empresário Natjo de Lima Pinheiro teria sido beneficiário de aproximadamente R$ 400 mil em múltiplas operações advindas das empresas de Cecilia Rodrigues Mota, apontada como uma das operadoras do esquema fraudulento.

Diretor da Dataprev é afastado do cargo

Durante a operação, a PF também cumpriu mandados contra Alan Santos, diretor de Relacionamento e Negócios da Dataprev. Ele foi afastado do cargo. Outros três servidores do INSS também foram afastados das funções no órgão, mas os nomes não foram divulgados.

Investigada prestou depoimento à CPMI do INSS em 2025

Cecília Rodrigues Mota prestou depoimento à CPMI do INSS em novembro de 2025. Na ocasião, ela admitiu conhecer parte das pessoas citadas nas investigações da Operação Sem Desconto.

A advogada reconheceu ser proprietária de várias empresas suspeitas de lavagem de dinheiro e confirmou ter movimentado milhões de reais, mas negou que esses recursos tenham origem ilícita.

Defesa de empresário preso considera prisão desnecessária

A defesa do empresário Natjo Pinheiro afirmou, por meio de nota, que considera a prisão preventiva decretada uma medida desnecessária e desproporcional. O advogado Bruno Queiroz destacou que o investigado já havia sido alvo de busca e apreensão e bloqueio judicial de bens em abril de 2025, medidas consideradas satisfatórias pela defesa.

A defesa informou que os descontos investigados estão paralisados e que não há risco de continuidade das atividades ou de fuga. O advogado afirmou que ingressará com os instrumentos jurídicos cabíveis para revogação da prisão preventiva.

Procuradas pela TV Globo, as defesas da deputada Gorete Pereira e de Cecília Rodrigues Mota não se manifestaram até a publicação desta matéria.

Fotos: Divulgação/PF / Cleia Viana/Câmara dos Deputados / Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

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