Frota velha, itinerários não cumpridos e falta de acessibilidade: a realidade do transporte municipal de Parnamirim

Frota velha, itinerários não cumpridos e falta de acessibilidade: a realidade do transporte municipal de Parnamirim

Por Thiago Martins – thiagolmmartins@gmail.com
Mobilidade em Pauta

Quem depende do lamentável transporte Interbairros de Parnamirim viveu a apreensão, nesta semana, de uma paralisação por parte dos permissionários que atuam no sistema municipal. Os operadores anunciaram que parariam as atividades na terça-feira, dia 14, alegando um protesto por motivos políticos.

Na prática, a paralisação não se concretizou. Uma imagem compartilhada através de aplicativo de mensagens com um grupo de supostos responsáveis pelo transporte na sede da prefeitura do terceiro maior município do Rio Grande do Norte, anunciava que uma reunião realizada e acordos firmados rendeu o fim da manifestação dos Interbairros.

“Informamos à população e aos nossos colaboradores que, em decorrência de uma reunião realizada no dia de hoje 14/07/2025, com o poder público municipal de Parnamirim, decidimos suspender a paralisação do transporte interbairros. Aguardaremos o cumprimento dos compromissos assumidos, seguimos vigilantes e confiantes na resolução dos pontos discutidos em reunião. Nosso compromisso permanece com a transparência e com a melhoria do transporte para todos”.

Os compromissos assumidos, no entanto, não foram divulgados nem oficialmente, nem extraoficialmente, nem pelos Interbairros, tampouco pela gestão parnamirinense, sob o comando de Nilda Cruz (Solidariedade), prefeita em seu primeiro mandato.

A nota dos permissionários, embora tenha sinalizado uma trégua na crise iminente, não esconde a dura realidade do transporte público interbairros, que ainda enfrenta uma frota obsoleta, veículos fabricados em sua maioria entre os anos de 1998 e 2010, e que, além de não oferecerem segurança, carecem de acessibilidade adequada, afetando especialmente os passageiros com deficiência e idosos.

A problemática da frota velha

A decisão de suspender a paralisação pode ser vista como um sinal de esperança para os usuários, mas a questão da qualidade do serviço segue sendo um problema grave. A frota envelhecida, com veículos que ultrapassam 20 anos de uso, não oferece condições mínimas de conforto, segurança e, principalmente, acessibilidade. Os veículos, que deveriam atender à população de forma eficiente e segura, são apertadas e não possuem as adaptações necessárias para garantir que pessoas com mobilidade reduzida possam se deslocar de forma digna.

O caso vai além e traz uma pergunta simples: é admissível que uma cidade – ainda mais a terceira maior do Estado em população – tenha em sua frota veículos com quase 30 anos de fabricação em operação?

As perguntas subsequentes ligadas diretamente a ela também surgem: como a prefeitura, responsável pela operação, permite que essa operação ocorra? As vistorias e autorização são concedidas?

Procuramos respostas oficiais para as questões, mas não obtivemos retorno da prefeitura de Parnamirim – o espaço segue aberto.

“Os ônibus não atendem o nosso bairro”

Em conversa com uma líder comunitária que preferiu não ser identificada por receio de retaliações, ela apontou que a situação do transporte interbairros em Parnamirim é um reflexo da falta de planejamento e da negligência das autoridades municipais. “Os Interbairros não atendem o nosso bairro, a gente sempre fica esperando, e quando eles vêm, são veículos antigos, apertados, sem conforto algum. Não é justo, a tarifa é cara, e o serviço é péssimo”, desabafou.

Na prática, os Interbairros atendem quando querem, mesmo que o itinerário determine a circulação nas comunidades locais. De acordo com uma investigação realizada pela coluna, além do bairro da líder com quem conversamos que não será exposto, o problema se agrava em pelo menos outras duas regiões: na Cophab/Parque das Árvores/Caminhos do Sol, que fica sem atendimento na linha 3; e em parte de Cajupiranga, pela linha 6.

No caso da linha 3, em inúmeras viagens realizadas, os motoristas nem mesmo justificam os atendimentos não realizados. Às vezes, em horário de maior demanda, é que vão até o local. No caso da linha 6, os motoristas só entram no bairro quando querem.

Um histórico de problemas e um futuro de incertezas

A atual situação do transporte interbairros de Parnamirim levanta uma questão importante sobre a viabilidade do modelo de concessão de serviços para permissionários. “A gente liga para o número de reclamações da prefeitura, quando nos atendem, eles devem anotar alguma coisa… mas não se resolve nada”, afirma a líder comunitária.

A necessidade de um transporte acessível, seguro e eficiente é clara, mas o modelo atual parece estar longe de oferecer soluções adequadas – inclusive no que até mesmo a prefeitura deveria oferecer, em relação ao atendimento das reclamações.

Em um sistema onde a frota é mantida por particulares, muitas vezes a falta de investimentos em renovação e manutenção dos veículos prejudica diretamente a qualidade do serviço prestado à população.

A manutenção de uma frota tão antiga, que não atende aos requisitos básicos de segurança e acessibilidade, aliado à operação que não atende nem mesmo as comunidades na quais deveria em seu itinerário, coloca em xeque a eficácia do sistema de permissionários.

Busca por melhorias e a falta de respostas

A coluna entrou em contato com a assessoria de comunicação da Prefeitura de Parnamirim para obter mais detalhes sobre as providências que estão sendo tomadas em relação à frota do transporte interbairros, a não operação nas regiões citadas na matéria e sobre o acompanhamento da situação discutida na reunião de 14 de julho. No entanto, até o fechamento desta matéria, não obtivemos retorno da assessoria.

Além disso, a nossa equipe tentou contato com os permissionários do sistema, mas também não obteve resposta. O espaço permanece aberto para que as partes envolvidas possam se manifestar e fornecer mais informações sobre as soluções que estão sendo buscadas para melhorar a qualidade do transporte em Parnamirim.

Fotos: Arquivo

thiago martins

Sobre Thiago Martins, colunista do Por Dentro do RN

Thiago Martins é jornalista formado pela UFRN e há 15 anos dedica-se ao estudo e à cobertura do setor de mobilidade urbana. Escreve sobre o tema desde o início da carreira, colaborando com portais de notícias especializados e acompanhando de perto as transformações na mobilidade ativa, no setor de transportes e na infraestrutura urbana. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

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