Fernando Haddad recua de aumento do IOF após repercussão negativa

Fernando Haddad recua de aumento do IOF após repercussão negativa

Ministro da Fazenda afirma que decisão foi técnica e teve impacto estimado inferior a R$ 2 bilhões

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou neste domingo (25.mai.2025) que a decisão de revogar o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) foi técnica e tomada poucas horas após o anúncio da medida, que causou forte reação negativa no mercado financeiro e em setores econômicos.

A medida anunciada no dia 22 de maio previa a elevação da alíquota do IOF para 3,5% sobre transferências relativas a aplicações de fundos no exterior. A proposta foi incluída no pacote de medidas para viabilizar o cumprimento do novo arcabouço fiscal, mas acabou sendo retirada por decreto após a repercussão.

Segundo Haddad, a decisão de revogar o trecho do decreto foi tomada sem consulta prévia ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apesar de o conjunto das medidas ter sido discutido com o chefe do Executivo antes da divulgação.

“A minha decisão foi absolutamente técnica. Assim que identifiquei o problema, convoquei uma reunião virtual com a equipe e redigi o ato de correção. Antes, conferi com fontes confiáveis se as informações procediam”, disse Haddad em entrevista ao jornal O Globo.

O ministro informou ainda que a reversão da medida terá impacto estimado inferior a R$ 2 bilhões no orçamento de 2025, e justificou o recuo como uma forma de evitar especulações e instabilidade no mercado.

Além do recuo do IOF, a equipe econômica anunciou um bloqueio de R$ 31,3 bilhões no orçamento do próximo ano, sendo R$ 10,6 bilhões em bloqueios diretos e R$ 20,7 bilhões em contingenciamentos, para garantir o cumprimento do arcabouço fiscal aprovado pelo Congresso Nacional.

Durante a entrevista, Haddad também comentou sobre a política de juros. A taxa Selic foi mantida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em 14,75%, o maior índice em quase duas décadas. O ministro afirmou que Gabriel Galípolo, indicado à presidência do Banco Central, saberá conduzir a transição de forma responsável.

“Ele não foi convidado para dar um cavalo de pau. Sabemos da importância de manter a confiança dos investidores. Galípolo saberá promover a harmonização entre a política fiscal e monetária”, afirmou Haddad.

As medidas de contenção e ajustes fiscais estão sendo conduzidas pelo Ministério da Fazenda em meio ao esforço do governo federal para equilibrar as contas públicas e controlar a inflação, mantendo a credibilidade junto ao mercado financeiro e investidores.

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil / Marcelo Camargo/Agência Brasil

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