Compositor e fundador do Fundo de Quintal faleceu após complicações de um AVC sofrido em 2017
O cantor, compositor e instrumentista Arlindo Cruz morreu nesta sexta-feira (8.ago.2025), aos 66 anos. Ícone do samba, Arlindo enfrentava complicações de saúde desde 2017, quando sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC). O falecimento foi confirmado por sua família por meio de comunicado publicado nas redes sociais.
Segundo a nota divulgada, a família agradeceu as mensagens de carinho recebidas ao longo dos últimos anos. “Arlindo parte deixando um legado imenso para a cultura brasileira e um exemplo de força, humildade e paixão pela arte. Que sua música continue ecoando e inspirando as próximas gerações, como sempre foi seu desejo”, afirmou o comunicado. Ele deixa a esposa, Bárbara, e os filhos Arlindinho e Flora.

Arlindo Domingos da Cruz Filho nasceu em 14 de setembro de 1956, no bairro de Madureira, Zona Norte do Rio de Janeiro. Cresceu em um ambiente musical, influenciado pelo pai, Arlindão, que tocava cavaquinho, e pela mãe, Aracy, que cantava e tocava bateria. Aos 7 anos de idade, ganhou o primeiro cavaquinho e começou cedo na música, tocando com artistas como Candeia.
Na juventude, chegou a ingressar na Escola Preparatória de Cadetes do Ar, mas não deixou de lado a paixão pela música. Frequentador assíduo das rodas de samba do bloco Cacique de Ramos, Arlindo conviveu com nomes como Beth Carvalho, Jorge Aragão, Almir Guineto, Zeca Pagodinho e Sombrinha. Junto com eles, ajudou a formar o grupo Fundo de Quintal, do qual foi integrante por 12 anos.

Durante o período no Fundo de Quintal, Arlindo Cruz contribuiu para a transformação do samba com uma sonoridade mais moderna, preservando suas raízes populares. Após sair do grupo em 1993, iniciou carreira solo, consolidando-se como um dos grandes nomes da música brasileira.
Ao longo da carreira, compôs mais de 700 músicas. Entre os maiores sucessos estão “O Show Tem Que Continuar”, “Meu Lugar” e “Bagaço de Laranja”. Suas obras foram gravadas por diversos intérpretes, incluindo Zeca Pagodinho, Alcione e Beth Carvalho.

Além da música, Arlindo Cruz teve presença marcante nas escolas de samba do Rio de Janeiro, especialmente no Império Serrano, e no carnaval carioca. Torcedor do Flamengo e praticante do candomblé, era também uma voz ativa na luta contra a intolerância religiosa.
Fotos: Reprodução/Facebook
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