Organização de “Um Presente de Natal” contesta Governo do RN sobre cancelamento do espetáculo

Organização de “Um Presente de Natal” contesta Governo do RN sobre cancelamento do espetáculo

Produção questiona explicação sobre Lei Câmara Cascudo e aponta falhas de gestão e transparência

A organização do espetáculo “Um Presente de Natal”, que não será realizado pela primeira vez em 28 anos no Rio Grande do Norte, divulgou uma nota pública rebatendo a explicação apresentada pelo Governo do Estado para a não liberação de recursos por meio da Lei Câmara Cascudo. O posicionamento é assinado por Diana Fontes, diretora e produtora cultural responsável pelo projeto.

O espetáculo integra o calendário cultural do estado há quase três décadas e, segundo a organização, teve sua execução inviabilizada após a negativa de recursos incentivados. A nota aponta falhas de gestão e ausência de transparência na condução do processo por parte do poder público estadual.

No último sábado (13), o Governo do Rio Grande do Norte informou que, em 2025, o número de projetos aprovados por meio da Lei Câmara Cascudo superou a capacidade de renúncia fiscal disponível. De acordo com a justificativa oficial, esse cenário teria resultado no indeferimento de parte das propostas, mesmo diante de um volume recorde de recursos destinados ao incentivo cultural.

A organização de “Um Presente de Natal”, no entanto, afirma que essa explicação não justifica o cancelamento do projeto. Segundo o posicionamento divulgado, o espetáculo se enquadrava em critérios previamente acordados com órgãos do Governo do Estado, que previam a garantia de execução de projetos consolidados e já inseridos no calendário cultural.

Na nota, a produção reconhece avanços recentes no programa de incentivo à cultura, incluindo o aumento do investimento e a ampliação do acesso à Lei Câmara Cascudo. Ainda assim, ressalta que o problema, segundo o entendimento da equipe, não estaria relacionado ao montante de recursos investidos, mas à condução administrativa do processo.

De acordo com o texto, em reuniões realizadas com a Fundação José Augusto (FJA), a Secretaria de Estado da Cultura (Secult) e a área de Tributação, teria sido definido que projetos consolidados e calendarizados teriam sua execução assegurada, inclusive com previsão de novo aporte financeiro. A organização afirma que “Um Presente de Natal” foi selecionado justamente por atender a esses critérios.

Ainda segundo a nota, após meses de tratativas, a produção recebeu parecer favorável referente a 65% do patrocínio captado, processo iniciado em maio. A confirmação levou ao início da execução do projeto, com a realização de ensaios, contratação de equipe, investimentos em figurinos e formalização de parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

A organização relata que a comunicação sobre a indisponibilidade de recursos ocorreu no dia 10 de dezembro. Na ocasião, a produção teria sido informada de que não haveria mais recursos disponíveis, supostamente em razão de um erro de cálculo relacionado à renúncia fiscal.

O posicionamento também questiona os números divulgados pelo Governo do Estado ao longo do ano. De acordo com a nota, entre março e junho teriam sido anunciados R$ 23 milhões, somados posteriormente a R$ 9 milhões, totalizando R$ 32 milhões de renúncia fiscal divulgados em fevereiro. Em seguida, com a soma dos projetos selecionados, teriam sido acrescentados mais R$ 13,44 milhões, chegando a um total de R$ 45 milhões.

A organização afirma que os valores apresentados apresentam inconsistências e questiona a evolução dos números divulgados. Segundo o texto, a situação evidencia ausência de clareza nos dados e dificuldades na gestão administrativa do processo de incentivo cultural.

Na avaliação da produção, o episódio compromete a execução de um projeto que integra o calendário cultural do Rio Grande do Norte há 28 anos e que está em processo de reconhecimento como Patrimônio Cultural. A nota também destaca que o espetáculo faz parte do imaginário cultural da população do estado.

O posicionamento ressalta que a crítica não se dirige ao investimento em cultura, mas à forma como o processo foi conduzido. A organização afirma que a situação enfrentada reflete problemas de gestão no âmbito da política cultural estadual.

A íntegra da nota foi divulgada publicamente pela organização do espetáculo e reforça os questionamentos sobre a condução administrativa do processo relacionado à Lei Câmara Cascudo. Até o momento, não houve nova manifestação oficial do Governo do Estado sobre os pontos levantados no documento.

Nota na íntegra:

Falta de Gestão e Transparência Compromete a Execução de Projetos Culturais no RN

A justificativa apresentada pelo Governo, baseada no suposto superávit de projetos, não explica o cancelamento do projeto Um Presente de Natal. Reconhecemos, sim, o aumento do investimento em cultura e a ampliação do acesso à Lei Câmara Cascudo, fruto também de ações de capacitação e descentralização no interior do Estado. Esses avanços são positivos e devem ser reconhecidos.

No entanto, o problema não está no volume de recursos investidos, mas na falta de gestão, clareza e respeito aos acordos firmados. Em reunião com a Tributação, a Fundação José Augusto (FJA) e a Secretaria de Cultura (SECULT), ficou definido que projetos consolidados e calendarizados teriam sua execução garantida por meio de novo aporte do Governo. Um Presente de Natal foi selecionado justamente por se enquadrar nesses critérios.

Após meses de insistentes mensagens e telefonemas, obtivemos o parecer favorável referente a 65% do patrocínio captado — captação realizada desde maio. Diante da confirmação e da promessa de execução do projeto, iniciamos ensaios, contratamos equipe, investimos em figurinos e firmamos parceria com a UFRN, confiando no acordo estabelecido.

No dia 10 de dezembro, fomos surpreendidos com a informação de que os recursos “haviam acabado”, supostamente por erro de cálculo. Mais grave ainda: foi informado que a suplementação foi maior do que a inicialmente prevista. Os números divulgados não se sustentam. Foram anunciados R$ 23 milhões entre março e junho, somados a mais R$ 9 milhões para atingir os R$ 32 milhões de renúncia divulgados em fevereiro. Posteriormente, ao somar os projetos selecionados, acrescentaram-se mais R$ 13,44 milhões, totalizando R$ 45 milhões. Como explicar essa matemática?

Há inconsistências evidentes nos dados apresentados, ausência de transparência e desorganização administrativa. Nossa indignação não se dirige ao investimento em cultura — que defendemos e valorizamos —, mas ao descaso com um projeto que há 28 anos integra o calendário cultural do Rio Grande do Norte, encontra-se em processo de reconhecimento como Patrimônio Cultural e faz parte do imaginário afetivo da população.

O que vivenciamos hoje é um cenário de caos na gestão cultural, tanto no âmbito estadual quanto no municipal.

Foto: Brunno Martins/Arquivo/Ilustração / Sandro Menezes/Governo do RN/Ilustração

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