Por Thiago Martins – thiagolmmartins@gmail.com
Mobilidade em Pauta

Permissionários do sistema de transporte interbairros de Parnamirim anunciaram paralisação sem prazo para terminar a partir de terça-feira, 15 de julho de 2025. Em nota distribuída via aplicativos de mensagem, o grupo afirma que a paralisação é um protesto por motivos políticos.
Histórico da manifestação
A manifestação foi precedida de uma reunião com a prefeita Nilda Cruz (Solidariedade) no dia 20 de junho, na qual os permissionários disseram ter recebido garantias de que não haveria mudanças prejudiciais ao sistema atual. Porém, segundo a mensagem divulgada, as articulações políticas continuaram, levando à decisão de paralisar as atividades.
O comunicado ressalta que cada veículo fará a primeira viagem do dia para garantir o deslocamento de trabalhadores, mas a partir das 7h30 do dia 15, o serviço estará suspenso por tempo indeterminado.
Frota antiga com mais de 20 anos em operação
Embora a paralisação tenha motivação política declarada, a situação evidencia um problema mais estrutural e que afeta diretamente a população: a frota utilizada no transporte interbairros de Parnamirim inclui veículos velhos – um deles fabricado em 2001, com mais de 20 anos de uso.
Essas vans, ainda em operação, não atendem aos padrões atuais de acessibilidade, como espaço adequado para cadeirantes ou dispositivos de auxílio para pessoas com mobilidade reduzida.
Além da acessibilidade comprometida, a idade avançada dos veículos levanta preocupações sobre segurança viária e conforto dos passageiros. Sem sistemas de climatização modernos, com bancos desgastados e problemas de manutenção mais frequentes, o transporte interbairros tem se mantido em funcionamento mesmo sem atender parâmetros mínimos esperados para transporte coletivo regular.
Tarifa cara sem garantia de qualidade
Atualmente, a tarifa cobrada pelo transporte interbairros em Parnamirim é de R$ 4,00 por passageiro nas linhas 1, 2 (quando operava), 3, 4 e 5, e de R$ 5 na linha 6. Apesar do valor, não há padrão mínimo de qualidade assegurado ao usuário.
O contraste entre o preço da passagem e as condições oferecidas nos veículos torna ainda mais relevante o debate sobre a regulamentação do serviço, que opera de forma permissionada, com – suposta – fiscalização municipal.
Em um momento em que políticas públicas visam garantir inclusão e mobilidade para toda a população, incluindo pessoas com deficiência ou idosos, manter uma frota antiga sem adaptações e sem renovação efetiva cria barreiras ao direito de ir e vir, além de expor passageiros a riscos de segurança.
Suposto risco de monopólio
Na nota distribuída à população, os permissionários afirmam que a paralisação é necessária para “lutar pela continuidade e melhoria da qualidade na prestação do serviço” e protestar contra as supostas articulações para criação de um monopólio no transporte de Parnamirim.
Segurança e manutenção da frota
A longevidade dos veículos — com parte deles ultrapassando 20 anos de uso — também traz preocupações relacionadas à segurança veicular.
Com o envelhecimento da frota, surgem falhas mecânicas mais frequentes, desgaste estrutural e a necessidade de manutenção constante para evitar acidentes.
Sem renovação, o risco de falhas em sistemas essenciais como freios, suspensão ou iluminação aumenta, colocando em xeque a segurança dos passageiros e dos demais usuários das vias.
Papel do poder público municipal
A prefeitura de Parnamirim, por meio de sua Secretaria de Mobilidade Urbana, é responsável por fiscalizar o serviço permissionado, verificar as condições de operação e garantir o cumprimento das normas de transporte coletivo urbano.
Além disso, cabe ao município promover processos de concessão ou autorização de transporte que atendam aos requisitos legais de segurança, conforto e acessibilidade, além de garantir a modicidade tarifária — o equilíbrio entre preço cobrado e qualidade entregue.
A paralisação anunciada evidencia a necessidade de discussão pública mais ampla sobre a política de transporte municipal em Parnamirim, incluindo a definição de padrões mínimos de frota e o planejamento para sua renovação.
Impacto para os usuários
Com a paralisação sem prazo para terminar, trabalhadores e estudantes que dependem do transporte interbairros podem enfrentar dificuldades adicionais para se locomover entre bairros de Parnamirim.
Mesmo antes da greve, esses usuários já lidavam com viagens em veículos antigos, sem acessibilidade e conforto, o que se torna ainda mais problemático considerando a tarifa de R$ 4,00.
O anúncio de paralisação destaca não apenas uma disputa política, mas um quadro de precarização que se arrasta há anos sem solução efetiva.
Foto: Arquivo/POR DENTRO DO RN

Sobre Thiago Martins, colunista do Por Dentro do RN
Thiago Martins é jornalista formado pela UFRN e há 15 anos dedica-se ao estudo e à cobertura do setor de mobilidade urbana. Escreve sobre o tema desde o início da carreira, colaborando com portais de notícias especializados e acompanhando de perto as transformações na mobilidade ativa, no setor de transportes e na infraestrutura urbana. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.
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