Ministro André Mendonça prorroga inquérito do Banco Master por mais 60 dias

Ministro André Mendonça prorroga inquérito do Banco Master por mais 60 dias

A investigação em curso aponta a existência de um esquema de fraudes bilionárias no mercado financeiro, supostamente comandado e coordenado por Vorcaro

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), prorrogou nesta quarta-feira (18) por 60 dias o inquérito que apura fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. A decisão atende a um pedido formalizado pela Polícia Federal (PF), que conduz as investigações. As informações são do portal O Antagonista.

A prorrogação do prazo ocorre menos de duas semanas após Mendonça ter determinado, no início de março, a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e de outros investigados no âmbito da Operação Compliance Zero. Na ocasião, o ministro também atendeu a um pedido da PF, citando “risco concreto de interferência nas investigações” como justificativa para a medida extrema.

A investigação em curso aponta a existência de um esquema de fraudes bilionárias no mercado financeiro, supostamente comandado e coordenado por Vorcaro. Segundo os autos, ele também teria atuado na interlocução direta com servidores do Banco Central (BC) responsáveis pela supervisão bancária no órgão, visando beneficiar as operações do grupo.

Mendonça cita risco de continuidade da organização criminosa

Em sua decisão que prorroga o inquérito, o ministro André Mendonça salientou que a medida é necessária diante de indícios de que a organização criminosa continua atuando de forma “contínua e reiterada” na prática de condutas ilícitas. Entre as atividades citadas estão a ocultação de recursos e a articulação com agentes públicos para obter vantagens.

Para Mendonça, a manutenção dos investigados em liberdade, sem a devida conclusão das apurações, representaria “manter o funcionamento da organização criminosa, com risco concreto de destruição de provas” que podem ser essenciais para o desfecho do caso.

Outros investigados também tiveram prisões decretadas

Além de Daniel Vorcaro, foram decretadas as prisões preventivas de Fabiano Zettel, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, e Marilson Roseno da Silva, um policial federal aposentado. As investigações apontam que os dois últimos atuariam na vigilância, no monitoramento de pessoas e na obtenção de informações sigilosas de sistemas de órgãos públicos, tudo em benefício do grupo denominado “A Turma”.

Na mesma decisão, o ministro determinou a suspensão, por tempo indeterminado, do funcionamento de empresas vinculadas aos investigados. Segundo a PF, essas empresas teriam sido constituídas “não para produzir riqueza e gerar empregos, mas para agir exclusivamente na prática de ilícitos”, visando a viabilizar a lavagem de dinheiro e dificultar a identificação da origem e do destino dos recursos movimentados.

Restrições são impostas a servidores do Banco Central

Além das prisões, Mendonça impôs restrições a outros investigados que não foram detidos. As medidas incluem monitoramento por tornozeleira eletrônica, afastamento imediato das funções públicas exercidas junto ao Banco Central e proibição de deixar o país. Essas restrições foram aplicadas a Paulo Sérgio Neves de Souza e Belinne Santana, servidores do BC.

Medidas semelhantes, com exceção do afastamento de funções públicas, foram impostas a Ana Cláudia Queiroz Paiva e Leonardo Palhares. Segundo a investigação, esses dois investigados seriam os responsáveis por efetuar pagamentos ao grupo criminoso, atuando na ponta financeira do esquema.

Fotos: Nelson Jr./SCO/STF / Fellipe Sampaio /SCO/STF

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