Tarifaço dos EUA: Brasil é o país com maior redução de taxas, mas setores do RN mantêm cautela

Tarifaço dos EUA: Brasil é o país com maior redução de taxas, mas setores do RN mantêm cautela

Relatório aponta queda de 13,6 pontos percentuais na tarifa média brasileira após decisão da Suprema Corte americana. Pescado e sal marinho, importantes para a economia potiguar, ganham nova perspectiva, mas vigência de 150 dias gera incerteza

As alterações na política tarifária anunciadas pelo governo do presidente americano, Donald Trump, devem beneficiar o Brasil, que passa a ter a maior redução nas tarifas médias de exportação para os Estados Unidos. No entanto, para setores estratégicos da economia do Rio Grande do Norte, como a pesca e a indústria do sal, o cenário ainda é de cautela diante das incertezas sobre a duração e os efeitos práticos da medida.

Na sexta-feira (20), Trump fixou em 10% a nova tarifa global, elevando-a para 15% no dia seguinte. O ajuste ocorreu após a Suprema Corte dos EUA derrubar, por 6 votos a 3, a taxação de 50% que havia sido imposta a diversos parceiros comerciais no ano anterior. A nova alíquota de 15% entra em vigor nesta terça-feira (24) e é válida para todos os mercados que mantêm relações comerciais com os Estados Unidos.

Brasil lidera ranking de redução tarifária

De acordo com um relatório da Global Trade Alert, organização independente que monitora políticas de comércio internacional, o Brasil será o país mais beneficiado com a mudança. A expectativa é de uma queda de 13,6 pontos percentuais na tarifa média incidente sobre os produtos brasileiros. Em seguida, aparecem China (recuo de 7,1 pontos) e Índia (queda de 5,6 pontos).

Para a economia potiguar, a redução da alíquota chega em boa hora para itens importantes da pauta de exportação. Pescado e sal marinho, que ficaram de fora das negociações que aliviaram o tarifaço para alguns produtos em novembro do ano passado, continuavam sob a taxação de 50% e agora passam a ter uma nova perspectiva de competitividade no mercado americano.

Setor de pesca e sal monitoram impactos

A mudança na política tarifária é vista com otimismo controlado pelos representantes dos setores produtivos do Rio Grande do Norte. A avaliação é de que a alíquota de 15%, por ser linear para todos os países, evita a perda de competitividade que existia com a taxação diferenciada de 50%.

No entanto, a vigência da nova medida por apenas 150 dias gera preocupação, especialmente para segmentos que trabalham com contratos de longo prazo. A cadeia produtiva do sal, por exemplo, opera com planejamentos estendidos e depende de previsibilidade para firmar acordos comerciais. A indefinição sobre o que ocorrerá após esse período limita a capacidade de tomada de decisão dos exportadores.

Da mesma forma, o setor pesqueiro, que enfrenta um momento complicado em sua cadeia produtiva, aguarda os desdobramentos práticos da decisão. Os compradores americanos ainda não sinalizaram como irão reagir à nova alíquota, o que mantém o ambiente de negócios em compasso de espera.

Cenário nacional e impacto para o RN

Em âmbito nacional, o governo brasileiro comemorou a decisão da Suprema Corte americana. A nova alíquota de 15%, por ser igual para todos os países, mantém as condições de competitividade dos produtos brasileiros no mercado dos Estados Unidos. Em alguns setores específicos, como combustível, carne, café, celulose, suco de laranja e aeronaves, a tarifa foi zerada.

A Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern) projeta que o impacto para o mercado local tende a ser moderadamente positivo no curto prazo. Setores como pesca, sal, confeitaria e pedras de construção, que registraram queda de 25% nas exportações, com déficit de cerca de US$ 18 milhões, podem recuperar parte dessas perdas. Para produtos como manga e castanha de caju, que tiveram a tarifa ajustada de 10% para 15%, a expectativa é de manutenção dos volumes já contratados.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou que acompanha os desdobramentos com atenção e cautela, dado o impacto significativo que medidas como essa têm sobre a parceria comercial entre Brasil e Estados Unidos. Estimativas apontam um potencial impacto positivo de até US$ 21,6 bilhões para o país, com perspectiva de ampliação do volume exportado sem incidência da tarifa máxima.

O cenário que se desenha aponta para uma oportunidade de recuperação gradual da balança comercial com os EUA, mas ainda exige prudência diante das incertezas jurídicas e comerciais que marcam o atual contexto internacional.

Fotos: Sandro Menezes/Governo do RN/Ilustração

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