Nova tarifa de 50% anunciada por Trump impacta exportações potiguares e preocupa setores produtivos
A decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros deve impactar de forma relevante a economia do Rio Grande do Norte. Entre os itens exportados que podem ser mais afetados estão atum e pescados em geral, sal, petróleo e frutas como melão e melancia.
A medida, anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi comunicada na quarta-feira (9.jul.2025) e gerou reações no dia seguinte (10.jul) de representantes do setor produtivo e do Governo do Estado. A preocupação central está nos efeitos sobre investimentos, empregos e na viabilidade econômica das exportações potiguares para o mercado americano.

Dados do Observatório Mais RN, da Federação das Indústrias do Estado (Fiern), indicam que as exportações potiguares para os Estados Unidos somaram US$ 67,1 milhões no primeiro semestre deste ano. Esse valor representa um aumento de 120% em relação ao mesmo período de 2024, quando as vendas somaram US$ 30,5 milhões.
Entre os setores mais impactados está o petróleo, responsável por 45% do PIB industrial do Rio Grande do Norte. As vendas para o mercado americano cresceram de US$ 4 milhões no primeiro semestre de 2024 para US$ 24 milhões no mesmo período deste ano. A expectativa é que a nova tarifa reduza a competitividade desse produto.
O setor pesqueiro também se mostra vulnerável à taxação. As exportações de atum e meca, que têm o mercado americano como destino quase exclusivo, correm o risco de se tornarem inviáveis. Para contornar o cenário, empresas do setor tentam antecipar embarques antes da aplicação da nova tarifa, prevista para agosto.

Na fruticultura, as vendas de melão e melancia para os Estados Unidos representam cerca de 5% do volume exportado para a Europa. Embora o impacto seja avaliado como menor em relação ao total da produção, existe cautela no planejamento da próxima safra, com expectativa de redução de 3% na área plantada.
A indústria salineira também sente os efeitos do anúncio. Estima-se que 25% da produção de sal do Rio Grande do Norte seja destinada ao mercado norte-americano, com saída pelo Porto Ilha de Areia Branca. Caso a tarifa seja mantida, existe o risco de inviabilizar a continuidade das exportações para os Estados Unidos, o que significaria uma perda estimada de 500 mil toneladas por ano.
A cadeia de petróleo, gás e energia também pode ser impactada indiretamente pela decisão. Apesar dos Estados Unidos não serem um grande comprador do óleo potiguar, o setor depende de insumos e produtos adquiridos no mercado americano, o que pode encarecer custos e dificultar operações.
Do ponto de vista macroeconômico, há projeção de que a medida pressione a cotação do dólar. Um cenário de aumento do câmbio pode ter efeitos sobre o preço de combustíveis e alimentos, além de afetar a inflação. Para o Rio Grande do Norte, o reflexo negativo pode se dar também na geração de empregos e na redução de investimentos, caso empresas diminuam a produção diante das restrições de mercado.
Entidades representativas dos setores produtivos no estado têm solicitado que o governo federal atue de forma diplomática para evitar a imposição definitiva da tarifa. Entre as preocupações apontadas está a possibilidade de contratos de exportação em negociação serem suspensos ou cancelados, o que pode gerar prejuízos significativos.

A Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico do RN afirmou que acompanha o cenário desde março, quando ocorreu o anúncio das primeiras elevações tarifárias. Diante da previsão de entrada em vigor do aumento de 50% a partir de agosto, a pasta defende um acompanhamento mais rigoroso e uma atuação articulada com o governo federal e setores produtivos para preservar a competitividade das exportações potiguares.
Entre as estratégias sugeridas estão o mapeamento de barreiras tarifárias e não tarifárias, a capacitação técnica de exportadores locais sobre exigências sanitárias e padrões internacionais, o incentivo a acordos comerciais bilaterais e o reposicionamento de produtos nas cadeias globais de valor, com foco em diferenciação e sustentabilidade.
A Secretaria de Fazenda do Estado também avalia que setores como o de pescado e o de sal marinho, que dependem fortemente do mercado americano, podem sofrer impacto direto na geração de empregos caso as exportações sejam inviabilizadas.
De janeiro a março deste ano, o Rio Grande do Norte exportou US$ 26,2 milhões para os Estados Unidos e importou US$ 9,8 milhões, resultando em um superávit de US$ 16,4 milhões na balança comercial bilateral. A expectativa agora é que medidas diplomáticas sejam intensificadas para evitar perdas mais expressivas para a economia estadual.
Foto: Arquivo/Assecom-RN / Carmem Félix/Assecom-RN/Ilustração / Raiane Miranda/Assecom-RN/Ilustração
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