Operação Echo Chamber cumpre mandado de busca em Natal contra suspeito de disseminar conteúdo calunioso nas redes sociais
O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), apoiou o Ministério Público do Ceará (MPCE) na execução da segunda fase da operação Echo Chamber, realizada nesta terça-feira (15.jul.2025). A ação ocorreu em Natal, onde foi cumprido um mandado de busca e apreensão pessoal e domiciliar contra um suspeito de envolvimento em campanha de desinformação e ataques virtuais direcionados à ativista Maria da Penha Maia Fernandes.
Durante o cumprimento da medida judicial, foram apreendidos equipamentos eletrônicos e documentos. O material será encaminhado ao Ministério Público do Ceará para análise e continuidade das investigações.

A operação tem como foco a apuração de ações coordenadas de disseminação de conteúdo calunioso, misógino e de descrédito contra Maria da Penha, cuja trajetória é símbolo da luta contra a violência doméstica no Brasil. A investigação também aponta a produção e divulgação de um documentário com alegações de fraude processual e uso de documentos falsos, em tentativa de reverter a narrativa reconhecida judicialmente sobre o caso.
O conteúdo investigado foi veiculado por meio de plataformas digitais, redes sociais e canais de comunicação privados. Além das mensagens caluniosas, as apurações identificaram práticas de perseguição virtual, conhecidas como cyberstalking, além de possíveis crimes de falsificação de documento público e intimidação sistemática em ambiente digital.

Na primeira fase da operação, deflagrada em 14 de dezembro de 2024, o Poder Judiciário autorizou medidas cautelares contra um dos investigados, como a suspensão de perfil em rede social, proibição de contato com Maria da Penha e familiares, além da restrição de deslocamento fora da comarca de residência ou para o exterior, sem autorização judicial.
De acordo com o MPCE, as investigações revelaram uma ação sistemática de ataques à honra de Maria da Penha, com o objetivo de desacreditar o processo judicial que resultou na criação da Lei nº 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha. O movimento foi impulsionado por perfis com grande número de seguidores, gerando um ambiente de desinformação.
A atuação do principal investigado incluiu a visita à antiga residência da ativista, localizada no bairro Papicu, em Fortaleza, onde ocorreu a tentativa de homicídio em 1983. O episódio, segundo o MP, representa uma escalada no nível de hostilidade dos envolvidos.

O nome da operação, “Echo Chamber” (Câmara de Eco), refere-se ao fenômeno de reforço contínuo de narrativas em ambientes digitais fechados, onde apenas ideias previamente aceitas são replicadas entre os membros, dificultando o confronto com versões distintas dos fatos. Segundo o MPCE, esse padrão foi observado nos conteúdos analisados.
As investigações prosseguem com análise do material apreendido e mapeamento das conexões entre os envolvidos.
Foto: Divulgação/MPRN
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