Por Thiago Martins – thiagolmmartins@gmail.com
Mobilidade em Pauta

Uma estudante de 20 anos ficou ferida após cair de um micro-ônibus do sistema alternativo na noite da quarta-feira (25), no bairro de Nazaré, na Zona Oeste de Natal. O acidente ocorreu no cruzamento da Avenida Jerônimo Câmara com a Rua Hidrógrafo Vital de Oliveira, próximo à Rodoviária de Natal, e foi registrado por câmeras de segurança.
O veículo de registro 1.E2.7 operava a linha L1 (Coophab/Rodoviária, via Alecrim).
As imagens mostram o momento em que a jovem, identificada como Letícia Avelino, sinaliza para o veículo e, segundos depois, é arremessada para fora após o micro-ônibus realizar uma curva com a porta aberta. Testemunhas ajudaram a sinalizar a via para evitar novos acidentes, enquanto o motorista permaneceu no local até o socorro.
Segundo informações do g1 RN, Letícia retornava do trabalho por volta das 19h, e sofreu um corte na cabeça, recebeu 15 pontos e precisou de atendimento hospitalar. Segundo familiares, o socorro demorou mais de 30 minutos e foi realizado por equipe do Corpo de Bombeiros. A estudante recebeu alta na madrugada do dia seguinte.
A família afirma não ter recebido assistência da “empresa responsável” – isto é, o permissionário – pelo veículo até o momento.
Problema recorrente no sistema alternativo
O episódio reacende um debate antigo na mobilidade urbana da região metropolitana de Natal e do transporte opcional, de modo geral: a precariedade operacional de parte do sistema de transporte alternativo.
Como já vem sendo apontado em diversas coberturas recentes sobre o transporte público na região metropolitana – incluindo a crise operacional em linhas intermunicipais, frota reduzida e veículos fora dos padrões regulatórios – a falta de fiscalização efetiva e de padronização do serviço permanece como um dos principais gargalos do setor.
Entre os problemas frequentemente relatados por usuários e especialistas estão:
- veículos operando com manutenção irregular;
- ausência de dispositivos adequados de segurança;
- superlotação e controle precário de embarque;
- dificuldade de identificação e responsabilização das empresas operadoras.
Agora, há também o caso de portas abertas durante o deslocamento.
A situação dialoga com o cenário mais amplo da mobilidade regional, que tem sido marcado por fragilidade regulatória e atuação limitada dos órgãos gestores – realidade também observada nas discussões recentes sobre transporte intermunicipal e nos problemas operacionais já registrados em sistemas urbanos e metropolitanos.
Pressão por fiscalização e responsabilização
O caso reforça a necessidade de investigação e acompanhamento pelos órgãos de controle e pelo Ministério Público, especialmente diante de denúncias recorrentes de operação irregular no transporte alternativo.
Episódios como o ocorrido evidenciam não apenas falhas individuais de condução, mas fragilidades estruturais na fiscalização e no controle do serviço prestado à população.
Até a última atualização, a “empresa responsável” pelo veículo não havia se pronunciado oficialmente.
Enquanto isso, o acidente soma-se a uma sequência de ocorrências que evidenciam um sistema que continua operando sob questionamentos quanto à segurança e à regularidade – tema que, como você mesmo tem acompanhado em suas análises sobre o transporte metropolitano e municipal, permanece sem solução estrutural.
Fotos: Reprodução

Sobre Thiago Martins, colunista do Por Dentro do RN
Thiago Martins é jornalista formado pela UFRN e há 15 anos dedica-se ao estudo e à cobertura do setor de mobilidade urbana. Escreve sobre o tema desde o início da carreira, colaborando com portais de notícias especializados e acompanhando de perto as transformações na mobilidade ativa, no setor de transportes e na infraestrutura urbana. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.
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