Setor pesqueiro do RN teme impacto de tarifa dos EUA sobre exportação de atum

Setor pesqueiro do RN teme impacto de tarifa dos EUA sobre exportação de atum

Anúncio de taxação de 50% pode inviabilizar atividade, que depende majoritariamente do mercado norte-americano

O setor pesqueiro do Rio Grande do Norte demonstra preocupação com o anúncio de taxação de 50% sobre os produtos brasileiros comercializados com os Estados Unidos. Caso a medida seja efetivada, produtores afirmam que a continuidade da pesca de atum se tornará economicamente inviável, com possibilidade de paralisação total da frota.

Os Estados Unidos são o principal destino do atum fresco pescado pelos barcos potiguares, absorvendo cerca de 80% da produção local. Esse comércio representa aproximadamente US$ 50 milhões por ano, equivalentes a cerca de 4 mil toneladas do pescado, o que corresponde a mais de R$ 278 milhões na cotação atual. O setor não possui um “plano B” para escoar a produção em caso de confirmação da tarifa adicional.

A possível taxação eleva os custos de exportação a um patamar que, segundo os produtores, inviabiliza a operação comercial. Diante do cenário, representantes do setor pretendem discutir estratégias e alternativas em reuniões com entidades como a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Atualmente, os barcos pesqueiros potiguares já se encontram no mar para a produção deste mês. Como o início da cobrança está previsto apenas para agosto, a safra atual não deve sofrer impacto imediato da nova tarifa. No entanto, a preocupação se concentra nas remessas futuras e na manutenção da atividade pesqueira a partir do segundo semestre.

A dificuldade se soma a outro obstáculo enfrentado desde 2018: a barreira sanitária imposta pela União Europeia, que impede a exportação de pescado e produtos da aquicultura brasileira para o mercado europeu. Com essa restrição, o setor pesqueiro do Rio Grande do Norte se tornou ainda mais dependente das vendas para os Estados Unidos.

Sem acesso ao mercado europeu, não há alternativas consolidadas para escoar a produção em larga escala, aumentando a vulnerabilidade econômica dos produtores potiguares. Em caso de confirmação da nova tarifa, há risco de paralisação das atividades, o que pode afetar empregos diretos e indiretos gerados pela pesca de atum no estado.

O setor pressiona o Governo Federal para que atue diplomaticamente visando reverter a decisão dos Estados Unidos. A expectativa é que haja negociações bilaterais que evitem a implementação da tarifa ou, ao menos, mitiguem seus efeitos sobre a economia local.

Além disso, os produtores defendem que o governo brasileiro também negocie o fim da restrição europeia. A reabertura do mercado europeu seria uma alternativa para reduzir a dependência das exportações para os Estados Unidos e diversificar os destinos do pescado potiguar.

O comércio internacional de atum fresco é considerado estratégico para a economia do Rio Grande do Norte, movimentando milhões de dólares e empregando trabalhadores em diferentes etapas da cadeia produtiva, desde a pesca em alto-mar até o processamento e a logística para exportação.

Diante desse contexto, o setor aguarda definições sobre as negociações diplomáticas e a evolução do cenário internacional. Enquanto isso, mantém a programação para concluir a produção e as vendas referentes a julho, antes do prazo previsto para o início da cobrança da tarifa adicional.

Foto: Allan Phablo (SECOM/PMM) / Wilson Moreno (Secom/PMM) / Raul Pereira / Secom/PMM

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