Por Thiago Martins – thiagolmmartins@gmail.com
Mobilidade em Pauta

A prefeita de Parnamirim, Professora Nilda (Solidariedade) e a governadora do RN, Fátima Bezerra (PT), são próximas politicamente. Talvez Nilda veja em Fátima uma inspiração política – ambas são professoras, fizeram suas campanhas em cima de muito carisma, e gostam de propagar ações que divergem da realidade em suas gestões, entre tantos outros pontos… O comparativo é importante para chegarmos ao fato de que isso deve explicar que ambas não se importem com o transporte que elas gerenciam.
Em relação ao Estado, já abordamos aqui na coluna a falta de planejamento, de ações, de proposições em prol do transporte e da mobilidade urbana com o Carnaval 2026 – o que é um detalhe, é a cereja do bolo em meio ao caos que o Setor de Transporte local vive atualmente. E o mesmo ocorre com Parnamirim, terceira maior cidade do RN.
Recentemente, a Prefeitura de Parnamirim abriu oficialmente o Carnaval 2026 com seis dias de programação gratuita na Praia de Pirangi, reunindo grandes atrações nacionais, artistas locais, trios elétricos, pranchões e blocos tradicionais.
A cidade realiza um dos carnavais mais estruturados e consolidados do estado. A programação inclui nomes como Grafith, Márcia Felipe, Jonas Esticado, Tarcísio do Acordeon e Cavaleiros do Forró, distribuídos entre palco, trio e estruturas itinerantes ao longo de seis dias.
Mas, enquanto o palco está montado, o transporte público permanece desmontado.
Semelhante ao Estado, nenhuma operação especial anunciada
Apesar da magnitude do evento:
- Não houve anúncio de reforço municipal no transporte urbano;
- Não houve pedido formal de apoio metropolitano;
- Não houve articulação com o Governo do Estado;
- Não houve política de incentivo tarifário ou linhas especiais.
Em um evento que movimenta milhares de pessoas por noite, simplesmente não existe operação extraordinária de mobilidade.
E isso ocorre em um município integrado à região metropolitana e com forte fluxo entre bairros, praias e municípios vizinhos.
Interbairros: frota permanece velha e sem acessibilidade
A rede dos chamados “Interbairros”, responsável pelo transporte urbano municipal, já enfrenta problemas estruturais conhecidos:
- Frota envelhecida;
- Veículos sem acessibilidade plena;
- Falhas recorrentes de manutenção;
- Baixa renovação.
Em um período de pico como o Carnaval, a fragilidade se torna ainda mais evidente.

Sem reforço, sem ampliação de horários e sem integração metropolitana, a população depende da malha regular — que já opera com limitações no dia a dia.
Ano passado houve iniciativa privada. Este ano, silêncio
No Carnaval anterior, a empresa Trampolim da Vitória colocou em circulação uma linha especial para atender à demanda festiva.
A iniciativa partiu a partir de uma articulação da vice-prefeita, Kátia Pires, junto à Secretaria de Trânsito e Transporte de Parnamirim.
Em 2026, no entanto, a linha não foi reeditada. Kátia e Nilda estão rompidas desde o ano passado – o que não impediria a prefeitura, que segue sob o comando de Nilda, de querer (e poder) protagonizar uma importante ação em prol do transporte de Parnamirim
No entanto, neste ano, o que aconteceu foi a ausência de apoio institucional ou incentivo da prefeitura municipal para viabilizar a operação.
Ou seja, quando depende exclusivamente do poder público – em específico a gestão de Nilda – o transporte simplesmente não acontece.
Carnaval forte, mobilidade frágil
Parnamirim promove um evento gratuito, com programação estruturada, valorização cultural, atrações nacionais, organização logística de palco e segurança.
Mas ignora um dos pilares centrais de qualquer grande evento: o deslocamento seguro e acessível da população.
Transporte não é detalhe operacional.
É infraestrutura básica.
Sem ele, a mobilidade fica concentrada em veículos particulares, o trânsito se sobrecarrega, a desigualdade de acesso aumenta e o evento perde alcance social.
Uma oportunidade desperdiçada
Seria possível, de cara:
Criar linhas municipais especiais para Pirangi;
Integrar Interbairros a polos festivos;
Firmar parceria com o sistema metropolitano;
Estimular tarifa social temporária
Nada disso foi implementado.
O contraste é evidente: enquanto Natal organiza operação robusta e gratuita, Parnamirim realiza um dos maiores carnavais do RN sem qualquer estratégia pública de transporte.
A ausência de planejamento municipal, somada à inércia estadual, reforça um problema já recorrente: o transporte público não é tratado como prioridade estratégica em Parnamirim – e igualmente no Rio Grande do Norte.
Fotos: Arquivo/POR DENTRO DO RN

Sobre Thiago Martins, colunista do Por Dentro do RN
Thiago Martins é jornalista formado pela UFRN e há 15 anos dedica-se ao estudo e à cobertura do setor de mobilidade urbana. Escreve sobre o tema desde o início da carreira, colaborando com portais de notícias especializados e acompanhando de perto as transformações na mobilidade ativa, no setor de transportes e na infraestrutura urbana. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.
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