Escola aposta em aulas de xadrez para estimular concentração entre alunos

Escola aposta em aulas de xadrez para estimular concentração entre alunos

Projeto da Casa Escola integra o currículo do 2º e 3º anos com aulas ministradas pela mestre nacional e campeã regional de xadrez Renee Brambilla

Escola aposta em aulas de xadrez para estimular concentração entre alunos

Em meio aos impactos do excesso de telas na infância e às crescentes discussões sobre seus efeitos na atenção e concentração, o xadrez tem ganhado espaço nas escolas brasileiras como ferramenta pedagógica para estimular habilidades cognitivas, socioemocionais e estratégicas entre crianças e adolescentes. Em Natal, a Casa Escola decidiu incluir a prática no currículo regular do 2º e 3º anos do Ensino Fundamental.

As aulas são ministradas por Renee Brambilla, mestre nacional de xadrez, campeã estadual e regional Nordeste da modalidade. Segundo a professora, o jogo favorece o foco, o raciocínio lógico e a autonomia, especialmente em um contexto marcado pela aceleração das interações digitais e pela lógica das redes sociais, baseada em estímulos rápidos, consumo fragmentado de conteúdo e redução do tempo de atenção. 

“Quanto mais cedo os alunos iniciarem no xadrez, mais cedo eles terão contato com os benefícios que o jogo pode trazer para o desenvolvimento cognitivo. Ele é especialmente indicado para essa faixa etária dos 7 aos 9 anos porque é uma idade em que as crianças já conseguem compreender os movimentos das peças e se interessar pelo jogo de maneira mais imaginativa e matemática”, afirma.

Escola aposta em aulas de xadrez para estimular concentração entre alunos
Escola aposta em aulas de xadrez para estimular concentração entre alunos

Segundo ela, para aproximar o conteúdo do universo infantil, as aulas são conduzidas de forma lúdica, com histórias, desenhos e atividades ligadas ao imaginário das peças e das partidas. “O xadrez por si só é um jogo bastante lúdico. Cada peça representa uma função na batalha: cavalos, reis, torres, peões que se transformam. É como um universo mágico. As crianças adoram brincar com as peças”, relata Renee. 

A professora explica que, além do raciocínio lógico, o jogo também estimula habilidades relacionadas à tomada de decisões, convivência e controle emocional. “No xadrez, você está o tempo todo tomando decisões que afetam o rumo da partida, e treinar isso reflete no comportamento de pensar antes de agir. Também desenvolve o respeito pelos colegas adversários e o controle emocional de saber perder e ganhar”, acrescenta.

Para a diretora da Casa Escola, Priscila Griner, a proposta está alinhada à visão pedagógica da escola. “Investir em projetos e iniciativas que estimulem o pensamento estratégico desde a infância é fundamental porque aprender vai muito além de receber informações. A verdadeira aprendizagem acontece quando a criança é mobilizada intelectualmente, emocionalmente e socialmente”, destaca.

A educadora também chama atenção para o papel do xadrez em um cenário de hiperconectividade e redução das interações presenciais. “Mais do que desenvolver raciocínio lógico, o xadrez ensina a criança e o adolescente a compartilhar experiências, respeitar o tempo do outro, lidar com frustrações, esperar, observar e construir estratégias em interação com alguém que está à sua frente – e isso é muito precioso!”, ressalta Priscila.

Embora especialistas apontem a necessidade de mais estudos para determinar de forma definitiva os impactos do xadrez no processamento cognitivo, pesquisas já identificam benefícios associados à prática. Um estudo publicado em 2020 por pesquisadores brasileiros, intitulado “Neurologia, Psiquiatria e o Jogo de Xadrez: Uma Revisão Narrativa”, reúne evidências sobre possíveis efeitos do jogo no desenvolvimento cerebral.

Entre as pesquisas analisadas, os estudiosos identificaram correlação entre habilidades enxadrísticas e competências como raciocínio fluido, memória de curto prazo, compreensão e velocidade de processamento, especialmente entre jovens praticantes. Outro levantamento citado na revisão demonstrou que crianças que praticam xadrez apresentam melhores resultados em testes relacionados à resolução de problemas.

Na Casa Escola, conforme comenta a diretora, os primeiros efeitos da iniciativa já começam a ser percebidos pela comunidade escolar. “O que mais chama atenção é justamente essa combinação entre prazer e desenvolvimento: as crianças se envolvem genuinamente com o jogo ao mesmo tempo em que exercitam concentração, autonomia, convivência e pensamento estratégico”, conclui Priscila Griner.

Fotos: Divulgação

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