Por Thiago Martins – thiagolmmartins@gmail.com
Mobilidade em Pauta

Entrou em vigor nesta terça-feira (15) o reajuste de 4,26% nas tarifas do transporte intermunicipal do Rio Grande do Norte, autorizado pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Rio Grande do Norte. A medida, no entanto, ocorre em meio a críticas ao sistema, especialmente pela ausência de exigências de melhorias por parte das empresas — mesmo diante de uma frota considerada envelhecida.
Veículos antigos seguem em operação no sistema
Atualmente, o transporte intermunicipal e metropolitano do estado opera com veículos de diferentes idades, incluindo ônibus com mais de duas décadas de uso.
Na Região Metropolitana de Natal, há registros de veículos fabricados em 2009 ainda em circulação. Já em linhas intermunicipais de maior distância, há casos de ônibus com fabricação datada de 1996, o que levanta preocupações sobre conforto, segurança e qualidade do serviço oferecido à população.
Apesar desse cenário, o reajuste tarifário não foi condicionado à renovação da frota ou a qualquer outro tipo de modernização do sistema.
Reajuste foi concedido com foco em custos e empregos
Segundo o DER/RN, o aumento de 4,26% tem como base a recomposição inflacionária referente ao ano de 2025. A decisão foi tomada após reunião com representantes das empresas, permissionários e trabalhadores do setor.
De acordo com o órgão, o principal compromisso firmado pelas operadoras foi a manutenção dos postos de trabalho, evitando demissões em massa no sistema rodoviário.
Além disso, o Governo do Estado também renovou a isenção do ICMS sobre o combustível até dezembro de 2026, medida que reduz parte dos custos operacionais das empresas.
Ausência de contrapartidas reacende debate
Mesmo com o reajuste autorizado e benefícios fiscais mantidos, não foram estabelecidas metas de qualidade ou exigências de melhoria para o sistema.
Na prática, isso significa que o aumento da tarifa não está vinculado a avanços como:
renovação da frota;
aumento da frequência de viagens;
melhoria nas condições de conforto e acessibilidade;
modernização da operação.
A ausência dessas contrapartidas tem sido alvo de questionamentos, sobretudo diante das condições atuais dos veículos em circulação.
Modelo difere do adotado na capital
O cenário contrasta com o modelo implementado recentemente em Natal, onde o reajuste da tarifa urbana foi acompanhado de medidas estruturais e sociais.
Na capital, além da atualização do valor da passagem, foram aprovadas:
- gratuidade para estudantes da rede pública no trajeto casa-escola;
- ampliação de políticas de meia-passagem;
- previsão de benefícios tarifários em datas específicas;
- diretrizes que vinculam o sistema a critérios mais amplos de política pública.
Além disso, o debate municipal também inclui a realização de licitação e a vinculação de subsídios ao cumprimento de metas de qualidade pelas empresas.
Qualidade do serviço segue como ponto crítico
A diferença entre os modelos evidencia abordagens distintas na gestão do transporte público. Enquanto o sistema urbano da capital avança na tentativa de atrelar financiamento a resultados, o transporte intermunicipal segue com foco predominante no equilíbrio econômico das operadoras.
Com uma frota envelhecida e sem exigências claras de modernização, o sistema intermunicipal enfrenta desafios que impactam diretamente a experiência do usuário.
Discussão sobre mobilidade no RN ganha novos contornos
O reajuste que entrou em vigor reforça um debate mais amplo sobre mobilidade no estado: como equilibrar custos operacionais, manutenção de empregos e qualidade do serviço prestado.
Sem mecanismos que vinculem reajustes a melhorias concretas, há risco de perpetuação de problemas estruturais no sistema, especialmente em regiões que dependem exclusivamente do transporte rodoviário.
Foto: Arquivo

Sobre Thiago Martins, colunista do Por Dentro do RN
Thiago Martins é jornalista formado pela UFRN e há 15 anos dedica-se ao estudo e à cobertura do setor de mobilidade urbana. Escreve sobre o tema desde o início da carreira, colaborando com portais de notícias especializados e acompanhando de perto as transformações na mobilidade ativa, no setor de transportes e na infraestrutura urbana. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.
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