Nova denúncia aponta mais um caso irregular de “fretamento contínuo” no transporte intermunicipal do RN

Nova denúncia aponta mais um caso irregular de “fretamento contínuo” no transporte intermunicipal do RN

Por Thiago Martins – thiagolmmartins@gmail.com
Mobilidade em Pauta

A crise no transporte alternativo intermunicipal do Rio Grande do Norte ganhou mais um capítulo. A Coluna MOBILIDADE EM PAUTA recebeu mais uma denúncia envolvendo outro veículo operando de forma irregular, novamente utilizando o cadastro de “fretamento contínuo” para realizar viagens em rotas fixas — prática proibida pela regulamentação estadual.

A prática parece já ter se tornado comum. A própria coluna MOBILIDADE EM PAUTA já relatou inúmeros casos nos últimos meses

O caso reforça um padrão já identificado em denúncias anteriores: permissionários estariam migrando seus veículos para categorias que não permitem operação regular, mas continuam transportando passageiros diariamente como se integrassem o sistema autorizado.

Desta vez, um veículo do modelo Volare, de placas NNV 2071, segue em operação diária na rota entre Natal e São Tomé, na região Potengi do Rio Grande do Norte.

“Fretamento contínuo” usado como fachada

De acordo com as informações recebidas, o veículo denunciado foi retirado do cadastro do transporte intermunicipal convencional e reclassificado como fretamento contínuo junto ao Departamento de Estradas de Rodagem do Rio Grande do Norte (DER/RN), órgão gestor do transporte no Estado.

Na teoria, essa modalidade deveria atender contratos específicos, com itinerários previamente definidos e sem captação livre de passageiros. Na prática, porém, o veículo estaria circulando em horários e trajetos regulares, realizando embarque e desembarque ao longo do percurso — o que caracteriza operação irregular.

A situação é considerada ainda mais grave porque o uso indevido dessa categoria permite driblar exigências legais, como limites de idade da frota e obrigações de vistoria periódica.

Repetição de irregularidades expõe fragilidade do sistema

A recorrência de denúncias semelhantes evidencia que o problema deixou de ser pontual e passou a representar uma falha estrutural no sistema de transporte intermunicipal.

Assim como nos casos anteriores envolvendo o chamado “fretamento eventual”, o uso do “fretamento contínuo” como brecha regulatória tem permitido a permanência de veículos fora dos padrões exigidos em circulação.

Muitos desses automóveis operam sem identificação visual do sistema, frequentemente descaracterizados, dificultando a fiscalização e confundindo os usuários.

Falta de fiscalização do DER/RN é alvo de críticas

Apesar do acúmulo de denúncias, o DER/RN segue sendo alvo de críticas pela ausência de ações efetivas de fiscalização.

Até o momento, não há registro de operações contínuas para coibir esse tipo de irregularidade, nem de medidas mais rígidas, como apreensão sistemática de veículos ou revisão dos cadastros concedidos.

A falta de fiscalização acaba incentivando a prática, criando um ambiente de permissividade que compromete a organização do sistema e a segurança dos passageiros.

Sistema segue desorganizado e usuários expostos

O avanço desse tipo de irregularidade reforça a percepção de que o transporte alternativo intermunicipal no estado opera sem controle efetivo.

Sem padronização, transparência e fiscalização rigorosa, o sistema se torna vulnerável a distorções que prejudicam tanto os operadores regulares quanto os usuários, que seguem sendo transportados em veículos sem garantias mínimas de segurança e qualidade.

Diante do novo caso, a cobrança por uma atuação mais firme do poder público se intensifica. Especialistas apontam que, sem fiscalização efetiva e revisão das brechas regulatórias, a tendência é de continuidade — e até ampliação — das irregularidades no setor.

Fotos: Divulgação

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