Noruega retira chips 4G de ônibus elétricos chineses após detectar risco de acesso remoto

Noruega retira chips 4G de ônibus elétricos chineses após detectar risco de acesso remoto

Por Thiago Martins – thiagolmmartins@gmail.com
Mobilidade em Pauta

Testes de segurança em frota recém-adquirida pela capital Oslo revelaram possibilidade de conexão direta com servidores na China

A Noruega decidiu remover os chips 4G de uma frota de ônibus elétricos comprada da fabricante chinesa Yutong, após descobrir que os veículos poderiam ser acessados remotamente por servidores localizados na China. O caso acendeu um alerta sobre segurança digital e dependência tecnológica em equipamentos importados. As informações são do site AutoPapo.

Os 300 ônibus elétricos foram adquiridos pela autoridade de transporte público de Oslo, a Ruter, como parte do plano nacional de zerar as emissões de transporte público até 2030. No entanto, testes de cibersegurança conduzidos antes do início pleno das operações apontaram possíveis riscos de controle externo.

Testes revelaram vulnerabilidade de acesso remoto

Os engenheiros responsáveis pelos testes não encontraram falhas físicas nos veículos, mas detectaram que os sistemas embarcados podiam ser acessados via servidores estrangeiros. Segundo o consultor de cibersegurança Arild Tjomsland, a possibilidade de o software receber atualizações diretamente da China significava que, em tese, os ônibus poderiam ser controlados remotamente.

Mesmo sem evidências de uso indevido por parte da fabricante, o simples fato de o sistema permitir comunicação direta com servidores externos foi considerado um risco de segurança nacional.

Governo norueguês reage e amplia investigação

Diante da descoberta, a Ruter removeu todos os chips de telefonia 4G instalados nos veículos, bloqueando qualquer tipo de conexão remota. A medida impede o envio e recebimento de dados de fora do país, garantindo que o controle dos ônibus seja exclusivamente local.

O governo norueguês também anunciou uma revisão nacional sobre o uso de tecnologias inteligentes importadas, com o objetivo de avaliar a vulnerabilidade de infraestruturas críticas controladas por empresas estrangeiras.

O ministro dos Transportes da Noruega classificou o caso como um importante alerta sobre os riscos de dependência tecnológica em áreas estratégicas, destacando a necessidade de maior autonomia digital em projetos públicos de mobilidade e energia limpa.

Os ônibus da Yutong continuam operando normalmente em Oslo, mas sem conexão com servidores externos — o que, segundo as autoridades, elimina o risco imediato de interferências estrangeiras.

Foto: Jeriel Lim/VisualHunt/Ilustração

thiago martins

Sobre Thiago Martins, colunista do Por Dentro do RN

Thiago Martins é jornalista formado pela UFRN e há 15 anos dedica-se ao estudo e à cobertura do setor de mobilidade urbana. Escreve sobre o tema desde o início da carreira, colaborando com portais de notícias especializados e acompanhando de perto as transformações na mobilidade ativa, no setor de transportes e na infraestrutura urbana. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

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