Ginecologista alerta que negligenciar sinais como dores menstruais intensas, desconforto pélvico recorrente e dor nas relações sexuais pode atrasar identificação do quadro
Com aumento de 75% nos casos, endometriose pode levar até 7 anos para ser diagnosticada
Dor intensa durante a menstruação, desconforto nas relações sexuais e incômodos pélvicos recorrentes podem ser sinais de endometriose, doença ginecológica que, segundo o Ministério da Saúde, afeta cerca de oito milhões de mulheres no Brasil. Frequentemente confundidos com sintomas considerados “normais” do ciclo menstrual, esses sinais podem comprometer a saúde, a rotina e a qualidade de vida feminina quando ignorados.
A endometriose ocorre quando células semelhantes ao endométrio — tecido que reveste o útero — se desenvolvem fora da cavidade uterina. Sensíveis às alterações hormonais do ciclo menstrual, essas células provocam inflamação, dores intensas e, em alguns casos, aderências entre órgãos. Sem tratamento adequado, a doença pode evoluir e ocasionar dificuldades para engravidar, alterações intestinais e urinárias, além de impactos emocionais importantes, como a ansiedade.
De acordo com o ginecologista Gustavo Mafaldo, vice-presidente da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Rio Grande do Norte (SOGORN), a banalização da dor é um dos principais fatores que atrasam o reconhecimento da doença. “Muitas mulheres crescem ouvindo que sentir desconforto é normal, especialmente durante a menstruação ou nas relações sexuais. Isso faz com que elas demorem a procurar ajuda médica, prolongando o sofrimento e dificultando o tratamento”, explica.

Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) evidenciam o aumento da procura por atendimentos relacionados à endometriose. Em 2022, foram registrados 82.693 atendimentos na atenção primária. Em 2023, esse número subiu para 115.765 e, em 2024, os registros chegaram a 145.744, um crescimento de aproximadamente 76,24% em três anos.
Apesar da maior demanda por assistência, o diagnóstico da endometriose ainda pode levar de seis a sete anos, segundo o Ministério da Saúde. Entre os motivos estão a semelhança dos sintomas com outras condições ginecológicas, a falta de informação e, em alguns casos, a dificuldade de acesso a exames especializados.
Segundo Gustavo Mafaldo, reconhecer os sinais de alerta é fundamental para encurtar o tempo até o diagnóstico. “Cólicas menstruais incapacitantes, desconforto pélvico fora do período menstrual, dor durante a relação sexual e alterações intestinais no período da menstruação não devem ser ignorados, todos esses sintomas merecem investigação. Quanto mais cedo ocorre a identificação, maiores são as chances de um diagnóstico rápido e de um tratamento eficaz”, finaliza.
Foto: Divulgação
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